Notas iniciais
Olá pessoal, sei que demorei, mas é que eu tive uns problemas com a minha viagem e um parente meu está muito mal e provavelmente vai morrer. Ouve um acidente na casa dele, e, sabe-se lá como, ele acabou com uma faca enfiada no pâncreas. E se fazer cirurgia ele não resiste, vai ter que esperar estabilizar. E é por esse motivo que eu demorei a postar. Agora, chega de enrolação, ai vai o capítulo. Comentem!

Hermione não saiu de Hogwarts naquele dia. Seus pensamentos estavam confusos e ela detestava estar confusa.

Mesmo sendo o aniversário de Tom no dia seguinte, ela não queria sair e nem sabia o que deveria dar à ele. Quer dizer, o que dar para Tom Riddle que possa ser útil, porém sem ser usado para as artes das trevas?

O único presente que Hermione já dera a ele fora no natal e era uma zombaria. Mas ele havia lhe dado um lindo colar e agora era o aniversário dele, então ela tinha que dar algo que ele usasse.

O colar... Hermione estava confusa com ele. Por que Tom lhe daria um colar com um feitiço rastreador?

Ele achava mesmo que ela seria burra o bastante para usar algo dado por ele sem ao menos verificar se havia um feitiço embutido?

E porque salvá–la quando ele podia simplesmente deixa–la morrer e lhe poupar tempo, resolvendo assim os seus problemas com ela? O único motivo que Hermione conseguia imaginar era que Tom achava que ela escondia um grande segredo – o que é verdade – e que também estava curioso para saber como ela sabia de tudo aquilo sobre ele. E se sabia das Horcruxes.

Mas arriscar a própria vida por ela? Ele podia ter mandado um de seus "amigos". Porém, ele também não quis se gabar por este feito, o que não era típico de alguém que se transformaria em Lord Voldemort, não é?

E se Dumbledore estivesse certo, afinal? E se Tom estivesse mesmo mudando? Uma coisa que para ela, era – é – impossível. Era mais provável que ele estivesse fazendo isso para fazê–la se apaixonar por ele. Mas isso também não fazia sentido! O que ele mais temia era a própria morte e de repente ele vai lá e arrisca sua vida por uma sangue–ruim! Por quê?

Talvez alguém teria a salvo usando poção polissuco para fazer com que Tom pareça um herói? Mas isso também não explicava a maldita preocupação e o maldito alívio que ela sentiu por ele e nem o porquê ter gostado de beija–lo.

Hermione odiava–o por trazer essa bagunça em sua mente e em seus sentimentos. Mas se essa história de fazê–la se apaixonar por ele – uma coisa que Hermione nunca deixaria acontecer – fosse verdade, Tom Riddle atuaria tão bem assim?

Ela não sabia. E sinceramente tinha medo do que aconteceria caso descobrisse que isso é verdade.

OoOoOoOoOoO

No dia seguinte, na hora do café da manhã, Hermione seguia em silencio para o salão principal acompanhada de Ethan e Aidan, agora que este último já não estava mais a evitando. Sem Madeleine para tagarelar e brigar com Aidan, as coisas eram um tanto silenciosas e monótonas.

Entraram no salão. Era a primeira vez que Hermione entrava lá depois do acidente. Parecia exatamente igual ao que fora antes, exceto por algumas manchas negras nas paredes que não fora totalmente limpas e pelo cheiro de madeira queimada que embrulhava o estômago da garota.

Já que ainda era dia 31, haviam poucas pessoas no salão, visto que o resto dos alunos só voltariam das férias no dia seguinte.

Tom estava lá também, mas apenas lhe assentiu em cumprimento – o qual Hermione ignorou – e voltou a sua refeição.

Se sentaram e Aidan já começou a se servir. Ele comia tanto quando Rony e quando estava preocupado ele comia mais ainda. O diretor Dippet, um homem meio careca e franzino, se levantou de seu lugar e chamou a atenção dos alunos.

– Alunos... – Começou parecendo tenso e preocupado – Sinto ter que lhes dar essa notícia.

Hermione franziu o cenho e encarou Dumbledore que estava sentado junto com os outros professores. Ele estava ereto e sem óculos, com os olhos fixos em Dippet. Hermione poderia jurar o os seus olhos azuis estavam avermelhados, mas ela não tinha certeza devido a distancia.

– Como sabem, depois daquele infeliz acidente, tivemos muitos feridos – Dizia o diretor – Uns tiveram sorte, outros nem tanto.

Aidan prestava atenção em cada palavra daquele homem. Tinha um péssimo pressentimento e fincava as unhas na mesa querendo que o velho parasse de enrolação e dissesse logo o que tinha a dizer.

– Acabaram se machucando feio devido a irresponsabilidade de algumas... Pessoas – Falou o diretor mandando um olhar de esguilha para o professor Kettleburn que nem ao menos percebeu – E graças há isso, sinto muito lhes dizer que... – Voltou o seu olhar diretamente para eles – A aluna Madeleine Clearwater, que havia sido mandada para St. Mungus, não resistiu aos ferimentos.

Silêncio sepulcral.

Aidan não conseguia processar o que acabara de ouvir. Era como se tudo estivesse em câmera lenta e tudo que ele conseguia fazer era encarar. Não resistiu aos ferimentos, não resistiu aos ferimentos, não resistiu...

Aidan começou a piscar rapidamente, despertado pelo som do choro de Ethan e das portas do salão batendo, finalmente entendendo a realidade. Madeleine estava morta.

Sentindo o coração afundar, Aidan levantou–se rapidamente puxando Ethan consigo. Hermione já não estava mais lá e ele não sabia exatamente quando ela saira, mas também não importava.

Nada mais importava.

OoOoOoOoOoO

Hermione corria como se sua vida dependesse disso. Sentia os músculos das pernas doerem pelo esforço súbito, mas não ligou. Correu sem qualquer direção e acabou indo parar na sala de poções. Não havia prestado atenção no caminho, mas não importava.

Respirava fortemente pela boca, sentia que ia sufocar. Não pela corrida, mas pela pressão em seu peito. Era culpa dela. Era tudo culpa dela.

Começou a gritar, gritar tão alto como se ela estivesse morrendo. Em meio a sua ira, arrancou a tala do braço machucado e o esticou o máximo que conseguiu com o músculo inchado e apesar da forte dor, começou a quebrar e jogar violentamente tudo o que via pela frente.

, cadeiras, vidros cheios de poções ingredientes entranhos e consiguira derrubar até os armarios. Quando acabara de quebrar quase tudo, ajoelhou–se no chão, pegando um caco de vidro molhado com alguma poção estranha e passando no braço machucado, se cortando.

Uma, duas, três, quatro vezes, chorando e sentindo suas vestes ficarem pegajosas com sangue e lágrimas.

Levantou o braço, preparando–se para fazer mais um corte fundo, aplicando dor física, para tentar melhorar a sentimental, quando foi impedida por uma mão em seu pulso.

Virou o rosto, tentando enxergar por entre as lágrimas. Era Tom, ajoelhado ao seu lado com um olhar de pena. Pena.

Soltou o vidro e tentou forçar um sorriso que saiu mais como um careta doente.

– Não preciso da sua pena – Falou ela com uma voz estranha e forçado por entre o bolo em sua garganta – Tom Riddle com pena de mim. Cheguei ao fundo do poço.

Tom soltou a pulso dela, sentindo–a tremer. Hesitante, puxou a garota para si, fechando os braços em volta dela e apoiando seu queixo na cabeça dela. Hermione soluçou, voltando a chorar e começou a bater os pulsos no peito dele com raiva, com dor.

– É culpa minha! Se eu tivesse agido antes... – Falou com a voz embargada.

– Não é culpa sua – Discordou Tom – Não é.

Hermione segurou firmemente nas vestes de Tom e separou–se dele o suficiente para conseguir vê–lo por entre as lágrimas. Estava doendo tanto. E precisava tanto dele.

Beijou–o. Um beijo amargo, cheio de dor e pena. Ambos sujos, tanto pelos seus atos quanto por sangue e lágrimas. E naquele momento, perceberam que precisavam um do outro, assim como um viciado precisava de drogas.

E isso era mais um peso na consciência de Hermione, mas ela não estava disposta a pensar. Não ali, não agora. Ela só precisava de um remédio para a dor e Tom era essa remédio. Um remédio que causaria efeitos colaterais, mas ela não se importava com isso.

Ainda.

Notas finais
Sim galera, foi um tanto dramático. Não sei se esperavam uma reação dessa da Hermione, mas as pessoas são estranhas, e, apesar de talvez não bater com a personalidade, as pessoas tem reações diferentes e estranhas sobre as coisas. E Hermione está se sentindo culpada. Bem, é só. Comentem, por favor, não me deixem no vacuo :p