Ele estava apenas com suas calças, descalço, sem camisa e altamente nervoso !

Mal havia finalizado o ato de amor entre eles quando aquela maldita campainha lhe tirou a paz ! Sua cabeça estava estranha e um pequeno zunido em seu ouvido parecia estar se formando.

Em sua fúria, abriu a porta com força e Jared caiu literalmente em seus braços, completamente desalinhado.

_Hei ….

Ele o amparou mais pelo reflexo do que propriamente educação.

_Onde está … a minha namorada ????? A Sara !

Sua voz estava ainda mais pastosa e pelo que ele podia perceber cheirava além de bebida mais alguma coisa bastante forte.

_Você está … drogado ?

_Não !!!! — Ele deu um grito e Grissom o segurou pelo colarinho, quase arrancando os botões de sua camisa social.

_Fale baixe comigo, seu moleque !

Ele o puxou para o sofá e em instantes ela estava ao lado dele.

_O que está fazendo ?

_Tirando ele da porta, vai acordar seus vizinhos !

_Jared ! O que você pretende ? ?

_Falar com você !

Ele mal parava sentado, ela não fazia ideia de como ele conseguiu chegar até à sua porta.

_O que este homem … faz aqui, sem roupas ! — Jared mal conseguia levantar a cabeça.

_O que é que VOCÊ … faz aqui ?

_Quero falar com … você … já disse !

Ela passou as mãos pelos cabelos e Grissom repetiu seu gesto, depois pousou as mãos na cintura e abriu levemente as pernas em posição de desagrado.

_O que você quer que eu faça com ele ?

_Podemos afogá – lo na banheira !

_Cuidado que posso gostar da sugestão !

_Está sentindo este cheiro ?

_Sim … acho que não foi apenas bebida que o deixou assim.

_Jared ! O que você usou ?

_Nada ! Apenas um cigarro, para me acalmar … volte comigo, Sara ! Eu te amo !

_Cala a boca !

Seu corpo escorregou pelo sofá e ele tentou se ajoelhar aos pés dela, mas não conseguiu, apenas se amontou como se não tivesse ossos.

Grissom o ajeitou novamente no sofá, tateando seus bolsos para procurar um telefone. Talvez pudesse ter um numero útil que o ajudasse a tirar aquele paspalho dali.

_O que … estava fazendo ?

_Não ouviu o que ela disse, cale a boca !

O aparelho estava no bolso interno de seu paleto amarrotado.

_Como é o nome da mulher desse infeliz ?

_Eu … não sei …

_Hei … — Grissom deu um pequeno tapa em seu rosto bem barbeado, tentando deixá – lo acordado. _Me diz o nome de sua esposa !

_Eu … não tenho … mais esposa … eu … preciso da Sara !

Ouvir aquilo, mesmo que seu interlocutor estivesse completamente embriado lhe trouxe uma fúria quase incontrolável. Como previra, seu limite havia se esgotado.

Ele agarrou novamente a gola mastigada de sua camisa e o trouxe para perto de seu rosto transfigurado pelo ódio.

_Vou te colocar em um táxi, você vai para casa agora …. antes que eu mesmo te mande para o inferno.

_Eu … já estou no …. inferno …

Grissom bufou, precisava se controlar, mas estava impossível.

_Onde ele mora ?

_Na Paramount com a Square !

_Tem o número de alguma companhia de táxi ?

_Acho que tenho uma ideia !

Ela estava nervosa, e correu até a gaveta do console, discou um numero, falou por alguns minutos e voltou para perto dele.

Grissom havia largado seu colarinho e ele dormia amontoado no sofá.

_Um amigo está de plantão com a viatura e vem buscá – lo !

_Isso parece um pesadelo !

Ela o puxou para seus braços, bem de frente a Jared e tocou sua bochecha com a ponta dos dedos.

_Obrigada, Gris … você está sendo … surpreendente !

_Não me agradeça … ainda … não sei até quando posso suportar, estou prestes a seguir seu conselho.

_A banheira ?

_Huhum …

Sara deu uma gargalhada e eles se viraram quando ele resmungou o nome dela, ainda de olhos completamente fechados.

_Eu … preciso dele bem sóbrio para uma conversa de “homem” para “homem” ! Se perder o controle, vou parecer um covarde insano. Mas juro a você que estou fazendo um esforço sobre humano.

Ela olhou para aquela massa enorme inconsciente em seu sofá e chegou a sentir pena dele. Aquela imagem em nada parecia com o altivo e arrogante homem que conhecera. Ele tinha uma opinião forte sobre tudo, era inteligente e as coisas sempre tinham que ser feitas à maneira dele. Ali, naquele momento mais parecia um sujeito derrotado e sem orgulho algum.

Alguma coisa na expressão dela, fez Grissom imaginar algumas caraminholas que o deixou desconfortável e apreensivo. Resolveu arriscar.

_Está com pena dele ?

_Na verdade sim, embora concorde que uma boa lição não lhe faria mal ! Ela o puxou para a cozinha e o fez se sentar à mesa, enquanto preparava um café. Sony, seu amigo policial, lhe disse que demoraria um pouco.

_Sabe … eu não sei o que houve com ele, mas se estivesse sóbrio, tenho toda certeza que jamais faria isso. Ele era orgulhoso, extremamente machista e tinha uma opinião muito forte.

_Homens apaixonados são surpreendentes, Sara !

Ele se referia a ele próprio, pouco se lembrava do laboratório. Passou a maior parte de sua vida enfiado no trabalho. Mulheres para ele, apenas ocasionais. Podia se lembrar de uma ou duas que mexeram mais profundamente com ele, como Heather, mas apenas por serem inteligentes e intrigantes, nada mais ! Depois, perderam o interesse assim que a rotina de seu trabalho o tragou. Ela lhe chamou atenção em um caso e depois por conta de uma desconfiança, o contato durou apenas uma moite. Agora ele via que nada podia se comparar ao que estava sentindo. Justamente ele, que se sentia confortável com sua vida solitária e bem organizada ! _Sei do que estou falando, acredite !

Sara se virou para ele e o encarou.

Era visível e notório que estava apaixonado por ela, ele mesmo havia confessado algumas vezes, mas seria sobre aquele relacionamento tão explosivo que ele estava falando ?

_Como quer … o seu café ?

_Forte … quem sabe possa dar um jeito no sujeito que arruinou a nossa noite.

Ela deu a volta no balcão e o acomodou seus braços em volta de seu pescoço forte.

_Ele … não vai ficar aqui para sempre … você sabe … podemos … ter uma segunda chance !

Ele sorriu e bicou seus lábios.

_Vou manter isso em mente !

….......

Depois de ter acordado Jared e forçá – lo a tomar um boa quantidade de café, e ajudado Sony colocá – lo na viatura, eles voltaram para dentro.

_Espero que ele não incomode mais.

Sony dissera a eles que ia deixá – lo passar o resto daquela noite em uma cela, até que se recuperasse daquela tamanha bebedeira.

Grissom olhou para cima, e em uma expressão cômica declarou.

_Não tenho certeza mas acho que … ouvi alguma coisa sobre … uma segunda chance … você não ouviu ?

Ela sorriu para ele e o puxou para o quarto.

Uma boa parte daquela madrugada foi usada para atividades nada inocentes.

Ele brincou com seu corpo como se vivessem há anos juntos. Era como se a conhecesse desde sua infância.

Era uma cumplicidade que só mesmo uma relação de muito tempo poderia proporcionar.

Sara estava sentindo na pele o que era ser uma mulher de verdade. Sempre teve consciência que sua maneira agradava os poucos homens que tivera em sua vida, mas com ele, a proporção havia aumentado de tamanho assustadoramente.

Nada como ter o peso dele sobre ela, a visão de seus olhos fechados sentindo a intensidade de seus movimentos quando cavalgava sobre ele, os braços fortes que a seguravam como se fizessem aquilo por uma vida toda.

Sem contar a sensação de euforia que sentia quando os gemidos se misturavam, trazendo um mundo totalmente sedutor até eles.

Quando ele a puxou para seus braços, saciados e quase amanhecendo, ela teve a certeza, mais uma vez, que ele era o homem da sua vida !