Ela olhou para ele e pareceu hesitar por um momento.

_Você tem certeza ?

_Claro que sim !

_E o Brat ?

_Quero o pacote … inteiro !

_E se você se arrepender ?

_Sara ? Eu não tenho dezoito anos, sei o que estou fazendo ! Está arranjando pretextos, é isso ? Se não quiser é só me dizer …

Ela olhou por baixo com uma expressão de abandono.

_Mas eu adoraria !

_Então aceite !

_Tudo bem !

Ele abriu um sorriso lindo e lhe deu um beijo intenso, depois muitos outros por seu rosto todo, parando novamente m sua boca.

_Você me deixa muito feliz !


Grissom ajeitou as coisas do cão na varanda dos fundos, usou a grade protetora para ele não invadir a cozinha e o deixou dormindo.

Brat estaria em pleno vigor apenas no dia seguinte. O calmante tinha efeito prolongado.

Foram até a casa dela, esvaziaram a geladeira e carregaram mais algumas roupas. Sara subiu as escadas correndo e foi até seu quarto, tudo muito rápido para que ele não fosse atrás dela e a visse carregando seu romancezinho barato ! Precisava terminar sua leitura e descobrir o desfecho daquele drama muito vagabundo. Só não sabia como fazer sem que ele percebesse, com toda certeza, estariam juntos a maior parte do tempo. Talvez quando estivesse no banho. A não ser que o livro fosse em material impermealizado. Ela riu.

As vezes ela era tão ridícula com seus pensamentos torpes.

_Sara ? — Ele empurrou a porta e enfiou a cabela para dentro do cômodo. _O que está fazendo ? Precisa de ajuda ?

_Não ! — Ela respondeu rapidamente e correu para o banheiro, tentando um disfarce para esconder o objeto “proibido”! _Preciso de mais shampoo, está quase terminando.

_Hum … eu já terminei com suas coisas, vou descer e verificar as trancas, onde guarda as chaves da porta da cozinha ?

_Na porta mesmo.

Ela saiu com uma pequena caixa. Shampoo e mais umas “coisinhas”, depois pegou o retrato deles com a família de patos ao fundo, no parque.

Em uma última olhada antes de trancar o portão, ela avisou.

_Preciso cuidar do jardim e regar as plantas que estão ganhando novos brotos. — Ela olhou para o céu carregado e concluiu. _Mas acho que hoje não será necessário.

_“Nós precisamos” … tem aprender a conjugar melhor o verbo … agora ! Além do mais, podemos revezar um pouco, se quiser.

_É uma boa ideia. Temos duas casas … e consequentemente ... dois jardins para cuidar ! -Sara tocou seu rosto e entrou no carro.

Ela correu para dentro levando o ultimo pacote, sentindo alguns pingos de chuva bater em suas costas.

_Ai que chuva gelada !

Ela olhou pela janela segundos depois e achou que o céu fosse desabar.

….......

Ele mordeu o último morango e mudou de canal.

_Hei … eu estava assistindo !

Estavam sentados no sofá e ela tinha os pés sobre sobre as coxas dele. Estavam sentados um em cada extremidade do sofá.

_Sério ? Me desculpe !

Ele voltou para o canal com um sorriso cínico.

_Você fez de propósito …

_Não fiz não !

Ela tomou o controle de suas mãos, fingindo uma cara amarrada.

_Sabia que controles remotos e mulheres, já foram alvo de pesquisas científicas ?

_Acho que há um equívoco nessa informação. Homens amam ter o controle !

_Sério ? Pode ser mais específica … “querida” ?

_Machos dominantes, precisam estar seguros de que tudo tome o caminho que eles desejam !

Ele deu uma gargalhada deliciosa e jogou a cabeça para trás.

_Qual a graça ?

_Quer dizer que se eu … como “macho dominante” usar o controle remoto para mudar … os canais, não vou exitar em cometer um assassinato se alguém atravessar o meu caminho?

Desta vez foi ela quem começou a gargalhar.

_Não é isso ?

Ela balançou a cabeça, desligou a TV, ajeitou seu corpo sobre o dele e o encarou.

_Vocês tendem a fazer as coisas que lhes convém … sempre !

_Hei … homens tem que estar à frente de uma dama.

_Homens tem que estar “ao lado” de uma dama.

_E como é que vamos salvá -las dos perigos ?

Aquele embate delicioso estava começando a excitá – lo.

_Machista !

_Se isso significa sempre satisfazer uma feminista, linda que neste momento está em meus braços, então eu sou um grande machista !

Ela se bastava, mas era tão bom ser cuidada por alguém que valia a pena. Sem contar as “coisas” que ele fazia com ela. Santo Deus ! Na verdade, nem mesmo sua profissão havia endurecido seu coração. Gostava de companhia, de ser amada, de alguém que se preocupava com ela.

Grissom beijou seus lábios com suavidade.

_Se vamos continuar com essa discussão, sugiro que façamos terapia de casal !

_Mas …

_Nós somos um … casal … não somos ?

_Acho … que sim … mas terapia ??? Na verdade … sei que terapia eu preciso.

Os olhos dela se escureceram, não havia pudor em lhe dizer o quanto o desejava, parecia tão natural. Ela notou que suas palavras o deixavam orgulhoso !

__Eu tenho ...um consultório, quer marcar uma consulta ?

Sara encostou sua boca na dele, mordiscou o lábio inferior, sugou levemente, depois fez o mesmo com o lábio superior.

Os olhos dele estavam fechados, sentindo o prazer que ela lhe proporcionava, quando os abriu, se deparou com uma imensidão amendoada que fez seus azuis escurecem de desejo.

Com um fúria quase selvagem ele tomou sua boca e se virou sobre ela no sofá.

_Eu me rendo. Concordo com o que você quiser !

Grissom enfiou seu rosto no pescoço sensível dela, sentindo com a ponta dos dedos seus pelos se arrepiarem. Era mesmo incrível como ela reagia a ele !

Um barulho de resmungo, um pequeno choro e ele levantou cabeça.

_Ouviu isso ?

_O quê ?

_Acho que é o Brat.

Eles se levantaram e foram até o cão que, de pernas para cima, “sonhava” com alguma coisa.

_Acho que está sonhando !

_Será que ele está bem. Gris ?

Ele a abraçou e beijou seus cabelos.

_Claro que sim, você vai ver o terremoto assim que os efeitos passarem.

Em um gesto muito engraçado, o cão esticou as pernas e parecia em um embate com algum inimigo “invisível”, arrancando risos de seus expectadores !

_Venha … eu acho que precisamos terminar … o que começamos … ele está bem !

Ele andou de costas a puxando pelas mãos, logo voltando ao tapete macio.

Suas roupas foram tiradas uma a uma, depois foi a vez dela fazer o mesmo com ele, beijando cada pedacinho exposto.

As mãos dela brincaram com a pele do peito firme, enquanto suas bocas estavam grudadas, depois o estômago e por fim ela encontrou uma ereção dura feito aço, acariciou a pele aveludada com delicadeza. Com habilidade e cuidado ela montou sobre ele, sentindo suas entranhas se ajustarem à imensidão de seu tamanho.

Fizeram amor naquele tapete como se fosse a primeira vez. Era uma dança erótica de corpos sedentos de desejo, paixão e fúria, enquanto novos pingos de chuva batiam na janela.

….........

Eles ainda estavam no tapete, o braço dele sobre seu corpo, quando abriu os olhos. Ela ajeitou melhor a almofada sob sua cabela grisalha e se levantou com cuidado.

Por alguns segundos ela admirou o homem dormindo feito um menino. Os cabelos em desalinho, a barba bonita, o nariz perfeito.

Ele era um homem efetivamente lindo !

Um grande sorriso tomou sua boca quando sentiu aquela sensação de pós amor. Suas entranhas estavam sensíveis, assim como os seios.

_Eu te amo, dr. Gilbert ! — Ela sussurrou e foi para o quarto.

Pendleton largou o livro e a abraçou com certo cuidado, os olhos dela estavam molhados e ele sentiu como se alguém tivesse lhe rasgado o coração.

_Isso acabou … querida … nós vamos embora ! Você quer ?

Ela apenas balançou a cabeça e se agarrou ao seu salvador com tanta força que ele se sentiu sufocado !

_Eu só preciso … ajeitar algumas coisas … — Ele tocou seu rosto pequeno e beijou sua testa._ Você tem que confiar em mim, Hannah … pode fazer isso ?

Com muita dificuldade ela proferiu um sim, ainda chorando copiosamente.

_Acho que tive uma ideia !

Ele conseguiu algumas pedras e com alguns gravetos, construiu uma cruz de tamanho considerável.

_Preste atenção … você não sai desta cabana, por nada … não deve aparecer nem mesmo se notar alguma coisa errada, entendeu ?

Ela olhou para ele com olhos de medo !

_Você disse que confiava em mim !

Hannah balançou a cabeça com eloquência, concordando. Entregaria sua vida a ele.

Ela levantou as mãos querendo uma explicação mais convincente para tudo aquilo.

_Para todos os efeitos, você está morta ! Vou fazer parecer que está enterrada no alto da colina, e vamos torcer para que pareça real. Preciso de alguns dias e talvez alguém esteja lhe procurando, não podemos arriscar. _Se ver algum movimento estranho, por favor … se esconda !

Ela o abraçou, por vontade própria, agradecendo.

_Vou providenciar um abrigo no subsolo da cabana do morro, você quer me ajudar ?

_Muito !

Ela mal falava algumas palavras, mas ele a ensinaria, faria qualquer coisa por ela !

.”

Sara suspirou, eras o poder de um sentimento que ela agora sabia como era.

Logo depois ouviu um barulho na cozinha. Ela estava na cadeira da varanda.

_Sara ?

_Oi Gris …

Com rapidez, ela escondeu o livro sob a almofada.

_O que está fazendo ? — A voz rouca, ele estava apenas com sua calça jeans, não havia camisa, tinha os pés descalços e os cabelos despenteados.

_Hum … nada … apenas pensando.

_Em quê ?

_Em você !!!