Notas iniciais
Mais um capitulo surpresa para vocês! *---*

Torre dos Vingadores.

Freya acordou no dia seguinte com a perna machucada dormente e xingou baixinho tentando fazer a sensação passar.

Ela abriu os olhos e olhou em volta do quarto mau iluminado, prestando atenção aos detalhes. O comodo era enorme, talvez o maior quarto em que ela já dormiu. Sua cama queen size tinha lençóis macios e o quarto tinha uma escrivaninha próximo a janela, além de uma comoda, uma mesinha com uma TV e o closet que ficava próximo a entrada do banheiro.

Freya conferiu as horas no celular — 8:30 — e se levantou para tomar um banho. Vestiu jeans e uma camiseta da Princesa Leia que dizia “Fight Like a Girl”, soltou os cabelos e pensou em ir para a cozinha tomar café da manhã.

Então se deu conta de que não sabia onde ficava a cozinha e nenhum outro canto da torre, além da enfermaria e de seu quarto.

—F.R.I.D.A.Y. — ela chamou, testando a IA pela primeira vez.

—Sim, senhorita Hatkins. — respondeu a voz feminina da IA.

—Er… Pode me chamar de Freya, F.R.I.D.A.Y. — ela disse — E onde fica a cozinha?

—A cozinha fica no térreo, Freya.

—Ok, obrigado F.R.I.D.A.Y.

Freya saiu do quarto e foi até o elevador começando a se sentir ansiosa. Não conhecia ninguém além de Bucky, Tony e Steve — se você contar o fato que de seu único contato com o Capitão foi quando ele costurou sua perna — e se sentia uma intrusa. Sem contar que suas habilidades sociais eram praticamente inexistentes e ela era péssima em conversa fiada, ainda mais com os Vingadores. O que diria a eles? “Obrigado por terem me tirado da prisão e salvo a minha vida e aceitado uma completa estranha com tendencias psicóticas na sua casa, ah, o café está uma delicia a proposito.”

Ela suspirou tentando controlar a ansiedade e entrou no elevador, descendo até o térreo. Ela saiu da área do elevador, logo na frente dele havia uma porta para a rua e do lado direito ficava a sala, com vários sofás aconchegantes, uma mesa de centro de vidro e uma TV enorme. Do lado esquerdo ficava a cozinha e foi para lá que ela foi.

Bucky estava sentado em uma banqueta, conversando com Steve e com um homem que ela não conhecia. Os três pararam de conversar e se viraram quando ela entrou timidamente na cozinha espaçosa, Bucky sorriu.

—Oi. — ele disse.

—Oi. — Freya respondeu sem graça.

—Como está se sentindo? — Bucky perguntou se levantando e indo até ela.

—Eu to bem melhor, na verdade. Só incomoda um pouco. — Freya respondeu mais sem graça ainda devido a proximidade dele.

O homem que Freya não conhecia pigarreou.

—Ah, claro! Freya, esse é Sam Wilson, — Bucky introduziu — Sam, essa é a Freya.

—E ai? — Sam falou e Freya sorriu para ele — Camiseta legal.

—Obrigado. — Freya agradeceu.

—E o Steve você ja conhece. — Bucky continuou.

Freya acenou para o capitão que lhe sorriu.

—Fico feliz em ver que você está bem. — Steve falou.

—É, obrigado por aquilo.

—Senta, — Bucky falou — O que você quer comer? Tem rosquinhas e a Wanda fez bolo ontem.

Freya escolheu o bolo que era de cenoura e Bucky cortou um pedaço e a serviu. Ela viu Steve e Sam trocarem risinhos e corou.

—O que você quer beber? — Bucky perguntou.

—Ah, não sei. O que vocês estiverem bebendo, contanto que não seja café. — Freya respondeu.

—Você não gosta de café? — Sam perguntou surpreso.

—Eu amo café! — Freya exclamou — Mas, não posso beber.

—Sério? Por que? — Steve perguntou enquanto Bucky colocava suco de laranja em um copo e lhe entregava.

—Obrigado, Buck. — Freya agradeceu e se virou para Sam e Steve — Desde o meu tempo presa na HYDRA eu me tornei sensível a cafeina, então não posso tomar nada.

—Sério? — Bucky perguntou com a testa franzida. Ela fez que sim com a cabeça.

—Huhum. Eu fico igual a aquele esquilo de “Os Sem Floresta”. — ela brincou.

Sam riu, mas, Bucky e Steve olharam para ela sem entender a referência.

—Ah, “Os Sem Floresta” é uma animação e tem um esquilo que não pode beber refrigerante porque ele fica super ativo. Eu fico tipo aquele esquilo quando tomo qualquer coisa com cafeina. — ela explicou.

—Ah ta. — os dois exclamaram fazendo Sam e ela rirem.

Freya se sentiu um pouco menos ansiosa.

—Bom dia gente! — exclamou uma moça de cabelos castanhos compridos e sotaque forte entrando na cozinha.

—Bom dia. — os outros falaram. Ela olhou para Freya e sorriu.

—Você deve ser a Freya. — ela disse — Meu nome é Wanda.

—Oi. — Freya sorriu para ela.

Wanda se serviu de café e se sentou a mesa conversando com os outros. Freya ficou em silêncio e continuou tomando seu próprio café. Um a um o restante dos Vingadores foi entrando e lhe cumprimentando e depois indo tomar seus cafés.

A cozinha estava cheia, o que a deixou desconfortável, mas, ela reparou que eles já pareciam acostumados com aquilo e e também que não havia lhe tratado de maneira diferente ou fria. Ela se sentiu grata por isso, já se sentia mau o suficiente sem ter alguém olhado para ela de cara feia.

Ela se serviu de mais um pedaço de bolo e deixou a mente vagar, prestando atenção nas conversas.

—... e o Bruce e o Thor, alguma noticia? — ia perguntando Rhodes a Natasha.

—Não, nada ainda. Mas, não tem nem porque se preocupar, eles conseguem se virar. — Natasha respondeu.

—Então, hoje quem vai treinar são a Wanda e o Sam. — ia contando Steve a Clint, Sam, Wanda e Visão — E nós três e a Natasha vamos nos preparar para aquela missão a Islândia. Você vai também, Bucky?

—Vou sim. — Bucky respondeu olhando para Freya — Nós achamos outra base da HYDRA, Freya.

—Sério? — ela perguntou se juntando a conversa.

—Você se lembra de algo sobre a Islândia? — Clint perguntou.

Ela refletiu um pouco.

—Eu tentei me esconder por um tempo na Islândia, mas, foi onde me acharam mais rápido então pode ser que essa base esteja ativada. Eu não tinha muitas informações do que acontecia nas outras bases, mas, deve haver outro servidor por lá. — Freya contou — O sistema da HYDRA é padrão, apesar de ultra secreto e protegido. Assim, qualquer agente autorizado poderia acessar de qualquer parte do mundo.

—Então existem bases da HYDRA no mundo todo não só na Europa? — Wanda perguntou.

—Existia, a HYDRA se dissolveu, mas, ainda existem dezenas de bases por ai. A maioria na Europa.

—Certo, obrigado por avisar Freya — Steve agradeceu — Existe qualquer outra coisa que a gente deve saber sobre essa base?

—Nada em particular… Mas, vocês sabem como a HYDRA é, então…

—E quando vocês vão? — Sam perguntou.

—Daqui a duas semanas. — Steve respondeu — Tony falou que quer a gente por aqui para alguma coisa.

—Para o que? — Bucky perguntou.

—Não sei, mas, ele disse que era importante.

Tony escolheu aquele momento para entrar ainda de pijama e com cara de quem tinha acabado de acordar.

—Cade o café? — ele perguntou a guisa de bom dia. Natasha lhe indicou a cafeteira e Tony se serviu, sentando-se a mesa.

—Tudo bem? — Rhodes lhe perguntou.

—Passei a noite toda tentando fazer aqueles servidores funcionarem. — Tony respondeu tomando o café de uma vez — Freya, você tem certeza de que eles funcionam?

Os olhares da cozinha saíram de Tony e foram para ela.

—Tenho sim, posso trabalhar neles hoje se quiser. — ela ofereceu.

—Você está melhor?

—Sim, bem melhor!

—Então tudo bem, mais tarde você pode dar uma olhada neles.

—Tudo bem. — Freya concordou sentindo-se feliz por fazer algo útil, odiava a ideia de estar ali e não contribuir para nada. Queria fazer algo em troca da gentileza de ficar ali.

—Tony, por que só podemos ir para a missão daqui a duas semanas? — Clint lhe perguntou.

—Ah, sim. Eu tinha me esquecido! T’Challa me ligou, está vindo para Nova York para um evento politico ou algo do tipo e vou dar uma festa para ele aqui na torre, na semana que vem!

—Não faz nenhum mês que você deu uma festa! — Natasha comentou.

—E, fazer o que, né? Vocês sabem que eu gosto de festas.

—É a gente sabe. — Steve comentou — É melhor se acostumar, Freya, Tony da mais festas do que qualquer um.

—Não reclama, velhote! — Tony retrucou — Eu sei que você gosta das minhas festas. De qualquer maneira, Vossa Alteza chega daqui a cinco dias.

—E ele vai ficar aqui? — Bucky perguntou e Freya notou um certo tom de nervosismo em sua voz.

—Ta preocupado, Homem de Lata? — Sam perguntou rindo — Achei que você e ele estavam de bom.

—Estamos, mas, vocês sabem como ele adora fazer pegadinhas comigo e ainda não superei o fato de ele tentar arrancar meus olhos a cada três dias quando eu estava em Wakanda.

Os outros riram.

—Relaxa, Barnes. T’Challa vai ficar em um apartamento perto da embaixada. — Tony falou e Bucky suspirou alto, os outros riram mais ainda.

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Freya terminou seu café e ficou na cozinha, sem ter muita ideia do que fazer enquanto os outros saiam para suas atividades. Bucky se despediu dela e foi junto de Steve, Clint e Visão para uma das salas de treinamento. Tony falou que iria resolver algumas coisas na rua, mas, que quando chegasse Freya poderia ir até o laboratório trabalhar nos servidores.

Ela pensou em voltar para seu quarto quando Natasha falou:

—Estou com a manhã livre, só vou treinar com os garotos mais tarde. Quer que eu te mostre a torre?

—Claro. Obrigado. — Freya concordou surpresa com a oferta.

Elas saíram da cozinha por uma porta na lateral que levava aos fundos da propriedade. Elas caminharam em silencio, com Natasha apontando o hangar, a garagem, a piscina e a floresta que cercava a propriedade e que deixou Freya encantada, era com certeza muito maior que o bosque que cercava a clinica e ela teve vontade de se perder la dentro.

Depois, as duas entraram novamente e Natasha lhe mostrava as salas no primeiro andar quando falou:

—Então, como você está se sentindo?

—Bem. — Freya respondeu com cautela — O tiro não foi grave, só incomoda um pouco.

—Isso é bom, sinal de que você se cura rápido. — Natasha respondeu — Mas, quero dizer como você está se sentindo com tudo que está acontecendo?

—Ah… — Natasha olhou bem para Freya. Apesar de Freya ser maior e mais alta que ela, se sentia intimidada. Tinha a sensação de que Natasha poderia lhe quebrar em questão de segundos e não duvidada que ela pudesse. — As coisas estão acontecendo tão rápido. Mas, tem sido assim desde que escapei… Quero dizer, eu fico triste com tudo que aconteceu na clinica e com a doutora Sinclair, mas, enquanto Zola e a HYDRA não acabarem, isso não vai acabar.

Natasha concordou com a cabeça. Ela terminaram o passei pelo primeiro andar e foram de escada para o segundo.

—O que você fez… — Freya começou — Quando você desmascarou a HYDRA, aquilo foi muito foda! Acho que não teria conseguido escapar se você não tivesse ferrado com eles daquele jeito…

Natasha sorriu e Freya sorriu de volta, sentindo-se um pouco menos intimidada.

—Não foi nada. Fico feliz que tenha te ajudado a escapar. Imagino o que você deve ter passado. Só não entendo como você conseguiu escapar, alguem te ajudou?

Freya olhou para ela incerta. Sabia que Natasha não estava perguntando aquelas coisas apenas por perguntar, sabia que ela estava lhe avaliando. Resolveu que era melhor contar a verdade:

—Eu sinceramente não lembro direito. Só lembro de querer escapar, depois que a HYDRA se desfez, tudo ficou muito pior para mim. Eu era forçada a trabalhar mais ainda do que antes. O homem que comandava Montauk, também ficou no controle da HYDRA depois que Pierce morreu e ele era um maniaco. Um dia eu decidi fugir. Só lembro de quando ele entrou na minha cela e me levou para a sala onde eu trabalhava e depois, só me lembro de estar na rua… livre.

Natasha concordou com a cabeça lentamente, considerando suas palavras.

—Mas, você parece estar se adaptando bem. — ela disse por fim.

—É, acho que sim. Quero dizer, já faz alguns meses que escapei e já me situei com boa parte das coisas.

—E você também não perdeu tanto tempo quando Barnes ou Steve. — Natasha emendou.

—É verdade. — Freya concordou — Isso também.

—Freya, — F.R.I.D.A.Y chamou de lugar nenhum — o senhor Stark já está de volta e pediu que você fosse até o laboratório.

—OK, F.R.I.D.A.Y.

—Vem, eu te levo até lá. — Natasha falou sorrindo.

Elas foram em um silencio mais confortável até o quarto andar. O laboratório ficava do lado oposto a enfermaria e Tony já estava lá dentro, olhando irritado para os servidores amontoados a um canto.

—Pelo amor de Deus, faz esses servidores funcionarem porque não consigo mais olhar para eles! — Tony resmungou quando viu as duas, fazendo Freya rir.

—Eu vou deixar vocês trabalharem. — Natasha falou — A propósito, bem vinda Freya.

—Obrigado. — Freya sorriu para a Viúva Negra enquanto ela saia da sala.

—Certo, vamos começar. — ela disse a Tony e se aproximou dos servidores, considerando que pelo menos dessa vez, ela estava fazendo aquilo para o lado certo.

****************

Era como se tudo que Freya trancou a sete chaves em sua mente sobre a HYDRA estivesse apenas adormecido. Ela conferiu todos os servidores e os organizou de acordo com os códigos que ficavam na parte de trás deles, deixando os servidores de Montauk como os principais. Depois de conectar os servidores uns aos outros, ela conectou o principal em um notebook que Tony havia lhe entregado.

—Além dos arquivos da HYDRA, fragmentos de Zola vão estar nesses servidores. — Freya falou quando terminou — Seria mais seguro desconectar F.R.I.D.A.Y para acessá-los.

—Tudo bem. — Tony concordou — F.R.I.D.A.Y se desconecte do computador que Freya está usando.

Alguns segundos depois a IA informou que tinha o feito. Freya acessou as configurações do computador e removeu todos os vestígios que F.R.I.D.A.Y poderia ter deixado.

—Então, como exatamente Zola funcionava? — Tony perguntou — Eu presumo que seu código estava em mais de um lugar já que ele não foi destruído.

—Isso mesmo. Quando o Capitão destruiu a base da HYDRA em que Zola estava, ele destruiu parte do sistema dele. Foi uma parte significativa já que aqueles eram os primeiro servidores que ele usou, mas, o código raiz dele não ficava armazenado naquele lugar. Ali se tornou uma espécie de arquivo morto com todos os arquivos anteriores ao começo do século. Meu trabalho começou compartilhando o código raiz dele entre diversos servidores para que assim, Zola não fosse não fosse completamente destruído e para que os arquivos fossem recuperados com facilidade, caso necessário. Desse jeito, ele sempre existiria.

—Então o que restou de Zola é um programa defeituoso?

—Exatamente,mas, é um programa ágil mesmo parcialmente destruído.

—Quantos servidores foram usados?

—Uns 200, mais ou menos. Pelo menos 50 deles foram destruídos e dos 150 que sobraram, é provável que a maioria esteja desativada ou parcialmente destruída por diversos motivos. Mas, vamos conseguir localizá-los assim que eu acessar os servidores.

—E como o destruímos? Quero dizer, algumas bombas podem resolver o problema, mas, alternativas que não façam sujeira são sempre bem vindas.

Freya mordeu o lábio.

—Esse é o problema. Para acessar o código raiz, todos os servidores tem de estar ativados ao mesmo tempo.

—Então para podermos destruir Zola temos de ativar ele? — Tony perguntou.

—Eu falei que esse era o problema. — Freya respondeu hesitante.

—E você consegue fazer isso?

Freya concordou com a cabeça.

—Então é melhor começarmos kiddo, se quisermos acabar com ele logo.

Freya conectou o computador com os servidores e os ligou. Sabia que o que estava fazendo era perigoso e também sabia que podia dar errado. Mas, se aquela era a única maneira de se livrar de Zola e parar de ser perseguida a torto e a direito, tinha que fazê-lo. Ela suspirou. Hora de começar.

Notas finais
E ai, o que acharam do capitulo? Estão gostando da segunda parte da história? No final de semana tem mais dois capitulos novos! E como sempre obrigado por estarem acompanhando a fic! ♥