_Eu … pareço alguém em quem não confiar ?

Se ela não gostava de rodeios, ele não gosta de pré julgamentos, mas também não soube dizer como teve coragem de enfrentá — la. Em outras ocasiões, apenas se calaria.

_Desculpe … Grissom … eu sinto muito, foram apenas palavras erradas, na hora errada.

Ela parecia mesmo chateada e ele resolveu finalizar o impasse, por hora ! Ainda queria saber a resposta.

_E então aceita ?

_Tudo bem.- Ela deu um sorriso magro e se rendeu.

Ele estava começando a conhecer seus sorrisos, aquele parecia ser “vou aceitar, como pedido de desculpas !”

Grissom fez um gesto de cavalheiro para que ela passasse à frente e caminhou atrás dela, com seus olhos passeando por algumas partes bem interessantes.

Fire !”

Ele abriu a porta, que não estava trancada.

_Entre, por favor !

_Em nossas cidades não podemos ter essa liberdade.

_E nós dois sabemos como ninguém !

Sara olhou ao redor e sentiu o perfume dele no ambiente, era arrasador.

Com um toque delicado em suas costas, ele a conduziu ao sofá.

_Tem alguma preferência ?

No momento minhas preferências se limitam à cor azul !”

_Bem … não como bacon … e não se preocupe com requinte, gosto de qualquer coisa.

Ele esfregou as mãos uma na outra e sorriu, sem que mostrasse seus dentes, mas mesmo assim ela teve que admitir.

Preciso de socorro !”

Sara se levantou rapidamente, em um salto.

_Eu vou te ajudar !

_Você é minha visita !

_Um visita que quer ajudar, oras !

Desta vez seu sorriso se transformou em uma carreira de dentes muito brancos e adoráveis.

Ela tirou seu casaco e ele viu a malha agarrada, delineando seus seios que pareciam perfeitos, curvas suaves surgiram diante de seus olhos, o quadril parecia delicado, e as pernas estavam também marcadas nas coxas, que antes estavam escondidas sob o moletom azul claro.

Deusa !”

Ela esfregou as mãos nas coxas e ele teve uma visão que quase o empurrou para cima dela.

Grissom ! Grissom ! Grissom ! Você está dando motivos a ela, para parecer um pervertido, sem caráter !”

Que ela não tenha a habilidade de ler mentes, como era mais comum do que se imaginava em sua profissão, senão … estaria perdido … muito perdido.

Sara se arrependeu de ter tirado seu agasalho, as peças eram justas e pela maneira como ele a olhava, estavam chamando a atenção.

Ele se virou para a cozinha tão depressa quanto seus pensamentos.

_Panquecas ! Você gosta ?

_Adoro panquecas. Me dê os ingredientes, isso eu posso fazer … sem que me mate.

Ele deu uma gargalhada alta.

_Por que ?

_Vamos dizer que … tenho mais habilidades com assassinos perigosos que em uma cozinha … bem equipada. Gosto de fazer alguns pratos, mas isso não significa que domino muito esta arte.

_E ainda quer me ajudar ?

_Gosto … de compartilhar !

Aquilo soou com duplo sentido e suas bochechas coraram. Ela agradeceu quando ele continuou voltado para a geladeira.

_Ovos, manteiga, leite ….

Ele tinha que falar alguma coisa, para dissipar algumas visões que o visitava.

Eles “trabalharam” bem no mesmo espaço, não se tocaram em momento algum, e conversaram sobre a cidade.

_O armazém da Mindy parece abastecido, mas é uma confusão de coisas que acabamos nos esquecendo do que fomos fazer lá.

_Você também tem essa sensação ? Achei que fosse apenas impressão minha.

_Acho que a maioria, nunca vou até lá sabendo o que quero.

Ele riu, parecia justo e prático.

_A Marthy e ela são irmãs.

_Marthy ?

_Da loja de confecções, do outro lado da rua, ela é mais organizada, pelo menos, você procura camisas e encontra camisas.

Outro risada.

Em seus pensamentos mirabolantes, ele imaginou que ela poderia fazer parte dos tratamentos pós cirurgias como a dele. Estava lhe fazendo um bem enorme !

_Dick é um homenzarrão assustador, mas tem um coração enorme. Ele é casado com Madelleine, que tem uma loja de doces, bem ao lado. Ela costuma fazer uma feiras aos domingos, depois da missa.

_Por isso o nome do prato ?

_Isso … costumo dizer que são a Bela e a Fera !

_Meu Deus ! Isso soa como assustador.

_Não pela natureza dos instintos, mas pela disparidade de tamanhos, ela é toda delicada e pequena.

_Você conhece todo mundo, em tão pouco tempo ?

_Bem … apenas esta parte da cidade, quase não atravesso a ponte, dizem que é bem movimentado do outro lado da margem. Além do mais … desde quando está aqui ?

_Há dois dias.

_Então ... se prepare para ouvir batidas na porta, alguém vai sempre lhe dar as boas vindas com guloseimas caseiras.

_Como essa aqui ?

Ele puxou um prato de papelão, celofane e um lindo laço vermelho bastante conhecido e ela quase se engasgou de rir.

_Ah … Marthy danadinha … ela foi rápida com você !

_Então ela é a Marthy ?

_Sim … olha tenho que dar os parabéns a ela !

De novo indiretas, ela estava se traindo a cada meia hora que falava com ele. Isso era perigoso.

Ela apertou os olhos, esperando um por que mas ele não veio.

Ufa !”

Ele não ia perguntar o porque, tinha a impressão de não ter a resposta, de novo !

_Parece bom.

_E é ! Você … gosta de cães ?

_Sim … mas não tenho muito tempo para ter um.

Ela pensou na ninhada que ela mantinha em sua propriedade e sorriu, ainda restavam três.

_Hum … o que acha de ter um ?

_Aqui ? Não pensei sobre isso, e o que faço com ele depois ?

Eles caíram na risada juntos desta vez e se sentaram.

_O que acha de abrirmos um restaurante ?

_Gosto de cozinhar, mas em espaços restritos.

_Apenas cafés da manhã.

_Podemos contratar a Marthy.

O clima estava gostoso e acolhedor, como se fossem bastante íntimos e isso o agradou em demasia.

Sara parecia ser animada e ele estava mais aberto a possibilidades.

Mas nem sempre foi assim, aliás nunca havia sido assim.

Ele era um homem solitário que vivia para o trabalho. Poucos amigos, um ou outro fora do laboratório, e seus dias, em sua maioria, passava na companhia de seus livros e de sua palavras cruzadas de nível difícil e gênio.

Tinha um mundo bastante limitado, trabalho, casa, trabalho.

Seus relacionamentos eram sempre superficiais, e sua vida íntima, bastante tranquila.

_Onde mora … em Boston ?

_Suíte 600, Center Plaza !

_Mas … não é a base do FBI ?

_Pois é … costumo dormir lá frequentemente, tem um sofá muito confortável.

Ela tinha bom humor e ele gostava daquilo, era agradável.

_Estou brincando … em Back Bay.

_Sabe que aquela cidade me intriga … — Ele levantava o garfo e olhava além dela quando falava. Era engraçado. _ Ruas curvas, calçadas com paralelepípedos, um ar de revolução americana, mas também é repleta de centros de convenções pela cidade, universidades avançadas. Um cidade progressista com um olho no passado. — Ele concluiu.

_É fato. Boston combina o charme da uma cidade portuária da Nova Inglaterra com a mentalidade de uma metrópole moderna e agitada.

_Exatamente isso.

_Eu conheço Las Vegas, parece um grande parque de diversões para adultos.

_E para o crime !

_Com seus altos índices !

_Fama internacional.

_Com toda certeza.

_Como é ser um CSI ?

_Tenho vivido por quase vinte anos envolvido nesta vida, é desgastante, mas compensador … é preciso muito mais que paixão para viver à margem do crime, literalmente.

_Enfim …

_Eu gosto !

Ela olhou para ele, quantos anos sera que tinha ? Como primeira impressão, continuava concordando que ele havia passado dos quarenta.

Foi então que viu ele empalidecer, se levantar rapidamente e pedir licença a ela, sumindo para dentro de uma porta fechada.

Droga ! Que hora para se sentir mal, os espaços entre o mal-estares estavam mais distantes, mas mesmo assim ainda aconteciam, ele engoliu seus comprimidos e se sentou na cama apenas por alguns segundos. Ele ouviu a voz dela à porta.

_Grissom … você está bem ?