Thousand Eyes.
9 Bucky.
Notas iniciais
Sala de observação — FBI.
—Parabéns por ter piorados as coisas, Barnes! — Tony exclamou quando ele entrou — Ela se fechou completamente agora.
Bucky não respondeu. Olhou para Freya do outro lado do vidro. Viu que seu corpo tremia e que seus olhos estavam marejados. Como se soubesse que estava sendo observada, ela virou o rosto para o outro lado.
—O que vai acontecer com ela agora? — Steve perguntou olhando preocupado para Bucky.
—Nós vamos mante-la aqui. — Sharon falou — Vamos fazer a avaliação psiquiátrica e ver o que fazer depois.
—Eu quero estar aqui para a avaliação. — Bucky disse ainda olhando para Freya.
—Você não vai ficar aqui. — retrucou Tony.
—Você não manda em mim! — Bucky retrucou olhando para Stark.
—Não, mas, a Sharon manda aqui e chegamos a conclusão de que é melhor você não se meter.
Bucky olhou para Sharon.
—É melhor você não se envolver por enquanto, Barnes. — ela falou.
—Nós ja achamos, cara. — Steve falou — Agora deixe que o FBI cuide disso.
—Mas, se a HYDRA está atras dela, então ela precisa de proteção. — ele contrapôs, sentindo que perdia o argumento.
—E a HYDRA pode te controlar. Como você vai protegê-la sendo o Soldado Invernal? — Natasha deu o golpe final.
Ele apenas olhou para os outros, pensando no que dizer.
—Não se preocupe, Barnes. Eu vou ficar aqui e esperar a avaliação psiquiátrica. — Tony falou em um tom mais gentil do que antes — Agora é melhor você voltar para a torre.
Derrotado, Bucky concordou com a cabeça.
—Mas, eu quero saber o que acontece. — ele disse.
—F.R.I.D.A.Y vai te mandar um relatório quando acabar. — disse Tony.
—Obrigado.
—Vamos cara. — Steve falou e o conduziu para fora da sala de observação. Ele deu uma ultima olhada em Freya e o acompanhou.
**************
Visão esperava por eles quando chegaram a torre.
—Vocês tem uma missão. — ele falou quando viu Bucky e Steve.
—O que é? — Steve perguntou.
—Outra base da HYDRA, dessa vez em Montreal. — Visão respondeu.
—Outra? Quem informou?
—FBI. Disseram que uma fonte anonima localizou o que parece ser uma base da HYDRA em um armazém aparentemente abandonado na área industrial, próximo ao rio.
—Certo, eu vou. — Bucky disse.
—Vamos nós dois. — Steve corrigiu — Você vai também, Visão?
Ele pareceu desconcertado.
—Na verdade, eu pretendia preparar o café para Wanda.
Steve e Bucky trocaram um olhar.
—Certo, — Steve disse com um ar de riso — E onde está o Sam?
—Saiu para correr. — Visão respondeu.
—Então vamos nós dois. — Bucky falou disse ao amigo — Como nos velhos tempos.
—Tudo bem. — Steve concordou — F.R.I.D.A.Y, me mande as coordenadas da tal base, infravermelho e tudo o mais.
—Já foi tudo enviado para seu celular, Capitão. — a voz da IA responde respondeu. Bucky sempre estranhava quando ela falava de lugar nenhum.
—Então vamos nos trocar e vamos.
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Bucky estava aliviado por aquela missão ter aparecido, mesmo sendo sobre a HYDRA em um período tão curto de tempo. Pelo menos, ele poderia distrair a cabeça e pensar em qualquer coisa que não fosse seus pesadelos ou Freya.
Toda a curta conversa na sala de interrogatório não saia de sua cabeça. A expressão dela quando ele entrou ou como ela ficou nervosa quando ele começou a se desculpar pelo que fez.
Não queria assustá-la. Ele só sentia uma conexão com ela. Uma conexão que não conseguia explicar. Talvez fosse porque ela era um ponto de calmaria em sua mete confusa, a única que não lhe fez mau. Talvez, aquele sonho não tenha sido sua mente lhe pregando peças, mas, sim uma memória real. E se ele a tivesse mesmo a machucado? O que ele faria então? Ele estragou a vida dela…
Mas, ele disse a si mesmo, se a machucou mesmo porque ela teria dito aquilo antes de ele sair Sobre sentir muito sobre o que fizeram com ele…
—Bucky? — Steve chamou lhe acordando de seus pensamentos. Os dois estavam no quinjet que Steve havia acabado de colocar no piloto automático — Tudo bem ai?
—Huhum. — Bucky mentiu.
—Você pode falar comigo se quiser… — Steve insistiu.
Bucky olhou para ele.
—Eu só não sabia o que esperar… Não acredito ainda que a encontraram e que ela está tão... machucada. — ele falou — Eu causei isso.
—HYDRA causou isso. — Steve o corrigiu — Vocês dois foram vitimas deles, talvez de jeitos diferentes, mas, vitimas do mesmo jeito.
—Você não entende, Steve. A HYDRA pode ter causado isso, mas, causou com as minhas mãos. Me usou para causar isso. E… E seu eu a machuquei, então eu sou um monstro. Quero dizer, mais monstro do que antes… Ela era uma criança quando a levaram. Quando eu a levei. Como eu pude fazer isso, Steve?
—Você foi forçado a fazer isso, Bucky. — Steve falou com firmeza — Eles controlavam a sua mente. E você ouviu o que ela disse, que sente muito pelo que aconteceu com você.
Bucky olhou para as próprias mãos.
—O que você quer dizer com “se eu realmente a machuquei”?
Bucky olhou pela janela do quinjet.
—Tive um sonho confuso essa noite… Mas, é melhor deixar para lá.
Steve olhou para ele preocupado.
—Mas, então o que temos sobre a tal base? — Bucky mudou de assunto.
Steve pegou seu celular e abriu a planta do lugar.
—Essa é a primeira planta do lugar. Da para ver que não tem subsolo. — ele desligou a imagem para a direita e outra planta apareceu, essa mais funda — Essa planta foi a F.R.I.D.A.Y simulou depois de escanear o lugar. Pelo menos três andares para baixo da terra. O térreo parece abandonado. — Steve deslizou a imagem e agora fotos do local substituíram a planta. Bucky as analisou.
—O que o infravermelho mostra?
—Quatro guardas no térreo, pelo menos dois em cada andar.
—Então imobilizamos os guardas e revistamos o local.
—Isso e sem mortes. — Steve falou. Bucky fez força para não revirar os olhos. Ele não matava ninguém desde que deixara de se tornar o Soldado Invernal, mas, não era exatamente cuidadoso com o oponente nas lutas.
Eles aterrissaram alguns minutos depois o topo de um prédio ha algumas quadras da base e foram caminhando até lá. Bucky usava seu uniforme preto, o braço de metal de fora e todas as armas que podia carregar. Steve usava apenas seu uniforme clássico, capacete e escudo.
Os quatro guardas que ficavam no térreo foram contidos tão rápido que nem perceberam o que lhes acertou. Depois de amarrá-los e escondê-los, eles pegaram um de seus rádios e procuraram a saída para os níveis inferiores.
Steve pegou o celular e conferiu o infravermelho.
—Alguma coisa? — Bucky perguntou.
—Três guardas a direita — Steve falou — Quatro a esquerda.
Eles chegaram ao final da escada e trocaram um olhar. Bucky foi pela esquerda e Steve foi pela direita.
Bucky imobilizou o primeiro guarda e apertou-lhe o pescoço com a mão de metal, até ele apagar, então o deixou no chão e continuou andando.
O segundo guarda o viu se aproximar e atirou, Bucky se protegeu das balas com o braço de metal e deu um soco no guarda, ele revidou tentando acertar Bucky no estomago, mas, Bucky o segurou, torcendo seu braço. O homem gritou atraindo a atenção do outro guarda, que correram para ele. Bucky jogou o corpo do guarda que gritava em cima do outro, fazendo-o bater com a cabeça na parede. A luta havia acabado em questão de segundos.
—Limpo. — ele disse a Steve pelo comunicador que tinha na orelha.
—Aqui também. — Steve respondeu — É melhor conferirmos essas portas.
O corredor estava mau iluminado, mas, ele viu duas portas no seu lado do corredor.
—Você está pegando alguma coisa no infravermelho? — ele perguntou a Steve.
—Não, mas, é melhor conferir. — Steve respondeu — Você se lembra desse lugar?
—Não. Acho que nunca estive aqui.
Ele tentou a primeira porta, mas, estava trancada. Ele tomou distancia e a chutou, a porta se abriu no segundo chute, mas, a sala estava vazia.
—Tem certeza de que aqui é uma base da HYDRA? — Bucky perguntou depois de tentar a segunda porta e ver que a sala estava vazia também.
—Foi o que o FBI nos passou. — Steve respondeu — Você achou alguma coisa?
—Não. E você?
—Também nada.
—Então vamos descer, ainda temos dois andares para conferir.
—Certo.
Os dois se encontraram na frente da escada e desceram até o andar seguinte. O comunicador que eles havia pegado dos guardas do térreo apitou, e uma voz avisou que eles tinham companhia.
Dessa vez, Steve e Bucky lutaram juntos com uma duzia de guardas que havia os cercado. Steve os acertava com o escudo, fazendo os tiros ricochetearem e furarem as paredes. Bucky batia e chutava, tentando não deixar danos demais, mas, usando a força necessária para derrubá-los.
—Base da HYDRA ou não, — falou Steve — com certeza tem alguma coisa acontecendo aqui.
Bucky concordou. Eles desviaram dos guardas desacordados e foram um para cada lado do corredor. Havia duas portas de cada lado. As duas estavam vazias.
Os dois desceram para o ultimo andar. O lugar estava deserto.
—Ou a gente acabou com todos os guardas, ou isso aqui é uma armadilha! — Bucky exclamou.
—Nada no infravermelho. Esse andar esta vazio. — Steve informou.
Bucky olhou em volta, desconfiado.
—Você vai pela direita e eu vou pela esquerda. — disse ele. Steve concordou e eles se separaram.
Havia apenas uma porta daquele lado do corredor. Bucky foi até ela com a arma em riste sentindo um arrepio involuntário. Ele tocou na fechadura e abriu, a porta estava destrancada.
Bucky sentiu um arrepiou ao entrar na sala. Era uma sala de controle como a do Teatro Montauk. Na parede ao fundo havia uma enorme bandeira da caveira vermelha da HYDRA.
—Steve, achei uma coisa. — ele disse.
—To indo. — Steve respondeu pelo comunicador.
Bucky entrou mais na sala e olhou em volta. O lugar estava cheio de poeira como se não fosse usado a anos. Em um canto estava o painel de controle e no outro diversos monitores. Mais ao fundo havia meia duzia de servidores, como os do teatro e em cima de um deles, um monitor.
Bucky se aproximou dos servidores e o monitor ligou. Os olhos de Zola o fitaram.
—Sargento Barnes, — a voz disse. A cabeça de Bucky explodiu de dor — eu sei que a encontrou.
As luzes piscaram. Bucky pode ouvir a risada de Zola enquanto o monitor se apagava. O rosto de Freya veio a sua mente, mas, a dor em sua cabeça foi exorbitante.
Ele caiu gritando. Escutou Steve chamar seu nome, mas, tudo ficou escuro.
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ANTES
Sibéria — 2011.
Ele estava parado no canto da sala mais uma vez. Podia ouvir Zola e Kampmann dando ordens a ela.
—Não, por favor, não! — ela pedia — Eu faço tudo você me pede…
—Então faça mais isso! — Kampmann exclamou, a voz carregada de ódio.
—Por favor, — a voz dela era desesperada — não isso! É-É um hospital… Por favor, Zola…
—O algorítimo precisa ser atualizado. Você precisa fazer isso. — Zola disse.
Ela começou a chorar.
—Não! Eu faço isso para você há tanto tempo, s-sei que existe outro jeito…
Ele viu a mão de Kampmann acertar o rosto dela e cerrou os punhos. Ela caiu no chão.
—Sua putinha teimosa! — ele gritou com ela — Faça! Agora!
Ela ficou choramingando no chão.
—Soldado? — Kampmann chamou. Ele foi até lá.
—Se você não fizer, — Kampmann disse para ela — eu vou matá-lo.
Ela olhou aterrorizada de um para outro, o nariz sangrando.
Ele sentiu o cano frio da arma em sua cabeça.
—Faça. — repetiu Kampmann e engatilhou a arma. Ele não reagiu.
Ela se sentou e olhou para ele, depois para Kampmann.
—Eu faço! Deixe ele ir e eu faço!
Kampmann sorriu, tirando a arma da cabeça dele.
—Então comece logo. E você pode retornar ao seu posto, Soldado.
E ele obedeceu, como bom soldado que era.
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