Tinha Que Acontecer
34 Capítulo 34
Notas iniciais
Estou trabalhando para a construção desta fic, e confesso que estou tentando passar um amor incondicional entre eles, evoluindo dia a dia, para que ao longo do tempo, esse sentimento tão nobre possa pesar em tomadas de decisões.
Eles se amam, mas haverá um tempo de mudanças, de cada um seguir a sua vida. Como devem saber, nada de dramas épicos, apenas alguns pontos divergentes, e situações questionadoras, mas que no final tudo tende a se ajeitar. Afinal minha classificação como adoradora de romances "água com açucar", que admito, não me envergonho de ser, não pode ser deixada de lado. As coisas sempre vão se encaixar, como nos bons sonhos que sonhamos !
Grissom abandonou os talheres e cruzou os dedos sobre a mesa.
Por sugestão dela, eles resolveram almoçar em um famoso restaurante em Boston, antes de partirem de volta a Cape Finley, e aproveitar o mês todo em companhia um do outro, entes dela voltar às suas atividades.
Eles haviam ido juntos para a avaliação periódica dela agendada para dali a três semanas. Como estavam na cidade, ela resolveu se adiantar. Havia recebido a notícia de que estava apta para seu retorno, mas foi então que seu nível de estresse se revelou extremamente alto ao descrever sobre os disparos em Las Vegas. A intensidade com que a máquina de última geração captou seus impulsos foi assustadora e assim ela ganhou mais quatro semanas.
Assim que acordaram aquela manhã, Grissom não deixou que ela ligasse para Jared.
Queria toda aquela história longe da vida deles. Ele havia ultrapassado seus limites mas aquilo já era passado. Não queria testar seus nervos, caso a reação dele fosse diferente de um arrependimento.
Ela levou um pedaço de salmão à boca, indagando.
_Você deveria ter me deixado falar com ele, Grissom …
_Acho que vai ter a sua chance … ele está vindo aí !
Jared sabia de sua preferência dela pelo restaurante e assim que ela não atendeu seu telefonema poucas horas antes, deduziu que estivessem ali.
Grissom se levantou imediatamente, assim que ele chegou à mesa.
_Eu vim em paz, amigo.
_Jared ??? — Sara estava perplexa.
Ela queria ouvir as desculpas dele, tinha certeza que ele estaria arrependido, mas então, seu namorado a boicotou, impedindo que ela fosse adiante com seu telefonema, não gostava de deixar nada para trás. Agora tinha sua chance.
_Eu … queria pedir minhas sinceras desculpas !
_Você tem consciência do que você fez, não é ?
_Nítida e claramente, Sara. Estou arrependido e queria de verdade que aceitasse meu pedido, principalmente você !
Ele se virou para Grissom e teve um aceno discreto.
_Tudo bem …
_Sei que não merecia a consideração que teve comigo, portanto se quiser despejar seu ódio, estou aqui para deixá – lo fazer !
_Não é necessário ! Você estava alterado e suas condições eram … precárias.
_Sei disso … eu .. estava frustrado e … minha mulher tinha acabado me de me deixar ... acabei … confundindo … um pouco as coisas.
Sara olhava para ele completamente paralisada.
Mesmo sabendo que ele faria uma coisa daquelas, ficou surpresa por vê – lo tão pacífico.
_Devia pensar duas vezes antes de enganá – la, Jared ! Você tem uma família com ela.
_Foi apenas … uma vez e … com você ! Não pode me culpar por … me apaixonar …
_Hei … ainda estou aqui e ... posso mudar de ideia sobre minha passividade, não abuse !
_Desculpe … mais uma vez. — Ele se virou para ela. _Não sou um canalha, Sara !
_Isso não me importa mais, aliás acho que nunca importou. Já teve seu gesto de bom moço, agora adeus, Jared !
Ele estendeu a mão pra Grissom e ele aceitou.
_Adeus … — Ele saiu tão depressa quanto chegou.
_Nossa ! Isso foi muito estranho !
_Não posso culpá – lo !
_Como ? Você acha certo ter uma família e ainda assim achar que … pode … você sabe … pular a cerca ?
_Claro que não ! Não é exatamente sobre isso que me referindo.
_Sobre o que é, então ?
_Se apaixonar por você ! Isso devo dizer que … não é de todo … assim tão … impossível ..
Ele não conseguia usar as palavras certas para dizer o quanto ela era altamente apaixonante ! Precisava, como um homem devotado, cuidar do que era seu.
Ele se sentia assim em relação a ela, não que aquela bela mulher à sua frente fosse uma “propriedade negociável”, ele apenas tinha consciência que precisava manter — se por perto, por algumas razões bastante óbvias.
Como por exemplo, seus enormes sentimentos por ela e sua infinita capacidade de ser linda ! Por dentro e por fora !
Um pequeno sorriso sem graça lhe veio aos lábios. Nunca foi um machista, nem tão pouco um egoísta insano que prendia suas mulheres à sete chaves. Isso era neandertalês demais, e ele não era um ogro, apenas alguém que estava se acostumando com algumas mudanças. Um completo dependente daquele sorriso estarrecedor ! Ou simplesmente um homem que amava intensamente.
_Pode me traduzir … o que é esse sorriso ? Ou apenas dizer com mais clareza o que está tentando me fazer entender ?
_Eu te amo, Sara ! E isso é muito mais do que eu jamais poderia imaginar ! Ter ideias sobre alguém lhe assediando me traz sentimentos … como direi … nada nobres !
Ela lhe deu um sorriso tão sensacional que ele se lembraria dele até o último dia em que vivesse !
_Você … me ama ?
Aquilo era muito diferente de “estar apaixonado” e, por mais que estivesse aprendendo a decifrá – lo, não parecia alguém que assumiria uma coisa daquelas com tanta facilidade.
_Quer que eu repita ? Eu o farei … eu te amo Sara Sidle !
Ela suspirou e deu a volta na mesa, o puxando pela mão !
_Vamos dançar …
_Mas … não há musica !
_Então vamos para a varanda ! Precisamos ir para bem longe de todos esses olhos curiosos. O que pretendo fazer pode chocar … cada um deles !
Ela continuou o puxando para longe da mesa e com mais alguns passos alcançaram a varanda.
Havia um outro casal muito jovem, olhando a cidade radiante pelo sol daquele horário, mas ela não se importou. Tinha necessidades de fazer alguma coisa e urgente ! Não era todo dia que ganhava uma declaração de amor de um homem tão maravilhoso !
Ela o puxou para seus braços e o beijou ardentemente, lhe arrancando um gemido.
Grissom demorou alguns segundos antes de abraçar seu corpo magro e aceitar toda aquela invasão em sua boca. Aquela morena estava o tragando para ela, como se suas energias fossem sugadas de seu corpo e ele se sentisse completamente sem defesas. E era a melhor sensação do mundo !
Por longos segundos eles se perderam nos braços um do outro, o paletó esportivo que usava, começou a fazer diferença quando um calor invadiu seu corpo.
_Jesus … Sara ! O que estamos fazendo ?
_Shiii … estou tentando responder … à altura !
Ela abandonou a face de pelos sedosos e voltou à sua boca. Não queria parar de beijá – lo nunca mais !
Instante depois, ela segurou seu rosto com os dedos afastados e encostou sua testa na dela.
_Tem ideia do que faz comigo ?
_Acho que já me disse isso ! Ops … acho que essa fala é … minha !
Ela riu, estava presa em um mundo que parecia mágico, onde não haviam pessoas, apenas eles dois, um campo de flores e aquele sentimento pulsante.
_Acho que devemos voltar para a mesa.
_Não … espere, há algo que precisa saber !
Ele a olhou nos olhos ainda segurando sua mão.
_Eu também te amo, Gilbert Grissom !
….......
Ela estivera todo o tempo sorrindo à toa.
Já não tinha mais idade para se sentir daquela maneira, mas por outro lado, nem mesmo quando a idade lhe permitiu, ela havia passado aquela fase.
Tivera seus namoricos e paixões furtivas, e mesmo quando acreditou estar apaixonada por Jared, aquela sensação não chegava nem aos pés daquilo que estava vivendo.
Suas mãos se tocaram dezenas de vezes.
Seus olhares se encontraram outras tantas vezes durante o trajeto de volta á pequena cidade em que passavam suas “férias”.
Tudo parecia diferente, tudo parecia agradavelmente natural. Era como se aquilo tudo tivesse mesmo que acontecer.
_Eu ... tenho uma proposta … !
_Proposta ?
Eles estavam entrando na cidade, com Brat dormindo tranquilamente no banco de trás, depois de ingerir alguns comprimidos, horas atrás, para tirar a ansiedade, receitados pela veterinária.
_Quer “se mudar” para minha “cabana” ?
_O que ? — Sara se virou para ele, com um dos dedos na boca, seus dentes brincando com o canto da unha. Sempre fazia isso quando estava ansiosa.
_Não acho nada interessante ficarmos em casas separadas. Você aceita ?
_Gris … eu não sei … tirar a sua … privacidade … assim … — Ela queria dizer que sim, mas seu bom senso quis protestar.
_Privacidade ? O que pode ser considerado privacidade ? Andar dentro de casa apenas com roupas de baixo … ou … meu estado de humor quando acordo, ou ainda … se canto no chuveiro ?
Ela riu imaginando cada cena …
_Vou te dizer algumas coisas sobre mim, mocinha ! Se tenho o hábito de andar de cuecas pela casa, não vai ser nada diferente do que você já viu … aliás … acho que já viu muito mais do que isso. -Ele a viu morder o lábio antes de continuar. _Não acordo de mau humor, não canto debaixo do chuveiro, sou desafinado demais para tal façanha e … mais outra coisa … eu acho que não ronco !
_Você “acha” ?
Ele apenas balançou a cabeça, seria muito indelicado dizer que as mulheres com quem dormira, nunca haviam reclamado.
_Se isso acontecer … você pode me fazer virar do lado. Não é dessa maneira que as mulheres costumam agir ?
_Mais ou menos. — Ela se lembrou de ter usado seu cotovelo algumas vezes quando Jared parecia ter incorporado um dinossauro ! Fora a única relação mais duradoura que já tivera.
_E então ? — Ele desligou o carro e se virou para ela. _Podemos descarregar suas malas em “nossa” casa ?
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