Tomione: Forbidden Memories

39 Irreparável ou não?


Seis dias. Hermione passou seis dias na ala hospitalar.

Não souberam explicar por que de ter demorado tanto em sua recuperação, visto a quantidade de poções que havia tomado, mas Hermione sabia. Era o anel.

O maldito anel estava sugando parte de suas forças, pois as de Dumbledore não eram mais suficientes agora que ele estava machucado, sua mão enegrecendo cada vez mais.

E Hermione não podia fazer nada quanto a isso, a não ser se manter o mais forte possível, o que no caso dela sempre era por pouco tempo.

E também tinha Madeleine. Que sempre tem um sorriso no rosto e é brigona. Que é muito amada por Aidan. E que agora está muito perto da morte, internada em St. Mungus.

Hermione sentiu um bolo em sua garganta, como toda vez que lembrava de Madeleine. E pior ainda era ter que ver o rosto preocupado e sério de Aidan.

Suspirou pesadamente empurrando tais pensamentos para longe. Não ia adiantar nada ficar se lamentando, ela sabia, mas não podia evitar o tempo todo.

E Hermione estava mentalmente cansada de tudo isso. Hoje finalmente estava saindo da ala hospitalar, apesar de ter que tomar uma poção para dor e outra energética.

Nesse meio tempo em que estivera lá, Hermione recebia a visita de Ethan todos os dias e o garoto contava como as coisas estavam indo. O salão principal já estava completamente reformado, porém o cheiro de fumaça não ia sair tão cedo. John Madley, que tinha sofrido uma feia queimadura no rosto, dissera para Annabel nunca mais chegar perto dele em sua vida. A garota, que tinha recebido uma série de feitiços de Walburga, estava em frangalhos, mas passava bem. E Walburga, sabe–se lá como e porquê, não ia receber punição por ter encolhido a cabeça do professor Beery.

Hermione não perguntou qual tipo de ferimento Madeleine tinha, pois já sabia que era sério e não realmente não queria saber de mais nada. E Aidan só foi visita–la uma vez junto com Ethan, logo depois de Tom tinha ido vê–la e Hermione os explicou o que era um cinzal. Depois disso o Aidan saira falando que ia avisar Dumbledore sobre isso.

E Tom também não voltara mais para vê–la, mas Hermione não estava preocupada, pois já contava com isso. Tom era assim, ele aparecia para ela por um tempo e depois repentinamente se afastava.

A garota puxou as cortinas em volta da cama, Ethan já estava ali esperando para ir.

Depois de todo esse tempo, Hermione já estava quase normal. Seu olho já não estava mais roxo, porém as finas cicatrizes dos cortes marcariam sua testa e bochecha para sempre. Seu braço queimado e quebrado não estava totalmente curado, tendo assim que manter a tala por mais um tempo.

Sua cabeça não estava mais enfaixada, mas a grande cicatriz ficaria, assim com nunca mais cresceria cabelo naquela área. Porém dava perfeitamente para cobrir o lugar, então ninguém perceberia.

– Está pronta? – Perguntou Ethan.

Hermione assentiu. Estava finalmente com suas roupas normais e ia voltar para o dormitório da Corvinal.

– Aidan? – Perguntou ela.

Ethan negou com a cabeça.

– Ele não pode vir. Disse que tinha que enviar uma carta para os pais.

– Certo – Falou Hermione.

Mas ela sabia a verdade. Aidan não queria vê–la, não porquê a culpasse – talvez um pouco –, mas sim porque ela estava se recuperando e Madeleine não.

Ethan lhe ofereceu o braço e sorriu bondoso a encarando com seus olhos cinza sonhadores. Hermione arqueou a sobrancelha, numa pergunta muda.

– O tipo de educação que eu recebi não me permite que eu deixe uma dama machucada caminhar sem ajuda – Disse Ethan brincando.

– Pois bem, senhor cavalheiro – Hermione deu um pequeno meio sorriso entrando na brincadeira – Vou permitir que ajude.

Hermione enganchou o seu braço bom no de Ethan e juntos caminharam para fora da ala hospitalar em direção a Corvinal. Por onde passavam atraiam olhares, todos queriam saber qual era o estado dela. E esse "todos" não eram muitos, afinal o resto dos alunos de Hogwarts só chegariam no dia seguinte.

Já estavam no terceiro andar quando depararam–se com Dumbledore nas escadas vindo até eles.

– Olá professor Dumbledore – Cumprimentou Ethan.

– Olá senhor Scamander – Sorriu Dumbledore – Vejo que já está melhor, senhorita.

– Sim senhor, obrigada – Respondeu Hermione permanecendo indiferente.

– Se me permite, senhor Scamander, quero dar uma palavrinha com a senhorita Granger.

– Claro – Sorriu Ethan soltando–se de Hermione – Te vejo mais tarde.

Com um último olhar, Ethan continuou subindo as escadas.

– Me acompanhe, senhorita – Sorriu Dumbledore lhe oferecendo o braço como Ethan havia feito antes.

Caminharam até a sala dele e entraram, Dumbledore lhe oferendo chá assim que sentaram.

– Sim, obrigada – Aceitou Hermione.

– Sinto muito pelo o que aconteceu – Disse Dumbledore depois de uma pausa silenciosa – O senhor Bell me contou o que você disse sobre o cinzal. Não tive chance de falar com a senhorita antes, pois tive que ajudar o diretor Dippet a acalmar todos os pais que vieram pra cá e responder diversas cartas.

Hermione assentiu.

– Mas direto ao assunto, vejo que fez muito progresso com Tom – Sorriu Dumbledore com seus olhos azuis se iluminando por trás dos óculos.

– Acho que sim. Não imaginei que ele se arriscaria para me salvar, mas deve ter alguma coisa que ele quer muito de mim, ele não faria isso por nada – Disse Hermione.

Dumbledore sorriu misterioso.

– Realmente, deve ter algum motivo muito forte, pois Tom sempre temeu a morte mais do que tudo e ele simplesmente deixou isso de lado para lhe salvar. Não consegue imaginar nenhum motivo do porquê dele ter feito isso?

– Não – Disse Hermione desviando o olhar – Talvez ele ache que eu tenho algum grande segredo a esconder.

– E tem algum? – Perguntou Dumbledore tomando um pouco de chá.

– Além de ter voltado no tempo para impedir ele de ser tornar o maior bruxo das trevas de todos os tempos? – Perguntou Hermione sarcasticamente – Não, nenhum.

O sorriso de Dumbledore sumiu e ele a encarou profundamente.

– Você tem certeza?

Hermione desviou os olhos e bebeu um pouco de chá.

– Sim, eu tenho certeza. E desculpe pelo o que eu disse, foi grosseria – Desculpou–se Hermione.

Não era bom para ela ser sarcástica com um grande bruxo como Dumbledore.

– Certo – Assentiu Dumbledore – Continue do jeito que está com Tom. E ele parecia até feliz quando saiu da enfermaria depois de falar com você. – Sorriu novamente.

– Como você...? – Balbuciou Hermione fazendo uma careta.

– Eu sei de muita coisa, senhorita Granger. Mas saiba que em todos esses anos, esta foi a primeira vez que vi um real sorriso na face de Tom, então continue assim.

A garota assentiu, desconfortavel. Dumbledore sabia. Ele sempre sabia. E ele não ligava para essa "relação" estranha que ela e Tom tinham. Só sabia que isso estava fazendo bem a Tom e por incrível que pareça, à ela também. Só que tudo isso era um bem momentaneo. Ela nunca poderia esquecer o que havia acontecido em sua vida e o único jeito de fazer isso mudar era mudando Tom Riddle. Uma tarefa impossivel. Ele nunca esqueceria seus ideais, independente do que acontecesse.

– Não importa – Falou Hermione – Ele nunca vai mudar. É irreparável.

Dumbledore suspirou.

– Você não mudou? – Perguntou ele.

– É diferente – Retrucou Hermione.

– É? Por que é diferente? – Questionou o mais velho.

– Eu não queria! Nunca quis! Mas eu tinha que fazer! Eles mataram meus pais! – Gritou Hermione – Por que acha que eu estou aqui? Pra mudar tudo isso, nada disso deveria ter acontecido!

Hermione respirava fortemente depois dessa pequena explosão de raiva. Eu não devia ter disso, pensou Hermione, e, apenas por um instante, se lembrou de Hagrid que vivia dizendo o que não deveria.

Dumbledore suspirou tristemente.

– Você não percebe, senhorita Granger? Ele já mudou. Por sua causa. Apesar de que grande parte dele nunca mude, uma pequena já mudou e isso vai causar uma grande diferença no futuro. E isso é bom, Hermione. Tom está conhecendo a felicidade pela primeira vez em sua vida, enquanto você já a conhecia, mas que foi arrancada de você com brutalidade. Deixe Tom conhecer isso e te ajudar a recuperar o que você perdeu. Só deixe.

Silencio. Hermione não sabia o que pensar, o que fazer.

– Posso ir agora? – Perguntou ela se levantando.

– Só mais uma coisa senhorita Granger. Amanhã é o aniversário de Tom. Tem minha permição para sair, se quiser.

Hermione assentiu e saiu da sala, com o coração pesado e a mente a mil.

Notas finais
i pessoal! Desculpe pelo capítulo pequeno, estou realmente ocupada nesse fim de férias XD E demorei pra postar pra ver se recebei mais alguns comentários e olha só, funcionou! E gostaria de agradecer muito, pois recebemos mais uma recomendação, então: Obrigada! Amo vocês pessoal :3