Thousand Eyes.
26 Freya.
Notas iniciais
Teatro Montauk — Nova York.
Freya se sentou na calçada na frente da entrada do teatro Montauk, era tarde da noite e a rua estava vazia com exceção dos homens do FBI que vigiavam o local.
Era insensatez voltar aquele lugar, mas, sua cabeça, que doía fortemente, estava a mil. As lembranças da noite que escapou voltando.
Ela deixou o corpo de Kampmann atingir o chão com um baque surdo, pegou sua arma e saiu. Os guardas vinham em sua direção, gritando ordens e Freya atirou, sem saber exatamente em quem estava atirando. Era como se algo tivesse lhe possuído e ela atirava sem piedade. Apenas ódio em sua mente. Quando ficou sem balas, pegou a arma de um dos soldados caído e não parou de atirar até sair do prédio, murmurando aquela canção que havia lhe dado forças durante todos aqueles anos. “I’ll be the calm, I will be quiet. Striped to the bone, I’ll wait. No I’ll be a stone, I’ll be the hunter, tower that casts a shade”. E Freya saiu para a luz do dia. Sentindo o ar da cidade. Não sabia onde estava, que dia era ou para onde iria. Mas, não importava porque agora estava livre.
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—Freya? — chamaram e ela tirou os olhos da entrada do teatro e olhou para quem a chamou. Era Bucky — e estava acompanhado de Wanda e Natasha.
—O que vocês estão fazendo aqui? — ela perguntou surpresa.
—Sharon ligou e disse que você estava aqui. Estávamos te procurando ha horas. — Bucky esclareceu — Podemos sentar?
Freya concordou com a cabeça sem olhar para nenhum deles. Será que a prenderiam agora? Bucky se sentou do seu lado direito e Wanda e Natasha se sentaram do seu lado esquerdo.
Os quatro ficaram em silêncio. Era madrugada e Freya estava morrendo de frio, não sabia a quanto tempo estava sentada ali, mas, se sentia tão exausta que não pensou em ir para qualquer outro lugar. Claro que iriam encontrá-la, mas, talvez…. Ela quisesse ser encontrada?
—Freya… — Bucky falou seu nome mais uma vez. Ela gostava de ouvi-lo falar seu nome, mas, agora receava quais seriam suas próximas palavras — sobre o vídeo. Você não precisa ter medo do que eu penso de você, não mudou.
Ela olhou dele para Wanda.
—Você leu minha mente? — ela perguntou indignada e surpresa a Wanda.
—Li sim. — Wanda respondeu simplesmente — Estava preocupada que você fosse fazer algo precipitado.
—Eu matei um homem, Wanda. — Freya retrucou severa.
—Um homem que te escravizou, bateu e estuprou. — Natasha falou categórica — Que tipo de pessoa nós seriamos se te culpássemos por isso?
—Você contou a elas? — Freya perguntou indignada a Bucky.
—Ele não precisou. — Wanda respondeu antes de Bucky.
—Então você leu minha mente de novo?!
Wanda negou com a cabeça.
—Nós somos mulheres, Freya. A gente percebe. — A Feiticeira lhe lançou um olhar solidário.
—A gente percebe como você fica mais tensa quando esta só com os meninos e como você fica mais tranquila perto de nós e do Bucky. — Natasha esclareceu.
—Bucky nunca me machucou — Freya falou e sentiu a mão dele na sua levemente — Os outros guardas… E Kampmann… Eles me machucavam todas as noites desde que fui levada para a HYDRA. — ela olhou para Bucky — Quando você me salvou naquela noite, os guardas pararam, mas, não Kampmann. Ele nunca parou.
Pela primeira vez, Freya não chorou ao pensar nisso, apesar da imensa tristeza. Era como se saber a verdade sobre o que tinha acontecido tivesse lhe dado forças.
—Eu sinto muito mesmo. — Bucky falou e ela sabia que era verdade.
Ela concordou com a cabeça.
—Eu sei que sente. E eu agradeço muito a vocês por terem vindo me procurar, mas, isso não muda o fato de que eu matei uma pessoa e nem lembrava! E se eu for psicótica?!
—Você não é psicótica! — Bucky exclamou sério.
—Como é que você sabe? Essa não foi a única vez que aconteceu… No Brasil, quando me encontraram… Eram dois agentes da HYDRA, um deles ia na minha cela antes e… Bom, eu matei os dois. — ela contou finalmente, colocando seus maiores receios naquelas palavras.
—A gente sabe. — Bucky contou.
—Como é que é? Como vocês sabem??
—Acho que você esqueceu que eu sou uma espiã, né? — Natasha falou — Assim que você contou a doutora Sinclair que havia fugido do Brasil no dia anterior eu pesquisei e conectei os assassinatos a você. O FBI também sabe.
—E por que eu ainda não estou presa por isso, então? — Freya perguntou indignada.
—Pelo mesmo motivo que você não será presa pela morte de Kampmann. — Bucky falou — Legitima defesa.
—Mas…
—Você fez o que teve de fazer para sobreviver, Freya. Ninguém vai te culpar por isso. — Wanda falou séria.
Freya olhou para os três sem saber o que dizer. Tentou identificar algum tipo de desconfiança ou qualquer tipo de sentimento negativo no olhar deles, mas, não conseguiu. Os três pareciam se importar tanto com ela que ela não sabia como reagir.
—E… Eu fiz coisas horríveis, Freya. — Bucky falou — Por anos e anos. Eu nunca vou te julgar pelo que você fez.
Freya sorriu para Bucky e depois para Natasha e Wanda, sentindo os olhos ficarem marejados.
—Obrigado. — ela disse — Por tudo.
Ela secou os olhos. O céu começava a clarear com os primeiros raios do amanhecer.
—Não chora, senão eu vou chorar também! — Wanda riu, mas, Freya viu os olhos dela brilharem.
—Vocês são duas choronas! — Natasha riu.
—Vamos gente. — Bucky falou e se levantou e estendeu a mão para Freya — Vamos voltar para a torre e tomar café. Estou morrendo de fome.
Freya segurou a mão dele e se levantou também, sentindo algo que não sentia a muito tempo. Se sentia amada.
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