Thousand Eyes.
16 Freya.
Bosque da Clinica Healthy Mind — Nova York.
A perna de Freya doía infernalmente. Ela tentou se levantar para ir atras de Bucky antes que ele fizesse alguma besteira, mas, assim que tentou se levantar, seu joelho cedeu e ela voltou a se sentar no tronco, sentindo-se inútil.
Ela ouviu o barulho de tiros e gritos e rezou para que Bucky estivesse bem. Sabia que ele era um super soldado e que não era derrotado por qualquer coisinha, mas, se preocupou mesmo assim. E ele tinha acabado de salvar a vida dela, não era justo que ele fizesse isso só para morrer depois.
Para seu alivio, Bucky voltou depois de alguns minutos, a expressão de raiva mudando para preocupação quando a viu.
—Como você está se sentindo? — ele perguntou ajoelhando-se de frente para ela e colocando a mão humana em sua perna sangrenta.
—Como se tivesse levado um tiro. — Freya respondeu sem folego.
—A gente tem que sair daqui. — Bucky falou preocupado.
Freya conteve um comentário sarcástico do tipo “não me diga, Sherlock?” e ao invés disso, perguntou:
—Para onde?
—Para a torre. — Bucky respondeu — O tiro foi limpo, mas, você precisa levar pontos.
Freya demorou alguns segundos para entender para onde Bucky queria levá-la.
—Peraí, quando você diz “torre”, você quer dizer a torre dos Vingadores?- ela perguntou.
—É.
—Mas, tem certeza que é seguro?
Bucky sorriu para ela e colocou a mão em seu rosto.
—Não se preocupe, ninguém vai te fazer mau lá.
—Quero dizer, seguro para vocês. A HYDRA está me procurando… Não quero levar problemas para vocês... — Freya desviou os olhos.
Bucky continuava sorrindo.
—A gente consegue se cuidar, prometo. — ele falou e se levantou, estendendo os braços — Agora vem, acho que você não consegue andar. Eu te carrego.
Freya olhou para ele, no minimo surpresa.
—O que? Você quer me carregar?! — ela sentiu o rosto queimar de vergonha.
—É. — Bucky falou simplesmente — Se você não for se sentir desconfortável, é claro…
Freya de repente se sentiu muito consciente de ser apenas alguns centímetros mais baixa que Bucky e de seu corpo curvilíneo.
—Bucky, você não pode me carregar, eu sou muito pesada. — Freya queria muito morrer de vergonha. Por que ele não atirou na minha cabeça?, ela pensou, pelo menos eu não ia passar vergonha!
Bucky olhou para ela cético, as mãos na cintura.
—Isso é besteira, eu posso te carregar perfeitamente!
—Sério, Bucky, não! Eu vou andando…
Ela se levantou e tentou dar um passo para provar a ele que conseguia muito bem ir sozinha. Seu joelho cedeu mais uma vez e Bucky a seguro pela cintura.
—Eu não lembrava que você era tão teimosa. — ele falou com o rosto muito próximo. O rosto de Freya ficou mais dez tons de vermelho e Bucky a pegou no colo.
—Vamos, — ele falou — antes que aqueles caras venham atras da gente de novo. Para onde fica a entrada?
Freya indicou o caminho ao sul e Bucky seguiu com ela no colo, como se ela não pesasse nada. O braço de metal dele segurava seus joelhos e o braço humano segurava suas costas. Freya teve um flashback de quanto estava na HYDRA. Ele já tinha feito isso antes, o que não tornava a coisa menos humilhante para ela.
Felizmente, o bosque era pequeno e eles logo chegaram a entrada da clinica. A moto de Bucky estava estacionada perto da porta.
Bucky colocou Freya no chão e a ajudou a subir na moto, sua perna ainda sangrando muito. Freya tirou seu cardigã, o enrolou e amarrou na perna para tentar parar o sangramento. Bucky tirou uma arma do bolso e a entregou.
—Você sabe atirar? — ele perguntou. Freya concordou com a cabeça -Só atire caso seja extremante necessário.
—Certo. — ela concordou.
Bucky subiu na moto e Freya timidamente colocou os braços em volta de sua cintura.
Eles saíram da clinica.
****************
Bucky dirigiu o mais rápido possível, o vento chicoteava os cabelos de Freya e o ar frio ajudava a clarear a mente dela da dor na batata da perna.
Freya não tinha se dado conta do quão longe da cidade a clinica ficava até perceber o quanto eles demoraram para chegar: mais de uma hora isso contando a velocidade a que eles iam.
Eles entraram e saíram da cidade e Freya estava prestes a perguntar-lhe se ainda faltava muito para chegaram quando eles entraram em uma areá mais afastada e Freya viu. A Torre dos Vingadores.
Se não estivesse com tanta dor ela com certeza teria apreciado mais o tamanho do prédio, as instalações em volta, o hangar e a floresta que cercava o local.
Bucky estacionou na entrada do lugar e desceu, ajudando Freya a descer também.
—Você está muito palida. — Bucky falou — Perdeu muito sangue…
—Bucky! — uma voz exclamou saindo da torre apressada — O que aconteceu?
Quando a voz se aproximou, Freya viu que era ninguém menos do que o Capitão América, Steve Rogers, ela se corrigiu mentalmente.
—HYDRA. — Bucky falou, o braço de metal em volta da cintura de Freya enquanto ela se segurava nele — Nos atacaram e Freya levou um tiro.
—Vamos levar ela para a enfermaria — Steve falou e pegou o outro braço de Freya, colocando em volta dos próprios ombros e ajudou Bucky a levá-la para dentro.
—O que aconteceu? — perguntou uma voz feminina, duas vozes masculinas ecoaram a mesma pergunta.
Nenhum dos homens respondeu e Freya não olhou para ver quem eram, se concentrando na dor em sua perna.
—F.R.I.D.A.Y — Steve falou quando eles entraram no elevador — Peça ao Tony para ir imediatamente a enfermaria.
—Sim, capitão Rogers. — respondeu uma voz feminina vinda de lugar nenhum.
—Só mais um pouco. — Bucky falou para ela.
Freya concordou com a cabeça e tentou esboçar um sorrido que acabou se tornando uma careta de dor.
Eles saíram do elevador e conduziram Freya a uma enfermaria lima e bem iluminada. Havia quatro camas vazias ali e Bucky e Steve a colocaram na mais próxima.
Freya se deitou e olhou para os dois. Steve correu para um armário aos fundos da sala, enquanto Bucky tirava o casaco amarrado em sua perna.
—Eu vou ter que cortar sua calça. — Bucky falou, Freya olhou para ele assustada e ele segurou sua mão — Não vou te machucar, prometo.
Freya concordou com a cabeça. Bucky saiu e voltou com uma tesoura cirúrgica. Ele cortou seu jeans da barra até a altura do joelho, dobrando o que havia sobrado.
Steve se juntou aos dois com uma caixa de primeiros socorros. Freya viu os dois trocarem um olhar e Steve falou:
—Deixa que eu faço.
Bucky concordou e foi para o outro lado da cama, colocando a mão de Freya entre as suas.
Freya viu Steve começar a limpar a ferida e desviou o olhar para não vomitar.
—Olhe para mim. — Bucky pediu e ela obedeceu.
Ele tinha um olhar preocupado e Freya tocou seu rosto com a mão livre. Bucky sorriu e ela sorriu de volta, sentindo menos dor. Steve havia aplicado anestesia na área.
Bucky não soltou sua mão até Steve terminar de costurar sua pele.
—Pronto. — Steve falou — agora é melhor você tomar alguns analgésicos para aliviar mais a dor.
—Obrigado. — Freya murmurou.
Steve sorriu enquanto Bucky lhe dava um comprimido e um copo com água.
A porta da enfermaria se abriu e Freya viu Tony Stark entrar, viu também que alguns dos outros Vingadores estavam na porta, ouvindo a conversa sem disfarçar.
—O que diabos aconteceu? — Stark perguntou olhando de Bucky para Steve e depois para Freya — Ela esta bem?
—Ela vai ficar bem. — Steve falou.
—Encontraram ela de novo. — Bucky falou — A HYDRA. — Bucky explicou a Tony o que havia acontecido na clinica. Freya sentia o analgésico começar a fazer efeito e o sono tentando se aproximar, mas, tentou ficar alerta, prestando atenção na conversa.
—Como é que eles a encontraram? — Tony perguntou — Só quem sabia que ela estava lá eramos eu, a Carte, você Barnes e a doutora Sinclair.
Freya se lembrou da médica e sentiu um aperto no peito.
—Eles a mataram. — ela falou com a voz arrastada.
Os três olharam para ela.
—Eles mataram a doutora Sinclair. — Freya repetiu sentindo seus olhos ficaram marejados. Ela os esfregou antes que pudesse começar a chorar.
—Ela não pode voltar para lá. — Bucky falou categórico, olhando para Tony.
Tony concordou com a cabeça lentamente, Freya podia imaginar as engrenagens do cérebro dele funcionando.
—Ela fica aqui então. — ele falou — Eles não podem encontrá-la aqui e assim ela pode me ajudar com os servidores.
Bucky sorriu e olhou para ela. Freya murmurou um obrigado, mas, caiu no sono antes que pudesse ouvir a resposta deles.
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