Notas iniciais
Demorei um pouquinho, mas, aqui está o segundo capitulo! A história é dividida entre o ponto de vista da Freya e do Bucky! Acredito que não tenha nenhum TW, mas, me avisem se tiver e aproveitem! :) Ah, e todas as vezes que tiver * em alguma frase, a tradução vai estar no box no final!

Teatro Montauk, Nova York. Agora.


Bucky não achou que voltaria aquele lugar. Uma de suas poucas lembranças claras. Aquele era o lugar em que limparam sua memória pela ultima vez, quando se lembrou de Steve. Ele se lembrava dos homens na sala e do choque que percorreu seu corpo quando sua memória foi apagada.

E agora ele estava de volta, dois anos depois. A memória intacta por tanto tempo. Livre, ou o quão livre ele poderia ser depois de tudo que havia feito. Ele estava de volta, não como o Soldado Invernal, mas, como ele mesmo. James Buchanan Barnes. Um Vingador.

Bucky caminhou pela sala de controle abandonada, indo em direção ao corredor que levava as celas, enquanto Tony, Clint e Steve vasculhavam o lugar.

A base tinha sido encontrada ha apenas dois meses, mas, parecia estar desativada a pelo menos um anos, de acordo com o FBI. Quem quer que fosse responsável pela base havia destruído tudo e matado todos os prisioneiros. Bucky ficou sabendo que o FBI tinha encontrado os corpos. Sharon Carter havia contado a Steve.

Ele seguiu pelo corredor até a área das celas, agora desertas. A cabeça rodava, ele sentia memórias confusas virem a tona. Homens e mulheres, até algumas crianças. Aqueles prisioneiros não seriam testados, ele se lembrava, eram usados para chantagear alguém ou para fazer algum serviço para HYDRA. Bucky se lembrou de caminhar por aqueles corredores, impassível, caminhando para aqueles que mereciam mais atenção da HYDRA. As que Zola escolhia.

—Bucky? — a voz de Steve quebrou o silêncio.

Bucky se virou para ele, o peito pesado.

—Tudo bem? — Steve perguntou se aproximando.

—Eu me lembro desse lugar. — ele falou em voz baixa — Foi aqui que apagaram minha memória pela ultima vez.

Steve o fitou, as vezes, ele não sabia o que dizer, então colocou a mão no ombro do amigo. Bucky olhou para o chão e continuou.

—Essas celas… Elas não eram para experimentos. Eram para outros prisioneiros, para ameaçar a família deles ou eram pessoas que tinham que trabalhar para eles. Aqueles que se recusavam a fazer por bem.

Steve assentiu.

Bucky fechou os olhos, tentando se lembrar. A voz dela lhe encheu o pensamento. “Undo this storm, undo this storm, undo this storm. And wait”.*

Ele caminhou para o final do corredor e virou a direita, onde ficavam as celas solitárias. Não ficou surpreso de conhecer aquele caminho, a maioria dos prisioneiros importantes ficava naquele corredor. Bucky se dirigiu para a ultima cela, a voz dela ainda em sua cabeça. Podia ouvir os passos de Steve atras de si.

A porta da ultima cela estava entreaberta, ele entrou sem saber o que esperar, mas, o lugar estava vazio.

—Você se lembra de mais alguma coisa, Bucky?

—Tinha uma garota nessa cela. Ela cantava… — ele murmurou mais para si mesmo do que para o amigo — Eu tinha que levá-la algumas vezes… Mas, não me lembro exatamente para o que. Tinha haver com o Zola.

—Você se lembra do rosto dela? — Steve perguntou curioso. Bucky nunca tinha falado sobre nenhuma garota antes.

—Não, é tudo um borrão. Lembro da voz dela, do começo da musica. Lembro que ela tinha cabelos ruivos…

Ele viu Steve franzir a testa.

—E-eu acho que a machuquei, Steve.- ele desabafou — Mas, não me lembro com certeza…

—O que quer que tenha feito, — Steve falou com firmeza — foi a HYDRA. Não você, não pode vontade própria.

—Pessoal, — era Tony pelo comunicador — hora de ir. Não encontramos nada. Eles limparam o lugar antes de ir.

—Já estamos indo. — Steve respondeu — Vamos? — ele perguntou a Bucky.

—Eles mataram todos, não mataram? — Bucky perguntou pegando Steve de surpresa — Os prisioneiros? Tudo bem, eu ouvi você e a Sharon conversando.

—Sim. Havia 150 prisioneiros. — Steve respondeu.

—Eu quero ver as fotos. Quero ver quem eles são. — Bucky falou decidido — Quero ver se ela está entre eles.

-Você não precisa fazer isso, Bucky. Não precisa se torturar desse jeito…

—Eu preciso, Steve.

Steve viu pelo olhar de Bucky que ele não desistiria daquilo.

—Vou falar com a Sharon.

—Obrigado. — Bucky agradeceu.

**********

Os quatro voltaram para o a torre dos Vingadores e foram se reunir aos outros para contar como foi a missão. Apenas Sam e Wanda estavam presentes e depois de escutar Tony, Clint e Steve contar a eles sobre a base, ele foi para seu quarto.

Bucky pegou seu caderno e uma caneta e foi se sentar próximo a janela. O Sol estava se pondo e ele suspirou antes de começar a escrever.

Ele escreveu sobre a base, sobre as pessoas que lembrava. A voz de Zola vinda de um computador. A musica dela. Os cabelos ruivos. Escreveu sobre as sessões de tortura que lembrava de ter assistido naquele lugar — elas eram borrões, gritos diferentes de corpos diferentes — e sobre ali ter sido a ultima vez que teve a memória alterada antes de fugir.

Ele não soube o quanto tempo passou escrevendo, mas, quando olhou para a janela novamente estava bastante escuro. Bucky esfregou os olhos e estava prestes a se levantar e talvez ir comer algo na cozinha quando alguém bateu na porta.

—Pode entrar — ele disse.

Era Wanda.

—Steve acabou de sair com a Sharon, mas, ela pediu para te entregar isso.

Ela lhe entregou uma pasta.

—Obrigado, Wanda. — ele agradeceu.

Wanda sorriu de canto e saiu.

Bucky esperou ela fechar a porta e abriu a pasta. Eram as fotos. Os prisioneiros mortos. Ele hesitou depois de olhar a primeira foto — um homem com um único tiro na testa — e depois, sabendo que seria melhor para por aquilo de uma vez, continuou.

150 prisioneiros. Todos mortos. Bucky olhou foto por foto se perguntando se havia machucado todos eles em algum momento. Se lembrava de alguns rostos, mas, não se lembrava porque eles estavam ali. Ele não tinha que saber, tinha apenas que fazer o seu trabalho.

Horas se passaram e ele olhou uma por uma. Seu estomago doia e ele se sentia pior que estava antes de visitar a base.

Mas, ela não estava lá. Bucky não sabia que se ficava aliviado ou preocupado. Ela podia ter escapado ou podia estar morta há muito tempo.

*************

ANTES

Base HYDRA, Russia. 2008.

Ela gritou e sua voz tomou conta da sala.

O Soldado Invernal não se moveu, apenas a observou. O corpo se contorcendo de dor; apertou os punhos, algo naquela cena o incomodava, mas, não desviou o olhar.

—Eu disse para você acessar o código! — falou uma voz masculina, fria.

A garota se encolheu.

—Por favor, pare… E-eu não sei…

O homem a acertou de novo.

—Acesse o código!

—P-por favor… — ela choramingou. Ele devia sentir alguma coisa, talvez pena, talvez repulsa, mas, não sentia nada.

—Se você não vai ajudar por bem… — o homem fez sinal para que ele se aproximasse — então talvez precise de um incentivo.

Ele estava muito próximo dela. O homem fez sinal e ele esticou o braço de metal em direção ao seu pescoço.

—NÃO! — a garota gritou — PARE! E-eu acesso, por favor, não me machuque…

O homem fez sinal e ele abaixou o braço. O homem sorriu.

—Muito bem, garota. Agora vamos começar o trabalho.

Notas finais
Espero que tenham gostado e não se esqueçam de comentar, adoro ler os comentários de vocês! ♥ *Desfaça essa tempestade, desfaça essa tempestade, desfaça essa tempestade e espere.