Thousand Eyes.
28 Freya
Notas iniciais
Base HYDRA — Rússia.
Freya olhou para a mulher sem entender. Ela era idêntica a sua mãe, mas, não podia ser ela. Sua mãe tinha morrido. Ela viu sua mãe morrer.
—Mãe? — ela repetiu, chocada. O sorriso não saia do rosto da mulher, um sorriso sinistro que Freya não conhecia.
—Freya. — a mulher, sua mãe falou — Você cresceu tanto.
—Que porra está acontecendo aqui? — Sam exclamou.
—Freya? — Bucky perguntou. Mas, ela não respondeu, não conseguia tirar os olhos da mulher que dizia ser sua mãe.
—Você morreu. Eu vi Kampmann atirar na sua cabeça. — ela olhou para Zola no monitor, observando a cena toda — Você está brincando com a minha mente.
—Ai é que você se engana, minha querida. — Zola respondeu — Sua mente é muito valiosa para mim e sua mãe nunca morreu.
Freya olhou novamente para mãe, um turbilhão de pensamentos em sua cabeça que começava a doer.
—Eu precisava que você acreditasse que morri, querida. — sua mãe falou.
—O que... ? — ela balbuciou.
—Você tinha que acreditar, só assim conseguiria cumprir seu destino. — ela soava como uma maniaca.
—Meu destino? — Freya repetiu.
—Você nasceu para ajudar a HYDRA. — sua mãe repetiu.
—Isso é um monte de besteiras! Não acredito em você! — Freya exclamou — Você não é minha mãe!
A mulher olhou para Freya e ela devolveu o olhar, arquejando. Ela era a sua mãe, pelo menos tinha o rosto dela, o corpo, a voz. Mas, não podia ser. Aquilo era mentira. Sua mãe a amava, cuidava dela, tudo bem que ela era um pouco distante as vezes, mas, dai a ser da HYDRA era absurdo demais.
—Pessoal, o que está acontecendo? — veio a voz de Steve pelos comunicadores. A sala estava em um silêncio tão profundo que Freya não duvidada que sua mãe e Zola pudessem ouvir. Ela se perguntou o que Tony estava fazendo, o barulho atrás dos servidores havia parado.
—Continue fazendo ela falar. — Tony sussurrou como se estivesse lendo sua mente.
—Se isso é verdade, então por que? — Freya perguntou — Por que você mentiu e se escondeu? Por que deixou que eles me levassem…? Por que você me fez acreditar que tinha morrido?
—Porque eu sabia que se você achasse que tinha perdido tudo não iria lutar. Que iria fazer o que era necessário, que obedeceria sem questionar. — a mãe de Freya respondeu.
Freya foi pega de surpresa pela resposta, olhou para a mãe sem saber o que dizer.
—Como você pode fazer isso? Ela é sua filha! — Bucky exclamou enojado.
—Tudo que eu fiz, fiz por Freya. E pela HYDRA. — Irene Hatkins respondeu.
—A senhora é doida, dona! — Sam retrucou indignado — E a gente não tem tempo para isso. Natasha, agora!
Natasha, que Freya já estava estranhando por estar tao quieta, apontou a arma para Irene Hatkins, mas, Irene foi mais rápida. Ela sacou um revolver e atirou duas vezes, uma em cada perna de Natasha.
Freya gritou, Sam e Bucky correram até Natasha. Freya se moveu para fazer o mesmo, mas, sua mãe apontou a arma para ela, a expressão fria nunca deixando seu rosto.
—Você fica.
—Mãe…
—Você precisa entender porque está aqui hoje e porque é tão importante para a HYDRA.
Freya olhou sem saber o que fazer da mãe para onde Sam ajudava Natasha que estava com os olhos fechados de dor, as pernas sangrando. Bucky havia se levantando quando Irene apontou a arma para a própria filha e apontava um revolver na direção dela.
—Se você machucar ela, eu te mato. — Bucky sibilou, a voz cheia de ódio.
—Me entregue a arma, sargento Barnes, não seja idiota. Vocês também, Falcão e Viuvá Negra, antes que eu atire nela.
—Você não faria isso, Zola acabou de dizer que Freya era importante para a HYDRA. — Bucky retrucou sem abaixar a arma.
—Você realmente colocaria Freya em risco para testar sua teoria? — a mãe de Freya perguntou com um sorriso vitorioso que fez Freya sentir calafrios. Quem era aquela mulher?
Bucky olhou de Freya para Irene, considerando suas opções. Então abaixou a arma e jogou no chão, bufando. Sam fez os mesmo com as armas deles e de Natasha que agora sangrava profusamente.
—E você, Tony Stark, saia de trás dos servidores sem a armadura. Sei que esta aqui. — Irene continuou.
—E por que eu faria isso? — Tony perguntou — Você e um programa de computador estão sozinhos contra todos os Vingadores. Não é você que da as regras aqui.
—Nunca gostei da sua arrogância, Stark, mas, se quer tanto saber, existem bombas em todos os andares dessa base, se não fizer o que mando, se fizer qualquer gracinha que seja coma sua roupa de metal, vamos todos pelos ares.
Tony soltou uma risada pelo nariz.
—Você vai matar a si mesma e destruir os preciosos servidores de Zola? — ele perguntou.
—Graças ao trabalho de vocês, todos os meus servidores estão ativados agora. Se a base explodir eu perderia apenas uma parcela do meu sistema, mas, não seria completamente destruído. — Zola falou. Freya realmente odiava a voz dele — Mas, acredito que você e Freya já sabiam desse risco. Nós somos a HYDRA, Stark, e se você corta uma cabeça da serpente, duas nascerão em seu lugar.
Os pelos do braços de Freya se arrepiaram a ouvir aquilo. Eles ficaram em silêncio, era possível ouvir o som de passos e luta ao longe. Alguns segundos depois, Tony apareceu sem a armadura e com as mãos para o alto em sinal de rendição.
Freya olhou para Tony tentando pensar em alguma maneira de se livrar daquela situação. O fato de aquela ser sua mãe e ela realmente não ter morrido não amenizava o fato de que ela havia acabado de atirar em sua amiga, ameaçado explodir a todos e mantinha uma arma apontada para ela.
—Gente, o que está acontecendo? — Steve perguntou de novo pelo comunicador — Estamos quase ai!
—Os outros Vingadores estão vindo. — Zola falou — Tranque as portas, Irene.
A mãe de Freya continuou com a arma apontada para ela enquanto selava as portas da sala de controle. Natasha deixou escapar um gemido de dor e Freya viu que ela estava muito pálida. Ja tinha perdido muito sangue.
—Você acha mesmo que uma porta vai impedi-los de entrar? — Sam perguntou em um tom de falso deboche. Havia rasgado pedaços da barra de sua calça e amarrado nas pernas de Natasha para tentar conter o sangramento.
Irene não respondeu e Freya estava ficando definitivamente desesperada ao ver o estado em que sua amiga se encontrava.
—Irene… Mãe. — Freya se corrigiu atraindo a atenção da mãe — Deixe eles irem, por favor, e eu faço o que você e Zola quiserem.
—Freya, não! — Bucky exclamou na mesma hora.
Irene deu uma risada debochada.
—Escute o Soldado, queria, não faça isso. Não se sacrifique pelos mortos.
Ela deu aquele sorriso perturbador mais uma vez.
—Bom, já que estamos aqui e eu sinto que você vai nos matar de qualquer jeito, por que não conta seu plano maligno? — Tony perguntou com sarcasmo indo até Natasha.
—Não devo explicações a você, Stark. — Irene o dispensou indo até o painel de controle da sala. As armas que ela havia recolhidos haviam sido empilhadas em cima do local.
—E quanto a mim? — Freya perguntou com raiva, sua cabeça latejando fortemente — Você deve algumas explicações a mim, afinal, eu passei os últimos oito anos da minha vida sendo estuprada em uma cela e achando que minha mãe tinha morrido.
Irene olhou para a filha considerando suas palavras.
—Suponho que você mereça algumas respostas. — Irene falou — Antes de começarmos. O que você quer saber?
Freya suspirou sem saber o que dizer, não achava que ela fosse concordar com aquilo.
—Tudo. — ela respondeu tensa.
—Pois bem. — Irene se sentou na cadeira que ficava na frente do painel de controle — Vamos começar antes de você nascer.
—Seja breve, Irene. — Zola alertou — Temos muito a fazer ainda.
—Vá se foder, Zola! — Freya exclamou cheia de raiva. Bucky abria e fechava as mãos, os punhos cerrados. Freya sabia que ele estava doido para avançar em Irene e acabar com aquela palhaçada, mas, estava se controlando.
—Bom, o que você precisa saber Freya, é que a HYDRA sempre foi parte da minha vida. Seu bisavô era da HYDRA, seus avós eram da HYDRA e eu também sempre fui. Sempre amei servir. E então você aconteceu. — Irene colocou tanto desprezo naquelas palavras que Freya prendeu a respiração, presa a história da mãe. Ela nunca soube nada sobre o passado da família, sua mãe dizia que seus avós haviam morrido e talvez, ela considerou, isso também fosse mentira.
—Eu era muito nova quando engravidei, tinha apenas 17 anos e seu pai nunca quis saber da gravidez. Eu ia abortá-la, queria me livrar de você. — Cada palavra era como uma faca — Então Zola me pediu que eu não abortasse, que ficasse com você. Ele precisava de um bebe para os testes, para o experimento. Não funcionava com crianças maiores, mas, com um bebe havia uma grande chance de funcionar.
—Você deu seu bebe para um experimento? — Bucky perguntou. Freya não conseguia pensar no que dizer. Queria não ter ouvido aquilo, queria que fosse mentira. Sua cabeça deu uma pontada forte e ela fechou os olhos, tentando se controlar para não vomitar de dor.
—Eu daria de novo se pudesse. — Irene respondeu a Bucky — Tudo para a HYDRA ter sucesso.
—Você me da nojo. — Bucky falou se aproximando de Freya, ela tentou ganhar forças na presença dele.
Irene revirou os olhos entediada.
—Qual era o experimento? O que você fez comigo? — Freya perguntou.
—Foi um procedimento simples, na verdade. — foi Zola quem respondeu — Meu algoritmo já havia sido criado e desenvolvido por mim mesmo, mas, era executado sem sucesso. Os alvos que Barnes eliminava para nós — Bucky cerrou os punhos e exalou pelo nariz — eram o suficiente para nos manter no poder, mas, avançávamos mais lentamente do que esperado. Você precisa entender que nós humanos, somos muito lentos para aprender. Demorava meses para que até mesmo o melhor dos programadores dominasse o algoritmo, então eu pensei: e se alguém já nascesse sabendo sobre o algoritmo? Já nascesse com o algoritmo na cabeça? E se ele se tornasse parte de alguém desde muito pequeno? Quando a hora certa chegasse essa pessoa conseguiria utilizar o algoritmo perfeitamente. Nós finalmente iriamos conseguir a dominação mundial.
O peito de Freya pesava, o ar passava com dificuldade por seus pulmões e a dor em sua cabeça não cessava. Seus olhos fixos no monitor onde Zola estava.
—O que você está dizendo? — Freya perguntou, sua mente processando as palavras de Zola. Ela já sabia a resposta, antes mesmo de ele dizer, mas, aquilo não suavizou o baque.
—Estou dizendo que você não criou o algoritmo, Freya. Você é o algoritmo. — ele respondeu. A cabeça de Freya doía cada vez mais — Ele está na sua cabeça desde o dia em que nasceu, através de um chip que implantamos. É graças esse chip que você é tão inteligente. Uma genia como já disseram. Nós a criamos, Freya, para que você continuasse o meu trabalho. Todas as coisas que você fez, todos os alvos que destruiu, as pessoas que matou… Você achava que estava fazendo para atualizar o algoritmo, mas, não estava. Na verdade, o algoritmo te dizia para fazer essas coisas. Você é o algoritmo, Freya. Mesmo sem saber, você e o Soldado Invernal são os maiores assassinos da história da HYDRA. A diferença é que você fez tudo pela tela de um computador.
Freya caiu de joelhos, as mãos na cabeça e as lagrimas caindo. Ela era o algoritmo. Ela era um programa de computador. Era uma assassina.
Ouviu as vozes de Bucky, Sam e Tony gritando com Zola e sua mãe, mas, não conseguiu distinguir o que diziam.
Um forte baque atingiu a porta, fazendo-a tremer e trazendo Freya de volta a realidade.
—COMO VOCÊ PODE FAZER ISSO COMIGO? — ela gritou para a mãe — COMO?!
—Eu fiz o que era necessário, não me arrependo. — Irene respondeu.
—EU TE ODEIO! — Freya gritou, o corpo tremendo. Mais uma batida na porta.
—Mas, Freya escapou. — Bucky falou tentando ao máximo controlar a si mesmo — Se vocês a controlavam, como ela conseguiu escapar?
—A mente de Freya criou uma resistência, uma camuflagem para lidar com todo o abuso que sofreu. — Irene respondeu. Então ela sabia sobres abusos, sabia e não impediu, Freya pensou — Só que essa camuflagem começou a atingir o chip. Ele já não era tanto parte dela quanto antes e a sua ajuda, a sua proteção Barnes e aquela musica idiota enfraqueciam o algoritmo aos poucos. Era como se sua mente, tentando se libertar dessa situação traumática, também tentasse se libertar do algoritmo, foram dai que vieram os surtos. As perdas de memória. As vezes, Freya era duas pessoas ao mesmo tempo. Por isso, tivemos que começar um tratamento para impedi-la de bloquear o chip em sua cabeça.
—O que mais vocês fizeram comigo? — Freya perguntou sem folego, já não aguentando mais a dor.
—Raios gama. Foi a solução que encontramos para que o algoritmo continuasse intacto. Eles te faziam ficar acordada por mais dias, mas, tinham outros efeitos também. Mas, a batalha dentro da sua mente fez com que você esquecesse desses efeitos e dos experimentos. Você estava passando por coisa piores na mão de Kampmann e foi nisso que sua mente se concentrou.
—Que efeitos?
—Você descobrirá logo. — Irene sorriu — O que importa é que quando te encontramos no Brasil, descobrimos uma maneira de o algoritmo funcionar novamente.
Outro baque na porta.
—Como? — foi Tony quem perguntou.
—Barnes. — Zola respondeu — Mesmo não controlando mais a mente de Freya, eu ainda estava lá, ainda lia e leio os pensamentos dela. Quando Freya viu a noticia de que Barnes havia se tornado um Vingador, dei a ideia a seu subconsciente de que fosse a Nova York e depois invadisse Montauk. Então falei com Barnes e fiz Freya acreditar que para me destruir, todos os servidores precisavam ser ativados. Não esperava o bônus de vocês a levarem para casa. Freya se importa tanto com vocês, é tão agradecida por terem a acolhido. — Zola debochou. Mais um baque forte fez a porta estremecer.
—Mas, Freya ainda consegue te desativar. Ela ainda consegue acessar seu código. — Bucky falou em um tom desesperado.
—E um pouco tarde para isso agora, Barnes. Levá-la a Islândia e fazê-la assistir enquanto matava Kampmann deu forças ao algoritmo. Eu quase posso controlá-lo novamente. E o melhor de tudo, ela também me trouxe vocês. — Zola sorriu no monitor.
Bam! A porta estremeceu mais uma vez.
—Vamos começar. — Zola falou a Irene. Ela digitou algo no painel de controle.
No exato momento em que a porta foi derrubada e o restante dos Vingadores entrava na sala, Freya caiu, levando as mãos a cabeça.
Sentiu como se algo estivesse se libertando em sua mente. Mas, achou que a dor fosse matá-la.
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