Thousand Eyes.
27 Bucky.
Notas iniciais
Torre dos Vingadores.
A manhã já avançava quando eles voltaram a torre, mas, os demais moradores ainda estavam acordados, esperando noticias de Freya para poderem ir dormir.
Eles entra na cozinha que cheirava a café e bacon, Freya segurando a mão de Bucky e todos olharam para ela.
—Fico feliz que tenha voltado kiddo, estava preocupado. — Tony falou em um tom quase paternal que Bucky só o via dispensar a Peter Parker.
—É, é bom ver que você esta bem. — Steve emendou.
—Obrigado mesmo, gente — Freya sorriu para eles — Por tudo.
Eles ficaram em um silêncio leve que foi interrompido por uma exclamação de Visão:
—Assumi que estariam com fome então preparei o café. Tem ovos, bacon e waffles.
—Obrigado, Vis! — Wanda agradeceu indo ate ele e dando um leve beijo em sua bochecha. Os outros se entreolharam.
—Obrigado, cara! Mas, não vou te beijar! — Bucky riu, indo se sentar a mesa.
Eles comeram em silencio e quando terminou, Bucky foi até seu quarto, tomou um banho e foi se deitar. Agora que estava de estomago cheio, o cansaço começava a tomar conta de si e ele não dormia a mais de um dia.
O sonho começou assim que ele pegou no sono. Era um laboratório na Sibéria, nunca se esqueceria daquela sala, era a em que ativavam o Soldado Invernal quando ele saia do gelo. Mas, agora ele observava enquanto Kampmann comandava cientistas e médicos enquanto esses trabalhavam em alguém deitado na mesa.
Era Freya.
Seus olhos estavam fechados, o corpo mais magro cheio de marcas e suor, uma expressão de dor no rosto. Usava apenas a regata e uma calcinha, seus braços e pernas atados aos cantos da mesa.
—Agora. — Kampmann comandou e um dos homens a sua volta lhe enjeitou algo enquanto outro digitava algo em um computador. O corpo de Freya se contorceu em um espasmo e ela abriu os olhos, mas, eles eram orbitas pretas…
Freya gritou um grito terrível de dor e o chão, as paredes e o teto começaram a tremer. Seu grito morrendo enquanto sangue saia de seu nariz. Ele gritou por ela, podia jurar que ela chamava seu nome enquanto Kampmann mandava pararem o experimento…
—Bucky! Bucky! Bucky, acorda por favor!
Ele abriu os olhos contendo um grito. A luz do sol entrava por uma fresta da janela e a porta estava aberta.
Freya estava de joelhos em cima da dama, olhando para ele assustada, os cabelos úmidos e de pijama.
—Bucky. — ela falou novamente.
Bucky suspirou aliviado.
—Freya. — ele falou aliviado, olhando em seus olhos castanhos. A lembrança das fendas negras ainda fresca em sua memória.
—Você teve um pesadelo. — ela afirmou — Estava indo dormir e te ouvi gritar…
—Não foi nada. — ele desconversou.
—Bucky, o que foi?
—Não se preocupe, Freya. Eu tenho esses sonhos o tempo todo.
Ela olhou para ele sem se convencer.
—Ta bom, vai.... Eu sonhei com a HYDRA, mas, dessa vez eles estavam fazendo experimentos em você. Você estava deitada em uma mesa, não sei o que estavam fazendo…
—Eles não faziam experimentos em mim, Bucky. — Freya falou enquanto ele se sentava.
—Mas, o sonho…
—Foi só um sonho. A única coisa que eles faziam comigo desse tipo era injetar alguma coisa, não sei o que, para me manter acordada por dias para poder trabalhar no algoritmo.
—Você tem certeza?
—Tenho sim, Bucky. Acho que eu lembraria se tivessem feito outros experimentos comigo…
Ele concordou um pouco mais calmo. Freya se levantou da cama.
—Espere. V-Você pode ficar aqui um pouco? — ele pediu surpreso com o próprio atrevimento — Se não for te deixar desconfortável, é claro…
Freya sorriu tímida.
—Não, tudo bem. Sem problemas…
Ela voltou para a cama e se deitou, um pouco incerta e bateu no espaço ao seu lado. Bucky se deitou, colocando a cabeça em seu peito, uma das mãos de Freya foi automaticamente para seus cabelos bagunçados e acariciou.
Bucky não se lembrava da ultima vez que havia dormido junto de alguém daquele jeito, mas, era bom. O cheio dela, o corpo encostado no seu, a respiração calma. Ele podia ouvir o coração dela batendo acelerado no começo, mas, mais tranquilo conforme ela se acostumava com aquele contato. Eles ficaram em silêncio até ela começar a murmurar aquela melodia que ele conhecia.
—Freya, — ele pediu, sua voz quase um sussurro — você pode cantar para mim?
Ela demorou um pouco para responder então ele a sentiu concordar com a cabeça. Então, ouviu sua voz doce alguns instantes depois:
—Undo this storm, undo this storm, undo this storm and wait*.
Ele se aproximou um pouco mais dela e passou o braço humano em volta de sua cintura, levemente.
—I can’t control withering wonders, flowers that lose their shape. I lie awake and watch it all, it feels like thousand eyes.
Bucky fechou os olhos. A voz de Freya, a voz que ele havia sonhado tanto vezes, preenchendo-lhe.
—I’ll be the calm, I will be quiet, stripped to the bone I’ll wait. No I’ll be a stone, I’ll be the hunter, tower that casts a shade. I lie awake and watch it all, it feels like thousand eyes. I lie awake and watch it all, it feels like thousand eyes. I lie awake and watch it all, it feels like thousand eyes.
E ouvindo a voz de Freya, Bucky finalmente conseguiu dormir.
********************
Nenhum dos dois comentou nada sobre o que havia acontecido e a atmosfera da torre já havia voltado ao clima agitado que antecipava a missão do dia seguinte.
Depois de ativados e conectados os servidores, eles começaram a planejar a estratégia que usariam na Rússia. Era a ultima parte do plano e depois do ocorrido na Islândia, eles sabiam que tudo poderia acontecer. Zola não se deixaria ser destruído assim tão fácil.
Bucky tentava não se deixar pelos anseios de Steve e Freya, de que não era uma boa ideia ele ir. Tinha que ir, tinha que ajudar Freya.
E ele estava melhor, não tinha entrado em modo Soldado Invernal em muito tempo, desde seu tratamento em Wakanda e confiava em T’Challa e em seus médicos, ia dar certo, mesmo que ele dissesse a si mesmo que o único motivo pelo qual não tinha entrado em modo Soldado Invernal fosse porque ninguém nunca mais tenha lhe dito as palavras necessárias para ativá-lo.
Então depois de muitas discussões, planejamento e organização, eles finalmente partiram para a Russia.
Tony aterrissou o quinjet entre algumas poucas arvores e eles se dirigiram a entrada da base. Havia um pequeno exército esperando por eles.
Pelo menos cem soldados, todos com a caveira da HYDRA no peito, cercavam a base.
—Eles com certeza estavam ansiosos para nos ver. — Sam comentou com ele.
Bucky colocou a metralhadora que carregava em riste, pronto para atirar. Além dela, carregava dois revolveres na cintura e duas facas, uma no bolso da calça e outra dentro da manga do casaco.
—Esperem o meu sinal. — Steve falou — Freya?
Freya estava entre Bucky e Wanda com um tablet na mão. Eles agora tinham acesso a todo o sistema da HYDRA e Freya iria desativar seu sistema de segurança.
Alguns segundos depois, uma onda de energia passou pela cerca elétrica que contornava a base. A cerca piscou e se apagou.
—Pronto. — Freya falou. Ela guardou o tablet no bolso e sacou um revolver, Natasha também estava lhe ensinando a atirar.
—Não se esqueçam: enquanto Bucky, Freya, Sam, Natasha e Tony entram na base nós acabamos com os guardas. — Steve lembrou — Mas, não façam nada até estarmos todos lá.
Os outros concordaram mais uma vez.
Bucky e Steve trocaram um olhar.
—Pronto amigo? — Steve perguntou.
—Pronto. — Bucky concordou.
Eles começaram a caminhar na direção da base. Assim que deram o primeiro passo, alguém atirou. A bala acertou a centímetros do pé de Bucky e ele atirou de volta, derrubando um dos guardas.
E então começou.
Uma chuva de balas caiu na direção deles. Wanda criou um campo magnético fazendo as balas ricochetearem. Visão voou até os guardas, quebrando suas armas sem esforço enquanto Sam, Rhodes e Tony voavam e atiravam do céu. Clint atirava flechas que causavam pequenas explosões. Natasha e Freya atiravam , a mira dela não era tão boa quanto a da Viúva Negra, mas, ela conseguia se virar. Steve lançava seu escudo a torto e a direito enquanto desviava dos tiros e lutava. E Bucky atirava sem parar, esvaziando sua arma e a recarregando rapidamente, aquela luta na neve lhe trazia lembrança do Comando Selvagem e de seu tempo no exército na Segunda Guerra.
Ele continuou atirando até estar perto do cerco, então começou a lutar, batendo, socando, chutando e derrubando quem estivesse no caminho. Sua visão era um borrão de armas, homens com a caveira no peito e os Vingadores. Em um momento estava cercado por meia duzia de soldados, lutando sem parar e no ouro estava ao lado de Steve, ou Wanda, ou Sam, lutando juntos. A cena era uma confusão de tiros, luta e neve. Bucky já não via mais o rosto dos homens que acertava.
—Vão para a porta! — Steve gritou pelo comunicador — Entrem!
Bucky olhou em volta a procura de Freya.
—Freya, cade você? — ele exclamou.
—Indo na sua direção! — Freya exclamou sem folego e apareceu correndo até ele, junto de Natasha.
—Vou derrubar a porta! — Tony exclamou pelo comunicador enquanto eles corriam até a entrada. Bucky o viu em sua armadura de Homem de Ferro flutuar mais ou menos na altura da porta e atirar. A porta explodiu, seus destroços voando para todos os lugares.
Mais guardam saíram de lá de dentro atirando contra eles. Sam voou para o lado de Tony e os dois começaram a luta na entrada da base. Bucky e as duas os alcançaram, se juntando a luta. Um guarda avançou para Freya tentando pegar o tablet que ela carregava e antes que Bucky pudesse intervir, ela já havia derrubado o homem no chão.
Ele derrubou mais alguns guardas e sentiu um choque percorrer seu corpo. Um dos guardas tinha uma arma de choque. Com o corpo ainda cheio de espasmos, ele quebrou o braço do guarda e o jogou contra outros dois que iam na direção de Sam.
—Valeu cara! — Sam exclamou.
—Não por isso! — Bucky respondeu, concentrado na luta.
Duas sombras ruivas passaram correndo por ele, uma maior e outra menos e ele viu que Freya e Natasha tinham conseguido entrar.
—Entramos. — Natasha falou pelo comunicador.
—Vão indo, nós a alcançamos! Cuidado, Freya! — Bucky exclamou de volta.
—Pode deixar. — Freya riu apesar de estar arfando.
—Menos, Barnes! — Natasha reclamou e ele revirou os olhos.
—Vão logo vocês duas! — Sam exclamou, tinha pegado um guarda pelas pernas e agora estava no ar, jogando-o longe.
Bucky derrubou mais um guarda e viu que a entrada estava quase vazia. A sua volta, a luta parecia estar acabando.
—Vou entrar, — ele falou — Natasha, Freya, onde vocês estão?
—Na escada. — Natasha respondeu — Freya está tentando se localizar.
Ele entrou, Sam e Tony em seu encalço. Sam recolheu as asas e Tony tirou o capacete. Eles correram até a escada e encontraram Freya e Natasha. Freya olhava algo no tablet.
—Segundo andar. — ela falou sem olhar para eles e começou a subir os degraus. Algo estava errado com ela, Bucky percebeu.
Bucky passou pelos outros e foi até ela, colocando a mão em seu braço levemente.
—Tudo bem? — ele perguntou.
Freya concordou com a cabeça, os olhos anuviados.
—Só quero acabar com isso logo. Não gosto de estar aqui.
Bucky concordou com a cabeça, olhando bem para ela.
—Já vai acabar. — ele falou com a voz baixa. Freya assentiu.
—Vamos. — ela disse e saiu na frente, liderando-os.
Bucky e os outros a acompanharam pelas escadas até o segundo andar. Freya parecia aérea, como se seus pés a tivessem levando sem que ela tivesse qualquer controle.
Eles pararam em frente a uma enorme porta de metal, que parecia familiar a Bucky. Freya se virou para eles.
—Você está com o vírus, Tony? — ela perguntou. Tony concordou — Certo, você conecta ele nos servidores enquanto eu inicio o sistema, quando o sistema estiver ativado e todos os servidores conectados, vou acessar o código raiz de Zola e destruí-lo.
—Certo. — eles concordaram. Freya digitou um código no pequeno teclado na lateral da porta e ela se abriu.
A sala era maior do que a sala de controle de Montauk ou da Islândia. Os servidores também eram maiores e ocupavam dois corredores inteiros. Tony foi para os servidores, enquanto Sam, Natasha e ele sacavam suas armas e entravam na sala que começava a se iluminar aos poucos.
Freya hesitou antes de acompanhá-los.
Diversas telas tomavam conta do centro da sala, em uma delas, o rosto de Zola olhava para eles com um sorriso satisfeito, só que não estava sozinho. Havia uma mulher de frente para Zola.
Bucky sentiu Freya atrás dele e olhou para ela, viu que seu rosto tinha uma expressão de medo e confusão.
A mulher se virou para eles lentamente, era de estatura mediana com cabelos avermelhados presos em um rabo de cavalo, usava um uniforme de comandante e tinha um sorriso sinistro no rosto. Mas, foram seus olhos que chamaram a atenção de Bucky, ela tinha olhos castanhos. Olhos iguais aos de Freya.
—Quem é você? — Natasha perguntou. A mulher não respondeu. Um silêncio carregado tomava conta da sala e eles podiam ouvir os passos de Tony entre os servidores.
Bucky viu Freya sair de trás dele e ficar de frente para a mulher. O sorriso dela se intensificou.
—Olá, querida. Estou tão orgulhosa de você. — a voz da mulher tinha um sotaque britânico forte.
Freya arquejou.
—Mãe?!
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