Tinha Que Acontecer
13 Capítulo 13
Grissom deslizou a mão pelo seu braço e o contato lhe trouxe recordações quentes.
Aquele seu sorriso de lado lhe tirava a paz.
_Vamos pegar o que precisamos.
_Hei, Kim, precisamos de uma nova cerca para meu jardim, pode nos ajudar ?
Ele forneceu estacas suficientes, algumas outras provisões, depois levou o material para os fundos, onde um carpinteiro faria o acabamento necessário para que ficassem padronizadas com a cerca que circundava sua casa, prometendo a entrega para a manhã seguinte.
_Quer comer alguma coisa ? Você tem outros planos ?
_Não tenho, vamos ! Estou precisando de uma cerveja !
Eles se sentaram no balcão, e ele entendeu que o encontro seria breve, do contrário teria escolhido uma mesa.
Alguém se sentou ao lado dela e quis lhe oferecer uma bebida.
_Não ! Obrigada. Posso pagar minha própria cerveja.
Grissom ficou quieto, olhando aquela cena e imaginando, o que diabos ela estava fazendo.
Eles passaram quase toda a madrugada fazendo amor, depois uma boa parte da manhã e ainda assim, era como se ele não estivesse ali ?
A maneira que escolheu para protestar foi o silêncio.
O sujeito permaneceu ali, ainda insistindo e ele teve que se segurar, se ela tivesse usado uma resposta diferente, com toda certeza, ele teria tomado outra atitude.
O telefone dele tocou em seu bolso e ele pediu licença a ela para atender.
_Ele … está com você ?
Entre ouvir a voz de Cath e o que aquele sujeito falava, ele optou por ficar no meio fio.
_Cath ?
Grissom ouviu sua colega de trabalho e amiga falar animadamente sobre estar fazendo falta e dormir de olhos abertos com tantos casos surgindo. Sara estava calada, como se o homem nem estivesse falando com ela.
_Também sinto falta daí.
Ele ouviu uma gargalhada do outro lado e sorriu.
Neste momento, ela se virou para ele e ficou prestando atenção em sua conversa.
Uma mão enorme tocou o ombro dela e ele paralisou.
Cath continuou falando alguma coisa sobre Greg e ele conseguiu entender que o garoto estava indo à bancarrota com pagamentos de refeições por uma semana inteira, em virtude de uma aposta maluca.
_Qual o seu problema ? Será que não vê que estou acompanhada ? — Sara parecia nervosa, dessa vez.
_Cath eu … preciso desligar, posso falar com você depois ?
Ela mal respondeu e ele desligou, encarando o moreno de cabelos mais escuros que noites sem lua.
_Algum problema, Sara ?
_Ei Jessie, tem quinze segundos para sair por aquela porta, quatorze … treze …
O moreno saiu, mas ainda assim continuou encarando Dick, que ainda prosseguia com sua contagem regressiva.
_Desculpe olhos azuis, não gosto de encrencas e ele, com certeza é um estúpido sem juízo.
Grissom apenas assentiu com a cabeça e olhou para Sara.
_Ele é um paspalho, Grissom ! — Ela esticou sua mão e tocou seu rosto. _Não se preocupe com bobagens.
Aquele gesto apagou sua decepção de minutos atrás.
Ainda mais quando viu seu sorriso de pequenos dentes separados que tanto o fascinava.
Eles terminaram de comer, em um clima bem mais amigável.
_Quem é Cath ?
_Ela está fazendo a minha vez, supervisionando a equipe.
Com toda certeza, deveria ser altamente capacitada para tanto, era sabido que o laboratório de Las Vegas tinha uma avaliação bem acima da média.
_Bem … eu acho que tenho que ir.
_Não quer ir té minha casa ? Posso lhe preparar uma xícara de café.
_Depois de uma cerveja ? Acho que não.
_Por favor … podemos … conversar um pouco mais.
Seu sorriso brilhante disse que sim.
Eles atravessaram a rua e entraram em sua casa.
_Me espere na sala, vou guardar minhas ferramentas.
Sara se sentou, aquela casa era mesmo uma graça. De alto padrão, algumas paredes revestidas de pedras, a cozinha bem distribuída com espaços inteligentes.
_Pronto !
Grissom se sentou ao lado dela, sorrindo.
_Gosto desta casa.
_Eu também, me sinto bem aqui.
Ela descansou as costas no encosto macio e olhou para ele.
_Sente falta … de Las Vegas ?
_Sim … tenho uma equipe fantástica.
Ele contou alguns detalhes básicos sobre como era seu turno, descreveu Cath como uma profissional qualificada, assim como os de níveis inferiores, mas igualmente capacitados.
_E você ?
_Bem … tenho uma divisão estressada, o que é de praxe pela sua própria natureza complexa, colegas de trabalho em sintonia, e um bom relacionamento com meus superiores. Sinto falta do pessoal, mas sinceramente, preciso de mais tempo.
_O que a fez se afastar ? Não foram problemas administrativos ?
_Não !
Ele esperou que continuasse mas ela não o fez.
A mão dela estava em sua coxa e parecia ter um olhar distante, de repente ela se aconchegou nele, abraçando sua cintura.
_Você tem um cheiro bom.
Foi espantoso a maneira como transformou suas expressões. Ela sorriu calmamente quando aspirou seu perfume.
Grissom levantou seu queixo com delicadeza e beijou seus lábios bem devagar, sentindo o gosto da cerveja.
O beijo foi relaxante e ela se abandonou àquelas sensações deliciosas, estava cansada.
_Eu preciso ir, estou tão cansada !
Ele tirou sapatos dela, sua jaqueta de brim e a deitou no sofá.
_O que está fazendo ?
_Ajudando você, não precisa ir para casa para descansar.
_Mas Grissom …
_Shiiii … me deixe ajudá – la.
Ele se deitou por trás dela e a ajeitou em seu corpo.
_Confortável ?
_Huhum … — Talvez fosse o efeito da cerveja, ou suas atividades daquele dia, mas nada podia ser mais aconchegante que aquilo, seus sentidos pareciam sumindo aos poucos.
A última coisa que se lembrava era de vê – lo ligar a TV e abaixar o som, para que ficasse em um tom agradável.
….......
_Grissom !
Ele se virou para a voz dela, retirou o boné e levou as costas das mãos à testa, enxugando o suor.
Há mais de duas horas estivera entretido em proteger o jardim.
As estacas haviam ficado prontas naquela manhã e ele só teve o trabalho de buscá – las. Eram todas uniformes e de tamanhos ideais.
Sara olhou para ele e sorriu.
_Isto está ficando perfeito.
Ela tocou seu boné azul marinho e ele limpou as mãos na camiseta verde musgo.
_O que está fazendo ? Vá levar as mãos, para tomar o seu suco !
Grissom passou por ela com uma careta estranha, foi então que percebeu que ele queria apenas insultá – la.
_Engraçadinho ! — Ela se lembrou do dia anterior, tinha sido tão doce com ela.
...
Depois de ter se ajeitado com ele no sofá, não se lembrou de mais nada. O cansaço havia tomado mesmo seu corpo.
Acordou na manhã seguinte, abraçada a ele, desfrutando o calor de sua cama.
_Como cheguei até aqui ?
_Eu a trouxe, desmaiada.
Ele sorriu e ela o olhou desconfiada.
_Não se preocupe, não abusei de uma mocinha indefesa, já disse que sou um bom rapaz.
_Devia ter me chamado, Grissom … você se deu ao trabalho …
_Não se preocupe, foi agradável, além do mais você pesa muito pouco.
Logo depois na cozinha, tomaram café, se despediram com um beijo e ela foi para casa.
...
O sol estava morno e ela caprichou na dosagem do gelo. Ele devia estar com sede.
Enquanto ele estava se limpando, ela procurou pelo cão, e o encontrou estirado na grama, com a barriga para cima.
Gostava dele ! De verdade !
_Pensando em um nome ?
_Por que insiste tanto nisso ?
_Ele precisa de um nome, Sara !
_Brat !
_O que ?? Não vai fazer isso com ele, ainda vai se arrepender. Eles têm um tempo até que se tornem mais responsáveis, vai se arrepender quando olhar para ele, deitado aos seus pés, com cara de bobo e olhar pidão.
_Virou protetor dos animais, foi ?
_Isso não é justo e você sabe disso.
Ele virou seu boné para trás e tomou o suco em um só gole, estalando a língua.
De repente ele a puxou para seus braços e estalou beijo supergelado. Ela deu um grito e pulou para trás, com ele às gargalhadas, depois se sentou na escada, tirando as botas.
_Tem alguma coisa me incomodando.
_Você tem calos ?
_Não !
Seus pés eram perfeitos e ela quis retribuir o insulto.
_Uma pedrinha sem vergonha !
Ele se levantou de repente e sentiu uma leve tontura, mas não deixou que ela percebesse.
Durante toda aquela tarde, eles estiveram ás voltas com o pequeno cercado. Sara ia e vinha a todo momento, ora o auxiliando, ora afastando Brat, rindo com ele de suas trapalhadas.
Grissom se recusava a chamar o cão por aquele nome ridículo e ela parecia se divertir bastante.
Com o trabalho finalizado, ele foi para casa, com a promessa de se encontrarem para o almoço no dia seguinte.
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