Notas iniciais
TW: Menções de abuso.

Clinica Healthy Mind — Nova York.

Freya não acreditava que já tinha se passado uma semana. Nem parecia que a sete dias atras ela estava no Brasil, que tinha fugido desesperada após… Após o que fez no parque.

E agora ela estava ali, naquela clinica sendo protegida pelo FBI e por Tony Stark. Era tão inacreditável que ela achava estar sonhando, as vezes, ela se sentia mais segura do que antes, mas, sempre que se dava conta disso sentia sua ansiedade voltar e lembrava a si mesma que era temporário. Ela nunca conseguia fugir para sempre. Alguém sempre a achava, era questão de tempo.

Freya estava sentada perto do pequeno bosque que cercava os fundos da clinica. O lugar era bem no interior do estado e era enorme. Ela supôs que quem estava pagando por aquilo era Stark, o FBI jamais pagaria um lugar daqueles para ela. Havia pelo menos quatro celebridades internadas ali e todo mundo parecia conhecer todo mundo, mas, ninguém prestava atenção nela e ela achava aquilo ótimo.

Freya sabia que aquele era apenas um tipo diferente de prisão. Ela estava ali porque tinha aceitado trabalhar para eles, mas, aquela clinica ainda era mil vezes melhor do que os porões da HYDRA. Se ela fechasse os olhos, se lembrava mais dos campos ao redor da sua escola. E ela gostava dali. Gostava das arvores, das flores e da natureza em volta. Se sentia livre. Tranquila.

Apesar de se sentir melhor acordada, seus pesadelos lhe lembravam que aquilo ainda não tinha acabado. Ela continuava sonhando com a HYDRA e com Zola. Ultimamente tinha voltado a sonhar com Kampmann também. Freya supos que havia voltado a sonhar com ele depois de ter escutado aquele homem lhe chamar de passarinha. Só os que iam até sua cela lhe chamavam assim.

Ela reprimiu aquele pensamento. Não precisava pensar naquilo. Já tinha passado, já tinha acabado, não precisava voltar a pensar naquilo. E ela também sabia que a doutora Sinclair iria tentar abordar o que tinha vivido naqueles oito anos mais cedo ou mais tarde. Não queria tocar naquela ferida antes do tempo.

Lembrando-se da doutora Sinclair, ela se levantou. Terapia em grupo.

Todos os dias desde que havia chegado ali ela tinha que participar da terapia em grupo. O grupo era formado apenas por mulheres — o que a deixava mais confortável — e comandado pela doutora Sinclair. Freya nunca falava, apenas ouvia, mas, sabia que Sinclair não tinha esquecido dela.

Freya se juntou ao grupo sentado em um circulo em uma das salas de meditação e deixou os pensamentos voarem. Naquele dia era a vez de Tabita contar sua história. Ela tinha trinta anos e tinha sido abusada pelo seu primeiro namorado, em um relacionamento toxico que havia começado quando ela tinha 15 anos e durado por dois anos, o abuso havia lhe levado ao álcool e as drogas.

—... Eu o amava muito, — ia dizendo Tabita — achei que nossa primeira vez seria especial. Magia, sabe? Mas, ele estava bêbado. Eu estava dormindo, a gente tinha voltado de uma festa mais cedo e… Ele simplesmente subiu em cima de mim. — Freya sentiu sua atenção se desviar do tapete para Tabita, o coração acelerando — Eu não entendi o que estava acontecendo no começo, mas, quando entendi e tentei gritar, ele me bateu…

A lembrança voltou a Freya como um tapa. A primeira vez que havia acontecido. Não tinha sido Kampmann, mas, o guarda que vigiava sua cela. Ela não se lembrava do nome dele, mas, lembrava das coisas que tinha dito e como ela tinha chorado e implorado e cedido por fim…

—Freya? Freya?

Freya olhou em volta. A doutora Sinclair lhe chamava com um olhar preocupado. Ela não tinha se dado conta de que estava chorando.

—Freya você quer compartilhar do que se lembrou? — a doutora perguntou.

Ela secou as lagrimas sentindo as bochechas corarem de vergonha.

—Não, desculpe. Podem continuar.

—Freya, não precisa ter medo ou vergonha. Nenhuma de nós irá te julgar.

Freya desviou o olhar.

—Eu sei, só não quero falar sobre isso agora, certo?

A doutora lhe lançou um olhar avaliador e então disse.

—Tudo bem, Freya. Só saiba que estamos aqui por você, ok? — Freya concordou com a cabeça — Mas, como eu ia dizendo, é normal após sofrermos algo tão traumático nos sentirmos sufocadas, perdidas e acabamos encontrando um mecanismo de defesa que na maioria das vezes, bloqueia essas lembranças…

Freya deixou de prestar atenção mais uma vez, se xingando por ter tido um ataque daqueles. Não era para ela lembrar daquilo. Ja tinha acabado…

Ela tentou guiar seus pensamentos a outro lugar e Bucky veio a sua mente. Ela ainda estava surpresa de ele ter tentando falar com ela naquele dia. Ela tinha congelado não pode medo dele, não achava que sentia medo dele. Mas, olhar para ele ali, olhando para ela era doloroso demais. Era lembrar de sua cela nos porões da HYDRA, era se lembrar dos gritos dele quando fritavam seu cérebro e era se lembrar das coisas que ambos haviam feito. Ela sabia o que ele era, sabia o que tinha feito. Mas, ele provavelmente não se lembrava das coisas que ela teve que fazer.

Quando a terapia acabou, Freya subiu para seu quarto considerando a ideia de cochilar um pouco. Se sentia mentalmente exausta por causa daquele flashback.

Ela abriu a porta do quarto e levou um susto ao ver que Tony Stark estava la dentro.

—Puta que…! — ela exclamou.

—Desculpa! — Tony falou erguendo os braços em sinal de rendição.

Freya abriu completamente a porta do quarto e ficou encostada no portal. Tony estava de pé e Freya podia jurar que ele estava mexendo em suas coisas.

—Desculpe! — Tony repetiu — Não quis te assustar.

—Tudo bem. — Freya falou cruzando os braços automaticamente.

Os dois ficaram em silencio.

—Terapia em grupo?

Ela concordou com a cabeça.

—E o que tem achado? — ele perguntou.

Freya deu de ombros.

—Não é ruim.

Ele riu.

—É, não parece ruim. Talvez eu devesse tentar…

Freya franziu a testa para ele.

—Longa história. — Tony dispensou o assunto — Como você está se sentindo?

—Bem, eu acho. Aqui é tranquilo. — Freya olhou para os próprios pés — Obrigado, a propósito, senhor Stark. Por estar me ajudando.

—Pode me chamar de Tony. — ele falou.

—Ok, Tony. Obrigado. Mas, o que você está fazendo aqui?

—Vim ver como você estava. — ele disse. Freya ergueu uma sobrancelha — E também para tirar algumas duvidas.

—Duvidas?

—Sobre os servidores que encontramos. — Tony olhou em volta, parecendo desconfortável por ela estar de pé — Você não quer se sentar?

—Ah? Claro!

Freya se sentou na poltrona que ficava perto da cama. O Vingador se sentou na cama e olhou para ela.

—E então? — ela perguntou.

—Nós achamos mais dois servidores desde que te encontramos. — Tony começou.

—Você quer dizer desde que eu fui presa. — ela corrigiu.

—Isso, você entendeu. Encontramos um em Cleveland e outro em Boston. O que você sabe sobre eles?

Stark tirou o celular do bolso e mostrou a Freya duas fotos, uma de cada servidor.

—Os servidores de Zola são padrões, eram construídos por uma empresa da S.H.I.E.L.D. — ela contou — Vocês conseguiram acessá-los?

—Não. Todos parecem quebrados. Nós tentamos de tudo, nem F.R.I.D.A.Y conseguiu acessá-los. Você tem certeza de que funcionam?

Freya concordou com a cabeça.

—Eu criei a programação deles, Zola queria que eles se desativassem completamente caso caíssem em mãos inimigas.

—É, isso é esperto.

—Posso ativá-los de novo. — Freya disse — Me deixe dar uma olhada neles.

Tony lhe lançou um olhar cauteloso.

—Ainda não. A doutora Sinclair disse que você ainda não está pronta. — Freya abriu a boca para protestar, mas, Tony a interrompeu — E não encontramos evidencias de Zola estar tentando se reerguer. Não encontramos nem evidencias de Zola ainda existir, para ser sincero, a não ser o que aconteceu com Barnes na semana passada…

—Barnes? — Freya perguntou — Você quer dizer o Bucky?

Tony fez cara de quem havia falado demais.

—Não é nada.

—O que aconteceu? Ele viu Zola? — Freya perguntou preocupada.

—Mais ou menos. Ele diz ter ouvido a voz de Zola quando chegou perto dos servidores em Montreal. Diz que Zola sabe que ele te encontrou.

Freya arregalou os olhos, a mente funcionando rápido. Ela tinha certeza de ter ouvido Zola quando foi presa e agora Bucky, que tinha sido torturado por Zola tinha escutado-o também. E Zola sabia sobre ela. O que aquilo significava além do fato de que ela não conseguia ter um momento de paz?

—Quando o FBI me prendeu — Freya contou — eu estava perto dos servidores de Montauk. E eu o ouvi. Ele não falou nada, apenas riu.

Tony lhe olhou preocupado.

—Você tem certeza? Pode ter sido um flashback…

—Pode. Mas, não tenho certeza se foi. Tony, eu preciso te pedir uma coisa.

—Sim, o que você precisa? — Tony perguntou solicito.

—Preciso falar com ele. Preciso falar com Bucky.

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ANTES

Sibéria — 2011.

Fazia uma semana desde que ela tinha dormido. Fazia uma semana que ela trabalhava sem parar. Não era a primeira vez que ela ficava dias sem dormir, mas, nunca tinha ficado tanto tempo.

Já era para seu cérebro ter parado de funcionar. Era para ela estar em coma. Ela começou a compreender o porque daquelas injeções. Para que ela não dormisse.

Era mas uma forma de tortura, mais uma forma de controle. Ela estava tão cansada. E ele não estava por perto.

Nos três anos desde que foi levada — Deus, parecia que tinha se passado 30 anos — ele nunca tinha ficado tanto tempo no gelo. Mas, Zola havia dito que o trabalho dele era suficiente por enquanto e eles não precisavam dele naquele momento.

Ela nunca pensou que sentiria falta dele.

Sua cabeço latejou e ela fechou os olhos por alguns segundos e desejou poder descansar.

Ela só queria que aquilo acabasse.

Notas finais
Por essa semana é isso, gente! Espero que tenham curtido os capítulos e me contem a opinião de vocês e o que vocês acham que vai acontecer?