Time Traveller
2 Guerras Ganhas, Guerras Perdidas
Eu já estou cansada. Farta de tudo, mas tenho que continuar. Dessa vez, a cena é outra. Uma cidade.
Não é como a minha, porque as torres de vigilância não existem, e não tem nenhum pouco de Luz Laranja, mas milhares de outras luzes. E o barulho também. Está tudo silencioso, ninguém por perto, ninguém gritando. As casas ao redor estão escuras, poucas luzes estão nelas. Entro em uma, esperando por alguém. Mas o que vejo é nada parecido. As pessoas que moram aqui estão no canto: duas crianças. Elas olham para mim, e para janela algumas vezes, e apavoradas. O garotinho fala: –Você veio nos buscar? Onde está a mamãe? Mas a garota mais velha me olha, e não disfarça raiva. Ela barra a minha visão do garotinho, protegendo-o com o corpo.–Quem é você? Que diabos você está fazendo aqui? –Nada! Eu só...- apareci aqui magicamente, e vocês só são uma simulação, eu penso, mas depois olho pro meu braço machucado, que ainda sangra. Nenhuma simulação teria feito isso. –O que aconteceu com o seu braço?- ela pergunta, mais para gritando. Não sei o que dizer. Estou perdida. Estava numa era pré-histórica, e agora, não faço a menor ideia. Não sei o que fazer, se eu corro, se falo a verdade, ou se peço ajuda. Um som parecido com a Chamada corta o ar fora da janela, e eu vejo aviões(que também só havia visto em fotos) rasgando o céu da noite, três deles, e um deles já está liberando algo, algo pesado, que vai em direção ao chão. E cai, até um ponto que já deve ter atingido o chão... BOOOOOM! A explosão preenche meus ouvidos, quebra o vidro, e me tira voando da janela. Bato forte na parede, e o som de tiros começa. As duas crianças gritam. Alguém entra na casa, sobe as escadas até o andar que nós estamos. As crianças se escondem. Devem estar apavoradas. Eu me levanto. O homem que tinha subido agora olha para mim. Ele usa um capacete com um símbolo, roupas camufladas, luvas de couro rasgadas, e carrega uma arma de fogo. Sua cara pálida está suja e suada. Ele aponta a arma para mim. –Não atire!-eu grito para ele.- Eu não sou inimiga! Ele entende, mas não se move. O seu dedo está no gatilho. –Wer sind Sie? Jetzt erhältlich!– ele grita para mim, e eu não entendo nada. Mas sei que língua é essa. É alemão. Estou no meio de uma guerra. Eu pego qualquer coisa na mesa escura. Jogo nele e o vidro quebra. Ele aperta o gatilho, e eu me escondo atrás da mesa. Ele vai contornar a mesa. Eu pego outra coisa da mesa, silenciosamente. Quando ele chega ao meu lado, agarro sua arma com a mão livre, a outra mão virando o vidro diretamente em sua face, e ele desmaia. Pego sua arma. As duas crianças saem do armário em que se escondiam. Entendo agora porque elas estavam apavoradas. –Como você fez isso?- a menina mais velha olha para o chão. –Não sei.- digo rapidamente. -Olha, onde estão seus pais? –Papai foi para a guerra.- o menininho responde.- Faz tempo. –E a sua mãe?- eu pergunto. –Levaram ela.- a menina que responde dessa vez. E tudo para. O homem que me colocou aqui vem novamente, e me diz as poucas palavras: –Você conhece isso? Está na Segunda Guerra Mundial. É bem tenso, e como você sentiu- o homem diz, e aponta para o meu braço. -As balas podem te atingir. Tome cuidado. E ele se vai. Os tiros começam de novo. –Me sigam!- eu grito para as crianças. -Precisamos sair daqui! Saímos pela porta, onde o mundo está em chamas e os soldados correm pelos becos, atirando em gente inocente. E nós corremos junto. Os soldados nos percebem, mas eu já estou atirando, dando cobertura para as crianças. Nós corremos para outra casa, esquivando de gente desesperada, tropeçando em corpos de gente inocente. Mais soldados viam a gente, e mais ainda nos perseguiam. Eu atiro neles, para dar tempo. E nós viramos as esquinas. Outra bomba cai. Longe daqui, mas dói assim mesmo, porque os gritos não cessam. Eu atiro. Depois de despistar os outros, alguém nos barra de frente. Sua arma dá dois disparos, que me fazem olhar para frente, para dois corpos caindo no chão. As crianças. –Não!- eu grito a plenos pulmões. -NÃO! Minha raiva aperta o gatilho por mim. Atiro nele, no homem que matou dois sobreviventes a sangue frio. Eu atiro. Em todos de capacete, de camuflagem e casacos marrons. Só então percebo no que a guerra faz com as pessoas que sobrevivem. A simulação acaba.
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