Thrasher's Abattoir
6 Alcohol
Notas iniciais
–CHEGUEI! – Lucas disse.
– AAAAI CARALHO! – me assustei. – O que tu faz aqui o demônio?
– eu estudo aqui. – disse ele.
– desde quando? – perguntei.
– desde sempre? – perguntou ele.
– não sei. – disse.
– tu num se lembra de mim não? – perguntou ele.
– não. – disse.
– no dia lá que tu tinha chegado na porta da escola, tava eu William e Andressa conversando. – ele disse.
– no dia que tu comprou as tuas camisa lol. – disse Andressa.
Ah é por isso que ele a conhece.
– ah tá, não tinha prestado atenção em ti. – disse.
– porra, obrigado. – disse ele. – pois é! Quem tá a fim de gazear as próximas aulas?
– eu to, por quê? – perguntou Thiago.
– eu tava falando com uma mina ali e tipo... Na casa dela tem bebida e tals... E ela disse que eu poderia chamar uns amigos meus pra ir pra lá? Então...
– eu posso ir? – perguntei.
– claro, nem é preciso perguntar. – disse Lucas se apoiando no meu ombro.
– ces querem ir? – perguntou Lucas pra William e Andressa.
– to de boa aqui. – disse Andressa.
– também. – disse William.
– ah então tá. – disse Lucas. – ces dois me esperam atrás da arquibancada daqui a cinco minutos com os treco de vocês.
– tá bom. – dissemos. Lucas foi andando-acho que pra sala dele.
Eu e Thiago fomos para a nossa. Pra num ficar muito suspeito eu fui primeiro e depois ele.
– por que tu demoro hein? – pergunto Lucas pra Thiago.
– foi por que uns pequenos ali me pararam sio. – disse ele.
– tá anda logo. – disse Lucas abaixando Thiago para ele passar no buraco do muro. Depois eu passei.
– tá pra onde a gente vai agora? – perguntei.
– agora nois vai andar. – disse Lucas.
Quando ele disse “andar” eu penei que não seria tanto. Ficava muito longe cara. É como se a a gente tivesse andando uns dois ou três km cara.
– ah... porra Lucas... quando tu disse.... ah... andar eu pensei que fosse... ah.. coisa rápida. – Thiago para pra respirar.
– eu também véi. – disse me encostando na parede.
– credo seus fracotes. – ele tocou a campainha da casa. – sedentários.
– vá se fuder com pau de índio que é bom quié o seu fi de quenga! – disse Thiago.
– é bom é Thiago? – perguntei.
– é. – disse ele. Comecei a rir. – não... pera, não foi isso que eu quis dizer.
– tá cara fica relax. – disse.
Uma pequena abre a porta.
– Lucas! – disse ela beijando ele.
Lucas ae pegando altas novinhas. Altas ppk. Hue.
– essa é a Débora e esse é o Thiago. – disse Lucas. – Essa é a Roberta.
– oi... Roberta. – Thiago tinha parado pra respirar. Sedentário. Pelo menos ele é mais que eu.
– oi e ae? – a cumprimentei com a mão.
– oi. – disse ela rindo.
A gente ficou conversando por bastante tempo. Quando fomos prestar atenção já estávamos meio bêbados, mais não muito.
– ai tipo, o guri saiu correndo de medo de mim. – disse Thiago.
– viu, você vai pro hell por causa das suas capirotice. – disse enchendo o meu copo de novo com a vodka e o suco de laranja.
– depois diz de mim né Lucas? — virei para olhar ele e Roberta – a bagaça ta é foda ai hein?
Lucas deu dedo pra gente.
– não precisa cara, pelo menos ainda não precisamos. – disse.
– noss cara, por que ces num vão logo pro quarto? – perguntou Thiago.
Lucas se levantou e levou a garota junto pegando uma a garrafa de whisky que já tava acabando.
– usem camisinha! – disse Thiago.
– se não tiver Lucas, tu pega aqueles saquinhos de suquinho cara, deve servir! – disse.
– Meu pau num entra porra! –ele disse.
Comecei a rir.
– noss cara, altas revelações. – virei pra Thiago. – o que foi?
– naada... – ele me olhava com o pensamento “quero comer o teu cu”.
– nada mesmo é? – perguntei.
Ele pulou para cima de mim se sentado na minha barriga.
– sai Thiago, caralho. – disse empurrando ele.
Ele me beijou. Um beijo mais alcoólico do mundo. Ele passava a mão por todo o meu corpo. O quadril dele tava colado no meu e já dava pra sentir um certo volume. Também! Ele se mexia tipo como se tivesse saca... enfiando... e tals.
A gente ficou desse jeito por bastante tempo. Eu tava meio com um pé atrás por que tipo eu ainda sou virgem e tals. Mais foda-se.
– tá vamo embo... uou. – disse Lucas.
Eu e Thiago nos sentamos no susto.
– to sabeeeeeeeeeendo... – Lucas e a garota olhavam a gente com aquela cara de “hmmmm vocês hein?”.
– cara, ces já afogaram o ganso? – perguntei.
– cara, que pergunta Débora. – disse Lucas.
– porra foi muito rápido. – disse, a Roberta começou a rir.
– e como foi. – Roberta disse baixo.
– tá todo mundo hoje tá contra mim, mais vamo embora já tá tarde.
[..]
Semanas depois. Dia do show.
O bar onde ia ter esse show deles era lá no bairro perto do centro — Lucas tinha se enganado, o show não era na feira que era perto da minha casa. Os garotos foram no carro do pai de Lucas mais tipo num tinha mais espaço e não deu para eu e Andressa irmos junto. A gente tinha que ir de busão. O problema é que a gente num sabia direito onde ficava. Lucas tinha explicado pra gente mais mesmo assim a gente ficou um pouco confusa.
– só deve ser aqui. – disse Andressa.
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