Ele realmente precisava ir.

Depois de ter caído nas graças dela novamente, e ouvir a chocante revelação sobre seu desempenho, ele realmente desabou.

Com o coração em sobressalto, a abraçou e lhe deu tantos beijos quanto possíveis em resposta, mas tudo em silêncio.

Quando ela se encolheu em seus braços, era como se o encaixe estivesse perfeito.

Era como se o cheiro de seu shampoo batendo em seu nariz fosse a fragrância perfeita para o momento, como se sua pele suave, com aroma de canela, tivesse sido colocada ali, para fazer uma reviravolta em sua vida. E ele não estava preparado.

Céus !”

Ela era mesmo um furacão !

Sem as influências do desejo, ele se pôs a pensar, o que seria dali para frente ? O que seria de suas vidas quando …

Grissom balançou a cabeça, a acomodando melhor, quando se mexeu inquieta.

Ele a embalou como um pequeno bebê, que precisava de braços protetores para ter um sono tranquilo.

Mas ela era tão forte.

Decidida !

Agradável !

Geniosa !

E linda !

Mas ele precisava ir e estava relutando.

O que costumavam dizer sobre homens que saem sorrateiramente da cama de suas amantes no dia seguinte ?

Cafajestes ?

Ele não era um. O máximo que poderia dizer, era frio !

Mas não uma frieza calculada, e sim uma frieza honesta, que não se permitia ser enganado com falsas promessas de amor eterno, ditas no calor do momento.

Mas o calor do momento com ela, não havia passado e sabe – se lá quando passaria.

E ele estava apaixonado, tanto que admitiu !

Diante de tantas possibilidades, calculou o tempo de sua vida com ela. A diferença era considerável.

45 – 30.

50 – 35 !

55 – 40 !! Oh !

Ele estaria ás voltas com preocupações de desempenho ? Talvez sim, ou talvez não !

Um mulher aos quarenta, estava no auge de sua vida sexual. Pelo menos era o que costumava ouvir.

E um homem aos cinquenta ? E aos sessenta ?

Mas o que estava fazendo ? Ele nem mesmo sabia onde estaria no dia seguinte !

Ele nem mesmo sabia se ela o amaria um dia.

Ma ele tinha que ir.

Tinha um tratamento a cumprir se quisesse continuar a fazer planos. Com ela.

Deixaria um bilhete ?

Apenas “bom dia” ? Seria frio e improvável.

Talvez “foi bom” ? Isso soava um pouco chauvinista !

Ele suspirou, e se a acordasse docemente ?

Ele olhou para o relógio, o tempo estava se esgotando.

_Grissom ?

Seu problema estava resolvido.

_Sim ?

_Por que está me apertando como se eu fosse fugir ?

_Está acordada ?

_O bastante para perceber que está inquieto ! Você tem que ir, não é ?

Seu coração disparou, ela também lia pensamentos ?

Não ! Isso seria seu fim !

_Eu preciso … Sara !

_Tudo bem.

….......

Sara cuidou do jardim, por um tempo maior que o necessário.

Realizou a limpeza de sua “cabana”, bem mais demorada que costumava ser.

Tentou ensinar alguns comandos para o cão, mas não foi muito feliz. Talvez ele fosse mesmo ainda muito pequeno. Marthy havia lhe dado uma carteira com todas as primeiras necessidade médicas dele, e precisava saber quando teria que retornar para consultas. Colocaria em pauta para os próximos passos.

Ela não parou de pensar nele por um minuto sequer.

Tinha sido um tempo extraordinário. E aquilo a assustou.

Sempre fora decidida, mas com ele, parecia estar na defensiva, demonstrava força , coragem, segurança. Mas ela não estava em seu ambiente de trabalho !

Longe de seu amante perfeito, tinha dúvidas, muitas dúvidas.

Estava se questionando demais com algo tão recente. Tinha que deixar as coisas fluírem e não arquitetar estrategicamente o próximo passo !

Não era uma missão. Era apenas … apenas … um romance ? Um relacionamento ? Um caso ?

Nenhuma daquelas palavras pareciam se encaixar no contexto !

Tinha que deixar acontecer para saber ! Mas por que a apreensão ? Ben, August, Sam, Jared … e alguns outros menos relevantes, pareciam tão distantes quanto uma viagem ao Nepal !

No final da tarde, ela parou para descansar e apanhou seu livro de cabeceira.

_A cabana está pronta ! Quer dar uma olhada ?

A pequena mulher assentiu com a cabeça e lhe deu a mão. Ele analisou suas expressões. Talvez estranhasse suas mãos rudes, calejadas pelas cordas de um bom touro, ao longo de seus anos, e de sua atividade mais recente. Um lugar que nem mesmo ele sabia a que se destinava.

_Eu não sei … ainda vai ter um propósito.

Ela sorriu, deslizando as mãos pelas paredes de carvalho, lustradas, brilhantes, ainda cheirando a óleo.

Seus olhos foram para algum lugar que ele não conseguiu distinguir. Talvez em seu passado, recordando …

.”


Sara levantou a cabeça e olhou para o quintal.

O jardim ! Completamente destruído !

_Ai meu Deus … seu filho da mãe !

O cão estava desaparecido, ela devia ter estanhado que ele não estava aos seus pés. O pior é que não tinha nem mesmo um nome para usar e fazê – lo notar a diferença entre “vem meu docinho”, com “seu pestinha desajustado”.

Mas ele sabia o que tinha feito, senão, não teria arranjado um esconderijo !

Tinha mesmo que dar um bom nome a ele, talvez brat ! Tinha a cara dele !

Teve vontade de chorar, todo seu trabalho por água abaixo.

Ela procurou o cão por toda parte, circundou a propriedade e não havia nada em sua divisa que pudesse denunciar uma fuga. Buracos, a cerca intacta, o portão trancado. Nada !

Onde aquele pequeno terremoto havia se enfiado.

Talvez ele tivesse voltado para a casa dos pais, buscando proteção.

Ela riu de sua própria piada.

Até que resolveu procurar pelos cômodos da casa, uma a um, e ao empurrar a porta entreaberta do quarto, teve uma visão parecida com o apocalipse !

O pequeno tapete de fios entrelaçados já era.

Seus chinelos na beira da cama, babado, todo marcado com seus dentinhos afiados. Destino ? O lixo !

O rodapé de sua poltrona, imundo, assim como os lençóis de sua cama, algumas patinhas nele … desenhadas com barro.

Oh ! Tinha que admitir ! Ele era um artista.

Ela ainda não sabia onde ele estava, até que o ouviu bufar.

Debaixo da cama !

Ela o puxou para fora, e o fez sentar !

Ele obedeceu ! Oh !

Apontou um dedo para sua carinha lambuzada, o focinho tinha uma crosta de terra seca bem na ponta e rosnou para ele.

_Seu malvado !

Ele a olhou com aqueles olhos caídos.

_Seu … seu …

Ela viu ele piscar devagar, abaixar a cabeça e … perdeu a coragem.

_Aiiii que ódio. Não me olhe desse jeito, vamos para o banho, seu imundo !

….......

Ela foi até a loja de ferragens, sem ter mesmo ideia do que fazer. Talvez pudesse comprar alguns sacos de cimento, e concretar tudo ! Grande demais para se dar a este trabalho tão masculino.

Tijolos ?

Tinha um jardim para enfeitar a sua casa, não para escondê – lo !

O que fazer ?

_Hei ...

_Olá !

Seu amante ficava ainda mais encantador com cabelos molhados.

_Compras ?

_Apenas terapia ! — Ele levantou um kit de ferramentas e sorriu.

Grissom tocou seu braço e a levou para os fundos.

_O que está fazendo ?

_O meu jardim … o cão o destruiu. Fiquei uma boa parte da manhã cuidando e ….

Ela suspirou e ele sorriu novamente.

_Sara … ele ainda é muito pequeno …

_Eu já ouvi isso ! Quando era criança não saía destruindo jardins por aí !

Ele arqueou uma sobrancelha.

_Ele é apenas um cão.

_Teimoso !

_Mais ainda é um cão. O que pretende fazer ?

_Ainda não sei. — Ela olhou ao redor. _Tela ?

_Vai criar galinhas ?

Ela riu.

_Talvez pudéssemos isolar o espaço com uma pequena cerca e pintá – la de branco. Pelo menos, terá seu jardim para admirar e ficará protegido de seu amigo teimoso !

Ele usou o plural.

_Me ajudaria ?

_E por que não ?

Oh … ele era gentil e prestativo. Precisava incluir aquelas considerações em sua lista.