_Ei … vocês apareceram ?

Grissom apertou a mão forte de Duck, depois ele beijou a cabeça de Sara como um pai.

Haviam entrado na lanchonete de mãos dadas, percebendo alguns rostos surpresos e outros nem tanto.

Era bom assumir que estavam juntos, vivendo um relacionamento, trocando experiência.

Qual o problema ?

A diferença de idade ?

Nem mesmo ele se importava com aquilo, talvez em outros tempos, mas agora as coisas eram muito diferentes. Havia se apaixonado por ela antes mesmo de saber que havia um distância de quinze anos entre eles. Não sabia dizer o que seria do tempo, mas pelo menos tinha energia o bastante para satisfazê – la plenamente.

_O que vão querer ?

_Uma tônica para mim e você vai querer uma cerveja, querida ?

O proprietário muito grande de frente a eles não pôde deixar de perceber o que havia ali. A troca de olhares era impressionante.

Sara era uma mulher como poucas, ele era um grande de um sortudo. Será que estava dando conta dela ?

O pensamento lhe trouxe um sorriso divertido. Pelo menos ela parecia satisfeita.

_O que há de especial hoje ?

_Cordeiro ! — Ele olhou para Sara e tocou seu braço com carinho. — Legumes no vapor para você, se quiser !

_Muito bom.

_O cordeiro acompanha arroz e molho especial, pode ser ?

_Sim, obrigado Duck !

Eles olharam ao redor, era bom estar ali, com seus novos amigos, um lugar simples, mas muito especial.

_Vou sentir falta deste lugar.

Ela o olhou surpresa, falar sobre estar em suas vidas normais, parecia estranho.

_Não vamos pensar nisso … por enquanto …

Ele assentiu com a cabeça, com aquele seu jeito sério.

A refeição estava perfeita e eles comeram em silêncio.

_Sara !

_Olá Madeleine ! Como vai ?

A mulher de Duck a abraçou com força, estava cheirando a temperos, mas era agradável.

_Vejo que esta bem acompanhada.

_Grissom, esta é a Madeleine, esposa de Duck.

_Muito prazer.

Ele se levantou muito cavalheiro. E viu quando os olhos dela o mediram por inteiro. Pelo que entendia de expressões, parecia ter aprovado.

_Vocês estão ….

Ela fez um gesto com a mão indicando os dois. Sara sabia de sua indiscrição, a maioria ali era assim. Talvez por serem simples demais.

_Estamos …

_De verdade ?

_Sim …

_Isso é maravilhoso, tenho ouvido muita coisa sobre vocês …

_Tem ?

Sara a encarou em diversão.

_Coisas boas … podem acreditar … estamos felizes que tenha tirado aquela sua tristeza quando chegou aqui.

Neste momento ela corou, estava arrasada quando chegou aquele lugar.

_Bem crianças … divirtam – se … e a sobremesa, é por conta da casa !

Assim que ficaram sozinhos, ele quis saber.

_Isso é verdade ?

_O que ?

_Você estar triste … quando chegou aqui ?

Por um instante ela achou que não precisava de resposta, mas se eles iam mesmo ter um relacionamento, era natural que soubesse sobre isso também.

_Sim … Gris … eu estava mal e, você sabe os motivos.

_Aquilo passou Sara … ficou para trás, o que importa é o agora.

Ele sabia muito bem do que estava falando, havia corrido um risco enorme de morrer, e depois de tudo, encontrara uma razão forte o bastante para nunca desistir.

Houve um breve silêncio e ela se levantou.

_Se importa de irmos ?

_Sua casa … ou a minha ?

_A minha … preciso ver minha criança … nunca se sabe o que ele vai fazer.

Ele pegou a mão dela, e eles acenaram para Duck e Madeleine.

….......

_Você tem certeza ?

_Vamos de carro … desta vez quero levar o Brat !

A viagem foi tranquila, um pouco cansativa. Grissom deixou seu carro em Cape Finley, seguiram com o dela, porém não quis que ela dirigisse. Se prontificou em fazer todo o caminho, a deixando descansar ao seu lado e dando atenção ao cão.

_Não se irrite com ele, Sara ! Ele é apenas um garotão ..

_Um garotão chorão e aloprado.

Ele olhou pelo retrovisor e viu o cão esfregar os olhos com a pata, depois se mexer desconfortável no banco de trás.

_Talvez se tivesse lhe dado um calmante …

_Eu dei …

_Sério ? E qual o problema dele ?

_Está vendo ? Ele não é um cão normal …

Ele soltou uma gargalhada e parou.

_Venha Brat … vamos fugir desta mulher má ! Ela quer acabar com você !

Havia um pequeno posto de combustível e ele resolveu dar uma volta com ele, talvez estivesse querendo se aliviar.

Ele “regou” a vegetação da beira da estrada várias vezes, mas seu andar parecia meio desgovernado, estava lutando contra o medicamento. A veterinária havia lhe dito que funcionava muito bem com cães um pouco mais velhos. Ele era apenas um filhote ainda e tinha energia o bastante para combater o efeito.

Ela olhou para eles, assim que saiu da lanchonete com algumas garrafas de água fresca.

Grissom parecia se divertir, tinha uma paciência extrema com o monstrengo que ele estava se transformando e ela ficou agradecida.

Era carinhoso e conversava com ele como se fosse uma criança.

A cena era engraçada e doce.

Agachado, ele tocava a cabeça dele e as orelhas enormes. Falando alguma coisa que a fez rir. O que era mais impressionante era que ele parecia entender.

Sara balançou a cabeça e foi em direção ao carro.

_Oi gata ! Como se chama ?

Ela se virou rapidamente para o dono da voz, mas continuou andando em silêncio, paqueras de beira de estrada haviam ficado para trás quando saiu da faculdade, e mais ainda agora, quando estava tão bem acompanhada.

_Não vai dizer seu nome ?

Ela apertou os passos e foi em direção a eles, ignorando de vez o homem musculoso que parecia insistir.

_Está dando conselhos a ele ?

_Estamos tendo uma conversa bastante produtiva, não é garotão ?

_Você é maluco ?

_Talvez ….

O mais impressionante é que o restante da viagem, o cão parecia muito mais tranquilo e dorminhoco.

_Você fala com os animais ? É alguma espécie de Dr. Dolittle ?

_Não ! — Um sorriso simpático surgiu, mas ele continuou prestando atenção na estrada. _ Ele estava tenso … um pouco cansado e assustado. Um pequeno passeio e um pouco de carinho … apenas isso.

_Puxa … acho que vou contratar seus serviços …

_Achei que já tivesse feito …

_O quê ??? Isso vai ter um custo ?

_Com toda certeza.

_Meu Deus ! Acho que estou perdida …

….......

_Seja bem vindo, dr. Grissom !

Ela abriu a porta de sua casa de alto nível, muito bem localizada e lhe fez uma reverência.

Grissom segurou a coleira de Brat e entrou com ele na sala enorme.

A casa era bonita ao extremo, poucos móveis, muito espaço.

Brat se soltou dele e pulou em todos os lugares que podia alcançar, fez uma algazarra no sofá que parecia saído de uma revista de decoração. Se sua casa era de muito bom gosto, a dela em momento algum, ficava atrás.

O cão marcou território nos pés da mesa da sala de jantar.

Sara corria atrás dele feito uma mãe com seu filho extremamente arteiro, sem sucesso.

_Brat !

Grissom usou um tom de voz firme e bastante autoritário e o cão estacou, depois foi em direção a ele com o estranho rabo entre as pernas.

_Quieto !

Sara o prendeu na área de serviço e fechou a porta de vidro com acesso para a cozinha.

_Vamos descarregar as malas, depois vamos ver o que fazemos com ele.

_Tenha paciência com ele … Sara !

_Vou tentar … juro que vou !

_Sua casa é muito bonita.

_Demorou para ficar do jeito que eu queria. Foram anos de economia.

_Valeu a pena !

_Obrigada, Gris !

Assim que terminaram, eles foram juntos verificar o cão. Ele havia arranhado a porta algumas vezes e chorado feito um bebê, deixando Sara nervosa, agora arrastava uma pequena cesta pelo quintal, espalhando prendedores multicoloridos pelo jardim.

_Santo Deus … Gris … eu não sei se vou sobreviver a este bandidinho !

_Acho que devemos providenciar alguns objetos para ele se distrair e … eliminar tudo o que pode “alcançar”.

Ele saiu pelo quintal bem planejado, resgatando os objetos que o cão conseguir espalhar.

_Precisamos de um pet shop. Você conhece algum ?

_Não … mas acho que não será muito difícil.

_Então vamos, não podemos perder tempo.

Ela sorriu e fechou a porta jogando uma velha almofada para ele se distrair. Sabia que ele a detonaria, mas pelo menos aplacava sua sede de ação.

….......

Alguns brinquedos de borracha rígida, outros de silicone, uma corda para os dentes, casinha, cama e um portão para barrar a entrada dele na casa, sem que perdesse o contato visual de sua dona.

_Acha que é o bastante ?

_Acho que sim !

O carrinho estava cheio, e ele olhava ao redor, ainda em dúvida.

_Talvez se a gente levasse alguns desses ossos caninos.

_Perfeito.

No caixa, ela olhou para a própria cena e sorriu. Pareciam uma família, ás voltas com compras para seu animal de estimação.

Algumas pessoas os olhavam, talvez imaginando a mesma coisa. Mal sabiam que ate há alguns meses atrás, nem sonhavam da existência um do outro.