Thunder Chronicles

10 Fantasmas do Passado


Zulk cumpria a ordem de seu líder, de tirar todos os civis do Reino, mas achou que era algo muito perigoso fazer aquilo, muito difícil de tudo isso não dar problemas. Samuel ficava organizando todos as pessoas que eram ordenadas a ir ao porto.

O chefe do exército chegou no hospital, mandando todos saírem, até mesmo os doentes tiveram que dar um jeito de sair dali… Ali ele viu outro ponto negativo disso tudo. Zulk finalmente chegou no quarto onde Ganya estava se recuperando.

–Zulk… O que está acontecendo? -Perguntou, preocupado, de apoiando nos cotovelos na cama.

–Você fez mesmo aquilo? -Ele perguntou olhando diretamente nos olhos de seu, provavelmente, ex companheiro de serviço. -Você matou Dina?

–Ahn… -Ele tirou os tubos com remédio que estavam conectados no seu corpo, se levantou sem nenhum problema e tirou aquela roupa branca de paciente. -É, matei… Yamamoto já sabe, né? Foi rápido até, sabia que ele descobriria por causa da adaga… Como se só ele soubesse dela. -Ele falava sem demonstrar emoção ou remorso algum, aquilo incomodava Zulk. -Bom, agora você deve estar seguindo ordens de tirar todos os civis do Reino, não?

–Como sabe? -Zulk se surpreendeu, como ele sabia daquilo?

–E você está num impasse, não é? Sobre se deve realmente tirar ou não. -Ganya olhava para seu braço, suas mãos, sem preocupação nenhuma.

–Você planejou isso?

–Vocês são muito previsíveis. -Sorriu, inocentemente. Era um sorriso que não parecia ter maldade alguma. Mesmo agora sabendo o que Ganya era, ele não conseguia ver aquele homem como um vilão. Ganya avançou na direção de Zulk, rapidamente, o guerreiro do Reino sacou sua espada, curta, cheia de cortes, era bruta, no estilo de uma daywalker.

–Abaixe isso. -Ele colocou o dedo na parte de cima da espada e a abaixou. -Não queremos nos machucar. -Ele foi sair do quarto. -E, ah, é melhor não tirá-los da ilha, você sabe disso.

Zulk estava parado, nunca tinha sentido aquela aura, tão pesada, tão sombria, era como se trouxesse tudo a tona, todos os sentimentos tristes, mortes. A presença daquele homem destrói as pessoas. Depois de alguns segundos ele se recompôs, e foi voltar ao serviço, pensando no que deveria realmente fazer.

O tempo limite que Yamamoto tinha dado, passou. O governante estava no centro do Reino, num espaço grande que tinha para eventos, apenas ele estava lá, de pé, no centro da arena, esperando seu oponente. E ele chegou, andando calmamente. Só de ver o rapaz, o líder de Pilastra tremeu de raiva, levou sua mão a espada, pronto para sacá-la. Ele tinha certeza de que aquele homem, na sua frente, era um inimigo, e não o perdoaria. Nunca.

–Por quê? -Perguntou, Yamamoto. -Pelo menos me dê uma resposta.

–Minha missão é destruir você, emocionalmente e fisicamente. -Respondeu, com uma serenidade impressionante.

–Você assinou sua sentença de morte!! -Yamamoto tinha uma velocidade incrível, correu, com sua espada já na mão e ficou cara a cara com seu oponente, o governante estava claramente com raiva, enquanto Ganya claramente calmo.

Yamamoto era o típico samurai, velocidade e destreza incomparáveis, sua habilidade era perfeita, não era o governante sucessor de Dakko por acaso. Seu treino foi tão intenso que seu corpo permanecia jovem, sem o efeito do tempo. Aquela luta era difícil para ele aguentar, Ganya era seu companheiro, parceiro. Amigo.

O vilão recuou rapidamente mas mesmo assim teve um corte superficial no seu tórax, de ponta a ponta, não sangrou muito.

–Boa. -Disse. -Pode continuar atacando, eu contra atacarei quando achar que a hora é certa.

Aquilo enfureceu mais ainda Yamamoto, que sem dó começou a tentar golpeá-lo, mas era mais difícil do que achou que seria, os movimentos de Ganya eram fluídos, rápidos, feitos com maestria. Ele nunca viu seu conselheiro em ação, nem sabia que ele poderia lutar.

Quebra de Barreira: Ar! —Yamamoto passou o polegar e o indicados nas faces contrárias de sua espada de ponta a ponta num movimento rápido, e a girou cortando o ar, lançando um projétil cortante em Ganya, que por pouco não desviou, o projétil fez um corte no seu braço direito inteiro. -Talvez você não seja tão invencível como pensa que é. Responda-me uma coisa, desde sempre isso tudo estava planejado?

–Não… Eu realmente era seu parceiro, mas depois que o Gêmeos antigo deixou o Zodíaco, eu recebi uma oferta, não faço ideia de como me acharam… E eu aceitei… Sim, Yamamoto, eu ESCOLHI trair você.

–Zodíaco? -Yamamoto achou por um momento que não tinha escutado direito. Ganya, seu conselheiro e amigo, era um membro do Zodíaco. -Seu filho da puta, eu vou matar você!

–Acho que quem não é tão forte quanto pensa, é você… Cópia de Consciência! —Apareceram dois clones de Ganya, um do seu lado esquerdo e outro do seu lado direito.

–Hein? -Yamamoto parou sua investida.

Acorde, 67 e 348! —Os clones abriram os olhos. -Acabei de colocar nesses corpos, as consciências de número 67 e 348 que eu roubei.

–Você matou 348 pessoas? -Perguntou Yamamoto, que a cada segundo se enojava mais com seu adversário.

–Não, matei muito mais, mas apenas 348 que eu achei que valiam a pena.

A surpresa maior veio a seguir.

–O que? Que corpo é esse? -O clone da direita olhava para seu corpo, sem entender pq estava diferente. -Yamamoto? -Ele olhou para frente. -O que aconteceu comigo? Sou eu, Haelius!

–Haelius? Nós estamos iguais? Yamamoto! Sou eu, Dina!

Zulk e Samuel terminaram de escoltar todos os civis, precisavam apenas colocar todos nos navios, mas eram muitos. Muitos mesmo.

–Chefe, não acho que isso seja uma boa ideia. -Disse Samuel.

–Eu também não… -Zulk não sabia o que fazer, se obedecia uma ordem duvidosa de seu mestre ou se desobedecia, mas se fizesse o último, estaria fazendo justamente o que Ganya quer? Era um dilema e tanto.

–Deixe-os ficar. -Uma figura idosa apareceu atrás de Zulk, era Yoropac. -É mais seguro aqui, nem sabemos o que realmente vai acontecer.

–Mas e se eu estiver fazendo o que Ganya quer? -Perguntou, Zulk.

–Que faça, se for para o bem estar dos civis. Se quer ajudar, vamos lá dar suporte para seu governante. -Disse o profeta.

–Certo… Vamos. Samuel, tome conta de todos. -Ordenou o chefe do exército a seu pupilo. -Não deixe que ninguém tenha um arranhão, não importa o que aconteça, não importa o que Ganya esteja planejando, proteja todos!

–Pode deixar, mestre.

—Haelius? Dina? -Yamamoto agora não sabia como reagir. Que habilidade era aquela de colocar consciências em clones? -Merda!

—Não vou mentir para você, não tem chances de esses dois voltarem a seus corpos, porém, se eu morrer ou se matar os clones, essas consciências vão deixar de existir. A escolha é sua. -Ganya cruzou os braços e sentou no chão da arena.

Yamamoto não fazia nada. Não queria perder seus amigos, mas de nada ia adiantar não lutar contra seu oponente.

—Outra coisa, eu controlo seus corpos. -Ganya fez um estalo com os dedos.

Os clones foram para cima do governante de Pilastra com uma habilidade de luta insana, golpeavam rapidamente e Yamamoto tinha muita dificuldade para desviar de todos os chutes e socos sem machucar os clones.

—Por quê estou tentando te bater? Eu não consigo me controlar! -Dizia Dina. -Desculpe, mestre! Ganya que está fazendo isso, ele me matou, eu lembro de tudo. -Sua voz era de choro, mas o clone não escorria uma lágrima.

—Yamamoto, Ganya também me matou, ele era muito forte, não pode deixar ele te vencer, pode me acertar com a espada! -Disse Haelius.

—Não, não consigo! -Os clones acabaram acertando alguns golpes no líder do Reino, que caiu para trás mas com um rolamento se manteve em pé. -Não posso… Preciso vencer de outra maneira, preciso pegar o principal!

Ele, com um impulso nas pernas, sumiu do campo de visão deles, flanqueando Ganya pela direita, mas quando estava prestes a dar um golpe fatal nele, um clone apareceu na frente, fazendo Yamamoto parar imediatamente, achando ser Haelius ou Dina, levando um soco no rosto do clone e indo para trás, quando rpestou atenção, viu que tinha três clones.

—Três? Da onde surgiu o terceiro? -Perguntou confuso.

—Enquanto se distraía tentando entender o que eu fiz, deixei os dois primeiros na minha frente, tampando seu campo de visão para eu invocar o terceiro. Troca. —Com um movimento de mão, os três clones sumiram e reapareceram na frente de Yamamoto, um do lado do outro. -E agora, sabe qual é qual? Lembrando que eles não vão falar, já que posso calar a boca deles. -Ganya continuava sem sorrir.

—Não… Não sei…

Nesse instante, uma bola flamejante completamente vermelha estava indo em direção a Ganya, que, de última hora, teve que se esquivar. Ele, quando viu aquele golpe, soube que era Zulk.

—Sabia que iriam vir… -Disse, em voz baixa.

Lá na frente estavam Zulk e Yoropac, a ajuda que Yamamoto iria ter contra aquele oponente dificílimo.

—Eu disse para não virem! -Yamamoto gritou, bravo. -Onde estão os civis?

—Eles vão ficar, mestre, não é seguro para eles saírem daqui! -Disse Zulk, que junto com o profeta corriam para o centro da arena.

—Não sabe mais obedecer ordens?!

—Só quando fazem sentido. -Ele não deu bola para seu governante, apenas ficou de seu lado com a espada na mão, e Yoropac já preparou seu círculo mágico.

—Tsc… -Fez um sinal de reprovação. -Esses clones, um deles tem a mente de Dina, outro de Haelius e um outro eu não sei… Esse merda tem a habilidade de roubar as consciências de quem mata para colocar em seus clones. Estamos lutando contra quatro Ganya com personalidades diferentes.

—Dina e Haelius? Ele matou Haelius também? -Perguntou o profeta.

—Sim, não posso deixar ele vivo.

Os clones partiram para cima deles, um contra um.

—Um mestre de exército contra o outro, han? -Disse Haelius.

O clone de Ganya lutava muito melhor do que eles, as habilidades em arte marcial do Gêmeos superava a dos três ali. Zulk precisava defender alguns golpes que ele não conseguia se esquivar. Ele tentava acertar alguns socos mas sem machucar muito o clone com a consciência de Haelius.

—Yamamoto… Eu não queria ter te deixado. -Dina lutava contra o governante. -Desculpe-me, se eu fosse mais forte poderia ter vencido ele.

—Não se preocupe com isso, eu vou acabar com isso! -Aquilo só enfurecia mais o samurai, que não podia lutar direito, com medo de machucar sua ex-subordinada.

Yoropac ficou com o terceiro clone… Aí veio a surpresa que não era a primeira do dia… Mas também não seria a última.

—Você virou a porra de um profeta, e eu continuei sendo um ladrão, irmão. Hoje é o dia que eu vou virar você do avesso!

—Irmão? Deropac? -O profeta lutaria contra a consciência de seu irmão.

—Tudo como planejado… Tolos, não percebem que isso é apenas distração para algo muito maior. -Ganya voltou a sentar no chão para assistir ao caos que estava criando.