Tinha Que Acontecer
36 Capítulo 36
Eles andaram de mãos dadas pela praça enquanto Brat queria andar mais do que suas pernas pudessem comandar.
_Hei garoto … mais devagar ! — Grissom puxou a coleira enquanto ela ria do jeito desgovernado de seu animal.
Sara estava se divertindo a cada dia mais com aquela convivência. Ela fazia parte da rotina dele, policiava seu tratamento, não esquecia os horários de seus medicamentos
_Grissom, Sara ! — Eles se viraram para a voz estridente, enquanto olhos curiosos pousaram sobre os dedos entrelaçados.
_Marthy ? — Eles disseram juntos.
_Estão fazendo um passeio ? — Ela tinha um pacote nas mãos e sorriu um tanto maliciosa. _Fui até sua casa … fiz uma torta de amoras !
_Oh … eu adoro amoras !
_Se quiser posso levar uma outra hora.
Grissom reprimiu uma risada quando viu os olhos dela brilharam, olhando para o objeto embrulhado nas mãos de Marthy.
_É …
_Vamos até minha casa, ela pode dividir comigo ? — Grissom a salvou.
_Claro … seria um prazer se aprovasse também !
Assim que ela se sentou no sofá, os olhos curiosos buscaram o ambiente, procurando pistas, para confirmar suas desconfianças.
Ela havia ido até a casa de Sara mais duas vezes, e nada. Nem mesmo o cão viera recepcioná – la. Ela viu a foto deles no lago e sorriu.
Sara ajeitou a mesa rústica da cozinha e a chamou para acompanhá – los enquanto Grissom vinha da varanda e depois de lavar as mãos, ligou a cafeteira.
_E então … como foi a viagem ?
_Bem … voltamos há alguns dias.
_Hum … vocês estão morando juntos ? — Direta, indiscreta e aterrorizante ! Era assim que aquela pergunta pareceu.
Eles perceberam que ela não estava mais se aguentando de tanta curiosidade !
_Estamos revezando …
Logo aquele lado da cidade estaria em polvorosa com a “novidade”.
_Seu jardim está tão bonito.
Marthy estava se divertindo observando a maneira com que aquele homem olhava para a mulher morena.
_Nós vamos dar uma revolvida na terra e preencher algumas falhas na grama, aproveitar as chuvas.
_Esta região é bem conhecida pelas chuvas. O ano passado tivemos algumas tempestades. Foi um tempo difícil, mas tudo está bem agora.
Eles compartilharam o café e a torta deliciosa. Sara chegou a lamber os dedos feito uma criança.
_Isto está delicioso.
Marthy viu o sorriso do namorado, era radiante. Definitivamente havia uma paixão intensa ali.
_Eu … preciso ir, mesmo adorando estar aqui !
Marthy tomou o último gole do café e se levantou.
_Estou feliz que estejam bem.
_Obrigada Marthy.
Assim que ela saiu, os dois se entreolharam.
_O que você acha ?
_Ainda bem que ela não tem um jornal de fofocas.
_E ela precisa ?
…........
Eles notaram o efeito da visita de Marthy imediatamente , nos dias posteriores.
Pelas ruas, enquanto faziam a caminhada matinal, os passeios com Brat, as saídas noturnas, ou então apenas uma cerveja no Dick's.
_O que acha de darmos uma volta do outro lado da ponte ?
_Hum … muito bom ! Pelo menos podemos nos sentir “normais” !
Grissom sorriu e entrou no banheiro.
Sara aproveitou a rara ocasião em que ficava sozinha e correu para seu livro, escondido sobre suas roupas, em seu lado do armário.
_Sara ?
_Oi …
Ela bateu a mão na coxa, inconformada com a frustração de não poder ler mais alguma coisa. Não havia muitas páginas mais.
_O que foi, Grissom ?
_Acho que precisamos de toalhas …
Ele gritou do banheiro, a fazendo levantar os olhos !
Coisas de casal !
_Já estou levando …
No box, ele ligou o chuveiro.
_O que foi ?
_Nada !
_Parece zangada, não me chama de Grissom há muito tempo.
_Oh … acho que estou virando uma velha rabugenta ! Só faltam alguns bobes e um lenço estampado de cores berrantes !
Ela ouviu ele dar uma gargalhada alta, enquanto fechava a porta atrás de si.
…........
_ O que você quer fazer ? — Ele engoliu seus comprimidos e se virou para ela.
Eles tinham acabado de almoçar, e estavam entrando no carro.
_O que acha de andar por aí ?
_Você é quem manda !
Descobriram um cinema, um pequeno teatro e um parque de diversões, ele resolveu parar imediatamente.
_Você vem comigo na … montanha russa ?
_Podemos esperar um pouco, então.
_E … você tem certeza que não há problema em ter … este tipo de emoção ?
_Estou sendo testado com emoções muito mais fortes que essa e … acho que estou me saindo bem !
Ela olhou de repente para ele, que tinha um olhar de malícia, olhando para sua boca, virada para ela e um dos braços sobre o volante.
_Você não disse isso !
_Que fazer amor com você é infinitamente emocionante ? Disse sim !
Ele mesmo concordou com sua destreza. Até algum tempo mal tinha habilidade de se comunicar !
Aquele cara ainda existia, mas ela estava liberando nele uma pessoa que não tinha o mínimo receio em demonstrar o que sentia.
_Você é convencido !
_E começam as acusações. Deixa eu pensar … eu sou convencido que amo você !
Pronto ! Ele havia a desarmado. Bastou ele sorrir daquele seu jeitinho para ela agarrar seu pescoço e confessar.
_Também amo você ! Mas sabe que a adrenalina nessas engenhocas, é totalmente diferente … desta outra …
_Cientificamente falando … adrenalina é adrenalina !
_Posso recusar ?
_Por que ?
_Ah … eu prefiro ser prudente !
_Ah … então é isso … você tem medo de montanha russa ?
_Não !
_Tem sim ! Tudo bem … eu … posso ? — Ele apontou para o brinquedo feito um menino carente.
_E se eu disser para não ir ?
_E por que faria isso ?
_Eu … tenho medo, Gris … e se você tiver uma reação ?
Ele pensou um pouco olhando para a garota de sua vida, com os olhos mais doces do mundo !
_Está bem, vamos ao cinema … ok ?
….......
Ele fechou seu laptop, depois de descrever com poucas palavras que estava se sentindo muito bem. Não havia mais sinal de tonturas, mal – estar, nada do que até há algumas semanas atrás, sentia.
Depois foi para o quintal, puxando o cão pela coleira, fazendo com que se sentasse diante dele.
Sara durgiu da cozinha mordendo uma suculenta maçã.
_Você tem certeza que isso vai dar certo ?
_Claro que sim !
Ela cruzou os braços e ficou espiando de longe, com uma gargalhada pronta para ser disparada. Ela tinha certeza que aquilo ia ser um fiasco.
Seu namorado ligou a água e o cão quase teve um surto, pulando feito um coelho assustado.
_Brat ! – Ele vociferou.
A água se espalhou por sua camiseta branca e bermuda de sarga, ensopando seu peito e pernas.
Sara fez um gesto para ir até ele, mas parou no meio do caminho, pois logo em seguida, com muita firmeza ele conseguiu domar o animal aparvalhado e logo tudo voltou ao controle.
_Bom menino !
_Quer ajuda com o secador ?
_Eu acho que sim !
Um bom tempo depois, ele estava limpo, cheiroso e bem comportado, abrindo a boca a todo instante, morrendo de sono.
Ele higienizou a varanda, os objetos que usou para o banho e guardou tudo em seus devidos lugares.
_Acho que sou eu quem precisa de um bom banho, agora !
_Quer ajuda ?
Os olhos dele pareciam divertidos quando ele a encarou, mas em seguida aquele brilho se tornou intenso e cheio de segundas intenções.
_Me parece um boa ideia !
Ela estendeu a mão para ele e entraram para dentro em direção ao banheiro.
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