Ela estava sentada na varanda da frente e acompanhava os passos de seu pequeno amigo atrapalhado.

O livro, que havia decidido mantê – lo, estava aberto em seu colo.

Pendleton, estava construindo uma pequena cabana no alto da colina, e o mistério ainda persistia.
Ele tinha flashes de lembranças do passado, que ela descobriu no decorrer, como sendo um montador de touros de renome, com sua fama reconhecida internacionalmente.

O que ele fazia ali, ainda era desconhecido.

Sara chegou a ler livros imensos, com termos técnicos variados, em um espaço de tempo mínimo.

Mas decidiu trancar sua vida em um caixa imaginária, deixando de lado tudo o que estava habituada a fazer.

Ao longo dos anos, sua curiosidade literária havia lhe rendido a diversidade e dinamismo de leituras instigantes e intelectualizadas.

Tolstoi, Ernest Hemingway, William Shakespeare, Charles Darwin, biografias interessantíssimas e tantos gêneros que poderia disputar um programa de perguntas e respostas com facilidade e ainda com a segurança de que conquistasse se não o primeiro, então que fosse o segundo lugar !

Ela era fantasticamente inteligente o bastante para ser comparada a um gênio.

Mas ali, era apenas ninguém que lia romances medíocres.

E estava confortável assim, sem cobranças, sem planos mirabolantes, sem dias e dias trancafiada em uma sala protegida por paredes de aço, envolta em senhas, mensagens criptografados e suas complexas decodificações.

Além de estar fora do alvo de assassinos inescrupulosos.

Algum tempo depois um cheiro de sopa invadiu a cozinha e ela deu um passo atrás com o vapor quente, quase pisando em seu pequeno amigo.

_Ei pequenino quase esmaguei você !

Ela viu seu rabinho estranho balançar e pensou que nem mesmo Marthy sabia exatamente a raça dele.

Marthy era irmã de Mindy, e era igualmente adorável, possuía uma pequena loja de confecções e vez ou outra a surpreendia com um saboroso bolo caseiro.

A primeira vez Sara havia estranhado bastante, mas depois acabou descobrindo que ali, viviam pessoas simples e humildes que usavam a política da boa vizinhança para fazer do mundo, um lugar melhor.

Ela havia lhe dado o pequeno cão para que não ficasse tão sozinha, sem nem mesmo perguntar se ter um animal, estava em seus planos. Havia sugerido muitos nomes, mas achou melhor esperar, nenhum deles fizera sua cabeça.

Ele era apenas cão !

Sara encheu um prato bem fundo e esperou sentada, com seus pensamentos passeando bem perto dali.

Em certos olhos azuis !

Por um momento ela ficou intrigada.

Assim como ela, com certeza teria um motivo para se abandonar a um lugar como aquele.

Sara havia ouvido falar de Cape Finley pela primeira vez, quando Stanley, Stan para ela, viajou por aqueles lados para vender a propriedade que havia herdado.

Eles eram amigos e ele havia lhe enviado dezenas de fotos do local.

Quando sentiu necessidade de se dar um tempo, foi o primeiro lugar que pensou, e agora estava ali, abandonada à solidão que tanto almejou.

E não estava preparada para as emoções que começou a sentir com aquele quase estranho.

Ele lhe transmitia uma coisa inexplicável.

Parecia ser realmente um bom homem, treinada para analisar pessoas, ela sabia.

Ela provou uma pequena porção e aprovou.

….......

Grissom abriu a geladeira e pegou a caixa de leite, seu corpo estava descansado e ele se sentia bem disposto. O mal estar havia se dissipado e ele se animou.

Ele abriu seu notebook, descreveu suas sensações, como em um diário de bordo e enviou ao seu médico.

Este era o acordo formado entre as partes.

Ele o liberaria somente se ele acompanhasse seu progresso. Se houvesse alguma emergência, eles mantinham uma linha direta para que se comunicassem.

Era uma maneira diferente de lidar com um paciente, afinal ele era bem mais que isso. Era seu amigo de longa data e suas famílias tinham um relacionamento bastante próximo. Fora seu médico quem o induzira ao afastamento, até se sentisse apto para voltar às suas funções diárias.

Era um trabalho estressante e com toda certeza atrapalharia e muito o bem estar que era tão importante para sua cura completa.

Um novo ânimo tomou conta de seu ser, depois de ter reconhecido que ele tivera uma segunda chance, aquela era a melhor sensação que estava tendo. E bastante inexplicável.

Havia um desejo enorme de conhecer mais a fundo aquela morena que tanto o intrigara.

Ela aguçava seus instintos mais primitivos.

…........

Ele fechou o agasalho cinza e saiu para sua caminhada matinal.

Ainda era muito cedo e a cidade parecia adormecida, assim que virou a esquina para pegar a avenida arborizada, ele a viu !

Fones de ouvido, cabelos ao vento, e seu coração pulou dentro do peito.

Tão linda !!!

Seus passos eram rápidos, ela tinha longas pernas e era de longe a mulher mais atraente que ele já vira.

Aquela mulher tinha algo diferente que ele começou a entender que era melhor não buscar explicações. Ele não as encontraria.

Ele apertou o passo e passou por ela.

_Hey … — Ela mexeu com ele, puxando os fones do ouvido.

Era tudo o que ela mais queria naquela manhã ! Encontrá -lo !

Seus olhos o mediram e ela não fez nenhuma questão de disfarçar, como conseguia ser atraente até mesmo dentro de um simples agasalho ?

Ele fez o mesmo.

_Também gosta de caminhar ?

_Sim. — Na verdade, ele não era muito amante do exercício, mas no momento, fazia parte de seu programa de recuperação.

_Que bom. Hum … se importa de ter companhia ?

Ele queria gritar que a companhia dela sempre seria importante.

Oh ...eu acho que estou com sérios problemas !”

_Claro que não … vamos ?

Ele viu ela desligar o som de seu celular e sorrir de uma maneira tão doce que ele jurou estar flutuando.

_Gosto desta hora do dia …

Ela sentiu uma brisa suave acariciar seu corpo e suspirou, ele arqueou suas sobrancelhas ao perceber.

_E então …dr. Grissom … gosta de seu trabalho ? CSI … é isso ? — Ela se lembrava que nos rodapés dos artigos, sempre era mencionado, e não tinha certeza, mas ele tinha um nível bastante elevado.

_Sim … gosto bastante … ele tem ocupado grande parte de minha vida. E você ?

Ela olhou para os lados como fez no restaurante e cochichou.

_FBI.

_Oh … isso é muito interessante.

_E estressante !

_Há quanto tempo está aqui ?

_Dois meses e mais alguma coisa …

Férias prolongadas, talvez não fosse exatamente apenas um descanso, assim como ele, mas não teve coragem de perguntar.

_Como foi que veio parar aqui ? — Ela quis saber.

_Tenho um amigo no departamento, Jim … ele e o prefeito são grandes amigos … !

_Quanto tempo pretende ficar ?

_Na verdade ainda tenho algumas semanas pela frente.

Que bom !”

_Já conhecia esse lugar ?

Sara contou a ele como viera parar ali, suas visitas pelo lugar, até decidir pela compra.

Ele a ouvia atentamente, em silêncio, não querendo perder nenhum detalhe de tudo o que ela falava, era atencioso e gentil.

Seus olhos se encontravam vez ou outra e ela ficava com aquela sensação estranha de querer se perder neles. Era inevitável !

Assim acontecia com ele. As palavras saíam com facilidade e ele se viu hipnotizado pela voz dela, na verdade, por toda ela !

Onde ia parar aquilo tudo ?

De uma coisa ele tinha certeza, como nunca acontecera … ele ia pagar para ver !

….......

Eles pararam em frente à casa dele, ela ia se despedir quando ele arriscou.

_Quer tomar um café ? — Ele apontou para dentro.

_Na sua casa ?

Ela parecia surpresa e ele tinha que perguntar, aquela dúvida estava lhe tirando a paz.

_É ! Você ... tem … namorado, Sara ?

_Não !

Ele apenas ergueu um pouco a cabeça como sinal de entendimento e ouviu ela retrucar.

_E você tem … alguém ?

_Também não … como eu disse, meu trabalho … toma grande parte da minha vida !

_Eu não acredito !

Sem que ela percebesse já tinha falado, e era realmente o que sentia.

_Como ? -Ele ficou tão estático quanto ela, com sua indireta, qual seria o motivo ? Ele parecia um mau caráter ? _Por que ?

Ela teve vontade de rir, eram dois adultos, e para dizer a mais pura verdade ela não gostava muito de rodeios.

Só que desta vez, ela se traiu, não ia ter coragem de dizer a ele que parecia ser bastante interessante para estar sozinho !

_Ah … desculpe … eu não quis dizer isso !