Tinha Que Acontecer
29 Capítulo 29
Notas iniciais
E a Sara bem ... ela como sempre maravilhosa.
Espero que não tenham me abandonado.
Sara acordou na manhã seguinte sentindo o corpo dolorido.
Havia dormido em cima do livro e parecia ter ficado na mesma posição pela noite toda.
Brat havia subido na cama e se aninhado entre os lençóis macios, parecendo um pequeno reizinho.
Ela se espreguiçou e o tirou da cama.
_Para fora, rapazinho pesado ! — Ele tinha cara de sono e ela começou a rir da testa enrugada.
Um bom banho e em minutos estava pronta para ir até a casa de seu namorado.
Alimentou o cão, beijou sua cabecinha pontuda e fechou seu agasalho.
Assim que fechou o portão, seu telefone tocou.
_Já está acordada ?
_Já estou a caminho !
Ela fez o trajeto devagar, sentindo o ar puro lhe bater no rosto. Gostava dali e se sentia muito bem. Era como se fizesse parte daquele lugar.
Encontrou alguns rostos conhecidos e os cumprimentou com simpatia, mas percebeu que todos a olhavam diferente. Com toda certeza, Marty fizera sua lição de casa. Havia contado para a cidade toda que eles estavam juntos.
Isso seria inaceitável até há um bom tempo atrás, mas ali, ela se permitia nem ligar. Estava feliz e nada tiraria aquela alegria que tomava conta de seu coração cada vez que pensava nele.
Havia uma estranha sensação quando fosse hora de cada um seguir seu destino, mas por enquanto não deixava que aquilo tomasse tanto seus pensamentos.
Ele estava regando o jardim vestido de um agasalho verde oliva, camiseta e tênis para caminhada.
_Bom dia !
Ela abriu o portão sorridente.
Grissom desligou a água e veio ao seu encontro beijando seus lábios macios.
_Bom dia !
Eles se sentaram à mesa e desfrutaram do café delicioso e farto que ele havia preparado.
_Dormiu bem ?
_Feito um bebê !
_Hum … que bom ..
_E você ?
_Senti a sua falta !
Ele parecia bem à vontade lhe dizendo aquelas palavras.
_Sentiu ?
_Muito ! — Assim que terminaram, saíram para a avenida arborizada.
….......
Eles almoçaram do outro lado da cidade, no mesmo restaurante em que haviam saído pela primeira vez.
_Você me assustou da ultima vez que estivemos aqui ! Estava tão estranho.
_É … eu sei … estava confuso, com medo … bem … na verdade … estava apavorado !
“O que há de tão apavorante em se descobrir apaixonado por alguém ?”
Talvez esta fosse a última coisa em que ele esperaria da vida. A julgar pelo estilo de vida que levava, talvez uma mulher, não estava em seus planos mesmo !
Mas havia o destino, que por mais que relutasse, estava ali, escancarando uma verdade absoluta.
Ele poderia não acreditar, ou muitas vezes, nem ela. Mas precisava admitir.
Estava escrito em algum lugar aquele encontro tão explosivo !
_Em que está pensando ?
_Nada de mais … seu filé está bom ?
_Está … ! Esta cidade tem a melhor comida que já provei, mesmo sendo apenas um omelete.
Ele não parecia alguém que comia em qualquer lugar.
Mas ele o fazia, as lanchonetes perto do laboratório, alguns quiosques espalhados por Vegas, fast foods, comida mexicana. Agora precisava repensar sua alimentação. Seguir talvez, uma dieta mais saudável, assim como já havia percebido nela. Embora gostasse de cerveja.
_Grissom …. você não tem sentido mais nada ?
_Não … me sinto muito bem … pode acreditar.
Ele tocou sua mão por cima da mesa e sorriu.
Era a mais pura verdade.
….......
O sofá parecia pequeno desta vez, ela o puxou para cima dela, com um sorriso de enlouquecer.
_Você não prefere … o quarto ?
_Que tal o tapete ?
_Tem certeza ?
_Por que não ?
Ela arrancou a polo amarela dele e ia desabotoando a calça clara quando seu telefone tocou.
_Droga !
Ela esticou o braço para o sofá, com ele ainda por cima dela no chão e abriu seu aparelho, encarando o olhar tão azul dele.
_Stan ?
Ele saiu de cima dela e se deitou de lado, apoiando a cabeça em uma das mãos e a outra sobre a barriga firme dela.
_Olá … se lembra de mim ?
Ela sorriu, era bom ouvir a voz dele, mesmo que fosse em uma hora tão inoportuna.
_O que aconteceu ?
_Dezessete de setembro … te lembra alguma coisa ?
_A festa do departamento !
Ela se sentou com as pernas cruzadas e encolhidas, acariciando a mão dele ainda em sua barriga.
_Você vem ?
Ela encarou o rosto bonito dele.
_Eu não sei …
_Como não sabe ? Nem que eu tenha que ir pessoalmente e te arrastar.
_Stan … olha …
_Não quero desculpas Sara, este ano temos uma novidade … O Ernest vai receber a estrala de prata !
_Sério ? Uau ! Depois de tudo que ele passou. — Ele havia levado um tiro quando escoltava uma testemunha, a protegeu com seu próprio corpo. Ernest cuidava da proteção delas.
_E então … preciso saber para reservar seu convite … já deveria ter feito mas ….
O tom de voz dele tinha um mistério que ela já conhecia de anos.
_Mas … o quê ? O que há ?
_Você está sozinha ou …
_Stan !
_É que … andam dizendo por aí … que … bem … quer saber ? Dr. Gilbert Grissom lhe diz alguma coisa ?
_Ahhh … — Então era isso, aquele departamento adorava uma fofoca, e com certeza Sam já havia “entregado” alguma coisa … filho da mãe ! _Bem … eu posso te ligar depois ?
_Que seja logo, vou estar do lado do telefone ! Estão esperando, sabe que os convites são limitados.
E caros também, a renda era para uma instituição de recuperação de drogados, haviam ganhado até uma menção honrosa por conta da iniciativa.
Ela desligou e se virou para ele.
_Gris … — Aquela maneira de falar o nome lhe derretia o coração.
_O que foi ?
_Hum … vamos ter a festa do departamento, você gostaria de ir ?
_Em Boston ?
_Sim … no centro de convenções do FBI !
_Você quer … que eu vá ?
_Eu adoraria …
Ela tocou sua barba sedosa e deslizou o polegar pela bochecha rosada, que imediatamente segurou sua mão lhe beijando a palma.
_Então eu aceito !
Ela ligou imediatamente para seu amigo.
_Dois ????? — Stan deu um grito sarcástico.
Ela ouviu alguns vivas e quis estrangular aquele pescocinho fino. Ele era extremamente magro, parecendo mesmo ter menos idade.
_Isso … estarei aí em breve.
Ela desligou e o puxou para baixo junto com ela.
_Onde nós paramos ?
_Não me lembro …. — ele brincou com ela, divertido, esmagando sua boca com a dele.
_Vou refrescar a sua memória ….
Eles rolaram pelo tapete macio e sem que percebesse ela o fez bater as costas com toda a força na ponta da mesa baixa no centro da sala.
_Ai !
_O que foi ?
_As minhas costas … — Ele gemeu de dor e ela se comoveu.
_Desculpe … foi sem querer !
Ela o puxou tentando ver o estrago que aquele choque havia feito em suas costas nuas.
A mesa quadrada era de madeira e possuía pontas agudas. Um grande hematoma estava se formando ali e ela se levantou para pegar gelo.
_Não acredito que machuquei você !
_Eu devia saber que … havia uma mesa ali.
Em alguns segundos ela o ajudava a acalmar a dor.
_Está doendo muito ?
Ele soltou uma gargalhada e a abraçou.
_Sara … eu não levei um tiro !
_Mas isso dói … eu sei …
_Não se preocupe …
_Quebrou o nosso clima … pela segunda vez !
_Quebrou ?
_E não ?
Os olhos dele estavam sobre os seus, depois desceram para os lábios …
_Talvez nem esteja doendo tanto … e … essa … sua boca … meu Deus … me deixa louco …
Sara arregalou os olhos com toda aquela espontaneidade dele !
Suas bocas se juntaram novamente e desta vez, antes que rolassem de novo, ele empurrou o objeto perigoso para fora dos limites do tapete.
_Pronto …
Seus corpos se esfregaram com avidez, denunciando a grande paixão que os queimava.
Aquela tarde foi testemunha de um fogo intenso, assim como o tapete, o sofá e mais tarde a cama.
Aquelas horas eles se entregaram, brincaram com suas mãos juntas, com os caminhos que os dedos dele desenharam em seu corpo, a contagem divertida das pintas que ela possuía, algumas em lugares “estratégicos”. Ele beijou todas ela.
_Gosto desta ! — Era delicada e contrastava com a pele alva dos seios perfeitos, bem ao lado da auréola rosada.
_E desta … — ao lado umbigo. _Mas desta também … — bem abaixo de sua costela .
Um riso alto e poderoso encheu o quarto e eles acabaram se enroscando pela terceira vez naquele dia.
Já estava escurecendo quando ela sentiu fome.
_Podemos ir até o Duck !
_Posso te fazer uma pergunta ?
_Claro !
_Se importa de todo mundo saber … nós dois juntos ?
_Me importar ? Você é uma mulher maravilhosa, Sara … mas acho que não tem consciência disso, não é ?
Ela sorriu tímida. Maravilhoso era estar com ele !
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