Tinha Que Acontecer
12 Capítulo 12
Ele realmente precisava ir.
Depois de ter caído nas graças dela novamente, e ouvir a chocante revelação sobre seu desempenho, ele realmente desabou.
Com o coração em sobressalto, a abraçou e lhe deu tantos beijos quanto possíveis em resposta, mas tudo em silêncio.
Quando ela se encolheu em seus braços, era como se o encaixe estivesse perfeito.
Era como se o cheiro de seu shampoo batendo em seu nariz fosse a fragrância perfeita para o momento, como se sua pele suave, com aroma de canela, tivesse sido colocada ali, para fazer uma reviravolta em sua vida. E ele não estava preparado.
“Céus !”
Ela era mesmo um furacão !
Sem as influências do desejo, ele se pôs a pensar, o que seria dali para frente ? O que seria de suas vidas quando …
Grissom balançou a cabeça, a acomodando melhor, quando se mexeu inquieta.
Ele a embalou como um pequeno bebê, que precisava de braços protetores para ter um sono tranquilo.
Mas ela era tão forte.
Decidida !
Agradável !
Geniosa !
E linda !
Mas ele precisava ir e estava relutando.
O que costumavam dizer sobre homens que saem sorrateiramente da cama de suas amantes no dia seguinte ?
Cafajestes ?
Ele não era um. O máximo que poderia dizer, era frio !
Mas não uma frieza calculada, e sim uma frieza honesta, que não se permitia ser enganado com falsas promessas de amor eterno, ditas no calor do momento.
Mas o calor do momento com ela, não havia passado e sabe – se lá quando passaria.
E ele estava apaixonado, tanto que admitiu !
Diante de tantas possibilidades, calculou o tempo de sua vida com ela. A diferença era considerável.
45 – 30.
50 – 35 !
55 – 40 !! Oh !
Ele estaria ás voltas com preocupações de desempenho ? Talvez sim, ou talvez não !
Um mulher aos quarenta, estava no auge de sua vida sexual. Pelo menos era o que costumava ouvir.
E um homem aos cinquenta ? E aos sessenta ?
Mas o que estava fazendo ? Ele nem mesmo sabia onde estaria no dia seguinte !
Ele nem mesmo sabia se ela o amaria um dia.
Ma ele tinha que ir.
Tinha um tratamento a cumprir se quisesse continuar a fazer planos. Com ela.
Deixaria um bilhete ?
Apenas “bom dia” ? Seria frio e improvável.
Talvez “foi bom” ? Isso soava um pouco chauvinista !
Ele suspirou, e se a acordasse docemente ?
Ele olhou para o relógio, o tempo estava se esgotando.
_Grissom ?
Seu problema estava resolvido.
_Sim ?
_Por que está me apertando como se eu fosse fugir ?
_Está acordada ?
_O bastante para perceber que está inquieto ! Você tem que ir, não é ?
Seu coração disparou, ela também lia pensamentos ?
Não ! Isso seria seu fim !
_Eu preciso … Sara !
_Tudo bem.
….......
Sara cuidou do jardim, por um tempo maior que o necessário.
Realizou a limpeza de sua “cabana”, bem mais demorada que costumava ser.
Tentou ensinar alguns comandos para o cão, mas não foi muito feliz. Talvez ele fosse mesmo ainda muito pequeno. Marthy havia lhe dado uma carteira com todas as primeiras necessidade médicas dele, e precisava saber quando teria que retornar para consultas. Colocaria em pauta para os próximos passos.
Ela não parou de pensar nele por um minuto sequer.
Tinha sido um tempo extraordinário. E aquilo a assustou.
Sempre fora decidida, mas com ele, parecia estar na defensiva, demonstrava força , coragem, segurança. Mas ela não estava em seu ambiente de trabalho !
Longe de seu amante perfeito, tinha dúvidas, muitas dúvidas.
Estava se questionando demais com algo tão recente. Tinha que deixar as coisas fluírem e não arquitetar estrategicamente o próximo passo !
Não era uma missão. Era apenas … apenas … um romance ? Um relacionamento ? Um caso ?
Nenhuma daquelas palavras pareciam se encaixar no contexto !
Tinha que deixar acontecer para saber ! Mas por que a apreensão ? Ben, August, Sam, Jared … e alguns outros menos relevantes, pareciam tão distantes quanto uma viagem ao Nepal !
No final da tarde, ela parou para descansar e apanhou seu livro de cabeceira.
“
_A cabana está pronta ! Quer dar uma olhada ?
A pequena mulher assentiu com a cabeça e lhe deu a mão. Ele analisou suas expressões. Talvez estranhasse suas mãos rudes, calejadas pelas cordas de um bom touro, ao longo de seus anos, e de sua atividade mais recente. Um lugar que nem mesmo ele sabia a que se destinava.
_Eu não sei … ainda vai ter um propósito.
Ela sorriu, deslizando as mãos pelas paredes de carvalho, lustradas, brilhantes, ainda cheirando a óleo.
Seus olhos foram para algum lugar que ele não conseguiu distinguir. Talvez em seu passado, recordando …
.”
Sara levantou a cabeça e olhou para o quintal.
O jardim ! Completamente destruído !
_Ai meu Deus … seu filho da mãe !
O cão estava desaparecido, ela devia ter estanhado que ele não estava aos seus pés. O pior é que não tinha nem mesmo um nome para usar e fazê – lo notar a diferença entre “vem meu docinho”, com “seu pestinha desajustado”.
Mas ele sabia o que tinha feito, senão, não teria arranjado um esconderijo !
Tinha mesmo que dar um bom nome a ele, talvez brat ! Tinha a cara dele !
Teve vontade de chorar, todo seu trabalho por água abaixo.
Ela procurou o cão por toda parte, circundou a propriedade e não havia nada em sua divisa que pudesse denunciar uma fuga. Buracos, a cerca intacta, o portão trancado. Nada !
Onde aquele pequeno terremoto havia se enfiado.
Talvez ele tivesse voltado para a casa dos pais, buscando proteção.
Ela riu de sua própria piada.
Até que resolveu procurar pelos cômodos da casa, uma a um, e ao empurrar a porta entreaberta do quarto, teve uma visão parecida com o apocalipse !
O pequeno tapete de fios entrelaçados já era.
Seus chinelos na beira da cama, babado, todo marcado com seus dentinhos afiados. Destino ? O lixo !
O rodapé de sua poltrona, imundo, assim como os lençóis de sua cama, algumas patinhas nele … desenhadas com barro.
Oh ! Tinha que admitir ! Ele era um artista.
Ela ainda não sabia onde ele estava, até que o ouviu bufar.
Debaixo da cama !
Ela o puxou para fora, e o fez sentar !
Ele obedeceu ! Oh !
Apontou um dedo para sua carinha lambuzada, o focinho tinha uma crosta de terra seca bem na ponta e rosnou para ele.
_Seu malvado !
Ele a olhou com aqueles olhos caídos.
_Seu … seu …
Ela viu ele piscar devagar, abaixar a cabeça e … perdeu a coragem.
_Aiiii que ódio. Não me olhe desse jeito, vamos para o banho, seu imundo !
….......
Ela foi até a loja de ferragens, sem ter mesmo ideia do que fazer. Talvez pudesse comprar alguns sacos de cimento, e concretar tudo ! Grande demais para se dar a este trabalho tão masculino.
Tijolos ?
Tinha um jardim para enfeitar a sua casa, não para escondê – lo !
O que fazer ?
_Hei ...
_Olá !
Seu amante ficava ainda mais encantador com cabelos molhados.
_Compras ?
_Apenas terapia ! — Ele levantou um kit de ferramentas e sorriu.
Grissom tocou seu braço e a levou para os fundos.
_O que está fazendo ?
_O meu jardim … o cão o destruiu. Fiquei uma boa parte da manhã cuidando e ….
Ela suspirou e ele sorriu novamente.
_Sara … ele ainda é muito pequeno …
_Eu já ouvi isso ! Quando era criança não saía destruindo jardins por aí !
Ele arqueou uma sobrancelha.
_Ele é apenas um cão.
_Teimoso !
_Mais ainda é um cão. O que pretende fazer ?
_Ainda não sei. — Ela olhou ao redor. _Tela ?
_Vai criar galinhas ?
Ela riu.
_Talvez pudéssemos isolar o espaço com uma pequena cerca e pintá – la de branco. Pelo menos, terá seu jardim para admirar e ficará protegido de seu amigo teimoso !
Ele usou o plural.
_Me ajudaria ?
_E por que não ?
Oh … ele era gentil e prestativo. Precisava incluir aquelas considerações em sua lista.
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