Tinha Que Acontecer
28 Capítulo 28
Grissom recebeu um telefone da locadora de automóveis que onde havia feito negócio com o Lexus de luxo que estava dirigindo e foi informado que o hotel havia contatado a administração e relatado o incidente ocorrido e ele precisava assinar alguns documentos, apenas burocracia.
O hotel havia devolvido o carro em perfeito estado, logo naquela manhã, já que foram danificados apenas os vidros.
_Podemos pegar um táxi para o aeroporto, mas antes se importa de passarmos no laboratório ? Quero verificar como os meninos estão se saindo.
_Caro, sem problemas !
Sara estava absorta em seu mundo, mas ele não deixou de interagir com ela, acariciando sua mão sempre que o trânsito permitia. Ela o olhava docemente, mas não emitia um som sequer. Talvez estivesse querendo exorcizar o fato ocorrido.
_Você está bem ?
_Sim … não se preocupe e … obrigada por perguntar.
Ele era gentil e doce, e ela já havia usado aqueles adjetivos dezenas de vezes.
A locadora fez a gentileza de levá – los até o,laboratório, uma vez que o hotel havia poupado que usassem o seguro para a reparação dos vidros, o que parecia ter o valor de uma pequena fortuna, conforme havia se informado.
Grissom sugeriu que deixassem suas malas na recepção, pediu um táxi para dali há meia hora e seguiu com ela para dentro, segurando sua mão com propriedade, não se importando com os olhares curiosos e muito menos com as expressões surpresas que não disfarçavam.
_Cath ?
Ela o abraçou, depois fez o mesmo com Sara.
_Estamos de saída e resolvi dar uma passada para …
_Fiscalizar !
Sara emitiu um pequeno sorriso e Cath teve que concordar o quanto ela era mesmo muito bonita e mesmo parecendo bem mais jovem, formavam um casal muito bonito.
Greg vinha pelo corredor e abriu um sorriso enorme.
_Hei vocês …
Enquanto ele abraçava a morena ela ouviu se aproximar.
_Gil !
Ela era alta, loira, bastante magra, mas tinha uma beleza diferente de Catherine e parecia bastante íntima.
_Sofia ?
Ela viu a mulher segurar sua mão e ter os olhos apaixonados em direção a ele, era visível.
Um certo desconforto se instalou ali, como estava habituada analisar expressões, viu Greg e Cath ficarem surpresos e Grissom desconcertado.
_Como vai ? Você sumiu !
_Estou bem …
Ela parecia não ter notado a presença dela ali, em seu encantamento nada parecia existir ao redor.
Sara viu quando ele se desvencilhou de suas mãos possessivas e a puxou do abraço de Greg, trazendo para junto de si, fazendo com que todos ficassem boquiaberto com sua declaração.
_Sara, esta é Sofia, acho que ainda não a conhece, não é ?
_Olá Sofia !
A mulher a encarou um tanto sem graça e estendeu a mão para ela.
_Muito prazer. Você é amiga de Gil ?
_Sim …
O homem grisalho segurou sua mão com mais força, e ela viu Sofia notar aquela intimidade.
_Onde está o resto da equipe ?
_Em campo !
_Esta tudo bem por aqui ?
_Sim, capitão … estamos bem.
_Passei para um alô, estamos voltando para Cape Finley !
Em uma rápida olhada para a outra mulher, ela pôde ver sua expressão de desagrado.
_Ainda hoje ?
_Sim Cath … daqui há alguns minutos, estamos esperando um táxi para nos levar ao aeroporto. Pode deixar um abraço ao Jim ?
_Pode me dar pessoalmente, campeão !
Eles se viraram e Sara sentiu um bem estar enorme quando olhou para ele. Gostava dele, e sabia que era recíproco.
_Olá … Sara … como está, querida ?
_Muito bem …
_Então vão voltar para o paraíso ?
Eles riram para o amigo. Era uma cidade pequena, até muito bonita, mas longe de ser um paraíso. De qualquer maneira, pelo menos tinha paz.
Eles se abraçaram carinhosamente e assim que partiram com o aviso do táxi pela recepção, ela notou que Sofia havia saído sem que ninguém percebesse.
….......
Um turbilhão de pensamentos tomou conta dela no caminho para o aeroporto. Talvez ela fosse alguém importante na vida dele. Ou talvez não.
Logo chegaram e se instalaram no avião, lado a lado, assim que puderam se livrar de sus cintos, ele a puxou para junto dele e, muito calmo, informou o que ela precisava saber, usando toda sua costumeira sinceridade.
Sofia era supervisora de outro turno e eles sempre se esbarravam, chegaram a sair algumas vezes, mas nada que pudesse chegar perto de um relacionamento. Foram alguns encontros e nada mais.
_Acabou ?
_Nem mesmo sei se começou !
_Ela é bonita !
_É … mas sinceramente não me sentia preparado para ter um relacionamento.
_Por que ?
_Não sei dizer … apenas queria continuar com meu trabalho, sem interferências, ter um romance não estava nos meu planos, Sara !
_Não está ?
_Eu disse não estava … sabe que agora é diferente.
Ela entrelaçou seus dedos nos dele e reparou em como ele tinha mesmo, mãos bonitas.
_Acho que ela ficou surpresa com minha presença, parecia decepcionada. Talvez ainda tivesse esperanças.
_Nunca prometi nada a ela, sem contar que isso já tem um bom tempo.
Grissom beijou seus cabelos com cheiro bom, depois levantou seu queixo com o indicador.
_Assunto encerrado ?
Ela piscou devagar, do jeito que ele gostava, depois selou a conversa com um beijo profundo.
_Senhor ?
Ele interrompeu o gesto, separando sua boca úmida da dela e olhando com surpresa em direção à voz.
_O menu para o jantar.
Eles se ajeitaram na poltrona, e ela viu com diversão sua cara amarrada, muito séria.
_O que foi ?
_Não gosto de ser interrompido, ela devia ter o bom senso de partir para a outra poltrona.
Ela riu, ainda mais divertida. Aquilo poderia soar como arrogância, mas não sentia essa característica nele.
_Ela está fazendo seu trabalho, Grissom !
_Isso inclui incomodar um passageiro ?
_Talvez ela tenha se encantado pelos seus olhos.
_O quê ?
_Você é um homem bonito, totalmente paquerável !
_Ouve o que está dizendo ?
Sara balançou a cabeça divertida, e se calou com a nova aproximação da comissária de bordo.
Eles fizeram seus pedidos sob o olhar curioso da garota de cabelos vermelhos presos em um coque perfeito, ela o encarava mesmo e assim que ela saiu, Sara disparou, ainda o provocando.
_Eu não disse, ela está apaixonada por você !
_Pare com isso, é ridículo.
_Se ela enviar um bilhete no meio de seu filé, não me conte !
Ele balançou a cabeça divertido e se encostou nela.
….......
_Brat !
O cão disparou em direção a ela, e pulou em seu colo, sujando sua blusa maculadamente branca.
_Ei garotão, parece ter crescido ...
_Você acha ? — Sara se surpreendeu com o comentário dele.
_Sim … da última vez que o vi …
Não fazia muito tempo, mas ela resolveu se calar. Tinha sentido falta de seu teimoso animalzinho e agora o apertava em seus braços, sob o olhar curioso de Marthy.
_Você chegaram juntos ?
_Sim … Marthy, estamos de volta !
Grissom sorriu com simpatia, depois apoiou uma mão nas costas dela para guiá – la para fora.
_Obrigada Marthy, não sei o que faria sem você !
_Por nada querida, conte comigo sempre que puder. Você o ensinou a se sentar ?
_Foi o Grissom !
_Oh ! Ele parece ter aprendido muito bem.
Grissom havia dirigido o carro dela no trajeto de volta, e agora precisava ir para casa. Estava cansado e precisando de um bom banho.
Ele seguiu até a vila e estacionou em frente à sua casa.
_Nos vemos mais tarde ?
_Mas já é muito tarde, acho melhor descansarmos e nos falarmos amanhã !
Ele a puxou para seus braços e a beijou com força sob protestos do cão, que resmungava atenção, enquanto lambia seu rosto.
_Hei …
_Brat ! Ele não gosta de ser interrompido !
Ele deu uma gargalhada gostosa, enquanto descansava sua testa na dela e enxugava sua barba.
_Preciso de um banho urgente.
_Baba de cachorro não é muito bom para a pele.
Depois de outro beijo rápido, ela pulou no banco do motorista com agilidade.
_Até amanhã !
_Sara ! — Ele se abaixou no vidro a encarando._Venha tomar o café da manhã, podemos caminhar e depois fazê – lo, traga o babão !
Ela riu, concordando imediatamente.
….......
Ela pegou o livro sem saber exatamente se tinha energia para ler, estava cansada mas precisava tomar sua mente com alguma coisa que não fosse os últimos acontecimentos. A imagem horrível que acabou ganhando o final de uma noite perfeita.
_Brat ! Vá dormir !
O cão arranhava a porta e fazia um barulho insistente e chato.
Ele não obedeceu, então ela se levantou e trouxe sua cama para dentro do quarto.
_Fique quieto agora !
O bichinho deu várias voltas no espaço macio e se acomodou resmungando feito uma bolinha gorda, depois de uns minutos, dormia profundamente.
Ela sorriu, enquanto observava sua respiração regular.
“
Céus … ela tinha sido marcada feito um gado !
_Se lembra disso ?
Seus olhos foram parar onde seu dedo tocava e ela arregalou os olhos, puxando imediatamente a manga do vestido.
Ela estava mesmo mentindo !
...
_Me responda, Hannah ! Sei que você sabe disso !
As lágrimas dela desciam em cascata e ele se comoveu.
_Você é … uma escrava ?
Ele viu com horror quanto ela acenou afirmativamente.
_Meu Deus !
A região possuía algumas tribos que ainda compravam escravas no mercado escuso e fazia delas simples objetos.
_Vamos para casa, precisamos conversar.
Ele tinha que saber, mulheres fugitivas eram consideradas desertoras e como tal, tinham seu próprio castigo. Seus proprietários tinham o direito de açoitá -las até a morte em um ritual macabro. Ele não deixaria que pudesse acontecer com ela, nunca ! Se importava o bastante para admitir que estava completamente apaixonado !
.”
_Jesus !
Seu sono foi dissipado pela curiosidade e ela se permitiu mais algum tempo naquelas linhas.
“
_Você precisa me dizer qual tribo pertence ! Tenho que saber do que são capazes de fazer.
Ela não conseguia para de chorar, sentada à mesa com ele, aceitou o copo de água que ele lhe ofereceu.
O homem passou a mão pela barba densa, bastante preocupado. Seus olhos escureceram de desgosto, ele podia sentir seus ossos gelarem, corriam perigo e a qualquer momento podia ser julgado, compactuava com ela e isso era imperdoável.
Geralmente “as escravas” não tinham acesso à informação, não sabiam ler e mal falavam algumas palavras. Não eram ensinadas pelos pais, já que segundo ele sabia, apenas a primeira filha recebia recursos e se casava com os homens destinados para elas dentro da própria tribo.
Com toda certeza, ela estava acostumada a ser tratada como um animal, não recebia carinho e era usada para fazer trabalhos de homens, como carregar caças e se arriscar em emboscadas para atrair animais de grande porte. Quem se atrevesse a cruzar este caminho, era punido severamente. Muitas vezes com a morte !
Pendleton puxou alguns livros de capa dura de dentro de uma das gavetas da peça rústica da sala e empurrou em direção a ela.
_Pode me dizer a qual pertence, pelas figuras ?
Ela olhou com atenção, página por página.
Geralmente as tribos tinham seus símbolos e ele não sabia a qual pertencia aquele em que estava marcada.
De repente ela olhou com mais atenção e apontou para uma figura ao pé de uma das páginas.
_Esta
Ela acenou em afirmação.
Ele agarrou o livro pesado e se pôs a ler as linhas, horrorizado a cada nova descoberta.
'Touro Bravo
Tribo com tendências violentas, vida rudimentar e nada progressista. Ao sul do norte das terras americanas, descendentes de índios sioux, vertente mais fervorosa de rituais macabros, como o açoitamento de seus fugitivos. Mulheres a partir de seu segundo nascimento na família, são consideradas como animais domésticos até atingirem a idade adulta e vendidas como escravas para satisfação sexual e total obediências de seus senhores.'
Ele olhou para ela e quis acreditar que ela só havia recebido algum tipo de carinho com ele.
Fale com o autor