Tomione: Forbidden Memories

37 Os estragos da confusão.


Tom gemeu de dor e rolou para o lado, ficando deitado de barriga pra baixo no chão do salão principal.

A poeira branca cobria todo o lugar, assim como a fumaça, e Tom começou a tossir, engasgado. Forçou a visão para entender qual era a situação das poucas pessoas que ainda estavam no salão.

Viu alguns alunos se levantarem de deixo de escombros de cadeiras e árvores de natal. O que restava do palco era um tremenda confusão.

Havia um buraco enorme entre as tábuas do soalho onde a criatura havia estado e envolta disso, o que restara estava pegando fogo, que aumentava rapidamente. As cortinas, que se penduravam tortas, queimavam quase que instantaneamente, e as labaredas logo começariam a queimar as árvores de natal que ainda estavam de pé.

Tom não tinha certeza se sua visão o estava enganando, mas tinha certeza de que vira o professor Beery correr por entre a fumaça com a cabeça encolhida em proporções muito anormais.

Tateou o chão tentando encontrar sua varinha, sem sucesso. Praguejando, levantou-se cobrindo o nariz e a boca com a mão. Tom estava todo cheio de poeira branca, do cabelo até os sapatos, o que dava uma impressão de neve, e isso era muito irônico, visto que o salão estava estava, literalmente, pegando fogo.

Ele correu por entre a fumaça, tentando achar algum sinal de Hermione. Pegou um vislumbre da armadura de John Madley e soube que tinha que ir para o outro lado.

Quando finalmente achou, deparou-se como um horrível cena: Hermione estava completamente soterrada entre a madeira perto do palco e Tom só soube que era ela porque ele viu o tão familiar anel azul na mão dela — a única parte visível que daria para identificar que havia alguém debaixo daquela pilha de madeira, que também estava começando a pegar fogo.

Tom desesperou-se. Como ia tira-lá de lá sem sua varinha? Tentou usar magia sem varinha para movimentar as tábuas, mas o máximo que conseguiu foi fazê-las tremerem. Vamos, pensou, estendendo as duas mãos na frente do corpo, para tentar se concentar. Mas aquele acre de fumaça de madeira o estava fazendo tossir violentamente e sentir uma imensa vontade de vomitar. Seus olhos estavam começando a ver coisas dobradas. Não, pensou determinado, eu não vou deixa-lá morrer.

Usando toda a sua força de vontade, Tom enfiou as mãos nuas nas tábuas e berrou de dor, mas não parou. Que irônico. Justo ele, Tom Riddle, experimentando a dor que tanto costava de inflingir.

A dor clareou sua mente e sua visão, então ele arrancou toda a madeira de cima de Hermione, farpas entrando em seus dedos e palmas queimados. Tom viu o estado da garota. Muito sangue saía da parte direita da cabeça dela, seu braço esquerdo estava curvado num ângulo estranho e as queimaduras estavam muito feias. Vários corpos se espalhavam por seu corpo, sua roupa estava em frangalhos.

Tom passou os braços pelas costas e pelos joelhos da garota e levantou-a com dificuldade, tentando enconstar suas mãos doloridas o minímo possível. Andou devagar, tentando ir até as portas do salão, mas estava fraquejando, suas pernas falhando e sua visão estava nublando novamente.

Chegou a pensar que não conseguiria chegar até lá, quando, por entre a fumaça, surgiu Dumbledore que imediatamente conjurou uma maca quando os viu. Tom colocou Hermione com o cuidado que conseguia nessa situação — o que não era muito — e sentiu suas pernas amolecerem.

Tentou se apoiar, mas gritou quando as mãos queimadas encostaram na maca. Sentiu Dumbledore o se gurando para não cair no chão, e, finalmente mergulhou na inconsciência.

OoOoOoOoO

Tom acordou com uma sensação de queimação nos pulmões. Arfou, não se sentindo nada bem. Seus olhos ardiam, mas a sensação em sua mãos era ótima, um entorpecimento criado por alguma poção ou qualquer coisa assim. Estava na enfermaria e ainda estava usando as mesmas roupas poeirentes, rasgadas e chamuscadas de antes.

Olhou para o teto, suspirando de alívio e cansaço. Eu devo estar maluco, pensou, analisando as mãos enfaixadas.

Tom sentou-se na cama e puxou uma brecha nas cortinas e olhou o resto da enfermaria. Estava cheia de alunos, mas silenciosa, apenas alguns alunos ainda estavam sendo atendidos.

Devia ser bem tarde. A cama ao seu lado também tinha uma pequena brecha nas cortinas e Tom vislumbrou os cabelos de Hermione. Ele tinha certeza que eram os dela.

O moreno levantou-se, os pés descalços fazendo contato com o chão frio. Silenciosamente, deslizou por entre as cortinas e fechou bem a de Hermione para que ninguém o visse.

A garota estava vestindo a típica roupa de hospital. Sua cabeça estava todo enfaixada e o olho dela estava roxo escuro. O braço esquerdo estava reto, enfaixado e enrolado numa tala acolchoada de algodão de cada lado. A maioria dos cortes mais feios estavam cobertos com algum curativos, mas outros estavam expostos.

Era óbvio que ela estava recebendo melhor tratamento que ele, talvez melhor até que os outros alunos, mas Tom não se importava.

Mas porque ele se arriscara tanto por ela? Nem ele sabia. Logo ele que sempre temera a morte, que tinha feito suas Horcruxes para ser imortal. Era por isso? Por que já tinha duas Horcruxes e não temia mais tanto a morte quanto antes? Não. Mas era a única explicação, não era? Ele não entendia sua urgencia em salva-lá daquela forma. Colocar sua mãos no fogo por ela. Tom podia ter simplesmente ter deixado-a morrer.

Mas ele não o fez. Por quê?

Era porque, independentemente dela ser uma sangue-ruim, ela era interessante e o divertia? Não, só isso não poderia ser o motivo. Era porque ele desconfiava que ela escondia um grande segredo dele? Segredo esse que, ela não podia morrer antes de contar para ele? Sim, tinha que ser isso. Não tinha nada a ver com o fato de que ele não queria que ela saísse de sua vida dessa forma. Nem que ele, em seu íntimo, se sentia aliviado só por tê-la ali, viva só por estar. Não mesmo.

OoOoOoOoOoO

Aidan andava de um lado para o outro do lado de fora da enfermeira, preocupado. Alguns alunos também esperavam lá junto com ele, os que tiveram sorte de não se machucar na confusão. Fantasmas iam de um lado para outro no castelo, fofocando sobre o que aconteceu com os quadros.

– Você vai abrir um buraco no chão, Bell – Reclamou Elizabeth que estava sentada no chão ao lado da porta da enfermaria.

– Ninguém pediu a sua opinião, Edgecombe – Retorquiu Aidan.

Elizabeth bufou.

– Olha aqui, Bell, todos nós aqui estamos preocupados com nossos amigos, mas ficar aí fazendo cena não vai ajudar em nada – Falou ela observando alguns alunos da sonserina que falavam baixo entre si do outro lado do corredor.

– Ela tem razão, Aidan – Disse Ethan que estava sentando um pouco mais afastado de Elizabeth.

Aidan riu amargo.

– Tudo isso é culpa sua, Ethan! Se você não tivesse me arrastado de lá, Madeleine não estaria quasse morrendo agora! – Acusou.

Ethan fez um som estrangulado e o corredor ficou em silêncio.

– Pois me desculpe então se eu estava fazendo o que Hermione pediu, tentando tirar meu melhor amigo do perigo – Falou.

– Madeleine também era nossa amiga! Também tinha que ser salva!

– Ela não podia ser salva! Acha que se eu não pudesse eu também não a salvaria? John também fez o possível para ajudar e não conseguiu! Por que acha que você conseguiria!? – Exclamou Ethan.

– Porque eu a amo daria minha vida por ela! – Gritou Aidan de uma vez.

Silencio. Todos naquele corredor estavam surpresos.

Primeiro porque nunca viram Ethan discutir, ele sempre fora tão avoado que não acharam que discutir desse jeito fora da personalidade dele. E segundo porque Aidan Bell, o engraçadinho que sempre vivia discutindo com Madeleine acabara de gritar que a amava.

Aidan pareceu ter finalmente noção do que estava fazendo e ficou embaraçado. Colocou as mãos no rosto e disse:

– Me desculpe, me desculpe, você tem razão.

Ethan sorriu compreensivo e levantou-se colocando a mão no ombro do amigo.

– Tudo bem. Não se preocupe, ela vai ficar bem.

Aidan esperava fervorosamente que sim.

Notas finais
Oi pessoal! Estou feliz, teve uma grande melhora nos comentários, 16 até agora. Viram como comentar não dói e faz bem a uma autora pra postar mais rápido?