Thousand Eyes.
8 Freya.
Notas iniciais
Sala de interrogatório — FBI.
Quando a porta se abriu e ele entrou, Freya exalou lentamente. De todas as pessoas que achou que veria, com certeza, ele não era uma delas. Será que tinha escutado toda sua conversa com aquela agente?
Ele ficou parado na porta, olhando para ela. Seu olhar passou por todo o seu rosto, reconhecendo-a. Freya começou a se sentir desconfortável.
—Posso me sentar? — ele perguntou. Freya se surpreendeu com a suavidade de sua voz. Ela concordou com a cabeça.
Bucky se sentou de frente para ela. Foi a vez de Freya prestar atenção nele, os cabelos compridos estavam presos em um coque baixo e ele tinha a barba por fazer, seus olhos azuis tempestuosos a fitavam, mas, não havia a frieza do Soldado Invernal. Apenas preocupação, talvez receio?
—Freya… — ele começou e depois se calo. Era a primeira vez que ela escutava seu nome na boca dele. Sentiu o coração acelerar, mas, ficou em silencio.
—E-eu me lembro de você. — ele afirmou. Aquilo a pegou de surpresa. Freya nunca se esqueceu dele, de tudo que passou, mas, não achava que ele se lembraria dela, não depois de tudo que a HYDRA havia feito na mente dele.
—Você lembra? — ela perguntou. A voz baixa. Bucky concordou — Do que você se lembra?
—Fragmentos. Lembro de te levar para Zola em alguns momentos. Lembro que você tinha que trabalhar para ele. Lembro de você chorar, as vezes. Lembro que você costumava cantar em sua cela…
Freya apenas olhou para Bucky, seu coração acelerado. Memórias que ela vinha tentando afastar, voltando. Lutou contra as lagrimas que sabia que viriam.
—Me desculpe. — Ele disse sem tirar os olhos dos dela — Me desculpe por ter passada por tudo isso.
—Não quero falar sobre isso. — ela o cortou, sua voz tremeu. Ela não ia chorar.
—Desculpe. — Bucky pediu.
—O que você quer de mim? — Freya perguntou, se dando conta da agressividade em sua voz. Ele pareceu pego de surpresa por seu tom de voz.
—Quero te ajudar. — ele disse por fim — Sei que você não se sente segura aqui, mas, está.
Freya desviou o olhar e olhou para o grande vidro. E para quem quer que estivesse assistindo a conversa deles. Quando ela tinha ficado tão lenta? Com certeza tinham mandado ele ali para que ela abrisse a boca.
—Você não pode me ajudar. — ela retrucou — Eu não devia ter ido ao teatro, mas, não fiz nada de errado então, não se preocupe.
Bucky franziu a testa.
Alguém bateu na porta e ele olhou para Freya. Ela desviou o olhar. Bateram na porta novamente.
—Eu sinto muito pelo que fizeram com você também.
Freya falou sem pensar quando ele já estava abrindo a porta. Bucky lhe lançou um olhar triste e assentiu, depois saiu da sala e fechou a porta.
Freya conteve as lagrimas e cerrou os punhos para que suas mãos parassem de tremer.
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ANTES
Sibéria — 2010.
Ela estava cansada, sua cabeça parecia um turbilhão. Não se lembrava da ultima vez que havia dormido. Se lembrava de ter trabalhado por dias, mas, não que exatamente sua mente confusa não conseguia mais se fixar.
—Soldado? — ela ouviu a voz de Kampmann dizer para ele. Desde que havia chegado na Sibéria havia descoberto que era ali que ele ficava. Congelado na maior parte do tempo, só acordado quando seus serviços eram necessários.
—Senhor? — ele respondeu.
—Leve-a de vola a cela. — Kampmann comandou.
—Sim, senhor. — ele respondeu.
Ela sentiu quando ele a fez se levantar da cadeira, seu toque mais suave do que esperava. Ela tentou andar, mas, suas pernas resistiram. Ele colocou os braços dela em volta de seu pescoço e a pegou pelas pernas.
As mãos dele eram gentis, o braço de metal segurando a parte de trás de seus joelhos. Ela estava tão cansada que não reagiu, apoiando a cabeça em seu ombro.
Ele a carregou até sua cela e a deitou em sua cama. Ela achou que era o cansaço falando mais alto, mas, sentiu a mão humana dele lhe tocar o rosto antes de sair e trancar a porta da cela com um olhar preocupado.
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