Tomione: Forbidden Memories
41 Dor X Superação
Tom seguira Hermione quando esta saira do salão. Porém não correra, apenas saira apressado.
Não queria chamar atenção e parece que conseguira, pois apesar da pouca quantidade de alunos a gritaria que começara era alta.
Não entendia como Dumbledore deixaria Dippet contar aquela notícia para Hermione, Bell e Scamander em público. Parecia até que queria que os outros tivessem mais motivos para fofoca.
Apesar de ter perdido Hermione de vista nos corredores das masmorras, não foi difícil encontra–la com tanto barulho que fazia. Ficou muito surpreso quando a encontrou, não pelo ataque em si, mas sim porque ela estava inflingindo dor em si mesma. Quando Tom ficava com raiva, sentia alívio ao ser ver inflingindo dor ao outro, porém com Hermione era diferente.
Pela primeira vez sentiu real pena de alguém. E isso o fez ficar confuso e com raiva. Ele era Tom Riddle, era Lord Voldemort e não devia ter pena de ninguém, muito menos de uma sangue ruim.
E quando se beijaram percebeu que precisava dela. Ela era sua fraqueza, pois a desejava, assim como seu sangue mestiço o fazia tão sujo como ela.
Porém ele também era descendente de Salazar Slytherin, era poderoso, falava com as cobras e tinha suas Horcruxes. Imortalidade e poder sempre foram o que mais desejava. A morte sempre foi o que mais temeu.
E agora estava ali, desejando uma sangue ruim, ajudando–a e arriscando sua vida por ela.
A vida nunca foi tão irônica.
OoOoOoOoOoO
Demorou certo tempo para Hermione se acalmar. Quando isso aconteceu, Tom, com a ajuda de sua varinha, fez os cortes dela pararem de sangrar, porém ela se recusou a deixar fazer algo melhor. Ela queria que as cicatrizes ficassem.
Com mais feitiços arrumou a sala, mas mesmo assim Slughorn ficaria sem grande parte de suas poções, o que não era problema, visto que Tom poderia falar meia dúzia de palavras e o velho ficaria encantado e não diria nada
Hermione também se recusara a colocar a tala novamente, replicando em uma voz fraca que não precisava mais dela. Tom não discutiu apesar de saber que isso não era verdade. Sairam da sala e Hermione suspirou cansada só de lembrar quantas escadas teria que subir para chegar a Corvinal. O moreno ao seu lado simplesmente pegou a mão dela e, sem dizer nada, a conduziu até sem dormitório de monitor.
Entraram e se soltaram, Tom indicou sua cama com a cabeça e ela sentou–se lá.
– Você pode dormir aqui hoje – Falou ele quebrando o silêncio.
Hermione voltou seus olhos vermelhos e inchados pelo choro para ele.
– Para não ter que subir todas essas escadas e encaram os outros – Completou ele parecendo indiferente e entediado.
A garota suspirou e abaixou–se, retirando os sapatos e se deitou na cama, batendo na mesma fazendo sinal para que ele se deitasse ao seu lado.
Tom deu de ombros e retirou os sapatos e o casaco, deitando–se. Hermione encarava o tempo o teto com os olhos entreabertos e Tom tinha o rosto virado para encara–la. "O que eu estou fazendo?", pensou ela. A garota virou–se para ele, encarando–o. Olhos verdes escuros, quase castanhos e opacos a encaravam de volta, indecifráveis. "Dane–se".
Cansada, Hermione chegou mais perto e apoiou a cabeça no ombro dele e fechou os olhos, dormindo rapidamente envolvida pelo cheiro dele.
Era cedo e Tom não estava cansado, então apenas ficou encarando–a, sentindo sua respiração profunda e regular. O rosto dela tinha duas pequenas cicatrizes de corte, olhos inchados pelo choro e boca pequena. E mesmo assim assim ainda conseguia ver beleza.
Mordeu os lábios e fechou os olhos com força. O que diabos ela estava fazendo com ele?
OoOoOoOoOoOoO
Era noite e Aidan finalmente conseguira parar de chorar. Depois da onda inicial de choque, fúria e culpa que sentira, as lágrimas vieram com força total.
Depois de sair do salão principal arrastando Ethan, subiram correndo as escadas e Aidan não conseguia e nem se importava em lembrar em que andar largou o outro garoto. E então viera correndo para a torre de astronomia, local onde passou o dia todo.
Sentia como se seu coração tivesse sido arrancado do peito, porém, de alguma maneira impossível, ainda permanecesse vivo. Nunca contara a ela o que sentia. E nunca mais teria a oportunidade de contar.
Sentiu o bolo na garganta apertar, mas não queria mais chorar. Levantou–se do chão onde estivera deitado e foi até a abertura na parede, apoiando as mãos na grade que batia em sua cintura e impedia de cair.
O céu estava nublado, impossibilitando qualquer visão das estrelas e ventava muito. Começaria a nevar a qualquer momento, mas Aidan não se importava com o frio que fazia.
Olhando para baixo, pensou por um momento em suicídio. Seria tão fácil. Ele só precisava pular a grade e toda dor acabaria.
"Não", descartou a possibilidade. "Não é o certo. Não é o que ela iria querer".
Sentiu uma mão apertando seu ombro. Era Ethan. Apesar de não amar Madeleine como ele, Ethan também estava sofrendo e veio apoia–lo. Ele não estava sozinho.
OoOoOoOoO
Quando Hermione acordou já era noite e ela se sentia um pouco melhor. Abrindo os olhos e bocejando preguiçosamente, ela notou onde e a posição que estava.
Dormira com Tom Riddle. E nesse momento estava fazendo o peito dele de travesseiro. Hermione levantou–se cuidadosamente, pois em algum momento do dia Tom também acabara adormecendo.
Passou a mão pelo rosto tentando se livrar do sono. Só de lembrar o motivo de estar ali sentia sua garganta apertar e seus olhos arderem. Virou–se e olhou para Tom. Ele parecia tão sereno dormindo, o cabelo desarrumado e as roupas amarrotadas.
Suspirou. O que ela estava fazendo? Ele era Tom Riddle, futuro assassino dos pais de Harry e muitas outras pessoas. Porque cada vez que passava mais tempo com ele mais gostava dele. Ela gostava dele, isso era fato. Não o deixaria nem chegar perto se não gostasse. E se sentiu tão bem sendo reconfortada por ele.
Olhou para as suas mãos. Elas estavam tremendo. Desejava–o. Hermione Granger desejava Tom Riddle. E tinha medo disso. Doía.
Sentiu movimentos atrás de si. Tom estava acordando.
Tom sentou–se espreguiçando–se e bocejando.
– Como você está? Espero que bem, por que o travesseiro aqui está todo quebrado – Comentou sarcastimento.
Hermione se encolheu de não disse nada. Tom a encarou e bufou.
– Eu nunca vou entender esse tipo de coisa – Falou e puxou para seus braços, num abraço hesitante.
Pela primeira vez depois de muito tempo, Hermione corou. Tom salvou–a, quando seu maior medo era morrer. Porque também não podia superar o seu por ele?
Hermione levantou seus olhos para ele o beijou. Tom retribuiu, apesar da surpresa. Era um beijo calmo, lento e fazia seu coração pular do peito. Levantando seus braços, Hermione os colocou em volta do pescoço de Tom e desceu, passando pelos seus ombros, pelo seu peito.
Suas mãos tremiam quando seus dedos passaram pelos botões da camisa dele. Mas não era tão fácil quanto parecia.
Tom tirou os braços das costas dela e segurou seus pulsos.
– O que está fazendo? – Perguntou ele vendo dois botões da sua camisa abertos.
Hermione abaixou a cabeça. Claro, eles já tinham se beijado várias vezes e Tom já tinha abusado com sua poção do desejo, mas era para tirar informações. Agora a situação era diferente. Ela era uma sangue ruim e estava abusando da boa vontade dele. Ele não devia querer se sujar com ela, se ela tivesse coragem suficiente para prosseguir.
Mas a verdade era só que Tom não estava entendendo nada. Achava que ela voltaria ao normal depois de um tempo, com a típica frieza e todo o sarcasmo. Mas Hermione parecia ainda mais frágil ainda e agora queria... Segundas intenções com ele? Era uma confusão.
– Hermione... Por quê? – Perguntou soltando os pulsos dela.
Hermione resmungou alguma coisa que Tom não entendeu. Ele revirou os olhos. Não sabia o que fazer nessas situações. Puxou o queixo dela para que pudesse ver seus olhos.
Dava pra ver a vergonha em seu rosto, a dor e o medo em seus olhos. Tom levantou uma das sobrancelhas, aguardando sua resposta.
– Me ajudou. E me salvou, arriscando sua vida quando o que mais teme é a morte. Por que eu não posso fazer o mesmo? – Perguntou ela.
Tom arqueou as sobrancelhas. Como ela...? Ah, o que ela não sabia, afinal? Mordeu o lábio. Ela tinha medo de... Aquilo era praticamente um confirmação de sua teoria. Ela realmente tinha sido violentada. E queria superar seu medo.
Com ele, por ele. Apenas ele.
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