Thrasher's Abattoir
2 War?
Notas iniciais
– mais e ae? O que tu curte? – perguntei.
– sei lá... Específica. – disse ele mordendo o sanduiche.
– hã... Banda. – disse.
– metallica. – disse ele.
– de heavy metal?
– motörhead.
– death metal?
– death.
– hã... Black metal?
– dark funeral.
– hard rock?
– não gosto.
– nem tipo led zeppelin e tals... por que na minha concepção é hard rock. – disse.
– talvez.
– viking?
– týr.
– folk?
– korpiklaani.
Andressa chega. Ela tava tomando banho.
– ó, pá tu. – empurrei o prato com o sanduiche e o copo cheio de suco
– brigado. – disse ela sentando à mesa junto com a gente. – tão falando de que?
– bandas e tals... – disse William.
– glam?
– não, essa daí eu vou nem responder. – eu comecei a rir.
– glam? Tu quer ver essa galera glam? Só chegar lá na parada gay sio. – disse Andressa.
– e po, um amigo meu trabalha organizando essas bagaças e tals... Ele falou que tudo é uns metaleiros from hell do mal sio. – disse William.
– tá, vamo parar com a zuera. – disse.
– é po. – disse Andressa.
– borá fazer um jogo. – disse William. – a gente tem que dizer um álbum de acordo com o alfabeto
– and justice for all. – disse.
–aces of spades – William disse. — olhamos para Andressa.
– hmm... altars of madness. – disse ela.
– black metal. – disse.
– bigger than the devil. – disse Andressa.
– black force domain. – William comemorava. A gente olhou pra ele ai foi que ele parou.
– covennat! – disse.
– cowboys from hell. – William disse.
– countdown to extinction. – disse Andressa.
– d.e.v.o.l.u.t.i.o.n! – disse.
– dark side if the moon. – disse Andressa.
– hmmmmmmmm... – ele pensou bastante. – demigod.
Brincamos disso até a letra m. Umas dez horas, William foi pra casa dele.
Dia seguinte.
– hey! Ces num vem não?! – perguntou William na porta.
– pera ae, só to esperando Andressa! – disse pegando a chave.
– tá beleza. – disse ele.
– cuida pequena, num sei que banho que tu toma que tu passa uma hora nesse banheiro. – ela passava por mim.
– vai tomar no seu cu. – disse Andressa.
Fechei a porta da sala, em quanto, Andressa abria o portão da frente.
– Thiago espera! – escutei William chamando.
Tranquei o portão.
– vocês são o que um pro outro? – perguntou Andressa. Fomos andando para a parada de ônibus.
– irmãos. – disse ele.
– nossa que contraditório. – coloquei a chave na bolsa.
– por que será né? – disse Andressa.
– eu tava com raiva. – disse.
– véi, eu fiquei com medo quando Débora entrou na sala parecendo o capeta de tanta raiva. – disse William.
– a minha tia disse uma vez que seu eu matar alguém, quando eu estiver com raiva, é capaz deu ir ao funeral dela e pedir desculpas. – disse.
Andressa e William riram.
– masoq? – perguntou William.
– é cara, minha tia disse por que parece que baixa um santo. – disse. Eles riram mais ainda, tanto que o Thiago — está criatura estava mais a nossa frente – virou o rosto nos olhando.
– faz um download do demônio saca? – Andressa disse.
Eu e William olhamos para Andressa com uma cara de tipo “wadamerda meu jovi?”.
– cara que porra é essa?! – perguntei. William se danou de rir.
– é ora, tu tinha dito baixar o santo ai eu disse “faz um down-
– eu sei o que tu disse. – a interrompi. William ainda se matava de rir.
Fomos conversando até a parada.
– cara esse tá muito cheio. – disse Andressa.
– tá nada. – disse fazendo sinal para o ônibus.
– dá sim pra pegar. – William falou.
Estudávamos numa escola que ficava lá no centro da cidade. Que era longe para porra. Mais o chato é que a gente estudava de tarde ai fica foda por causa do sol. Passamos pela catraca. Thiago passou primeiro. Essa criatura estava tão calada que eu nem percebia que ele tava ali. Ótimo. Muito melhor do estar perto dele. Andressa e William passaram depois eu passei. A única cadeira que estava vazia era uma que estava de trás das maiores cadeira. Quando eu vi era Thiago que tava sentada lá. A gente se encarou. Só faltava aparecer fogo nos olhos.
– te senta logo. – William fez com que eu me sentasse na cadeira. O olhei com uma cara de “demônio por que fez isso?” – iiih porra fudeu.
Virei pra frente. A porra do esparadrapo não tava grudando direito. Peguei um grampo do bolso – é eu uso... meu cabelo é descontrolado ¬¬ – e fiz uma loucura lá para amarrar. Peguei meu celular e meu fone de ouvido da bolsa e coloquei umas musicas pra ficar escutando no caminho. Encostei minha cabeça no apoio do banco e fechei os olhos.
Uns minutos se passaram.
– por que tu fez isso o diabo?! – perguntei.
– bem feito! – o Thiago disse.
Eu sinceramente não sei como caralhos esta criatura fez, mas eu só sei que esta criatura bateu na minha mão que tava machucada com força que o grampo machucou o corte que tinha na palma da minha mão.
– vem pro meu lugar Débora. – disse William.
Levantei-me do banco e fui para o de trás ao lado de Andressa.
– porra Thiago precisa? A mão dela tá toda cortada. –William bateu na cabeça de Thiago.
– o que ela fez comigo domingo foi pior o desgraçado! – Thiago disse.
– tá a gente tá num ônibus. – disse Andressa.
Tava saindo sangue, tanto que a faixa que tava enrolando estava com uma mancha na palma da minha mão. Peguei uma tolha dentro da bolsa e fui desenrolando a faixa.
– cara tá saindo muito sangue. – disse Andressa falando baixo.
A mulher que estava em pé ao lado de Andressa tava só olhando o que eu tava fazendo. Pelo menos era só ela. A minha mãe tinha costurado e tals o machucado na minha mão. Por que era fundo pra porra e tava muito aberto, por que o caco de vidro que tinha entrado era a borda do copo ai foi tudo muito triloco. Eu enxuguei minha mão com a faixa e botei em cima do machucado ai depois eu enrolei com a toalha para parar o sangramento.
– tá doendo? – perguntou William se virando.
– tá é jorrando sangue. – disse Andressa.
– muito? – perguntou ele
– er tá. – disse.
– me deixa ver ae. – disse William.
– não, se tá jorrando sangue por que eu iria te mostrar essa porra? – sussurrei pra ele.
– tá, tá bom. – ele virou pra frente.
Quando a gente chegou ao colégio eu fui direto à diretoria pra ver se tinha faixa e tals. E tinha. Ainda bem. Paula me ajudou fazer outro curativo por que o outro tava encharcado de sangue. Quando eu cheguei à sala já tinha começado.
– e por que chegou atrasada? – perguntou a professora de português.
– eu me machuquei e eu tava na diretoria fazendo outro curativo. – disse.
– sente-se logo antes que eu pense o contrario. – disse ela.
Passei pelas cadeiras e peguei uma que estava perto de Thiago. Pisei no pé dele.
– ai! – disse ele.
– o que foi senhor Thiago? – perguntou a professora.
– nada. – ele disse me encarando. Dei um sorrisinho maléfico pra ele.
Puxei a cadeira para perto da Karina e dá Juliane.
Intervalo.
– quer um molhinho pra ficar mais gostoso? – mostrei minha mão pra Andressa.
– não, não obrigado. – ela disse afastando a pizza dela na minha mão.
– é po, tá gostoso. – disse lambendo o meu dedo. – tem gosto de mostarda.
– credo. – disse William.
– é cara, eu vou lá pros cemitério chupar o sangue dos defuntos... Se é que ainda tem. – disse.
– pode apostar! Que não tem. – disse William.
– eu vou chegar lá fabrica da Friboi por que lá os sangues são daora. – disse.
– pera ae mina! – William me assusta.
– o que foi demônio? – perguntei.
– o sangue é Friboi? – perguntou ele.
Ele começou a gargalhar de rir.
– não teve graça. – disse.
– tu falando também não teve. – disse Andressa.
– vão tomar no cu então. – disse.
Fim do intervalo.
– silencio! Silencio! – Paula entrava na sala. – Eu estou passando em todas as salas do 2º ano para informar que haverá um passeio.
Todo mundo começou a gritar e a pular de felicidade.
– silencio! – Paula disse. Todos ficaram calados aos poucos. – e como são muitos alunos ficaram um professor pra ficar vigiando mais dois alunos de cada sala.
“As” e “os” queridinhos da sala logo começaram a fazer “eu! eu! eu!”. eu nunca só escolhida pra essas coisas e ainda mais vigiar um bando de perturbado mais ainda que eu não queria.
– Débora e Thiago. – Paula disse.
– O QUE? – dissemos juntos.
– por que num bota Karina aqui ó?! – perguntei.
– eu? – Karina perguntou.
– é tu mesmo! – disse.
– não! Serás tu e Thiago. Não sei por que vocês tem esta antipatia. – disse Paula.
– esta baixinha me espancou domingo! – disse ele.
– e esta criatura fez jorrar sangue da minha mão hoje! – disse.
A gente ficou se encarando. Era tipo uma guerra só que com os olhos.
– não interessa! – Paula disse. – serão vocês e pronto! Fim de história!
Sentei-me na cadeira puta de raiva. Por que caralhos Paula quer que eu fique do lado desse demônio da peste? Palavras não descreve o quão puta eu estou agora.
Uma semana depois. Dia da excursão.
Fale com o autor