Tilintar.

21 A outra metade do meu coração - Parte I


Notas iniciais
Meu Dééééus...quanto tempooo. Vocês vão me matar né?! Aff.... Então, eu sei que venho dizendo que a fic está no fim, não que eu esteja mentindo, mas está brabo fechar e eu não estou conseguindo finalizar como achei que faria. Então, esse será o penúltimo, agora é sério. De verdade mesmo. kkkkkkkkkkkkkkk... Bom como sempre eu espero que perdoem os erros de português e de gramática porque não sou profissional, não ganho um real por isso e o que faço é por diversão de fã para fã, então espero que vocês gostem e curtam esse capitulo que eu ameeeeiii escrever. Bjs da Angell para vcs!!! =**

Kardia abriu os olhos devagar. Sentindo um gosto amargo na boca e a cabeça rodar. O corpo mole parecia amarrado a cama e suas pernas parecia não está mais no lugar. Soltou um gemido dolorido devido a um tremor incontrolável e voltou a fechar os olhos, mas o som da porta do quarto ao qual se encontrava chamou sua atenção.

– Olá bonitão, vejo que o efeito da anestesia já está começando a passar. Como se sente? – Perguntou a linda e voluptuosa enfermeira ao se aproximar e verificar o soro preso na mão do grego. Kardia fez uma careta, colocando a língua pra fora.

– Tirando o fato de eu parecer ter um rato morto em minha boca e um caminhão ter me atropelado eu estou bem. – Fez uma pausa arrancando uma risada da moça. – Também estou com frio.

– É normal se sentir assim, mas você ficará bem. – Disse a moça tocando a testa do grego.

– É lógico que vou. – Fez uma pausa segurando a mão da moça. – Com você cuidando de mim Cal como eu não ficaria?! Ainda mais com os tratamentos que você faz que são...Hummmm...uma delícia. – Falou passando a língua sensualmente nos lábios inferiores mesmo com um pouco de dificuldade o que fez a enfermeira sorrir enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro.

– Nem quando você acaba de sair de uma sala de cirurgias e está praticamente dopado você toma jeito Kardia? – Desdenhou a moça cruzando os braços.

– Estou meio dopado e não morto. Eu só operei uma perna, meu pinto ainda está no lugar. – Piscou safado fazendo a enfermeira rir gostosamente.

Kadia praticamente babou ao ver a morena desfilar pelo quarto enquanto cuidava de Jim no dia do acidente de Regulus, mas também pudera, com aquele par de peitos e aquela bunda era quase impossível resistir. Era pedir demais para alguém como ele. Calvera, ou melhor, Cal como Jim carinhosamente a apelidou foi quem cuidou dela, Regulus e consequentemente de Kardia no episódio da bomba. A morena acabou se afeiçoando a ruiva graças a sua história triste e seu quadro depressivo o que acabou gerando um carinho entre as duas. Calvera era do tipo mãezona com os pacientes e sempre que podia entrava em contato para saber como eles estavam. O que não foi diferente com Jim. O grego que de bobo não tinha absolutamente nada infernizou a vida da amiga assim que descobriu o laço que elas haviam criado...

– Ahh Jim vai, por favor. – Implorava o grego enquanto abraçava Jim praticamente possuído pelo espírito da “Felicia*”.

– Droga Kardia dá pra me soltar?! – Resmungou sentindo seu rosto afundar no peitoral do grego. – Assim você vai me matar, não estou conseguindo respirar.

– Ah para eu nem te abracei tão forte assim. – Desdenhou somente se afastando um pouco para visualizar o rosto completamente vermelho e os cabelos bagunçados de Jim.

– Kardia...eu não estou com cabeça para isso e também...eu nem sei se tenho intimidade suficiente com a Cal para falar uma coisa dessas. – Confessou com pesar. Estava péssima.

– Ah ruiva qual é vai?! Quebra essa para mim, por favor. Eu preciso muito provar daquele corpinho.

Jim ficou observando o olhar de “pedinte” de Kardia sem saber bem o que fazer. Cal era uma garota incrível e realmente lindíssima, mas por outro lado, ela conhecia e muito bem a fama do amigo. Não gostava de negar nada a Kardia, pois ele nunca lhe negava algo quando precisava, mas também não queria colocar a moça em uma péssima situação por um capricho do grego, já que Kardia era do tipo “somente cama”. Pensou...pensou...pensou...e...

–Não Kardia. – Respondeu franzindo o cenho fazendo o grego arregalar os olhos de surpresa.

–Por que não? – Perguntou irritado.

– Olha eu adoro você e você sabe muito bem disso, mas também sei como você é. Eu gosto da Cal. Não quero prejudicá-la. Não vou dar o telefone dela a você e muito menos dizer a ela que você é confiável para ter um relacionamento quando na verdade eu sei que não é. Desculpe Kardia, mas eu não gostaria que fizessem isso comigo, então eu não faria isso com ninguém.

Jim tentou passar por Kardia que a impediu segurando firme em seus ombros e olhando bem fixamente dentro dos olhos zangados, exaustos e envoltos a olheiras de Jim. Era mais do que visível que ela estava realmente mal. Só haviam se passado quatro dias desde que Alone havia tentado matar Regulus e ela e Degel estavam separados, o que só agravava ainda mais a situação.

– Espera mocinha, que papo é esse de que não sou confiável? Alguma vez te decepcionei?

– Não vem com essa Kardia, você sabe que isso não se refere a mim. Ela é uma ótima pessoa e não merece isso. Eu conheço você o suficiente para saber que o que você quer é somente uma...trepada. Eu melhor do que ninguém sei muito bem como é ser usada e descartada como lixo. Aliás, eu devo ter tirado diploma nesse quesito. Eu não vou jogar alguém nos braços de outra pessoa sabendo o risco que ela está correndo em se magoar. – Os olhos de Jim marejaram transpassando toda mágoa, tristeza e revolta que sentia fazendo Kardia paralisar.

Ela sacodiu os braços com força fazendo Kardia soltá-la de imediato. O grego engoliu em seco com aquela declaração. A quem queria enganar?! Jim tinha razão. Ela melhor do que ninguém sabia a dor de ser abandonada, mesmo sabendo que no caso dela Degel a amava como ninguém, mas isso não o eximia do fato de tê-la deixado sozinha quando mais precisava. Fora o fato de terem coisas na vida de Jim que Kardia nem em um milhão de anos podia imaginar. Nunca havia parado para pensar sobre aquilo. Sempre via as coisas pelo lado sexual e nunca pelo emocional. Em sua cabeça, por um segundo as lembranças de todas as declarações de amor que sua memória conseguiu organizar passaram como um filme em sua cabeça, fazendo seu coração parecer congelar. Os olhos de Jim transbordaram tanta mágoa que o grego simplesmente não soube onde enfiar a cara tamanho foi seu constrangimento. Não podia negar, pois sua intenção era sempre a mesma.

– Ruiva. – Jim parou de caminhar, passando a mão no rosto e voltando a fitar o grego completamente constrangido.

–Você sabe onde encontrar a Cal. – Jim fez uma pausa e respirou fundo. – Se quiser realmente conhecê-la vai atrás dela e a convença por si só.

Jim saiu deixando Kardia completamente pensativo.

Alguns dias depois Kardia resolveu acatar o conselho da amiga, indo atrás da enfermeira, mas pro seu azar, ela não se deixou ser convencida com tanta facilidade. A moça mesmo sentindo-se extremamente atraída pelo grego bonitão e sexy não se deixou ganhar tão fácil. Para Kardia aquilo já estava começando a ser questão de honra. Queria a morena de qualquer jeito e faria o que fosse possível para conseguir. Marcaram encontros e depois de tantos encontros, desencontros e muito desentendimento as coisas aos poucos começou a andar fazendo assim surgir uma amizade. Até porque Kardia era por demais encantador, sexy e muito carismático. E assim a amizade trouxe consigo uma boa convivência. O famoso cupido “zarolho” depois de muitos erros finalmente resolveu levar seu trabalho a sério, acertando em cheio e com força o coração de Kardia que depois de muito sacrifício conseguiu um beijo.

Um...beijo.

Um único beijo que fora o suficiente para deixar o escorpiano nas nuvenzinhas e com muito, mas muito gosto de quero mais. E graças a Alone, Calvera presenciou o discurso de Kardia para Jim quando ele tentou matá-la. Cal que já estava lutando contra seus sentimentos, se derreteu por completo ao ter a certeza de que ele não era somente um mero rostinho bonito. E que rostinho por sinal.

E para fechar com chave de ouro Jim pedira justamente a ela para que cuidasse de Kardia quando o mesmo recebeu alta. A morena nem pensou em recusar, caindo nos braços do grego antes mesmo dele se recuperar 100%. Para Kardia já que ele ainda podia respirar e seu “companheiro” dava sinal de vida não havia motivos para se negar uma boa e gostosa noite de amor. Ah sim, porque agora era por amor.

–Você não tem jeito Kardia, mas eu realmente vou cuidar bem de você. Eu vou... – A morena se aproximou cochichando algo no ouvido do grego que arregalou os olhos e abriu a boca em total surpresa pelo que ela lhe dizia. Calvera se afastou sorrindo maliciosa e antes que Kardia com cara de menino pidão pudesse falar alguma coisa, a mesma tocou seus lábios com o indicador. – Lógico isso se você prometer ser um bom menino.

– Ahh Cal isso não é justo. Você sabe que eu não sei ser um bom menino. – Resmungou Kardia fazendo um muxoxo quando Calvera se desviou de um selinho.

– Terá que aprender então. – Disse se afastando em direção a saída.

– Ei você não vai me dar nem um beijinho? Isso faz parte do meu tratamento.

Calvera sorriu seu sorriso mais sexy fazendo o coração de Kardia quase pular pela boca. A morena piscou e lhe jogou um beijo singelo saindo do quarto em seguida. Kardia bufou de irritação, cruzando os braços sobre o peitoral como uma criança birrenta.

–Droga! Por que eu tinha que me apaixonar por ela? Maldita cabeça de tomate. O que ela tinha que me passar um sermão e para piorar eu fui na ideia dela, saco! – Kardia fez uma pausa erguendo uma das sobrancelhas e deixando um sorriso torto e maléfico se formar em seus lábios bem desenhados. – Espera só ela voltar dessa “lua de mel” infernal que ela resolveu tirar com Degel.

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Após a alta e melhora de Regulus as coisas entre Esther e Sísifus não poderia ficar melhor. Ou poderia?

O grego ajudava a cunhada em tudo que podia, já que o irmão mais velho, doente, não podia fazer muita coisa. O garoto depois de muita fisioterapia e ajuda já andava praticamente sozinho, se auxiliando apenas por uma muleta. Depois de tudo que havia ocorrido o sagitariano achou que já havia passado e muito da hora de oficializar o que tinha com a morena desde os nove anos de idade. E para fazer isso convidou Esther para um passeio no iate de Aspros onde deixou tudo arquitetado. Guiou a morena cuidadosamente de olhos vendados até o interior e quando a deixou finalmente vislumbrar da surpresa ela mal pode acreditar no que via.

Pétalas de rosas braças e vermelhas espalhadas por todo lugar. Uma linda mesa com um cesto que continha morangos, uvas, cerejas e algumas framboesas, assim como uma tigelinha de porcelana com chantilly se encontravam em uma mesa menor mais afastada. Margaridas e íris que enfeitava dentro de um jarro de porcelana comprido na cor branca e com as bordas douradas bem no centro da mesa. Em outra mesa redonda um pouco maior e mais afastada era coberta por uma toalha branca, no centro uma bandeja de prata escondia algo que cheirava incrivelmente bem. As taças de cristal com as bordas também douradas e a prataria davam um toque mais do que fino a ornamentação. Esther sentiu o peito quase explodir tamanha foi sua alegria e um sorriso lindo estampou seu rosto ao ver tudo aquilo.

– Está lindo. – Disse caminhando para próximo a mesa de frutas e observando mais de perto o arranjo de flores. – Você fez tudo isso?

– É sim, tive uma ajudinha com a comida, mas o resto eu fiz sozinho. Gostou? – Perguntou enlaçando a morena pela cintura e descansando o queixo em seu ombro.

– Se eu gostei?! Sísifus...isso é...lindo. Eu adorei. – Esther virou-se nos braços do grego dando um beijo apaixonado como agradecimento. Sísifus sentia o coração aos pulos só de pensar no que realmente havia ido fazer ali.

Após o longo beijo e troca de carícias ambos degustaram de um delicioso salmão grelhado ao molho de maracujá, arroz branco e uma bela salada colorida. Para acompanhar nada melhor do que um vinho tinto de ótima safra, dado de presente por Aspros que já sabia de tudo e lógico o favorito da morena. Conversaram, namoraram, riram e tomaram banho no maravilhoso mar de Kléftkos, localizada na Ilha de Milos até Sísifus finalmente tomar coragem.

– Esther eu...bom. Sabe eu andei pensando em tudo que houve e em todas as perdas e ganhos que tivemos e isso me fez amadurecer muito. – Fez uma pausa colocando uma mecha do cabelo prateado atrás da orelha de Esther que não desprendia seus olhos acinzentados e curiosos dos azuis do grego loiro. – Eu vi que a vida é tão imprevisível, tão frágil que de uma hora para outro nós podemos simplesmente perder tudo que amamos e tudo que temos. E por esse motivo que eu trouxe você aqui Esther.

Sísifus aproximou-se de uma das espreguiçadeiras onde sua mochila estava e retirou uma caixinha de veludo azul escuro de um bolso interno.

– Esther Mahsati desde que eu tinha nove anos eu já tinha certeza de que você era somente minha. Hoje nós temos dezoito anos juntos, sendo oito deles sob o mesmo teto, contudo isso faz com que muita gente pense que...que somos...marido e mulher, não que eu não considere você minha mulher, então é por isso que eu trouxe você aqui hoje. – Fez uma pausa recobrando o fôlego. – Esther você gostaria de ser minha esposa de verdade? – Sísifus sentiu seu coração bater na garganta.

Esther ficou paralisada por pelo menos dois minutos, o que para Sísifus pareceu uma eternidade. A morena parecia não acreditar no que ouvia. Seus olhos dançavam sobre a expressão tensa do grego que aguardava ansioso por uma resposta. Sísifus sem saber bem o que fazer, desviou seus olhos para a caixinha e a abrindo com cuidado revelando finalmente o conteúdo da mesma. A morena prendeu a respiração quando vislumbrou o par de alianças.

A que Sísifus colocou em seu dedo possuía um desenho que lembrava metade de uma folha cheia de pequenos diamantes incrustados e a de Sísifus tinha o mesmo desenho só que no lugar das pedras o ouro era fosco. A morena não sabia o que dizer observando seu presente com uma alegria que jamais poderia pôr em palavras. Ele sorriu e pôs sua mão sob a dela de uma maneira que finalmente revelava o desenho das alianças. Um coração.

– Você é tudo que eu sou, é uma parte de mim, a outra metade do meu coração. Eu te amo e nunca em minha vida eu vou querer estar com outra pessoa que não seja você Esther. Eu quero que seja minha esposa, quero ter uma família com você, filhos que tenham seus olhos, envelhecer ao seu lado e mesmo depois da morte eu quero estar com você no jardim dos Campos Elísios.

Esther sorriu lindamente sentindo seus olhos arderem por lágrimas de felicidade. Atirou-se nos braços de Sísifus com tanta vontade que o grego acabou escorregando na poça d’água que havia se formado ao seu redor, caindo com a morena sobre si que agora o enchia de beijos.

– Ei, você ainda não me deu uma resposta – Perguntou em meio ao riso.

– Eu preciso responder?

– Bom eu gostaria de ouvir. Eu quase enfartei para ouvir sua resposta.

– Então me leva para cama e lhe darei tudo que você quiser ouvir. – A voz lânguida de Esther fez Sísifus se arrepiar até o último fio de cabelo. Sorriu malicioso e de um jeito que nem a morena soube explicar ele se ergueu consigo em seu colo.

– Que bom porque eu vou querer ouvir sua resposta e muitas e muitas outras coisas mais essa noite. – Respondeu no mesmo tom já iniciando um beijo pra lá de sensual.

Pelo visto a noite na Ilha de Milos seria a melhor e mais quente de todas as noites de Esther e Sísifus.

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Mathure observava sem conseguir acreditar como Asmita parecia não se incomodar nem um pouco pelo fato de agora não conseguir mais enxergar. O indiano sempre dizia que com a perda de sua visão ele agora podia “ver” as coisas de uma maneira ao qual uma pessoa normal não poderia entender. Não que não sentisse falta de ver a luz do dia ou o a luz do luar, sentia sim e muito, mas também não fazia daquilo o fim do mundo. “Poderia ter sido pior” – Ele pensava.

Caminhava pela casa com mais precisão do que quando enxergava, assim como quando fazia seus afazeres. Matinha uma vida relativamente normal, a não ser por Mathure que não conseguia se conformar com o estado do amado. As coisas estavam sendo mais difíceis do que pensou. Quando acordou de seu coma e soube do estado de Asmita e de uma fratura que poderia fazer com que não pudesse mais andar a morena se fechou em um mundinho só dela, não dando espaço nem para que ele pudesse entrar.

E o encontro entre Jim e Mathure não podia ser dos melhores...

–Por que você veio aqui Jim? Eu não quero ver você. Sai daqui! – Berrou a morena já sentindo os olhos arderem pelas lágrimas enquanto uma enfermeira tentava lhe acalmar.

–Mathure, por favor... Eu sinto muito. – Pediu com a voz chorosa.

– Sente muito?! Você não sente nada sua vagabunda. Olha tudo o que aconteceu. Olha a sua volta. Isso tudo é culpa sua. Sua! – Berrou ainda mais alto. — Eu nem sei se vou conseguir andar outra vez por sua causa. Asmita está cego por sua causa. Era pra ser você no lugar dele. Você! – Gritava a morena sendo segurada pela enfermeira.

Jim desesperada tentou se aproximar para pedir desculpas, mas antes mesmo que pudesse se dar conta Mathure disparou uma bofetada fortíssima acertando seu rosto em cheio. A ruiva cambaleou e só não foi ao chão porque Degel a segurou. Aspros trincou os dentes sentindo o ódio crescer dentro de si mesmo entendo as razões da morena.

– Se tocar nela outra vez Mathure eu...

– Vai fazer o que Aspros?! Ãhn?! Você é igual a ela. Isso tudo também é culpa sua. Você pôs essa...infeliz no nosso meio e olha tudo que aconteceu. — Aspros engoliu em seco. – Alone tinha razão. Ele sempre teve e ninguém quis enxergar isso. Teria sido melhor se ele tivesse conseguido...

– É melhor dobrar sua língua Mahsati. Estou te avisando. – Rosnou Aspros completamente enfurecido. Entendia o ódio da morena, mas isso também não lhe dava o direito que dizer o que achava que devia. Já havia agredido Jim o que para si era o cúmulo, agora desejar que Alone tivesse conseguido fazer com que ela se matar era pedir demais para a paciência do grego.

– Vai fazer o que Aspros? Processar-me? Eu não tenho medo de você, nunca tive. – Desafiou a morena.

– Está tudo bem Aspros, ela está em seu direito. É melhor eu ir embora. – Interrompeu Jim no momento em que o grego já estufava o peito para rebater as ofensas da morena. Achou melhor acatar ao pedido. Estava nervoso, assim como Mathure e discutir agora não adiantaria de nada. Era melhor deixar com que ela se acalmasse para então assim poderem resolver aquela situação civilizadamente.

–Me faz um favor... Aya – Desdenhou – Não se dê mais o trabalho de voltar a nos procurar. – Completou a morena.

Jim sentiu-se a pior das criaturas durante um mês e meio. Remédios e mais remédios, fora as sessões com psiquiatra para voltar a se estabilizar. Já Mathure a adiou como nunca havia odiado alguém, assim como a Aspros e principalmente Alone, culpando-os por tudo que estava passando. O amado havia perdido a visão e seus olhos tão azuis como o céu mais claro de um lindo dia de verão ficaram sem vida e ela por centímetros quase não havia ficado sem os movimentos das pernas. Perdera as contas de quantos atritos havia tido com Asmita por causa de Jim que sempre insistia em saber como o casal estava. E ao contrario da amada Asmita nunca a culpou. Sabia que Jim era somente uma vítima das loucuras de “Hades” assim como o resto do grupo. Mathure sem conseguir conviver com seus olhos sem vida mantinha-se afastada. Asmita então, na tentativa de amenizar o sofrimento dela fechou seus olhos e assim os mantinha na maior parte do tempo.

Aos sons do canto dos pássaros e a brisa fresca da manhã, ele deixou-se guiar até a ampla varanda onde plantas de todos os tipos, um tapete e várias almoçadas com temas indianos ornamentavam o local. O cheiro das plantas, o incenso de sândalo e da maresia enchiam seus pulmões e seu corpo de uma calmaria sem igual.

Sentou-se em posição de lótus e assim começou a meditar. Os olhos fechados e as mãos uma apoiada em cada joelho formavam um circulo com o indicador e o dedão unidos. Os joelhos encostados no chão ao mesmo tempo em que a sola dos pés se mantinha virados para cima davam uma pequena amostra do quanto Asmita era flexível. A coluna ereta, o nariz fino, bonito e arrebitado, os cabelos caindo como cascatas por sobre os ombros e o peitoral desnudo que inflava vagarosamente pelo ar que invadia seus pulmões. A calça verde clara era a única peça que cobria seu corpo e o tímido raio de sol que o iluminava formava uma espécie de aura em torno do corpo de alabastro.

Lindo– Foi a única coisa que seu cérebro conseguiu processar no momento. Concentrada na expressão plácida e ao mesmo tempo indecifrável de Asmita, a morena sentiu-se hipnotizar por aquela visão.

O que será que ele está pensando?

Curiosa, Mathure esgueirou-se com um pouco de dificuldade, mas o mais devagar que pôde até ficar frente a frente com o mestiço, mas sem tocá-lo. Sentou-se em seus joelhos observando mais de perto a fisionomia calma do amado. Torceu um pouco os lábios e devagar balançou uma das mãos na frente do rosto dele que não esboçou nenhuma reação, mantendo-se como uma estátua. Uma estátua de alabastro linda e perfeita mesmo agora exibindo algumas cicatrizes que foram dadas por a Alone. Mathure franziu o cenho, irritadiça ao observar as marcas, mas voltou ao semblante curioso assim que viu o peito do indiano se encher e o ar ser liberado devagar por uma pequena abertura nos lábios bem desenhados.

A morena balançou a mão novamente na frente do rosto de Asmita que novamente não reagiu. Bufou e quando tencionou a se afastar, ele em um movimento mais do que rápido segurou seu pulso no ar fazendo Mathure cair sentada de bunda no chão. O indiano sorriu de lado já imaginando a expressão de assustada que a moça estaria.

– Veio conferir se estou acordado?

– Mais ou menos. – Respondeu sem jeito enquanto ajeitava uma mecha dos cabelos negros atrás da orelha.

– Quer me dizer alguma coisa? – Mathure voltou seus olhos cor de âmbar para o rosto indecifrável de Asmita sentido o peito fisgar pela forte batida que seu coração deu.

– Eu...fiquei me perguntando no que você estaria pensando. Fiquei curiosa, mas também não queria te atrapalhar.

– Eu estava pensando em você. – Foi direto, fazendo uma pausa em seguida. – Eu geralmente esvazio minha mente com a meditação, mas de uns tempos para cá isso não vem acontecendo. Fiquei pensando em tudo que passei para poder estar com você e tudo que sofri até que ficássemos juntos e agora não consigo achar uma explicação para esse abismo que se formou entre nós.

Mathure respirou fundo, fechando os olhos para não chorar com a declaração do virginiano. Realmente já nem conseguia lembrar qual fora a última vez que havia tido alguma coisa ele.

– Eu...sei que estou distante a um bom tempo e também sei que não deveria ainda mais agora. Mas...eu...inexplicavelmente não sei como agir com você Asmita. Não é que eu não queira mais você, eu só...só não sei como fazer as coisas funcionarem, entende?! Eu sempre me senti segura em relação a nós, mas depois disso tudo...eu...eu não sei se consigo fazer as coisas darem certo. — Confessou com pesar.

Asmita deu um sorriso singelo e levou a mão livre ao rosto dela, enxergando com seus dedos a expressão de alívio e satisfação com aquele leve toque. Mesmo que ele não dissesse era notável para ele mesmo sem enxergar o quanto ela estava saudosa.

– Você não acha que deveria ser eu a me preocupar com isso já que o cego aqui sou eu?! — Asmita levantou-se enquanto era seguido pelos olhos interrogativos de Mathure.

– Mas Asmita...eu...eu...mal consigo andar. Não é só sua cegueira... eu...não sei...se consigo. Nunca me senti tão...insegura.

– Mathure...Eu não tenho a menor dúvida do que eu quero e de que mesmo com tudo que houve daria certo como sempre deu, mas...se você está com dúvidas sobre como faria isso dar certo, eu tenho a resposta exata para lhe dar.

O hinduísta puxou a morena para mais perto a fazendo se reerguer e colar o corpo junto ao seu. Ela suspirou com o contato que há tempos não sentia.

– Eu não preciso enxergar para lhe dar prazer e muito menos receber de você. Eu não me importo com o fato de você estar com alguma dificuldade em andar. Ouvir sua voz e o cheiro que se desprende da sua pele e de seus cabelos me leva a níveis extremos de excitação. — Asmita roçou seus lábios de leve na pele do pescoço de Mathure que sentiu as pernas fraquejarem somente com aquele contato. — Você me prometeu que jamais me negaria algo e agora exijo que cumpra sua promessa. Eu quero você agora. Já estou cansado de sentiu seu cheiro nessa casa e não poder te tocar. Você me viciou e não vai ser agora por causa de uma bobagem que não vou cobrar o que é meu.

Asmita não deu tempo para que Mathure contestasse, mergulhando seus lábios sedentos de saudade e luxúria nos também saudosos dela. Enfiou a mão em meio aos fios negros intensificado ainda mais aquele beijo tão delicioso a fazendo ronronar entre seus lábios.

– A...Asmita. — Mathure sussurrou quando teve os lábios libertos e o pescoço coberto por beijos e lambidas. Fechou os olhos sentindo-os revirar sob as pálpebras e seu sexo doer pela excitação avassaladora que tomou todo seu ser.

Quando se deu por si já estava na cama. Asmita retirou suas roupas em tempo recorde começando assim a tatear todo seu corpo escultural de maneira delirante.

O loiro sentia uma necessidade absurda em ver com a ponta de seus dedos o prazer transbordar pela pele da amada o que causou um prazer surreal a ela. Mathure se contorcia e gemia em meio aos lençóis enquanto Asmita dedilhava e apalpava cada canto de seu corpo distinguindo, decifrando cada ponto de prazer de Mathure que gemeu alto quanto os dedos dele lhe invadiram, remexendo-se dentro do seu corpo de um jeito jamais feito antes. Era como se Asmita tivesse adquiro uma habilidade em saber exatamente cada ponto de prazer de seu corpo, não que ele já não soubesse, mas agora de uma maneira incrivelmente precisa, entrando e saindo de seu sexo enquanto a língua quente dançava sobre o emaranhando de nervoso no mesmo ritmo que os dedos.

– A...Asmitaaa!! — A morena gemeu. Virando a cabeça de um lado para o outro em delírio com o prazer que aumentava a cada investida trazendo um orgasmo forte e intenso. Fazendo seu corpo sacolejar de prazer. Arqueando as costas enquanto seus dedos se embolavam nos fios dourados de quem não lhe dava tréguas.

Asmita não deixou que ela se recuperasse, se encaixando entre as coxas grossas e a penetrando de uma só vez. A morena arqueou as costas novamente e suas unhas se cravaram na pele branca do mestiço.

– Nunca mais se afaste de mim. — Estocou forte uma vez arrancando um gemido alto e lânguido dela.- Nunca mais. — Estocou outra vez. — Nunca.

E depois da última palavra iniciou uma deliciosa e torturante penetração. Mathure gemia e se contorcia em baixo de si causando um fricção ainda mais deliciosa.

Para Asmita o fato de não enxergar causava uma necessidade absurda em tocar Mathure mais do que faria normalmente. Seus olhos agora eram seus dedos e o corpo dela como um livro erótico em braille.

Fizeram amor de forma lenta e torturante até a exaustão e Mathure agora com a certeza de que nada mudaria entre eles apesar das dificuldades que a vida lhes dera. Deixou seu corpo descansar sobre o de Asmita enquanto ouvia o som ritmado do coração dele lhe ninar juntamente com os carinhos dos dedos finos em seus cabelos.

– Eu te amo. Me desculpe eu..

–Shiiii...tudo bem. Já passou. Eu te amo e sei que você também me ama e para mim é só isso que me importa e nada mais.

Asmita depositou um beijo doce na testa dela e a apertou mais dentro do abraço. Sentindo a respiração dela se acalmar e se embalar como um bebê. Puxou o lençol fino branco cobrindo ambos e deixou-se assim como ela cair nos braços de Morpheu.

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Em um beco no centro de Atenas, o mustang vermelho sacolejava ritmado sob a luz do dia. Quem passasse por perto logo se assustaria e com certeza chamaria a polícia, mas para Manigold a sensação de perigo era só mais um tempero que o deixava ainda mais excitado.

– Eu vou te matar Manigold...Ahh... – Akemi subia e descia sob o membro do namorado. Sentindo a fivela do cinto do canceriano bater sob sua coxa enquanto suas mãos se apoiavam no peitoral definido e suado. Passou a mãos por eles abrindo ainda mais a camisa social e deixando-o totalmente exposto. Manigold somente sorria sem se importava nem um pouco com as reclamações da loira.

– Só se for de tesão. – O som de um tapa fez Akemi arregalar os olhos sentindo seu bumbum arder pela palmada que levara. – Gostosa!

– Seu...canalha. – Gemeu devolvendo o tapa forte no rosto do canceriano que sorriu cafajeste em resposta. – Eu não sei como você...como você me conven-

Manigold não deixou que ela continuasse a resmungar. Segurou firme a cintura fina dando ainda mais impulso a loira que gemeu ainda mais languidamente já sentindo a sensação do orgasmo se aproximar fazendo-o se orgulhar ainda mais do que fazia. Adorava quando a loira caia em suas “garras”, ou melhor, “pinças” e se deixava levar por suas loucuras se entregando totalmente a ele. Acariciou os seios macios que sacolejavam com o sobe e desce enquanto a outra mão se mantinha firme em impulsionar o cavalgar.

A saia preta pregueada e as botas de cano longo deixavam a loira irresistível aos olhos do canceriano. Adorava quando ela se vestia assim quase como uma colegial. Aquelas saias que eram a marca registrada de Akemi faziam a imaginação de Manigold trabalhar a todo vapor. Pensava que sua adorável japonesa estava sempre com uma fantasia erótica e isso era demasiado excitante. Já havia perdido as contas de quantas vezes já havia perdido as estribeiras por conta daquelas sainhas. O desejo de tomar o que agora era seu em muitas das vezes não o permitia chegar em casa para saciá-lo como se devia, o que o fazia transar como um louco em lugares públicos o que agora não era diferente.

– Ahh seu cafajeste gostoso, isso...assim, isso é bom demais...eu vou... – Manigold olhou rapidamente ao redor e sorriu puxando a loira para um beijo voraz e sedento.

– Diz bella...diz para mim. Eu quero ouvir. – Sussurrou rente aos lábios vermelhos.

Mas quando o corpo da loira se retesou e os olhos se fecharam com força, Manigold a puxou novamente para um beijo forte impedindo assim que ela em meio aos gemidos abafados dissesse o que ele havia pedido. O italiano manteve os olhos aberto e fixos na janela do carro enquanto sentia seu membro ser massageado deliciosamente pelo sexo dela graças ao orgasmo. Akemi ainda rebolou gostosamente, mas ele a segurou para que ficasse parada. A loira logicamente estranhou aquela mudança de atitude e quando seus olhos se voltaram para onde Manigold olhava com atenção a loira sentiu o coração na garganta.

No susto tentou se levantar, mas ele a segurou no mesmo lugar enquanto uma expressão sôfrega tomou seu rosto. Ela engoliu em seco já só de imaginar o que poderia acontecer.

– Shiiii...fica quietinha amore mio. Isso... Ahhh...Cazzo...estou no limite. Inferno logo agora! – Sussurrou rente aos lábios dela.

Akemi lançou mais um olhar para a janela do carro como se se certificasse que ainda havia alguém lá...para seu azar, ou melhor de Manigold.

Só existiam duas coisas que a loira gostava mais: Uma era comer, e como aquela loira comia e a segunda que antes era dormir, agora havia se tornado as expressões de Manigold.

Deus como ele é lindo. — Ela sempre pensava quando olhava para ele. Os cabelos negros repicados que se grudavam na testa com o suor, aquele olhar arroxeado que a devoravam e a incendiavam de maneira avassaladora, os músculos definidos cobertos pela pele macia levemente amorenada e o sorriso cafajeste que era capaz de arrepiara até seu último fio de cabelo. Sorriu maliciosa e remexeu os quadris em um movimento lento somente para provocar. O canceriano mordeu os lábios para não gemer e uma expressão de prazer estampou seu rosto. Os olhos fechados e o cenho levemente franzido em total deleite. A boca se abriu sem emitir nenhum som ao mesmo tempo em que tombava sua cabeça para o lado e os dedos grosso se cravaram forte em seus quadris. Estava no limite e se não fosse por aquela velha desgraçada que mais parecia uma múmia e seu maledetto cachorrinho que por sinal urinava no pneu de seu carro ele teria gozado como um louco.

– Para loira! – Ronronou tentando segurar os quadris dela, mas a vontade de terminar aquele ato estava sendo mais forte que si.

– O que foi, ficou com medinho foi?! – Devolveu lambendo os próprios lábios em provocação.

Manigold observou a cena que pareceu em câmera lenta. Engoliu em seco e seu membro latejou só com aquilo. Olhou novamente para o vidro do carro e franziu o cenho. Não dava para esperar mais.

– Ah foda-se! – Rosnou segurando os quadris da loira a forçando a continuar enquanto projetava os seus de encontro, mas dessa vez bem mais rápido. – Quem está com medo agora bella? – Akemi arregalou os olhos em surpresa. O carro voltou a sacolejar e antes que ela pudesse parar com aquela loucura, em questão de segundos Manigold gozou... forte e abundante. Deixando seu leite quente preencher todo o interior dela, enterrando seu rosto entre os seios para impedir um urro explodisse por sua garganta. Akemi soltou um gemido baixo ao sentir os jatos forte dentro do seu interior fazendo-a apertar o corpo dele em meio a suas coxas mal conseguindo acreditar que aquele italiano havia realmente feito aquilo.

– Você ficou louco...baka!!! — Resmungou com a respiração entrecortada, saindo de cima dele para em seguida se limpar com alguns lenços. – Ela podia ter nos visto e aí teríamos sido presos por atentado ao pudor seu maluco. — Jogou o papel sujo na direção do rosto suado dele que somente sorriu e desviou.

– Aquela múmia não está enxergando e ouvindo mais nada bella. Non ti preoccupare. – Riu enquanto fechava a calça – Vem cá.

– Não. Você me sujou toda. – Resmungou mais do que propriamente disse, fazendo um biquinho irritado enquanto ele a puxava pelos braços e a enlaçando em um abraço gostoso.

– Para de ser malcriada, até parece que você não gostou.

– A gente podia ter sido presos por isso sabia?!

– E eu teria ido com a maior satisfação do mundo se estivesse comigo. Ti amo bella e o que posso fazer se non resisto essas suas pernocas de fora.

Ah! Aquele sorriso. O sorriso cafajeste que só ele sabia dar era de arrepiar até o último fio de cabelo de qualquer mulher na terra, imagine os seus.

– Cafajeste. – Resmungou tentando prender um sorriso, mas sem sucesso. Manigold começou a distribuir beijinhos por todo o rosto rubro, ombros, pescoço, tudo. Fazendo a loira rir gostosamente. – Eu também te amo seu bobão. Agora me deixa terminar de me vestir, já faz mais de uma hora que a mensagem do petshop chegou avisando que o Radi já está pronto. O pobrezinho já deve estar irritado de tanto esperar.

– Aff...ainda mais essa.

– Ahh Mani não começa a rosnar okay?! É o mínimo que podemos fazer pela Jim e o Degel. Eles ainda irão demorar mais algumas semanas no Japão, Kardia acabou de operar a perna e ainda está no hospital, Esther e Sísifus resolveram fazer uma prévia de lua de mel e Mathure e Asmita melhor nem comentar. – Abriu a porta do carro dando uma última olhada no retrovisor enquanto ajeitava as madeixas. – E eu gosto dele, ele é tão fofo.

– Ele comeu quase todas as minhas cuecas.

– Disse certo, quase todas.. Ainda lhe restaram duas. – Disse lançando um beijo para ele, mas sem antes deixar de receber uma carranca de desagrado como resposta.

Ao sair do petshop a vitrine de uma luxuosa joalheria lhe chamou a atenção. A loira parou em frente ao vidro enquanto observava um lindíssimo anel solitário.

– Ual!! Que lindo. – Sussurrou enquanto seus olhos brilhavam com o reflexo da pedra deixando-os ainda mais azuis. – O que você achou Radi?

– Eu achei lindo e tenho certeza que ficaria ainda mais belo em sua mão tão delicada.

Akemi arregalou os olhos assustada com a voz máscula e melodiosa. Olhou rapidamente em direção ao dono da voz e sentiu um nó na garganta. Um rapaz moreno trajando uma roupa social e que por sinal era lindíssimo estava parado na entrada da loja enquanto a mirava com seus olhos verdes como o mar. A loira engoliu em seco sem saber bem como reagir.

– É um Tiffany. Lindo não é?! – Disse o rapaz se aproximando e observando a vitrine.

– Lindo?! Lindo é pouco...isso ... é um sonho. – Falou voltando a mirar a vitrine.

– Por que não entra um pouco, você pode experimentar. – O rapaz sinalizou para a entrada e dando passagem a Akemi.

– Ahh não obrigada, eu... jamais teria condições de comprar um anel desses. – Disse sorrindo sem jeito. -E também...estou acompanhada no momento. – Sinalizou para o rapaz mostrando Radi que abanava o rabinho enquanto observava um pequeno carrossel com vários brincos girar na vitrine.

– Entendo... Mas, mesmo assim...– Tirou um pequeno cartão do bolso e estendendo-o para ela. – Fiquei com um desse. É meu cartão caso mude de ideia pode me procurar okay?! Será um prazer ajudar.

Akemi sorriu em resposta e caminhou em direção ao mustang enquanto tagarelava coisas sem sentido para Radi. Entrou no carro rapidamente sob os resmungos de Manigold que deu a partida rapidamente.

Uma semana depois...

– Eu não acredito que você fez isso tudo sozinho.

– Está duvidando da minha capacidade culinária bella?

– E com eu não duvidaria já que sou sempre eu que cozinho.

– Ahhh que mentirosa. – Disse Manigold puxando a cadeira para que Akemi pudesse sentar.

Akemi comeu até estar satisfeita sob o olhar analítico de Manigold. O italiano gostava de reparar em sua bella. Observar com detalhes cada gesto, cada sorriso da loira. Nunca imaginou que se sentiria tão bem ao se prender a alguém. Estar com Akemi era melhor do que ele esperava. Sentia-se tão completo que mal podia por esses sentimentos em palavras. Ela era a outra parte de si, sua outra metade. Cada dia tinha mais certeza de que estava fazendo a coisa certa. O jeito como ela passava a mão nos cabelos jogando-os de lado, o jeito esnobe de olhar e falar, o sorriso grande que mostrava seus dentes perfeitos, a mão de dedos finos que seguravam a taça de vinho branco com delicadeza e que vira e mexe era levado aos lábios carnudos deixando-os ainda mais tentadores. Gostava daquilo. De tudo aquilo, até de quando estava zangada se sentia satisfeito. Se sentia completo.

É...não tinha mais dúvidas. Não precisava esperar mais.

– Akemi. – Manigold olhou sério para ela interrompendo seu discurso. A loira sentiu seu sorriso morrer nos lábios quando os sérios olhos arroxeados dele brilharam sob a pouca luz da luxuosa sala de jantar. – Eu andei pensando algumas coisas sobre nós.

– Coisas? Que tipo de coisas? – Perguntou com um nó na garganta.

– Tipo...coisas sobre nós. Nossa convivência. Tudo e sabe loira...eu pensei bem sobre isso. – Akemi sentiu o coração acelerar e as mãos suarem. “Onde Manigold queria chegar com aquele papo?” – Olha loira eu vou tentar fazer isso da melhor maneira que eu conseguir até porque eu não sei como você vai reagir... – Akemi levantou-se da cadeira ao ouvir aquelas palavras. Sua respiração se acelerou e um tremor de angustia e medo começou a tomar conta de si. Aquilo não podia ser real.

– Eu não acredito que você vai fazer isso comigo Manigold. – Vociferou já sentindo um nó na garganta. O italiano passou a mãos nos cabelos repicados em clara demonstração de nervosismo o que deixou a japonesa ainda mais nervosa. – Isso só pode ser um pesadelo. Estava tudo tão bem.

Manigold franziu o cenho sem entender. Como assim: Estava tudo tão bem?! Não está mais?! Como assim?! – Espere aí Akemi...porquê disso agora? Eu não estou entendendo esse seu chilique – Questionou levantando-se e indo em direção a ela que automaticamente se afastou com o cenho franzido.

– Chiliques? Está dizendo que estou de chiliques? Você está praticamente me dizendo que não dá mais certo entre nós e eu estou de chiliques?!

As sobrancelhas de Manigold só não saíram por sua cabeça, pois as mesmas estavam grudadas em sua pele. Os olhos arregalados, assim com seu queixo que foi praticamente ao chão tamanha foi sua surpresa com as palavras de Akemi.

– Má que?!! Io??

– Ahh não Manigold, eu! – Ironizou sacolejando as mãos. As bochechas vermelhas como um pimentão e os olhos molhados. – Agora só falta você me dizer que o problema não sou eu e sim você. – Fez uma pausa. – Chega! Eu vou embora.

A loira tratou de por suas sapatilhas o mais rápido possível. Estava se sentindo péssima e completamente perdida. Não entendia porque Manigold estava querendo romper consigo já que as coisas estavam tão bem, ou melhor, ótimas. Pelo menos era isso que achava. Mil coisas martelavam em sua mente, coisas desconexas e fora de ordem que só mesmo a gargalhada irônica de Manigold para trazer a loira de voltar a realidade. Akemi mirou o canceriano de cima a baixo sem acreditar que enquanto ela chorava ele estava...

– Rindo de mim?! – Confessou em um fio de voz.

– E como eu não vou rir bella?!

Manigold caminhou em direção a ela que irritadíssima lhe deu as costas. Ele já mais do que acostumado com as malcriações de Akemi abraçou a loirinha por trás prendendo seus braços no abraço já sabendo o que viria. O italiano nunca pensou que tantos palavrões poderiam ser pronunciados por boquinha linda. Deixou que ela vociferasse até quase perder as forças e quando ela finalmente parou, ele tomou a vez.

– Já terminou com a malcriação? – Questionou irônico. Akemi apenas deu seu silêncio como resposta. – Que bom, agora é minha vez. – Fez uma pausa virando-a rapidamente de frente a si e a jogando em seu ombro direito com um saco de batatas e carregando-o até a sala. A loira soltou um resmungo em protesto e um grito quando ele sentou no sofá a colocando deitada de bruços em seu colo. – Eu vou te ensinar a nunca mais desconfiar de mim sua magrela malcriada.

O primeiro tapa estalou quando a mão forte de Manigold acertou o bumbum branco da loira que praticamente pulou em seu colo. A loira gritava e se remexia tentando se soltar sem sucesso. O italiano prendeu o corpo dela com um de seus braços enquanto que com a mão livre desferia mais um tapa seguido de um apertão malicioso. Gargalhou quando a loira o xingou de coisas que ele nem imaginava existir. Satisfeito segurou firme a cintura fina, para agora dar uma bela mordida no traseiro exposto da loira que soltou um resmungo de dor e algumas coisas a mais.

– Quando eu sair daqui Manigold Fortini você vai desejar nunca haver nascido. – Gritou a loira mordendo o lábio quando ele lambeu e em seguida deu um chupão no lado direito de seu bumbum enquanto seus dedos marcavam o lado esquerdo e antes que ela começasse a retrucar novamente, ele a virou de frente para si em uma velocidade que a deixou desnorteada.

– Seu filho da... – Não terminou. Ele tomou sua boca em um beijo voraz, sugando e forçando sua língua para dentro da dela até perder o ar e quando finalmente ele libertou seus lábios seu coração falhou uma batida.

– Mi vuoi sposare?

Akemi ficou sem palavras. Seus olhos iam do anel de ouro branco com um brilhante solitário lapidado em forma de pera aos olhos e o sorriso matreiro de Manigold. Tentou proferir alguma resposta, mas sua voz simplesmente não saia, pois, o anel que havia namorado por uma vitrine agora estava li sendo oferecido a si em um pedido de casamento que jamais esperava.

– Não vai dizer nada?

– Mani...eu...eu pensei que...pensei que você...

– Aff loira...de pensar morreu um burro. Io tentei fazer da forma mais romântica que consegui encontrar, mas como você pensou mal de mim eu achei melhor fazer do meu jeito. Ou melhor...do nosso jeito.

– Mani...Manigold esse...esse anel ele...ele é uma fortuna. Eu...mal posso acreditar. Ele...ele é lindo. — Balbuciava sem conseguir acreditar.

– É...ele é e tenho que admitir que aquele playboyzinho metido a besta tinha razão, ele ficou ainda mais lindo em você. – Fez uma pausa virando os olhos celestes de Akemi que dançavam em sua expressão satisfeita. — Eu vi você conversando com aquele vendedor e não gostei nem um pouco do jeito como ele olhou para você. Resolvi passar lá no dia seguinte para dizer a ele que você era minha, mas e ele me disse que você havia se enamorado por esse anel, então eu...pensei um pouco e...resolvi colocar as coisas logo em ordem. Casa comigo loira? Io...não quero mais nenhum marmanjo dando em cima de você. Io quero você só para mim então, diz que aceita?!

– É lógico que eu aceito. Eu te amo, te amo, seu...seu...carcamano bobo e idiota. – A loira se jogou no pescoço do italiano em um abraço apertado. – Eu não acredito que fez isso, eu fiquei com uma boba pensando que você...tinha enjoado de mim e que iria terminar comigo. – Disse em um muxoxo enquanto observava o brilhante ser posto em seu dedo.

Perfetto, agora todo mundo vai saber que você é minha e de mais ninguém. Vai ter que fazer tudo que io mandar. – Falou vitorioso enquanto acariciava as coxas dela.

– Espere aí, você está querendo me amarrar? Me por rédeas?! Porque se for você pode ir tirando seu burrinho da chuva Senhor Manigold. Eu não vou deixar que ninguém mande em mim entendeu bem?! Não é porque agora sou sua noiva que poderá me dizer onde ir, o que vestir e o que fazer. – Manigold olhou para cima e sorriu cafajeste.

– Oh mio Dio já vi que as palmada que lhe dei não surtiram muito efeito não é loira?! Acho que vou ter que lhe dar outra lição até você aprender quem é que manda aqui.

Akemi levantou rapidamente do colo dele se afastando alguns passos enquanto Manigold se erguia do sofá bem devagar.

– Acho que eu vou ter que te ensinar de uma maneira mais...convincente. – Retirou a camisa polo branca que usava e com uma mão puxou o cinto arrancando-o de uma vez só e em quanto o segurava como um chicote com a mão esquerda usou a direita para abrir o botão da calça jeans.

– Ah eh é?! Só se você conseguir me pegar. – Ironizou Akemi dando alguns passos para trás.

– Ah bella...você non faz ideia de como eu adoro quando você me provoca.

Manigold sorriu seu típico sorriso cafajeste sendo retribuído pelo sorriso sapeca da loira que em seguida disparou pela casa tendo em seu encalço um italiano sexy, lindo e que acima de tudo lhe completava da melhor maneira, e de todas as maneiras que a faziam feliz.

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As mãos grandes e calejadas acariciavam os fios rubros com carinho e delicadeza, sentindo e apreciando a macies e o cheiro de menta que se desprendiam em cada movimento; ela havia trocado de shampoo. O seu preferido sempre fora o de flor de cerejeira. Particularmente achava que esse novo cheiro mentolado não lhe caia tão bem quanto seu antecessor. Era como se aquele cheiro antigo fizesse parte dela, mas mesmo sentindo falta, sinceramente era uma parte que desejava que nunca mais voltasse. A nova Aya, ou melhor, Jim estava mais bem cuidada e visivelmente mais feliz. Carregando em seus cabelos o cheiro típico de Degel, ao qual ela fazia questão de carregar.

Os olhos verdes se abriram voltados diretamente para si combinados com um sorriso singelo.

– Nós partiremos daqui a uma semana.

– Passou rápido. É...as coisas boas sempre acabam em uma velocidade espantosa.

– Você... não quer ir para a Grécia conosco? — Ela perguntou segurando uma mexa dos longos cabelos grisalhos que roçavam levemente em seu rosto.

– Ah Aya eu...gosto daqui e você agora não precisa mais de mim. — Respondeu o grandalhão afastando os fios rubros da testa dela.

– E quem disse que não preciso de você?! — Contestou com a voz tristonha. Asgard gargalhou.

Ele vai cuidar bem de você. Aliais já está fazendo isso muito bem.

– Você gostou dele, não é?!

– Tirando o fato de parecer mal-humorado em tempo integral, sim...eu gostei dele. É bonitão, charmoso e eu vejo nos olhos dele o quanto ele gosta de você, mesmo ele querendo parecer “imune”. – Frisou. Jim sorriu.

– Ele era pior, vai por mim. – Confessou ajeitando sua cabeça no colo de Asgard.

Jim respirou fundo observando uma raposa correr pela neve. Como adorava aquele cheiro. Como sentiu falta daquilo. Os carinhos e a atenção do taurino, a calmaria daquele lugar, o barulho da fonte onde as carpas nadavam sem a menor preocupação. Seu país, sua terra, seu lar. Nunca quis sair dali, mas a vida, que de justa nada tinha, a havia obrigado a abandonar tudo ao mesmo tempo em que arrancava sem dó o que podia de si. A única coisa que restava era ele, o homem agora que via como seu pai. Jim sentiu o coração em frangalhos só de imaginar a despedida. Outra. Amava Degel, Aspros, Defteros e Kardia, sentia falta dos amigos na Grécia, mas a saudade de sua terra estava doendo em seu peito. Nunca quis ter saído do Japão, havia sido praticamente expulsa por conta da luta pela sobrevivência, mas por outro lado se nunca tivesse saído jamais teria conhecido Degel e os outros. Em um dado momento se viu em um enorme vazio, sozinha em meio a escuridão, um poço escuro e frio, sozinha. Não dava para ficar sem Degel, não mais. Seus olhos se encheram de lágrimas ao qual não soube explicar ser de tristeza ou de felicidade. Queria voltar para a Grécia por Degel, mas não queria deixar mais o Japão por Asgard.

O taurino bebericou de seu chá, saboreando o gosto amargo das ervas, observando a jovem raposa sumir no meio da neve. O som do bambu que se enchia com a água da fonte bateu na pedra ecoando um som oco assim que se esvaziou, repetindo o mesmo gesto a cada meio minuto. O vento gélido tocou sutilmente sua face, causando um arrepio e uma leve dor. Jim se encolheu ainda mais em seu colo, puxando o edredom para escapar daquela brisa momentânea. Asgard olhou para ela e sorriu.

– Aya. – Chamou fazendo-a sentar ao seu lado. Segurou o rosto choroso entre suas mãos grandes e mirando as esmeraldas com carinho. – Eu já vivi minha vida, já fiz quase tudo que queria e também fiz tudo que podia por você e não me arrependo nenhum segundo se quer. Viva sua vida minha pequena, você merece.

Jim manteve-se concentrada nos olhos de Asgard e em seu sorriso sincero enquanto tentava se convencer de que ele estava certo.

Tentou, mas não conseguiu. Seu cenho se franziu fortemente e com ele a careta e o choro forte. Jogou-se nos braços do taurino agarrando-se a ele com uma força que nem sabia possuir enquanto os soluços e as lágrimas saiam sem controle algum.

– Ah Asgard eu...eu sei que não devia, mas...eu não quero mais voltar.

Os olhos de Asgard se encontraram com os imponentes de Defteros que observava a cena com uma xícara de café em uma das mãos. Na sala Aspros mirou os olhos violáceos de Degel. Respirou fundo e para enfim traduzir o que ela havia dito:

– Ela não quer ir. – Disse frio.

Degel respirou fundo e sem dizer uma palavra, se levantou do sofá dando as costas para os gêmeos sem olhar para trás.

Continua...

Notas finais
Ainnnn...por favor não me batam, eu tbm fiquei com peninha do Degel no final, mas gente, vamos combinar que não é nada fácil deixar alguém que amamos para trás né?! Enfim...tomara que a Jim consiga se decidir até o próximo capitulo. Obrigadaaaaaaa povo e reviews?! Algum?! Eu mereço? Diz que sim vai?! Isso me anima a continuar...então, deixa um reviewzinho aí para mim?! kkkkkkkkkkkkk...bjuuu!! =**