Thunder Chronicles

11 Insanidade Inteligente de Ganya


Aquela luta não seria tão difícil se Yamamoto não precisasse enfrentar a única coisa que sobrou de Dina: sua consciência. Zulk estava receoso de lutar contra o clone com a mente de Haelius, e para Yoropac, poder falar com seu irmão novamente, mexeu com ele.

Seu irmão era um criminoso, logo, seus caminhos nunca se cruzavam para algo bom, só quando era necessário algum conflito, mas Yoropac amava seu irmão, e quando Deropac morreu, o profeta pela primeira vez em muito tempo, chorou. E também foi sua última.

–Não deixe ele te controlar, mestre, pode me atacar! -Dizia Dina. Na sua voz era claro um sentimento de tristeza, ela estava chorando por dentro, com toda certeza.

–Não preciso te atacar para chegar nele! -Yamamoto superou a velocidade do clone de Ganya e o passou, correndo na direção do Gêmeos que foi obrigado a se levantar do chão.

O samurai desferia golpes de espada e chutes rápidos, com uma fúria em seus olhos que ele achava que nunca teria. Ganya tentava se esquivar mas era difícil para ele acompanhar, Yamamoto acertou vários cortes em seu corpo. O estilo de luta de mãos vazias de Ganya o prejudicava naquela luta, que mantinha seu semblante igual o tempo todo. Quando o governante dpe Pilastra foi acertar um golpe de esgrima, com a ponta de sua espada, Ganya subiu na mesma e deu um mortal para trás, caindo bem mais perto de Yamamoto do que estava no começo. O Zodíaco abaixou e apoiou seu braço esquerdo no chão, com um golpe de capoeira ele tentou chutar a cara de Yamamoto, que ao recuar, preparou outro golpe.

Quebra de barreira: Som! —Um projétil ainda maior e mais veloz atingiu Ganya de raspão, do pescoço até o pé, causando um corte dolorido, que começou a sangrar. -Eu vou matar você! -O projétil viajou até o fim da arena, a metros dali, cortando toda uma arquibancada em dois, e o impacto fez uma parte da construção desmoronar.

–Dina! -Ganya gritou, e seu clone, se movendo rápido e com cautela, agarrou Yamamoto por trás pelo pescoço. -Não seja vingativo, Yamamoto. -Ele se aproximou do samurai, mas numa distância em que não tomaria um golpe de espada. -Aceite sua derrota.

Zulk não conseguia passar pelo clone de Haelius, com sua espada desferia golpes com sua rajada vermelha, golpes que não matariam o clone mas que poderiam ajudá-lo a passá-lo e ajudar Yamamoto.

–Zulk, eu não controlo esse corpo… Eu não quero lutar, eu estava só brincando! -Haelius falava, mas seu corpo se movia sozinho, o clone de Ganya tinha movimentos fluidos, ele golpeava com socos e chutes, Zulk tentava se esquivar mas acabava sendo acertado algumas vezes. O último chute dado foi muito forte, mandando o capitão do exército para longe, rolando no chão até se recuperar e ficar em pé novamente.

–Eu sei, Haelius, essa situação é muito complicada.

–Mate-me, não tem problema, eu nunca vou ter meu corpo, minha vida de volta, novamente.

Aquilo fez Zulk pensar seriamente.

O clone com Deropac tinha seus golpes defendidos por Yoropac com apenas com uma mão, sem dificuldades. O profeta não estava usando magias, pela primeira vez em muito tempo estava ligado emocionalmente na luta.

–Como ele te matou, irmão? -Perguntou, Yoropac, quando recuou e teve tempo e espaço para falar.

–Eu estava fugindo, lembra? Fui para uma ilha isolada, achei que ninguém me encontraria… Mas me acharam! -Ele não parava. -Graças a você, irmão, não desistiam de me procurar, até que alguns mercenários me atacaram… Matei todos… Mas aí esse cara apareceu logo depois de eu matá-los, tenho certeza que ele os mandou para confirmar se era eu mesmo. Ele é forte, não pude com ele. -Deropac parou. -Por sua causa estou morto, então agora vou retribuir o favor! -Ele voltou a atacar.

–Desculpe, mas você não é meu irmão… Você é apenas um obstáculo no nosso caminho! -Yoropac, ao dizer isso, mordeu o lábio. -Dispersor de Magia! —Ao esticar seus braços, um grande círculo de magia surgiu em frente ao peito de Yoropac, do centro dele surgiu um raio grande, e de seus extremos pequenos e finos raios também apareceram. -Nos encontraremos logo…

Deropac não conseguiu desviar, foi pego, parte pelo raio principal e foi perfurado por vários dos pequenos. O corpo do clone caiu no chão, inconsciente, e após segundos, sumiu. Yoropac retomou o foco e olhou para Ganya.

–Menos um. -Disse o profeta, indo para cima de Ganya. -Vou fazer você sofrer pelo que fez com meu irmão!

Ganya correu para trás do clone que estava com a consciência de Dina e que segurava Yamamoto, colocou sua mão em volta do pescoço de seu clone.

–Ataque-me, e eu a mato.

Yamamoto arregalou os olhos. Ele implorou para que Yoropac parasse a investida, mas o profeta não parou, ele acreditava que tudo aquilo era uma distração, que aquelas pessoas não estavam vivas de verdade. Yoropac preparou seus mísseis arcanos, mirando todos em Ganya.

–Não!! -Gritou Yamamoto.

–Que pena…

Ganya fincou seus dedos no pescoço de seu clone e pulou para trás, os mísseis o seguiram.

–Ah… -A voz de Dina gemendo de dor mexeu com Yamamoto. O clone o soltou.

–Não, não, não! Dina, não. -O clone caiu no chão e ele se ajoelhou. -Eu te amo! Não morra, vou achar um jeito de te dar o seu corpo novamente!.

–Não tem nenhum jeito… Governante… Eu já não estou viva… De qualquer maneira… -Ela apagou. Para sempre.

Yamamoto gritou. Zulk e Haelius, vendo aquilo que aconteceu, ficaram chocados com o Ganya fez, não pensavam que ele chegaria a esse ponto. Os mísseis finalmente atingiram o membro do Zodíaco, lançando-o para fora da arena, até atingir a parede de pedra.

–Vamos acabar com ele lo…

Yoropac não teve tempo de terminar de falar, os movimentos de Yamamoto foram extremamente rápidos, como nunca tinham sido. O governante de Pilastra penetrou sua espada no estômago do mago profeta. Sangue escorria em sua lâmina, enquanto lágrimas escorriam no seu rosto.

–O que fez?... -Yoropac não conseguia mais falar. -Eu não a matei…

O profeta caiu morto no chão.

–Mestre!! -Zulk gritou. Distraindo-se, levou uma série de golpes do clone de Ganya.

–Zulk, me mate também! -Implorava, Haelius.

Ganya sorriu, pela primeira vez na luta. Ele conseguiu o que queria: Deixar Yamamoto a um ponto da autodestruição.

O samurai ficou envolto por uma aura branca que lentamente se tornou vermelha e preta. Era pura raiva. Seus olhos ficaram totalmente brancos, veias saltaram, roupas rasgaram devido a energia liberada, sua pele passou a ter partes vermelhas com marcas pretas, como se ele fosse um demônio, a espada deixou de ser lisa e sem ranhuras e passou a ter várias deformações, como se já estivesse totalmente desgastada.

–É a primeira vez… Em 18 anos… -Dizia Zulk, que se levantava mais uma vez. -Que o Demônio se revela… -Merda, tenho que sair daqui.

–Matar! Matar! -Yamamoto tinha sido dominado por algo diferente, aquele não era mais o governante de Pilastra, era alguém que buscava sangue e morte. Ele sumiu da vista de Ganya e reapareceu na sua frente, pronto para perfurá-lo com sua espada. Ganya segurou a arma.

–Está na hora de lutarmos de verdade, não é mesmo? -Yamamoto não desistiu.

Inferno! —Os movimentos de sua espada eram rápidos e sutis, rápidos o suficiente para gerar calor e fazer com que o que tocasse pegasse fogo, como fez com as pedras em cima de Ganya, que teve que sair debaixo delas. O fogo se espalhou por umas parte da arquibancada, logo logo aquilo cederia.

–Venha! -Ganya tirou a camisa, que já estava toda rasgada e suja de sangue. -Se você quer minha vida, venha tirar!

No chão, onde os pés de Yamamoto tocavam, aparecia fogo. Aquela forma era insana, ninguém reconheceria o governante de Pilastra daquele jeito, surgiram pequenos chifres em sua testa, seu cabelo era longo e vermelho, com certeza era a personificação de um demônio. O último dos três clones, que lutava com Zulk, saiu correndo da arena.

–Onde está indo? -Gritou, Zulk.

–Creio eu que Samuel está sozinho cuidando dos civis, não é? -Perguntou Ganya, em tom de deboche.

–Merda! -Zulk foi atrás do clone.

Yamamoto estava mais rápido, e agora com golpes que faziam o que tocar pegar fogo, estava muito mais perigoso. Ganya tentava se esquivar dos golpes, mas levou um corte diagonal que ia do ombro direito até a cintura, na esquerda. Ele tirou de seu bolso uma pequena esfera e a soltou, na altura de seu peito, mas ela não caiu.

Gerador: Escudo! —Um escudo transparente e oval surgiu na frente do Gêmeos. -Gerador: Espada!—Agora outra esfera se transformou na parte superior de uma espada e gerou uma lâmina transparente. -Não vai acreditar onde consegui essas esferas, governante.

Os golpes com fogo estavam sendo protegidos pelo escudo, que se movia conforme os ataques de Yamamoto, que era tão rápido que chegava a circular seu oponente em menos de um segundo, desferindo dezenas de golpes. Ganya começou a usar sua espada, com sua velocidade conseguia, com alguma dificuldade, defender os golpes do samurai, mas o fogo ainda sim era espirrado no chão após o impacto.

Ao olhar em volta, Ganya viu quanta fumaça já tinha, uma boa parte da arena pegava fogo, isso fez ele imaginar que talvez a força de Yamamoto não poderia ser derrotada por eles, por ser extremamente poderosa.

–Ganya!! -Ele balançou sua espada, e o fogo todo se concentrou num lugar, na ponta da lâmina, e após essa concentração, aos poucos, as chamas formaram uma fênix grande, em cima de Yamamoto. -Ataque, Fênix!

Aquele pássaro gigante foi na direção de Ganya, quebrando seu escudo e gerando uma quantidade de calor imensa, que fez ele começar a suar instantaneamente. Usando toda a força de suas pernas, ele foi se esquivar do golpe com um pulo alto, sem soltar sua espada, a fênix porém, o seguia, como um míssil teleguiado.

Ele percebeu que enquanto guiava a fênix, Yamamoto ficava parado, pois precisava de focar seu poder no pássaro, que estava queimando toda a arena, fazendo todas as pedras caírem. Ela voou perfeitamente na vertical, para pegar Ganya, mas ele conseguiu avançar um pouco para frente e cair no chão. Sem esperar, foi para cima de Yamamoto, que teve que parar seu ataque para se defender.

–Sou mais difícil de se matar do que pensou, não é mesmo?

Zulk corria mas as acrobacias do clone de Ganya era mais rápido. Eles estavam indo em direção ao porto e aquilo preocupou o comandante do exército.

Rajadas Elásticas! —Com sua espada, lançava projéteis vermelhos cortante que aumentavam de tamanho. O clone conseguiu pular do edifício, pois corriam em perseguição por cima das casas, e sair ileso. O projétil cortou o teto de uma construção.

O clone chegou ao porto, Samuel viu o corpo de Ganya ali e não entendeu, o primeiro pensamento que veio a sua cabeça, foi: Yamamoto morreu?

–Samuel, cuidado! -Zulk apareceu logo em seguida, Samuel ao olhar para seu capitão, se distraiu, e o clone passou rapidamente por ele.

–Samuel… Última vez que o vi ainda era uma criança… -Pensou Haelius. -Um pena não poder te conhecer agora… Minha hora aqui já terminou.

Zulk e seu aliado foram tentar parar o clone, mas por ter se adiantado, teve vantagem. Sem Haelius poder controlar, o clone de Ganya matou dezenas de civis com um golpe em cada, os que sobreviveram começaram a gritar e pânico. Quando matou, armazenou a consciência de cada um.

–Merda!! -Gritou Samuel. -Você vai pagar, Ganya!

–Mas que porra! -Gritou Zulk, que conseguiu impedir que o clone continuasse a chacina. -Samuel, esse não é Ganya… É um clone dele, com a consciência de Haelius.

–Não consigo me mover. -Disse Haelius. -Ele… Ele me prendeu! -Os dois não entenderam o que estava acontecendo. -Esse cara… Zulk, Samuel, ele quer que você me matem.