Thousand Eyes.
19 Bucky.
Notas iniciais
Torre dos Vingadores.
Bucky não sabia exatamente o que esperar de ter Freya morando ali, mas, com certeza não era aquilo. Freya conversava com ele e os outros nas refeições, mas, tirando isso, passava a maior parte do tempo no laboratório trabalhando ou em seu quarto.
Ele entendia que ela talvez se sentisse desconfortável e preferisse o isolamento, ele mesmo também foi assim quando chegou, mas, mesmo assim ficava preocupado. Ela havia chegado a três dias e ele só a via no café da manhã e algumas vezes no jantar quando ou ele ou Natasha e Tony iam chamá-la. Além dele, Tony e Natasha eram as pessoas com quem ela mais conversava.
Desde os acontecimentos na clinica, ela também não havia entrado em mais detalhes sobre a HYDRA e ele não quis pressioná-la. Apesar de nesses dois dias que se passaram ele só ter voltado a sonhar com a Sibéria e Montauk algumas vezes. Ele também ainda sonhava com o canto de Freya, mas, agora só ouvia a voz dela quando estava prestes a tirar a vida de alguém. Ele não entendia porque havia voltado a sonhar com isso.
—A sua namorada é bem quieta, né Barnes? — comentou Clint.
—Ela não é minha namorada. — Bucky retrucou movendo-se para cima de Clint e acertando um soco em seu peito. Clint desviou por pouco e tentou dar uma rasteira nele, mas, Bucky o derrubou.
—Que seja. — Clint resmungou. Bucky estendeu a mão e o ajudou a se levantar. Os dois treinavam junto de Sam e Steve. — Mas, que ela é quieta ela é. Acho que é por isso que vocês combinam.
—Cala a boca! — Bucky replicou.
—Ah, Barnes! — Sam exclamou em tom de riso — Não se irrita! Natasha e estávamos até pensando em um nome de ship para vocês!
—Ha ha, muito engraçado! — Bucky sentiu o rosto esquentar um pouco e olhou para Steve que tentava não rir.
—É sério, cara! Mas, tenho que dizer que ainda não pensamos em nenhum bom… — Sam riu — Bucky + Freya = Breya? Não, é muito estranho…
—Sam, se a gente colocar o F com o “uck” sem o y ia ficar muito bom! — Clint exclamou. Os dois caíram na risada — “Freya + Buck = Fuck”!
—Pessoal. — Steve falou em tom de advertência ao ouvir o palavrão — E achei que a gente tinha concordado em Harnes, de Hatkins e Barnes!
—Steve! — Bucky exclamou indignado, fazendo cara feia.
—Cara, vou mandar para a Natasha! — Sam falou.
Bucky suspirou, tentando não se irritar.
—O que você vai me mandar? — Natasha perguntou entrando na academia.
—Os nomes de ship do Bucky e da Freya. Breya ou Harnes. — explicou Sam.
Natasha pareceu considerar os nomes por um instante.
—Vou falar para a Wanda e o Visão. — ela disse por fim — A gente tem que votar…
—Da para vocês pararem? — Bucky exclamou por fim — Nós não somos uma OTP!
—São sim! — Natasha retrucou de maneira pratica — Só porque você acha que não são, não quer dizer que não sejam mesmo. De qualquer modo, eu vim falar sobre a outra metade dessa OTP.
—O que tem a Freya? — Bucky perguntou imediatamente fazendo os outros rirem.
—Depois vem dizer que não é OTP. — Clint comentou.
Bucky revirou os olhos.
—Ela tá bem, Barnes. — Natasha respondeu — Ela e o Tony estão esperando a gente na sala de reuniões. Vamos.
Freya e Tony estavam sentados na ponta da mesa da sala de reuniões. Visão, Wanda e Rhodes já estavam lá e os outros cinco se sentaram.
—Nós temos boas e más noticias. — Tony anunciou — Qual vocês querem primeiro?
—A boa, né? — Sam respondeu. Tony olhou para Freya e Bucky também. Ela olhou para todos eles, com um olhar apreensivo.
—A boa noticia é que nos podemos destruir o Zola, de uma vez por todas. A ruim é como o destruímos.
Bucky viu todos na mesa olharem para ela e Freya corou um pouco.
—Certo, e como fazemos isso? — Steve perguntou.
Freya digitou algo em seu notebook e um mapa apareceu no projetor. Ela se levantou para explicar melhor.
—Esse é um mapa do cérebro de Zola. Quando o tornaram em um computador nos anos 1970, foram usados duzentos servidores para armazenar tudo que havia em sua mente. Por um tempo, esses servidores eram armazenado em um lugar só, mas, com o tempo a HYDRA achou que seria mais seguro separá-los.
O mapa mudou para um mapa múndi, com marcações em quase todos os continentes.
—Eu consegui acessar os servidores de Montauk e Montreal…
—Em menos de um dia, quando eu demorei uma semana para tentar acessar e não consegui. — acrescentou Tony.
—Então, eu consegui acessar os servidores e descobri que, além dos 50 servidores que vocês destruíram — Freya apontou para Steve e Natasha e continuou — pelo menos mais 70 ainda estão ativados.
—70?! — Sam exclamou.
—Sim, 70. Mas, desses 70 alguns estão extremamente danificados então se destruirmos a parte física deles destruímos o software de Zola. O que nos deixa com cinquenta servidores de Zola ainda ativos. — ela atualizou o mapa e o numero de marcações na tela diminuiu — Isso incluiu o da base que vocês encontraram na Islândia. Como dá para ver a maioria dos servidores fica na Europa e temos alguns aqui e na Asia.
—Tá, mas, você ainda não falou a pior parte. Como a gente destrói eles? — Natasha perguntou.
—Só para vocês entenderem a gente pode destruir todos os servidores fisicamente com algumas bombas, — Freya explicou — e mesmo assim Zola não seria completamente destruído. Então, para destruir ele temos que destruir o sistema primeiro.
—E como destruímos o sistema? — Bucky perguntou. Ele viu que ela pareceu ainda mais nervosa.
—Acho que eu posso responde essa pergunta, senhorita Hatkins. — Visão falou, erguendo a mão — Acredito que o que você está querendo dizer é que os servidores precisam estar ativos e conectados para que sejam completamente destruídos.
Freya exalou.
—Isso mesmo, Visão.
Ocorreu um burburinho pela mesa. Bucky olhou para Freya sem saber o que dizer. Eles teriam que reativar Zola?
—E como é que a gente sabe que isso vai funcionar? — Steve perguntou — Sem ofensas, Freya, mas, e se for uma armadilha? Uma maneira de a HYDRA se reerguer?
Os outros concordaram e Freya olhou nervosa deles para Tony e depois para Bucky. Ele sustentou seu olhar, acreditava nela. Mas, era Zola. Zola que o tornou o que ele era. Que não o deixou morrer quando caiu do trem. Que o torturou. De todas as maneiras possíveis.
—Pessoal, escutem! — Tony exclamou — Eu a vi trabalhar, ela sabe o que está fazendo!
—Olha, eu sei que vocês nem me conhecem direito e que eu cai de paraquedas na vida de vocês e vocês não tem razão nenhuma para confiar em mim. — Freya olhou para cada um deles. Bucky sentiu aquela sensação familiar de quando olhava para ela — Mas, a HYDRA me escravizou por oito anos. Acreditem ou não, eu quero Zola destruído tanto quanto vocês. Talvez mais.
—Eu acredito em você. — Bucky falou com firmeza, ignorando o risinho que Sam e Natasha trocaram.
Freya sorriu para ele.
—Se o Bucky está nessa então eu também estou. — Steve falou sorrindo para Freya.
Aos poucos, os outros Vingadores concordaram também e Bucky ficou feliz ao ver como Freya parecia aliviada com aquilo.
—Certo, Freya, mas, você tem certeza de que vai funcionar? — Wanda perguntou a ela.
—Tenho. Era eu quem atualizava o código e também fui eu que criei o firewall que protege o código raiz de Zola. Mas, só eu consigo acessá-lo.
—Então como vamos acessar os servidores? — Clint perguntou.
—Com isso. — Tony respondeu mostrando um pen drive minimo — Aqui dentro tem um pequeno virus que vai bloquear o acesso de qualquer um que não seja Freya ou eu. Por enquanto só tenho três deles prontos, mas, até a missão na Islândia terei todos prontos. Vamos ter que conectar um deles em cada servidor ainda ativo, assim que todos estiverem bloqueados, Freya vai acessar o servidor principal e destruir Zola.
—E qual é o servidor principal? — perguntou Natasha.
—O da Rússia, onde eu fiquei no começo. — Freya respondeu — Só vou conseguir destruir o código acessando os computadores de la.
—Você não pode ir para a Rússia! — Bucky falou antes de se controlar. Todos na mesa olharam para ele.
—O que? — Freya perguntou surpresa.
—Você não pode ir para Rússia. — ele falou de novo olhando para Freya — Eles te prenderam lá.... Te torturaram lá. Você não pode voltar!
Freya cruzou os braços de maneira defensiva. Ele podia jurar que os outros prenderam a respiração.
—Se eu não for, vocês não vão conseguir destruir Zola. — ela retrucou. Bucky ficou surpreso com a irritação dela.
—Nós trazemos os servidores para cá, como fizemos com Montauk e Montreal. — Bucky contrapôs cruzando os braços também.
—Ah tá, vocês vão até a Rússia para me trazer um servidor quando eu posso muito bem ir até lá para mexer nele?
—Não é seguro! Você nem sabe lutar. E se precisar se defender?
—Eu me viro! — Freya exclamou — Consegui me virar muito bem nesses últimos tempos.
Bucky suspirou.
—E alem do mais — Freya continuou — quem não deveria ir é você! Zola criou o Soldado Invernal e sabe como te controlar. Quando ele for ativado, com certeza vai usar tudo o que puder para não ser desativado.
—Ele não vai me controlar! — Bucky exclamou na defensiva.
—Chega vocês dois! — Steve interrompeu — A gente já entendeu que vocês se preocupam um com o outro, mas, os dois vão. Bucky, nós vamos proteger a Freya e Freya, o Bucky vai ficar o mais longe possível do Zola. Ok?
Bucky sentiu o rosto esquentar e viu Freya corar também. Ele concordou com a cabeça, ainda surpreso com o próprio descontrole e Freya murmurou um “certo”.
—Além do mais, ainda temos um tempo para planejar a viagem para a Rússia. E ainda temos 47 servidores para nos preocupar antes disso. — Tony lembrou.
Bucky olhou para Freya e ela desviou o olhar. Tony os dispensou e ele a viu pegar seu notebook e sair rapidamente. Ele ia segui-la quando Steve o impediu.
—Deixa ela um pouco, cara.
—Não acredito que presenciei a primeira DR de Breya! — Sam comentou.
Bucky se virou para ele.
—Perai, vocês já escolheram o nome? — Wanda perguntou.
—Ninguém escolheu nome nenhum porque não tem OTP nenhum! — Bucky retrucou.
—Steve sugeriu Harnes, mas, acho meio estranho. — Natasha falou a Feiticeira, ignorando Bucky.
—Breya realmente soa melhor. — Visão comentou e Bucky quis socar ele.
—É, também prefiro Breya. — Tony opinou.
Bucky respirou fundo, tentando reunir seu auto controle.
—Então está decidido: Breya! — Natasha exclamou contente.
Ele revirou os olhos e saiu da sala deixando os outros rindo.
********************
Freya não desceu mais uma vez para jantar e Bucky ficou preocupado que ela estivesse chateada com ele por causa da discussão na sala de reuniões. Ele pegou o jantar dela e o seu — tinham pedido hambúrgueres e fritas de um restaurante próximo — e foi até o laboratório.
Ele bateu na porta, mas, ninguém respondeu. Podia ouvir musica vindo de lá de dentro, ele bateu mais uma vez e abriu.
Freya estava sentada no sofá do laboratório, o notebook aberto, cantarolando uma musica agitada enquanto olhava concentrada para a tela e digitava algo.
—Don’t wanna be an american idiot, don’t want a nation under the new media. And can you hear the sound of the hysteria? The subliminal mind fuck America… (Não quero ser um americano idiota, não quero uma nação sob a nova mídia. E você pode ouvir o som da histeria? A mente subliminar fode a América).
Ele sorriu a observando. A voz dela era suave e doce.
—Não deixe o Steve te ouvir cantando isso. — ele comentou.
Freya deu um grito de susto e olhou para ele com a mão no peito.
—Bucky! Que porra…
—Desculpa! Não quis te assustar! — Bucky falou rapidamente, segurando o riso e erguendo os braços.
—Não, tudo bem… Só não entra de fininho desse jeito… -Freya suspirou.
—Desculpe. É que você não desceu para jantar e eu fiquei preocupado. Ah, e eu trouxe comida! — ele ergueu o saco com os lanches, o cheiro de comida tomando conta do laboratório.
—Gente, já é hora de jantar? Eu nem vi a hora passar. Mas, to morrendo de fome, você chegou na hora certa!
Freya fez sinal para que ele se sentasse ao lado dela e Bucky obedeceu.
—Não sabia do que você gostava, então pedi um hambúrguer duplo com fritas — ele falou passando o sanduíche, as batatas e alguns guardanapos para ela. Freya colocou o notebook no braço do sofá e os pegou — Trouxe suco também!
—Obrigado, Bucky! — Freya sorriu e comeu algumas batatas.
Bucky começou a comer seu lanche, a musica que ela ouvia ainda tocando ao fundo.
—Olha Freya. — ele falou parando de comer — desculpe por eu ter estourado na reunião.
—Tudo bem, eu não fiquei chateada — Freya respondeu, comendo mais algumas batatas — Eu entendo que você não queria que eu vá, também não quero que se machuque. Mas, eu sei o que estou fazendo. Vou ficar bem.
Ela olhou para ele sorrindo, dando o assunto por encerrado.
—Tudo bem. — Bucky concordou — Ei, o que você está ouvindo?
—É Green Day! É uma banda de rock. — ela esclareceu vendo a expressão dele — Eu nunca fui muito fã, mas, adorava esse álbum quando estava na escola. Sei lá, deu saudades…
Ela ficou em silêncio, enquanto outra musica terminava de tocar.
“I don’t feel any shame, I won’t apologize.
When ain’t nowhere you can go.
Running away from pain
When you’ve been victimized
Tales from another broke home…”
(Eu não sinto nenhuma vergonha, não vou me desculpar. Quando não há nenhum lugar para você ir. Fugindo da dor quando você foi vitimizado. Contos de outro lar partido…)
—Engraçado é que eu não levava esse álbum muito a sério antes. Eu e meus amigos meio que zoávamos ele, era “emo” demais. Mas, agora… — ela falou parecendo perdida em pensamentos.
—Você entende a letra. — Bucky completou por ela. Freya concordou com a cabeça — Eu sei como é. Nós não tínhamos musicas assim nos anos 1940, mas, me identifico com algumas coisas agora. — Bucky contou.
—As vezes eu esqueço que você nasceu a tanto tempo! — Freya exclamou e ele riu.
—Normal, as vezes, eu esqueço também! Mas, ai me deparo com coisas como esse tal de “YouTube” e me sinto um velho. — Bucky confessou e Freya riu alto.
—”Esse tal de Youtube”, — ela repetiu — meu Deus, você soa como um velho!
—Mas, eu sou velho!
—É, eu to percebendo!
Os dois riram.
—Mas, sério, como um senhor de idade tão avançada quanto você tem se adaptado a esse século?
—Ah, agora até que não é tão ruim. Eu não sei mexer nesse tal de YouTube e ainda não entendi o sentindo do Facebook, também não entendo memes direito… Mas, sei usar o celular agora. Quero dizer, mais ou menos. — Bucky contou rindo enquanto Freya dava uma mordida em seu lanche.
—Putz, você tá muito atrasado!
—Antes era pior! Quando cheguei na torre não sabia nem ligar a cafeteira, era um pesadelo!
Freya riu mais ainda.
—É, tá bom vai, até que você evoluiu. — ela cedeu.
—E você como tem se adaptado?
—Até que bem, eu acho. Quero dizer, tudo isso já existia quando eu fui sequestrada então não fiquei tão perdida com tecnologia. É mais as coisas que eu perdi, sabe? Tipo, o Michael Jackson e a Amy Winehouse terem morrido e eu ter perdido os três últimos filmes de Harry Potter só para descobrir que vai ter filme, livro e peças novos! Sem contar todas as temporadas de Doctor Who que eu perdi. E eu só ter descoberto o que é Game of Thrones há dois meses! Isso sem contar no novo Star Wars! — ela desabafou.
Bucky franziu a testa, notando que ela não tinha falado de familia ou amigos.
—Se serve de consolo eu conheço Game of Thrones e Star Wars. — ele falou lentamente. Freya arregalou os olhos.
—E Harry Potter?
—O que tem?
—Você já ouviu falar de Harry Potter, né?
—É o que tem o leão falante e o guarda-roupa? — Bucky perguntou. Freya abriu a boca, parecendo chocada.
—Não! É o do menino bruxo! Eu não acredito que você nunca ouviu falar de Harry Potter! Como assim ninguém nunca teve a decência de te apresentar a Harry Potter?!
Bucky deu de ombros achando graça da indignação dela.
—Você tem que ler Harry Potter! São os melhores livros que eu já li, são meus favoritos!
—Eu não sou muito de ler. Você poderia ler para mim qualquer dia…
Freya olhou para ele considerando a oferta e sorriu.
—Eu adoraria. — ela disse. Bucky olhou para ela sentindo o sorriso se formar em seu rosto. Não acreditava em como era facil conversar com ela, como fluia. Como ela entendi o que ele tinha passado, assim com ele a entendia.
A musica lenta que tocava mudou para uma mais agitada e Freya soltou uma exclamação:
—Essa sempre foi uma das minhas favoritas! “Saint Jimmy comin down across the alleyway. Upon the boulevard like a zip gun on a parade. Lights of a silhouette, he’s insubordinate. Coming at you on the count of 1,2”! (Santo Jimmy vem pelo beco, pela avenida como uma arma improvisada em um desfile. Luzes de uma silhueta, ele é insubordinável. Vindo até você na contagem de 1,2!)
Freya começou a balançar a cabeça no ritmo da musica e Bucky não conseguia tirar os olhos dela, com o sorriso no rosto. Ela parecia mais feliz agora do que tinha visto desde havia chegado na torre.
Ela parou de cantar, corando a ver a cara dele.
—Desculpe, me empolguei. — ela falou — É que as vezes, eu sinto tanta falta de musica que é como se eu nunca escutasse o suficiente…
—Eu não ligo. — Bucky falou — Amo a sua voz.
Freya desviou o olhar.
—Obrigado, Buck.
Eles ficaram em um silencio confortável, a musica sendo o único som do laboratório enquanto eles terminavam de comer.
—O que você vai fazer agora? — Bucky perguntou quando eles terminaram de comer.
—Estou recuperando alguns arquivos dos servidores, ainda tem muita coisa… — Freya começou a responder.
—Mas, você passou o dia todo aqui! Vamos fazer alguma coisa?
—Eu não posso sair da torre, Bucky. Não é seguro… — Freya respondeu.
—A gente não precisa sair da torre. Que tal um filme? Você escolhe algo que gosta e a gente assiste. Ninguém vai brigar com você se sair do laboratório. — Bucky insistiu, não queria que ela ficasse sozinha.
—Ah, ta bom vai! Vamos assistir um filme então, mas, um filme só!
Ela fechou o notebook e os dois saíram do laboratório, indo para a sala no térreo. Apenas Sam e Clint estavam por lá e trocaram um olhar quando viram os dois juntos. Freya se sentou no sofá, Bucky ao seu lado.
—Nós vamos assistir um filme. — Bucky falou aos dois.
—Querem assistir com a gente? — Freya convidou.
—O que vocês vão assistir? — Sam perguntou. Bucky olhou para a Freya.
—Ah, não sei… Tem tantos filmes para ver…. — ela falou pensativa.
Clint acessou a Netflix e passou o controle para Freya. Ela acessou primeiro a lista dos filmes exibidos recentemente e ficou lendo os titulos.
—O que você gosta de assistir? — Clint perguntou enquanto Sam se levantava dizendo que ia fazer pipoca.
—Ah, terror, suspense, animação…
—Você gosta de filmes de terror?- Bucky perguntou surpreso.
—Sim, nunca tive muito medo deles. Com exceção de REC, que foi o ultimo que eu me lembro de ter visto. Fiquei morrendo de medo, vocês já assistiram?
Bucky e Clint negaram e Freya pesquisou o título.
—Podemos assistir esse então? — Freya perguntou animada.
—Claro! — Bucky concordou. Eles esperaram Sam voltar com a pipoca e Freya apertou o play.
O filme contava a história de uma equipe de reportagem que fazia uma matéria sobre o dia a dia de uma equipe de bombeiros. Quando eles atendem um chamado em um prédio descobrem que tem algo fazendo as pessoas se tornarem zumbis possuídos. O filme eram em espanhol, o que Bucky estranhou no começo — Freya explicou que havia uma versão americana, mas, que era terrível — mas, ele logo se acostumou e se viu interessado no suspense. Sam e Clint pareciam também tão envolvidos quanto ele, soltando palavrões ou exclamações quando acontecia algo que os assustava.
Freya estava se divertindo. Ela ria quando algum deles levava um susto, mas, se sobressaltava as vezes e Bucky teve que se conter para não colocar o braço em volta dela. Tinha medo de ser invasivo, saia que ela não se sentia muito confortável com o toque de outras pessoas, ele também era assim.
Quando o filme acabou, ele insistiu que assistem a sequencia. Freya parecia ter se esquecido de ter tido que só assistiria a um filme e assistiu a sequencia junto deles. No meio do filme, ela se encostou nele e Bucky, entendo a deixa, colocou um braço em volta dela e ela apoiou a cabeça em seu peito. Ele viu Sam e Clint fazerem um coração com a mão, mas, se Freya os viu, ignorou.
Os dois assistiram o restante do filme daquele jeito e Bucky caiu no sono com ela em seus braços. Foi a primeira vez em muito tempo que não teve pesadelos.
Fale com o autor