Thrasher's Abattoir
1 This Day We Fight!
Notas iniciais
- mais que porra que esses pequenos estão fazendo?! – minha mãe gritava.
Ela abriu a porta.
- vocês estão escutando isso?! – ela parecia puta de raiva.
- estamos... né? – disse Andressa.
- vão lá agora, dizer pra esses diabinhos pararem com essa merda! EU TENHO QUE DORMIR SEUS FILHOS DE UMAS PUTAS — gritou minha mãe.
Minha mãe tava reclamando do barulho de guitarra e bateria. E de vez em quando alguém cantando. É tava daora o som. Eu e Andressa estávamos curtindo, até por que a gente gosta e tals. Levantamos-nos e saímos do quarto. Deixamos o portão um pouco aberto até por que a gente ia pra na casa ao lado.
Batemos na porta.
- se for evangélico Thiago pode despachar! – disse alguém de dentro da casa.
Um cara com uma guitarra abriu a porta.
- que foi? – o cara disse.
- dá pra baixar o som? – perguntei.
- dá. – disse ele.- só?
- é- eu mal tinha falado ele fechou a porta.
Eu e Andressa nos olhamos com uma cara de “filho da puta esse cara né?”. Voltamos pra casa. Eu e Andressa fomos para a cozinha, para almoçar.
- vocês foram lá? – perguntou minha mãe.
- fomos eles disseram que iriam abaixar. – Andressa enchia a boca com a comida.
- então vão lá de novo por que ainda tá alto! – disse minha mãe.
Na terceira vez que a gente foi.
- o que é pequena?!?!?! – disse o mino.
- abaixa essas merdas ai o caralho! – disse.
- mina te acalma. – disse Andressa.
- eu não vou abaixar nada o diabo! – ele disse.
- não vai é?! – perguntei.
- não! – ele disse.
Empurrei-o pra trás e entrei na casa dele. Entrei na sala e lá mais o outro pequeno que tava na bateria. Abaixei a porra do amplificador.
- se vocês aumentarem essa porra eu volto e bato nos dois seus filhos de uma puta! – gritei.
O garoto me olhou com os olhos arregalados. Sai da sala.
- sai da minha casa o projeto de satã! – o pequeno disse.
- e isso vale pra ti também, se aumentarem a porra desse amplificador eu venho aqui só pra te bater seu desgraçado.
- se eu aumentar vai fazer o que o baixinha? – o pequeno disse.
- iiiih fudeu... – disse Andressa.
Virei-me, e respirei fundo.
- o que tu disse? – perguntei.
- baixinha. – ele disse.
Controlei-me. Ri um pouco nervoso.
- e digo de novo, baixinha. – ele ria.
- mina vamo embora. – Andressa me puxa pelo braço.
A mão de Andressa escorrega do meu braço e eu pulo em cima da porra daquele desgraçado o fazendo cair pra trás.
- O QUE TU DISSE SEU FILHO DUMA PUTA? – eu o chutava com força.
- ba...i...xinha... – ele dizia se contorcendo no chão com os meus chutes.
Eu fiquei com mais raiva ainda e chutei bem no meio das pernas dele. Ele soltou quase um gutural de dor véi. Sentei em cima da barriga dele e segurei com força o cabelo grande dele.
- retira o que o disse! – dei um tapa na cara dele.
- não! – ele disse. Puxei mais o cabelo dele.
- retira o que tu disse! – dei outro tapa na cara dele.
- eu retiro! Eu retiro! – ele disse.
O pequeno que tava na bateria veio desesperado me tirando de cima dele.
- me solta o desgraçado! Se não eu bato em ti também! – ameacei o garoto que me soltou logo.
- se vocês aumentarem essa porra de novo eu vou bater em vocês com matraca seus porra! – disse.
Off.
Obs.: matraca é um instrumento feito de madeira, que é usado no bumba-meu-boi, que é uma dança cultural do maranhão. Variam muito de tamanho, umas são do tamanho da mão outras são quase do tamanho do braço.
On.
Entramos na minha casa e voltamos para a cozinha. Eu estava tremendo de raiva. Andressa botou um copo com água pra mim beber.
- cara coitado do pequeno. – disse Andressa.
- coitado o escambal! – disse.
- o pequeno num vai mais ter filho do jeito que tu bateu nele. – disse Andressa.
- e eu to me importando por algum acaso? – disse.
- mesmo assim, cara... Já dava para nos pegar eles depois. – disse Andressa.
-o aqui que eu vou pegar aquele pequeno ignorante. – disse.
- mais o outro era bonito. – disse Andressa. – tu sabe que escola ele estuda?
- NÃO O DIABO! – bati o copo de vidro na mesa só de raiva. O copo quebrou em vários pedaços e eu dei um grito por que entrou na minha mão.
- AH MEU DEUS! – Andressa se desesperou.
Começou a jorrar sangue da minha mão. Minha mãe apareceu n cozinha desesperada.
- O QUE FOI?! – ela perguntou.
- AAAAI! – gritei. – TÁ DOENDO! TÁ DOENDO! TÁ DOENDO!
- O QUE? – ela perguntou.
- MINHA MÃO O VÉIA! – ela bateu na minha cabeça com força.
- Veia é a tua bunda! – ele segurou minha mão.
Ela saiu da cozinha. A minha mãe ela trabalha em hospital, e tipo, ela manja dos paranauê. Quando ela voltou foi com umas pinças e umas bagaças e tals. Na palma da minha mão tinha um vidro enorme que tava doendo pra porra.
Dia seguinte.
- o que foi isso na tua mão? – perguntou Karina.
- eu me machuquei e tals... – disse.
- como? – perguntou ela.
- com o copo... tinha quebrado... na minha mão saca? – eu olhava pros lados com uma cara de "porra como eu digo?".
- cara, como assim? – perguntou ela.
- deixa pra lá. – disse.
Juliane pegou minha mão esquerda – era a que tava enfaixada – e ficou vendo.
- pera ae mina, tem um ai que foi fundão sio. – disse.
- qual? – perguntou ela.
- o da palma da mão. – disse.
- tu pode tirar? Por favorzinho? – ela fez uma cara estranha e um sorriso assustador.
- hããã... err... pode. – eu estreitei meus olhos encarando ela.
- que daora. – ela tirava o esparadrapo que prendia a faixa.
- pera ae mina, deixa que eu tiro por que se não vai ser foda pá mim. – disse.
Tirei o esparadrapo de vagar e desenrolei a minha mão. Tava cheia de curativos e esparadrapos e tals.
- cara isso foi um desastre da porra... – disse Karina.
- é po, foi. – disse.
- pode ver esse aqui do meio? – perguntou Juliane.
- pode, ontem tava pior. – disse.
Tirei uma banda do esparadrapo que prendia a gases e mostrei pra ela.
- a minha prima tava dizendo que era uma segunda boca e tals.. – disse.
- credo, foi muito grande então. – disse Karina, em quanto eu cobria de novo minha “boca”.
- alunos, esse é o novo integrante da sala de vocês o Thiago. Ele foi transferido pra cá, e vocês serão os amiguinhos dele e eu quero que mostrem a escola com ele tá beleza.
Eu enrolava de novo a minha mão quando a diretora da escola apareceu na sala junto com o pequeno que era meu vizinho.
- hey vocês três! O que estavam conversando? – a diretora olha pra gente. A sala todinha olha em seguida. – o que de tão interessante, vocês estavam falando?
- não é nada, é que eu me machuquei ai elas queriam saber como tava e tals... – disse.
- então que tal você mostrar a escola ao aluno? – disse a diretora com ar de riso.
- como assim?! – perguntei.
- menos cinco pontos de comportamento em sala de aula se não fizer. – disse ela. Levantei-me. Quando eu ia dizer ela me interrompe. – menos cinco pontos em todas as suas provas se ainda falar alguma coisa e se não fizer ficará de recuperação.
Sentei-me na cadeira de novo.
- só por que está fazendo cara feia ele vai sentar do seu lado. – disse ela. Eu olhei pra ela com uma cara de “o que?”
- o que?! – ele perguntou. – não, eu que não vou sentar do lado dessa doida.
- por que não? – perguntou a diretora.
- por que não. – disse ele.
Ela me olhou e olhou para ele.
- decida-se você. – ela ia para porta da sala. – e Débora se não fizer isso eu irei tirar realmente os cinco pontos de TODAS as matérias.
- que merda. – disse baixo.
- o que? – ela perguntou. Como porras ela escutou?
- Naada. – disse.
Ela saiu da sala e em seguida entrou o professor de biologia. Eu estava puta de raiva. Eu já tava fudida com as minhas notas e ainda se tirarem cinco pontos fudeu ainda mais. E eu teria que mostrar essa porra de escola para esse infeliz. Ele não poderia conhecer sozinho? É tão difícil? Na verdade é. Essa escola é muito grande, e ainda fora o segundo andar e tals...
Intervalo.
- cadê? Já mostrou a escola para o garoto Débora? – a diretora – Paula – ela me conhece muito bem por que eu já fui muito na diretoria e tals...
- ainda não... – disse.
- quer que eu tire teus pontos agora? – perguntou ela.
- ah então diz para aquela peste sair daquela sala que ele não quer sair. – disse.
Ela me encarou um pouco e fez sinal pra me seguir ela. Fomos andando até a minha sala. A criatura tava na ultima cadeira do meio com a cabeça encostada na parede escutando musica.
- rapaz. – Paula tira um lado do fone de ouvido que tava altíssimo.
- hã? Oi? – ele abre os olhos.
- você vai acompanhar a senhorita aqui, que ela vai lhe mostrar a escola. – disse Paula.
- pra que? Eu me viro. – disse ele.
- se não for agora eu botarei os dois com zero em comportamento. – disse ela.
- os dois?! Ele disse que se vira, é por que ele consegue ora! – disse. Paula me olhou seria.
- se não se levantar estará se suspensão logo no começo das suas aulas. – disse.
- que droga... – ele coloca o fone de ouvido de novo e se levanta.
- ótimo. – disse ela.
Saímos da sala. Fui mostrando toda a porra dessa escola. As salas, as gangues que tem na escola. É aqui tem, aqui parece muito mais a cracolandia do que a própria cracolandia. Mais só que não é crack é LSD, cannabis, “bala”, bebida nem se falar. Mostrei a porra da escola toda, resumindo.
Eu sinceramente não estava aguentando ter que andar do lado dessa... Dessa... Dessa pessoa. Meu santo Odin! Foram os 20 minutos mais chatos de toda a minha vida. Na hora de entrar na sala a gente ficou disputando quem ia entrar primeiro.
- sai. – o empurrei e entrei na sala.
- pequena doida. – disse ele.
Saída.
Andressa mais o pequeno – que só depois de muito matutar me lembrei – que tava na bateria ontem estavam conversando na praça que tem em frente a escola.
- tá, vamos embora? – perguntei pra ela.
- vamo esperar ele. – Andressa apontava para o pequeno.
- tá esperando quem? – perguntei.
- Thiago. – disse ele meio que olhando para baixo.
Só deve ser a porra daquele demônio.
- tá tchau. – disse.
- tá indo pra onde? – perguntou Andressa.
- compra camisa nova, podem ir sem mim. – eu não quero ficar perto dessa merda não, já basta que ele mora do meu lado.
Fui andando a uma loja que ficava na Rua do Passeio. Comprei uma camisa do Darkthrone e do Venom por que as minhas já estavam muitas velhas. Parei pra comer alguma coisa e quando me dei conta já era muito tarde foi ai que eu voltei pra casa.
Quando eu cheguei minha mãe não tava em casa – como disse, ela trabalha em um hospital tem vezes que ela trabalha a noite e tals – e Andressa tava saindo da casa do pequeno.
- tu comprou o que? – perguntou ela.
- umas camisas do venom e do darkthroune e pá. – disse.
- eu fiquei do lado de fora. – disse ela. Andressa ia dormir comigo por que eu ia ficar sozinha em casa e tals.
- É eu percebi. – disse meio rindo.
Eu e Andressa nos olhamos, ela quase só faltava falar, mais só não disse por que o garoto tava aqui.
- qual o teu nome mesmo? – perguntei.
- William. – disse o garoto.
- quer entrar na minha casa e tals? – perguntei. – pra bater um papo, tirar minha má impressão... Exceto para aquela criatura.
- tá falando de Thiago? Ele tá puto de raiva, “eu fui espancado por uma garota”. – ele deu uma gargalhada. – eu fico zoando dele ai ele fica mais puto ainda.
- hehe... – ri meio tipo sem graça. – Mais pois é, tá afim de entrar bater um papo, falar de musica e tals?
Notas finais
obrigado você que leu, e se gostou favorita ou sei lá manda um comentário criticando se tá boa ou não.
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