Notas iniciais
TW: Sangue, violência, menção de abuso sexual.

São Paulo, Brasil. Agora.

Freya Hatkins caminhou o mais rápido que pode sem tentar chamar atenção. Haviam lhe encontrado de novo.

Fazia dois anos que a HYDRA tinha sido descoberta e quase um ano que havia conseguido escapar. E parecia que ela sempre estava escapando desde então. Esse era o quinto país em que ela se escondia e o que havia conseguido ficar mais tempo. Cinco meses. Ela até havia aprendido português e feito uma amiga. O que ela não tinha ha anos.

Freya terminou de subir as escadas rolantes da estação de metro e saiu para o ar morno de primavera da rua. Os dois homens que a seguiam sempre alguns passos atras.

Ela precisava despistá-los por tempo o suficiente para voltar para casa, pegar sua mala que nunca foi completamente desfeita e comprar uma passagem de avião. Para onde ainda não sabia, mas, o Brasil não era mais seguro. Talvez a Austrália?

Ela saiu da avenida movimentada e entrou em uma rua de prédios que sabia levar ao parque. Lá, ela sabia que conseguiria perdê-los de vista.

Freya fingiu olhar para os dois lados da rua e viu que os homens conversavam entre si, olhando-lhe furtivamente. Ela até considerou a possibilidade de eles serem apenas tarados a procura de uma vitima, mas, ela conhecia aquela postura militar. O olhar vazio. Era a HYDRA.

Respirando fundo ela andou rápido até o parque e seguiu para um lugar que sabia estar vazio naquele horário. Perto da pista de cooper haviam várias arvores juntas. Se ela precisasse lutar, ali seria o lugar perfeito.

Os homens agora estavam próximos, sem disfarçar que era ela quem perseguiam. Freya colocou as mãos nos bolsos da calça. Uma faca e uma arma de choque pequena era tudo o que tinha.

—Pare! — um dos homens gritou em russo, mas, ela não parou. Freya correu e se embrenhou nas arvores.

—Não precisa se esconder, passarinha! — o outro homem falou, também em russo. Ela conhecia aquela voz. Seu corpo todo se arrepiou de medo e ódio. 8 anos. 8 anos ouvindo aquela voz — Por que não canta um pouco para nós? E eu prometo que não iremos te machucar. Zola sente sua falta.

Ela fechou os olhos e respirou fundo, parando atras de um grande carvalho. Ela sacou a faca e a arma de choque, eles estavam próximos agora. Não havia ninguém por perto.

—Acho que vou deixar passar. — ela falou quando eles a alcançaram. Freya pulou em cima de um dos homens e acertou seu rosto com a arma de choque, enquanto o outro homem tentava puxar seu outro braço. Ela movimentou a faca, mas, não conseguiu acertá-lo, tropeçando em um galho.

O homem riu e sacou a arma. Freya chutou sua perna e tentou se levantar, mas, o homem lhe puxou os cabelos ruivos cacheados e tentou lhe dar uma chave de braço. Freya pisou no seu pé com a maior força que conseguiu reunir e se soltou. Ela acertou a arma de choque nele também. O homem caiu no exato momento em que o outro se levantava. Freya ainda de costas, sentiu-o se aproximar e quando ele lhe tocou, ela perfurou seu abdômen com a faca.

Seu atacante lhe olhou horrorizado. Ela instintivamente tirou a faca de sua barriga e acertou-lhe novamente, agora no pescoço.

Freya gritou junto com ele. Ela tirou a faca de seu pescoço e o deixou cair no chão. Morrendo aos poucos. Ela se virou para o outro homem, caído no chão.

—Passarinha… — ele começou.

—Vá se foder! — ela exclamou e enfiou a faca no pescoço dele.

Quando ele finalmente morreu, Freya pegou sua arma de choque, a faca e o revolver que o homem havia tirado para ameaçá-la, Ela guardou a arma de choque no bolso da calça e o revolver dentro da calça. Depois correu, sem se preocupar em esconder os corpos. Ela precisava se livrar da faca e fugir.

Ela chegou na parte mais movimentada do parque e parou de correr, caminhando o mais tranquilamente que pode até o lago e jogando a faca la dentro. Depois ela deu meia volta e entrou no banheiro feminino. Estava vazio e ela lavou as mãos sujas de sangue. Suas roupas pretas e seu coturno estavam sem manchas aparentes, o que era uma sorte. Ela lavou o rosto suado e o secou com papel toalha que estava por ali,

Freya tentou acalmar sua respiração, contando até dez e exalando. Quando parou de tremer e sua respiração estava mais calma, se encaminhou para o ponto de ônibus. Precisava correr. Talvez tivesse algumas horas de dianteira antes de a procurarem de novo.

**********

Freya chegou em seu pequeno apartamento, sentindo a adrenalina se esvair e o peso do que havia feito começado a tomar conta. Ela havia matado alguém. Duas pessoas.

Não, ela disse a si mesma, dois torturadores. Dois homens que me fizeram mau. Ela não se lembrava do nome do homem que havia lhe chamado de passarinha, mas, lembrava que ele visitava sua cela de vez em quando. Ela se lembrava de seu cheiro podre. Do peso de seu corpo.

Freya não conseguiu aguentar e vomitou na pia da pequena cozinha. Não podia se lembrar daquilo agora. Tinha que ficar alerta. Tinha que fugir. Ela matou duas pessoas.

Freya juntou tudo que precisaria e colocou em uma mochila, depois abriu seu notebook e acesso a conta bancária de um funcionário fantasma de uma empreiteira. Ela havia descoberto aquela conta logo que chegou ao país. A conta não era dela, mas, de um vereador corrupto. Ele movimentava milhões naquela conta, nunca repararia nas pequenas quantidades que ela pegava. Ela transferiu alguns milhares para uma conta falsa que havia criado em um banco na Suiça. Depois ligou a TV no noticiário e tirou a roupa para tomar banho e tirar qualquer vestígio de sangue que tivesse restado.

—E agora vamos ao cenário internacional— dizia o jornalista na TV — A equipe dos Vingadores acaba de ganhar um novo membro. Bucky Barnes. — Freya voltou correndo do banheiro ao ouvir aquele nome — Mais conhecido como o antigo Soldado Invernal, Bucky Barnes recebeu anistia internacional depois da intercessão do Rei nigeriano T’Challa na ONU. Barnes é um grande amigo do Capitão América. Fontes dentro do governo americano informam que o novo Vingador já participa de missões.

Então ele havia recebido anistia, Freya pensou. Ele merecia aquilo. Ela tinha sido obrigada a programar algumas missões para ele. Não, ela se corrigiu, para o Soldado Invernal. Ela sabia pouco sobre a história dele, mas, sabia que ele tinha sofrido tanto quanto ela. Mesmo que ele tendo fugido antes dela, mesmo depois de tudo que havia acontecido em seus anos como refém da HYDRA.

Freya suspirou, tomando uma decisão. Já sabia para onde ia. Estados Unidos.

*********

ANTES

Sheffield, Inglaterra. 2008.

Era o primeiro dia de férias de verão e Freya havia acabado de completar 14 anos. Ela voltava para casa depois de um semestre no internato que frequentava. Teve que voltar de ônibus da estação e estava preocupada. Era seu aniversário, mas, não havia tido noticias de sua mãe e ela nem mesmo foi encontrá-la na estação como sempre fazia quando a filha voltava para casa.

Freya abriu o portão de casa e viu que o carro da mãe estava na garagem. Ela não tinha ido trabalhar. Seu coração acelerou quando viu que a porta estava destrancada. Ela abriu e entrou.

—Mãe? — ela chamou.

—Aqui, querida! — a mãe respondeu, mas, havia algo de errado com sua voz. Ela estava chorando?

Freya foi até a sala e seu coração parou. A mãe estava sentada no sofá, os olhos vermelhos de choro, o nariz sangrando, o corpo tremendo.

Em pé ao lado dela, estava o então namorado de sua mãe, Khaled Kampmann. Mas, ele estava diferente, uma postura rígida, olhos frios. Freya sabia que os dois estavam juntos ha alguns meses, mas, na única vez que o encontrou, ele tinha sido gentil. Não havia traço de gentileza em seu rosto agora.

O que mais a assustou porém, era o homem em pé as sombras, próximo a janela fechada. Ele era alto, forte, com um braço de metal e uma mascara que deixava apenas seus olhos e cabelos a mostra. Ele segurava uma metralhadora nas mãos.

—M-mãe? O que está acontecendo?

—Você vem conosco. — Khaled falou, a mãe apenas chorava.

—O que? Eu não vou com vocês a lugar nenhum! Que porra está acontecendo aqui? — Freya retrucou alterando a voz.

—Cuidado com a língua, menina. — Khaled respondeu — Nós estivemos te observando. Garota prodígio. Gênio dos computadores. Nós sabemos de tudo. Você será brilhante. Zola te escolheu.

—Que porra é Zola? Mãe, o que é isso? — Freya olhou assustada para a mãe, o desespero crescendo.

—Querida… — a mãe começou, mas, Khaled lhe deu um tapa no rosto. Freya gritou. O homem nas sombras não se moveu.

—Você. Vem. Conosco. — Khaled falou apontando uma arma para ela.

—EU NÃO VOU A LUGAR NENHUM! — Freya gritou. A mãe cobriu o rosto com as mãos — Mande esse Zola se foder e nos deixe em paz!

Khaled sorriu um sorriso frio.

—Você vem conosco.

—NÃO!

—Então, talvez isso a faça mudar de ideia.

Ele apontou a arma. Não para ela, mas, para a cabeça de sua mãe. E atirou.

O mundo pareceu congelar enquanto a mãe dela caia.

Freya gritava e chorava, ela se dirigiu ao filha da puta que havia acabado de matar sua mãe, mas, antes que pudesse fazer qualquer coisa, o homem nas sombras estava lá. Ele a segurou para cintura e injetou algo em seu braço.

Freya não viu mais nada.

Notas finais
Curiosidade: Para quem é de São Paulo, a primeira parte se passa no Parque Ibirapuera! Espero que gostem e não se esqueçam de comentar! :)