Eles andaram de mãos dadas pela praça enquanto Brat queria andar mais do que suas pernas pudessem comandar.

_Hei garoto … mais devagar ! — Grissom puxou a coleira enquanto ela ria do jeito desgovernado de seu animal.

Sara estava se divertindo a cada dia mais com aquela convivência. Ela fazia parte da rotina dele, policiava seu tratamento, não esquecia os horários de seus medicamentos

_Grissom, Sara ! — Eles se viraram para a voz estridente, enquanto olhos curiosos pousaram sobre os dedos entrelaçados.

_Marthy ? — Eles disseram juntos.

_Estão fazendo um passeio ? — Ela tinha um pacote nas mãos e sorriu um tanto maliciosa. _Fui até sua casa … fiz uma torta de amoras !

_Oh … eu adoro amoras !

_Se quiser posso levar uma outra hora.

Grissom reprimiu uma risada quando viu os olhos dela brilharam, olhando para o objeto embrulhado nas mãos de Marthy.

_É …

_Vamos até minha casa, ela pode dividir comigo ? — Grissom a salvou.

_Claro … seria um prazer se aprovasse também !

Assim que ela se sentou no sofá, os olhos curiosos buscaram o ambiente, procurando pistas, para confirmar suas desconfianças.

Ela havia ido até a casa de Sara mais duas vezes, e nada. Nem mesmo o cão viera recepcioná – la. Ela viu a foto deles no lago e sorriu.

Sara ajeitou a mesa rústica da cozinha e a chamou para acompanhá – los enquanto Grissom vinha da varanda e depois de lavar as mãos, ligou a cafeteira.

_E então … como foi a viagem ?

_Bem … voltamos há alguns dias.

_Hum … vocês estão morando juntos ? — Direta, indiscreta e aterrorizante ! Era assim que aquela pergunta pareceu.

Eles perceberam que ela não estava mais se aguentando de tanta curiosidade !

_Estamos revezando …

Logo aquele lado da cidade estaria em polvorosa com a “novidade”.

_Seu jardim está tão bonito.

Marthy estava se divertindo observando a maneira com que aquele homem olhava para a mulher morena.

_Nós vamos dar uma revolvida na terra e preencher algumas falhas na grama, aproveitar as chuvas.

_Esta região é bem conhecida pelas chuvas. O ano passado tivemos algumas tempestades. Foi um tempo difícil, mas tudo está bem agora.

Eles compartilharam o café e a torta deliciosa. Sara chegou a lamber os dedos feito uma criança.

_Isto está delicioso.

Marthy viu o sorriso do namorado, era radiante. Definitivamente havia uma paixão intensa ali.

_Eu … preciso ir, mesmo adorando estar aqui !

Marthy tomou o último gole do café e se levantou.

_Estou feliz que estejam bem.

_Obrigada Marthy.

Assim que ela saiu, os dois se entreolharam.

_O que você acha ?

_Ainda bem que ela não tem um jornal de fofocas.

_E ela precisa ?

…........

Eles notaram o efeito da visita de Marthy imediatamente , nos dias posteriores.

Pelas ruas, enquanto faziam a caminhada matinal, os passeios com Brat, as saídas noturnas, ou então apenas uma cerveja no Dick's.

_O que acha de darmos uma volta do outro lado da ponte ?

_Hum … muito bom ! Pelo menos podemos nos sentir “normais” !

Grissom sorriu e entrou no banheiro.

Sara aproveitou a rara ocasião em que ficava sozinha e correu para seu livro, escondido sobre suas roupas, em seu lado do armário.

_Sara ?

_Oi …

Ela bateu a mão na coxa, inconformada com a frustração de não poder ler mais alguma coisa. Não havia muitas páginas mais.

_O que foi, Grissom ?

_Acho que precisamos de toalhas …

Ele gritou do banheiro, a fazendo levantar os olhos !

Coisas de casal !

_Já estou levando …

No box, ele ligou o chuveiro.

_O que foi ?

_Nada !

_Parece zangada, não me chama de Grissom há muito tempo.

_Oh … acho que estou virando uma velha rabugenta ! Só faltam alguns bobes e um lenço estampado de cores berrantes !

Ela ouviu ele dar uma gargalhada alta, enquanto fechava a porta atrás de si.

…........

_ O que você quer fazer ? — Ele engoliu seus comprimidos e se virou para ela.

Eles tinham acabado de almoçar, e estavam entrando no carro.

_O que acha de andar por aí ?

_Você é quem manda !

Descobriram um cinema, um pequeno teatro e um parque de diversões, ele resolveu parar imediatamente.

_Você vem comigo na … montanha russa ?

_Podemos esperar um pouco, então.

_E … você tem certeza que não há problema em ter … este tipo de emoção ?

_Estou sendo testado com emoções muito mais fortes que essa e … acho que estou me saindo bem !

Ela olhou de repente para ele, que tinha um olhar de malícia, olhando para sua boca, virada para ela e um dos braços sobre o volante.

_Você não disse isso !

_Que fazer amor com você é infinitamente emocionante ? Disse sim !

Ele mesmo concordou com sua destreza. Até algum tempo mal tinha habilidade de se comunicar !

Aquele cara ainda existia, mas ela estava liberando nele uma pessoa que não tinha o mínimo receio em demonstrar o que sentia.

_Você é convencido !

_E começam as acusações. Deixa eu pensar … eu sou convencido que amo você !

Pronto ! Ele havia a desarmado. Bastou ele sorrir daquele seu jeitinho para ela agarrar seu pescoço e confessar.

_Também amo você ! Mas sabe que a adrenalina nessas engenhocas, é totalmente diferente … desta outra …

_Cientificamente falando … adrenalina é adrenalina !

_Posso recusar ?

_Por que ?

_Ah … eu prefiro ser prudente !

_Ah … então é isso … você tem medo de montanha russa ?

_Não !

_Tem sim ! Tudo bem … eu … posso ? — Ele apontou para o brinquedo feito um menino carente.

_E se eu disser para não ir ?

_E por que faria isso ?

_Eu … tenho medo, Gris … e se você tiver uma reação ?

Ele pensou um pouco olhando para a garota de sua vida, com os olhos mais doces do mundo !

_Está bem, vamos ao cinema … ok ?

….......

Ele fechou seu laptop, depois de descrever com poucas palavras que estava se sentindo muito bem. Não havia mais sinal de tonturas, mal – estar, nada do que até há algumas semanas atrás, sentia.

Depois foi para o quintal, puxando o cão pela coleira, fazendo com que se sentasse diante dele.

Sara durgiu da cozinha mordendo uma suculenta maçã.

_Você tem certeza que isso vai dar certo ?

_Claro que sim !

Ela cruzou os braços e ficou espiando de longe, com uma gargalhada pronta para ser disparada. Ela tinha certeza que aquilo ia ser um fiasco.

Seu namorado ligou a água e o cão quase teve um surto, pulando feito um coelho assustado.

_Brat ! – Ele vociferou.

A água se espalhou por sua camiseta branca e bermuda de sarga, ensopando seu peito e pernas.

Sara fez um gesto para ir até ele, mas parou no meio do caminho, pois logo em seguida, com muita firmeza ele conseguiu domar o animal aparvalhado e logo tudo voltou ao controle.

_Bom menino !

_Quer ajuda com o secador ?

_Eu acho que sim !

Um bom tempo depois, ele estava limpo, cheiroso e bem comportado, abrindo a boca a todo instante, morrendo de sono.

Ele higienizou a varanda, os objetos que usou para o banho e guardou tudo em seus devidos lugares.

_Acho que sou eu quem precisa de um bom banho, agora !

_Quer ajuda ?

Os olhos dele pareciam divertidos quando ele a encarou, mas em seguida aquele brilho se tornou intenso e cheio de segundas intenções.

_Me parece um boa ideia !

Ela estendeu a mão para ele e entraram para dentro em direção ao banheiro.

Notas finais
Mudanças em breve, eles não devem demorara para voltas às suas vidas.