Thrasher's Abattoir
4 9.999 mil tretas
Notas iniciais
– hey vamo! – disse William na porta.
– rápido, Débora! – disse Andressa.
– pera ae! – eu colocava a jaqueta.
Trancamos a casa. Um carro esperava a gente. William empurrou a gente para dentro e fechou a porta.
– e ai Andressa? – perguntou o mino que tava dirigindo.
– E ai Lucas? – disse ela.
É eu to podi.
– Débora né? – perguntou ele. Concordei com a cabeça.
– Lucas. – o cara ajeitava o retrovisor e me olhou. – hey, e o bolo?
– cara, eu liguei pra ela e ela disse que já tava indo. – disse Thiago. Thiago falou?
– mais vai ser só ela? – perguntou Lucas.
– Não, Fernando tava chamando mais outras pra fazer um showzinho. – disse William.
Eu e Andressa nos olhamos.
Quando William falou “muito louca” ele não tava brincando.
A festa ia ser tipo num sitio. E esse tal primo de William curtia uns metal from hell do mal. Já tinha gente na casa. Eu, William, Andressa e Thiago, ficamos conversando e tals. Mais ou menos.
– ae cara, desculpa por aquele dia. – disse.
– pra uma garota, bate bem forte viu? – ele disse.
– fiquei com um pouco de raiva. – disse.
– er, as vezes eu sou um pouco irritante mesmo. – disse ele.
– meu brodi tá falando com Débora! Heeeeeee! – William disse.
– William, me dá esse copo! – Andressa ia atrás de William.
– esses dois viu? – Thiago disse.
– isso eu já sabia. – disse. a gente ficou olhando eles.
– eu não quero te beijar William sai seu cachaceiro! – disse Andressa.
– William é fraco assim é? – perguntei.
– mais ou menos. –disse ele. — é por que ele bebe pouco.
A gente ficou conversando lá durante varias horas. Estávamos começando a virar amigos. Bebemos, conversávamos e assistíamos William a vomitar as suas tripas. O que não é legal. Então deixamos Andressa cuidar dele.
– WAR WITHOUT END! – cantávamos.
Fomos batendo em um monte de gente dando empurrão chutando e fazendo o caralho a quatro. Aquela famosa roda né? Mais ai o som parou.
– Vamos parar um pouco com a quebradeira e relaxar um pouco com essa apresentaçãozinha marota para o nosso aniversariante. – disse Lucas segurando um microfone.
Um cara – que parecia mais um moleque mesmo – ria descontroladamente do lado de Lucas. Umas garotas com roupa de couro e tals iam aparecendo e fazendo umas coisas com as mãos e tals. Tipo globeleza sambando, que elas fazem aquelas coisa com o braço e tals.
Fizeram tipo uma um strip pra ele só que publico saca. As minas que tavam na festa ficaram tipo “óia essa piriguete ó? Tudo recalcada”. Eu meio que fui me saindo. Fui à mesa que tinha as bebidas e misturei vodka com suco de laranja. E fui bebendo.
– cara Débora me ajuda! – Andressa me puxava.
– calma caralho! – o copo quase caia da minha mão.
– eu acho que o William tá tendo uma overdose o caralho! – ela disse.
– o que? – perguntei.
Ela ia me puxando desesperada. Ela abriu uma porta. William tava vomitando e não tava conseguindo respirar direito.
– caralho o que a gente faz?! – ela perguntou.
– pera... – bebi o copo todinho e coloquei de lado. – deixa eu ver isso.
Ele não conseguia respirar, vomitava, e não conseguia falar direito.
– caralho... – disse. – vou chamar Thiago.
– tá rápido! – ela disse.
Eu sai correndo passando pelo monte de gente que tinha na casa procurando Thiago. Caralho onde tá essa peste?
– Thiago! Thiago seu filho da puta onde tu tá?! – eu andava no meio da gálera.
– ah o que foi? – perguntou ele bebendo.
– vem comigo agora! – puxei ele pelo braço.
Voltamos para o quarto.
– caralho o que foi? – perguntou ele cansado.
William vomitava mais.
– a gente tem que levar ele pro hospital agora cara! – disse Andressa.
– o que foi com ele? – perguntou Thiago.
– eu acho que é overdose! – Andressa disse.
– overdose? De que? – perguntou Thiago.
– num sei! – ela falou.
– caralho! – disse Thiago.
Ele carregou William.
– vão procurando Lucas! Vou levar ele lá pra fora! – ele disse.
Eu e Andressa saímos do quarto e fomos procurando Lucas pela festa, feito duas retardadas.
– Lucas! – disse. – Lucas! Lucas! Lucas!
Achei ele sentando num sofá beijando uma mina lá.
– hã, o que foi? – perguntou ele.
– cara, o Will tá passando muito mau! – disse Andressa.
Will? Tá é foda a bagaça de vocês hein?
– William? O que foi com ele? – perguntou Lucas.
– cara parece que é overdose! Tem que levar ele pro hospital!
– caralho! Vum borá! – disse ele.
– hey mo vá não! – a garota disse.
– depois eu volto! – ele disse.
Ele pegou o carro e Thiago o colocou William lá dentro. Estávamos todos desesperados. Lucas dirigia o mais rápido que podia – respeitando mais ou menos as leis de transito.
– rápido! leva ele lá pra dentro! – Lucas disse.
– tá, tá! – disse Thiago.
Entramos dentro do hospital. Falamos lá com uma enfermeira e ela chamou uma maca.
– fiquem calmos! Tudo ficará bem! Faremos o máximo possível! – a enfermeira disse.
E levaram o William.
– caralho. – Andressa me abraçava.
– calma cara, vai dar tudo certo. Tem que dar certo pelo amor de tudo quanto é diacho. – disse.
Passamos horas sentados. Andressa ficou acorda em todo o momento. Eu tinha cochilado umas três vezes eu acho.
– Ele já tá melhor. – a enfermeira disse.
– ah que bom! – disse Andressa.
– ele tá um pouco lento, mais tá entendendo. – disse a enfermeira.
– a gente pode visitar ele? – perguntou Thiago.
– sim, mais façam silencio. – disse ela.
Ela fez sinal pra que a seguisse. Ela entrou numa sala que havia vários outros pacientes. William era um dos últimos na sala.
– silencio. – a enfermeira repetiu.
A gente chegou mais perto de William e ficamos todos em volta dele.
– Thiago meu brodi... – William disse.
– filho da puta, me dando susto. – disse Thiago.
– imagine eu? – disse Andressa.
– Dêssa... – ele disse.
– caralho, a gente perdeu a festa todinha. – disse Lucas olhando pro celular.
– desculpa ae mano... – disse William.
– que desculpa o que? eu perdi as putaria sio! – disse Lucas.
– shhhhhhhhhhhhhhhhh. – eu, Andressa e Thiago, fizemos.
– fala baixo ae o fi de quenga. – disse Thiago.
– fi de quenga é tu, seu fi de quenga. – disse.
– tá, a gente estar num hospital galera. – disse.
Dia seguinte. No mesmo dia. Horas mais tarde. Ah tanto faz.
– eu to morrendo de sono. – disse bocejando.
– dormi em cadeira é foda viu? – disse Lucas se apoiando no meu ombro.
– e eu reclamando da cadeira lá da escola. – disse Thiago.
–tá parem de reclamar. – disse Andressa.
– Lucas deixa a gente lá em casa? – perguntou Thiago.
–sim, sim... – Lucas disse. Andamos até o carro dele – na verdade não é dele, é do pai dele, ele nem tem idade pra dirigir – e colocamos William lá dentro. Ele parecia que ainda tava dormindo sei lá.
Tínhamos passado à noite no hospital – não, passaram não – a enfermeira tinha dito que ele ia passar a noite pra tomar um soro e tals por que ele tinha vomitado de mais. E também quando a gente foi visitar ele, já era mais das quatro horas então decidimos esperar mesmo. Conversei com esse tals de Lucas. Ele é daora. Ele é zika saca? Conversei também com Thiago e parece que aquela coisa de antipatia tinha mudado.
Thiago tava praticamente babando no meu ombro enquanto eu tava babando no ombro de Andressa que tava babando no vidro do carro.
– heey, acorda ces ae. – disse Lucas cutucando a gente.
– hã? O que foi? – me assustei
– caralho... – disse Thiago.
Ajudamos a tirar William do banco da frente. Eu e Andressa entramos em casa.
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