Notas iniciais
TW: Menções a abuso.

Clinica Healthy Mind — Nova York.

Ele ainda não acreditava que ela tinha pedido a Tony para falar com ele.

Bucky perguntou por ela na recepção da clinica e caminhou até onde a recepcionista tinha dito que a encontraria.

Ele foi até o lado de fora, ansioso. Sem saber o que dizer ou o que esperar. Ela tinha pedido que ele fosse até lá. Ela queria vê-lo. Não, ela precisava vê-lo, foi o que Tony disse.

Bucky saiu para o ar frio de outono e caminhou pelo jardim até a entrada de um pequeno bosque. Ela estava ali, sentada em degraus de pedra olhando para as arvores. Ele só podia ver seus cabelos ruivos que pareciam mais volumosos do que quando a viu no FBI. Seu coração estava acelerado. Ele não se lembrava de se sentir assim antes. De se preocupar tanto com o que ela poderia achar dele.

Bucky caminhou fazendo barulho para que ela pudesse ouvi-lo se aproximar e ela se virou.

Freya se levantou ao vê-lo se aproximar.

—Oi. — ela disse com um pequeno sorriso.

—Oi. — Bucky respondeu, pego de surpresa pelo sorriso dela.

—Obrigado por ter vindo.... A doutora Sinclair disse que não era uma boa ideia, mas, bem… — ela se calou olhando para os próprios pés.

—Sem problemas. — Bucky falou, sentindo-se nervoso — Eu queria te ver também.

O rosto de Freya corou e ela desviou o olhar. Bucky sentiu um sorriso se formar nos lábios.

—Senta. — ela disse indicando os degraus. A escada era pequena, apenas para separar o jardim do bosque. Bucky se sentou em um canto, encostando as costas nas pedras de mármore que formava o corrimão. Freya se sentou no outro canto, as costas também encostadas no mármore, deixando um pequeno espaço entre os dois.

Bucky olhou em volta, absorvendo a paisagem.

—Aqui é muito bonito. — comentou.

Freya olhou para a entrada do bosque, antes de olhar para ele.

—É lindo mesmo. — concordou — Adoro ficar aqui perto das arvores. É calmo.

—Ajuda a pensar. — Bucky comentou olhando para ela. Freya concordou com a cabeça e abraçou os joelhos.

—Como você está se sentindo? — Freya perguntou, pegando-o de surpresa — Quero dizer, sua mente e tudo mais…

Ela parecia realmente preocupada, Bucky notou. Sentiu novamente aquela sensação que não sabia explicar.

—Estou melhorando. — Ele respondeu por fim — Algumas coisas voltam aos poucos, detalhes, borrões de memórias. Não sei se algum dia vou conseguir recuperar toda a memória, mas, é um processo.

Freya concordou com a cabeça, apoiando o rosto nos joelhos.

—Eu sinto muito. — a voz de Freya saiu baixa — Por tudo o que eles fizeram com você. Não era certo…

—Você não precisa se desculpar — Bucky a interrompeu — Não foi culpa sua!

—Eu estava lá algumas vezes — ela continuou sem olhar para ele. Os olhos castanhos perdidos no bosque — quando eles te tiraram do gelo. Era horrível, eu só posso imaginar…

—Não. — Bucky a interrompeu com a voz firme — Não fique se abatendo por isso. Você era uma vitima — tanto quanto eu, ele pensou, mas, não disse — Você não merece ficar pensando nisso.

Freya lhe sorriu com olhos tristes.

—E além do mais, — Bucky continuou — se alguém tem que se desculpar sou eu. Fui eu que te levou para eles… Fui eu que machuquei sua mãe…

—Não foi você quem a matou! — Freya exclamou categórica — Foi Kampmann! Você não se lembra?

Bucky fez que não com a cabeça.

—Bom, não foi você. — Freya reafirmou. — Foi ele.

Bucky exalou sem se dar conta de que estava prendendo a respiração. Não se lembrava da mãe de Freya, mas, acreditava nela.

—Aquele dia, — Freya falou — no FBI. Você foi falar comigo. Como sabia que eu estava lá?

Foi a vez de Bucky sentir o rosto corar.

—Eu estava te procurando.

—Me procurando?

Bucky concordou.

—É que como te falei, me lembrou de você. Lembro que costumava te levar para o Zola… — ele engoliu em seco — Lembro da sua voz cantando e de Kampmann. — ele viu ela prender a respiração quando ele falou o nome do homem — Eu lembro de uma vez você estar encolhida na cela… Você estava com muito medo.

Freya arregalou os olhos.

—Freya, — Bucky suspirou criando coragem — e-eu te machuquei, não machuquei?

Bucky olhou para ela. Viu que a tinha pego de surpresa. Bucky sentiu o peito apertar com medo da resposta.

—Bucky… — ela começou, a voz saiu tremula e ela tentou de novo — Bucky, você não me machucou.

Ele franziu a testa.

—Não? — perguntou.

—Não.... Você me salvou.

Ela ficou em silencio. Bucky olhou para ela aliviado. Mas, quando ela olhou nos olhos dele, havia algo quebrado ali.

—Freya, o que aconteceu? — ela fez que não com cabeça — Freya, por favor, o que aconteceu?

Bucky viu que tinha se aproximado mais dela. Freya olhava para ele assustada. Ele olhou bem nos olhos dela.

—Por favor. — ele pediu de novo em tom desesperado.

Ela desviu o olhar do dele e olhou para o bosque de novo, em silencio. Bucky esperou.

—Todas as noites, — Freya começou com a voz em um sussurro — alguém ia até a minha cela. Guardas diferentes, Kampmann. Eles… E-eles faziam coisas comigo. — Bucky não ousou se mexer, olhando para ela — A-acontecia desde o dia em que me levaram. Acontecei na Rússia e na Sibéria… Eu não me lembro dos nomes deles, mas, me lembro deles…

“Uma noite, havia dois guardas na cela. N-nunca eram dois, a-aquela era a primeira vez… — lagrimas caiam dos olhos dela agora — E ai, você entrou. Acho que ia me levar para Zola, não sei, mas, você entrou. Os guardas pararam na hora. Eu estava morrendo de medo, o seu olhar era assustador. Achei que você fosse me matar, ou pior… Mas, você se virou para os guardas e… — ela respirou fundo — foi tudo muito rápido. Você quebrou os pescoços deles em segundos e me levou, não para Zola, mas, para a enfermaria e você ficou lá comigo até cuidarem de mim”.

Ela olhou para ele, chorando.

—Você era o Soldado Invernal e me salvou do mesmo jeito.

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ANTES

Sibéria — 2010.

Ele estava furioso. Colocou-a em uma maca, ela ainda chorava. A roupa rasgada, a pele marcada.

Ele pegou uma enfermeira pelo braço e a fez cuidar dela. E não se afastou por um minuto.

Quando um de seus comandantes veio procurá-los, ele o pegou pelo pescoço.

—Se alguém encostar um dedo se quer nela, seja lá quem for, eu mato, entendeu?

O homem concordou e correu para longe.

Ele voltou a se aproximar da maca. Ela já não chorava mais e tocou em sua mão de metal. A mão que ele usava para matar.

—Obrigado. — ela disse.