Thousand Eyes.
30 Freya.
Notas iniciais
Base HYDRA — Rússia.
A mente de Freya estava em chamas, ela não conseguia pensar direito. Centenas de memórias voltavam a ela agora. Freya fazendo canos de água estourarem, fazendo homens sufocarem apenas por desejar que eles morressem, fazendo o chão tremer e cabos de energia explodirem.
Ela tentou controlar a respiração e deixou aquelas memórias tomarem conta. Então se lembrou de outras coisas. Um pingente de caveira que havia encontrado nas coisas da mãe quando criança, visitas inexplicadas a neurologistas, momentos enquanto prisioneira da HYDRA em que ela simplesmente sabia como usar o sistema sem ninguém ter lhe explicado, como derrubava alvos como se aquilo fosse parte dela.
Freya tremia, colocou as mãos no chão, ela sentia a energia da terra como se a chamasse. Sentia a força da água que passava pelos canos enferrujados, a eletricidade dos cabos de energia, a palavra “inflamável” piscando em sua mente.
Alguém gritou por ela e ela sentiu o ar. Era uma sensação engraçada. Ela sentia o ar exalando dos pulmões de cada um deles naquela sala. Sentia o ar que os cercava.
Gritaram mais uma vez, dessa vez ela não distinguiu as palavras. Seu corpo tremulo com aquelas novas sensações, sua cabeça ainda dolorida tentando lhe lembrar que ela estava ali por algum motivo.
Mais gritos encheram a sala seguido do barulho de tiros. Aqueles sons eram insuportáveis. Ela só queria que parassem. Calem a boca!, ela pensou e foi como se o ar tivesse sido sugado ao seu redor.
Freya levantou a cabeça e olhou em volta para entender o que estava acontecendo. Eles estavam sufocando. Todos eles. Até mesmo Tony e Rhodes em suas armaduras de metal. Ela sentia o ar saindo de cada um deles sem retornar, impedindo-os de gritar. Tudo porque ela queria que eles calassem a boca.
Ela olhou para a mãe que estava caída, o rosto já ficando vermelho com a falta de ar. Por todos esses anos ela esteve viva e sabia, sempre soube o que ela viveu. Ela deixou que eles fizessem aquilo com ela. Ela queria que eles fizessem aquilo com a própria filha.
Freya se concentrou em sua mãe e viu que ela ficava roxa. O ódio que sentia se transformou em culpa. Aquela era sua mãe.
Ela olhou para Bucky, ele parecia preso entre tentar respirar e bater em Steve que também sufocava. Freya se deu conta de que estava matando todos eles. Sua mãe e todas aquelas pessoas que lhe acolheram e ela agora chamava de amigos. E Bucky. Estava matando Bucky.
Freya olhou então para Zola, seus olhos sem vida naquela tela de computador. Era culpa dele. Ele quem a tornou o que era, que roubou sua vida, que roubou Bucky e fez com que ele perdesse a si mesmo.
E Freya tinha ido até lá para destrui-lo. E era isso que ela iria fazer.
Ela se ergueu e focou na própria respiração, liberando o ar em volta. Freya se sentiu aliviada ao que ver que todos arquejavam por ar.
—M-me desculpem… — ela pediu.
—Você está bem? — Tony perguntou arfando e indo até ela.
—Estou… Eu sinto muito, não sabia de nada disso…
—Você pode se desculpar depois, agora temos dois problemas para resolver! — Tony respondeu indicando os dois extremos da sala. De um lado estava Zola e sua mãe que arquejava e do outro estava Bucky. Ela conhecia aqueles movimentos. Aquele olhar. Zola tinha despertado o Soldado Invernal.
Bucky lutava contra Steve, Rhodes e Visão. Ela sabia muito bem que Visão poderia ter usado seus poderes nele, mas, provavelmente não queria machucá-lo.
Wanda correu até ela, uma das mãos ainda no pescoço como se nunca fosse recuperar o ar que havia sido arrancado de seus pulmões.
—V-Voce consegue controlar os elementos!
—O que?
—Os elementos. Os quatro. Você consegue controlá-los!
Freya olhou para ela sem saber o que dizer. Então era isso que tinha feito?
Ela foi impedida de responder ao ouvir Bucky gritar. Rhodes havia lhe acertado um soco no estomago. Ela arquejou.
—O que fazemos agora? — Wanda perguntou — Estou tentando entrar na cabeça do Bucky, mas, Zola está impedindo de alguma maneira!
Freya olhou mais uma vez de Zola para Bucky. Então olhou para Tony.
—Você conectou o vírus? — ela perguntou a ele.
—Sim. Todos os servidores estão conectados. Mas, você ainda vai conseguir acessá-los?
Freya suspirou tomando uma decisão. Olhou para Tony e Wanda. Bucky gritou mais uma vez.
—Vou. Zola acha que nos enganou, mas, vou conseguir acessar seu código raiz. E também preciso que segurem Bucky mais um pouco.
Os dois trocaram um olhar e concordaram.
—E quanto a ela? — Wanda perguntou indicando a mãe de Freya que tentava se levantar do chão.
—Preciso que deixe-a desacordada, Wanda.
—Feito.
Enquanto Freya ia até o painel de controle, Wanda foi até Irene e tocou em sua cabeça levemente, a mulher caiu no sono.
Freya olhou rápido para o painel e começou a apertar botões e digitar comandos. A tela ao lado da de Zola acendeu e se encheu de códigos que Freya conhecia muito bem.
—Você não pode me parar. — Zola falou.
—Sério? Porque é exatamente isso que estou fazendo. — Freya respondeu sem tirar os olhos da tela. Ouvia os barulhos da briga ao fundo e rezou para que Bucky estivesse bem.
Freya continuou a digitar em busca do caminho que tinha acessado tantas vezes. Passou pelos códigos de todos os servidores conectados e funcionando. Se Freya tivesse morrido e Bucky matado a todos, a essas horas a HYDRA já estaria de pé novamente. Só que isso não vai acontecer, ela pensou encontrando o caminho que procurava.
Ali estava bem na sua frente, o código raiz de Zola, em formato de código binário.
—Barnes, mate-a! Agora! — Zola comandou. Ouviu Bucky gritar tentando se livrar dos outros e obedecer a nova ordem.
O corpo de Freya se arrepiou ao ouvir aquela ordem, mas, ela continuou digitando.
DESEJA MESMO EXCLUIR O SISTEMA? ESSA DECISÃO NÃO PODERÁ SER CANCELADA.
O sistema avisou.
Com certeza, Freya pensou e clicou em “SIM”.
INICIANDO LIMPEZA DO SISTEMA.
Ela sorriu, a tela onde o rosto de Zola estava começando a apagar então ouviu alguém gritar seu nome e uma mão lhe arrancou com força da cadeira e a jogou no chão. Era Bucky e iria matá-la.
Então Freya fez a primeira coisa que veio a cabeça e que era uma coisa muito estupida de se fazer quando esta prestes a ser morta.
Ela cantou.
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