Thousand Eyes.
14 Freya.
Notas iniciais
Clinica Healthy Mind — Nova York.
Freya ficou em silencio, as lagrimas caindo. Aquela lembrança estava trancada em seu peito a tanto tempo que foi como tirar um piano de cauda das costas.
Ela secou os olhos e olhou para Bucky. Ficou surpresa ao ver seus olhos marejados.
—Eu morria de medo de você antes. — Freya disse olhando nos olhos dele — Mas, você me salvou. Eu não tinha mais medo. Não de você.
Bucky apenas olhou para ela. Freya acabou com o espaço que havia entre eles, abraçando-o e ele colocou os braços ao redor dela. O braço de metal em seus cabelos, o rosto em seu pescoço.
Ela sempre evitava o toque de qualquer pessoa, morria de medo que encostassem a mão nela. Mas, não ele. Porque ela tinha vivido um verdadeiro inferno na mão de homens cruéis e ele poderia ter participado. Poderia tê-la machucado. Mas, nunca a machucou e ela sabia que ele nunca a machucaria.
—Me perdoa. — a voz de Bucky falou, o rosto ainda enterrado no pescoço dela — Por não ter parado-os antes. Por ter demorado tanto tempo para perceber. Para fazer alguma coisa…
Ela se afastou dele e colocou a mão em seu rosto.
—Você não sabia. — Freya disse firme — Você não tinha como saber e eu não te culpo.
—Mesmo assim, me perdoa por isso ter acontecido com você. Quantos anos você tinha? 14? 15? Eu sinto muito por isso ter acontecido. Muito mesmo…
Freya secou mais lagrimas que insistiam em cair e suspirou.
—Já acabou. Já passou. Eu só to tentando seguir em frente agora. Não quero ficar mais pensando nisso.
Bucky olhou para ela.
—Além do mais, acho que a doutora Sinclair vai querer morrer quando souber que me abri mais com você do que a terapia de grupo. — ela riu entre as lagrimas.
Bucky riu.
Era a primeira vez que ela o via rir e aquilo a acalmou. Ele era lindo quando sorria.
Bucky olhou bem para ela, os olhos azuis dele brilhavam. Ela sentiu um nervosismo que não era de medo e desviou o olhar, olhando de novo para o bosque. Ela viu pelo canto do olho ele desviar o olhar também, mordendo o lábio inferior.
—Ah, — Freya disse se lembrando do porque havia pedido que ele viesse — Tony Stark esteve aqui ontem. Ele contou que vocês acharam uma base da HYDRA em Montreal e meio que deixou escapar que você ouviu Zola.
—É. — Bucky confirmou.
—O que aconteceu?
—Eu cheguei perto dos servidores e ele falou. Ele disse que sabia que eu tinha te encontrado. Você tem ideia de como ele sabia?
Freya olhou para ele preocupada.
—Eu tenho algumas suspeitas, mas, não tem certeza de muita coisa ainda. — ela respondeu pensativa.
Bucky franziu a testa.
—A primeira é a de que Zola não foi destruído. Isso, na verdade, é uma certeza. Eu ajudei a desenvolver o algorítimo dele e sei que ele não foi completamente destruído…
—Mas, a HYDRA acabou. — Bucky contrapôs.
—Quando a Viuvá Negra vazou todos aqueles documentos foi um caos. Eu ainda estava presa por eles. O algoritmo tinha sido parcialmente destruído e agora a HYDRA tinha sido desmascarada. Mas, a HYDRA não acabou. Ela apenas se dissolveu. Montauk foi uma das ultimas bases a continuar funcionamento, pelo que eu sei. Eles me forçaram a recuperar o algoritmo de Zola, mas, estava desestabilizados. Vários fugiram, abandonaram a HYDRA. Mas, muitos ficaram, Kampmann entre eles. Por isso eu levei um ano para conseguir fugir.
Bucky tinha um olhar preocupado.
—Então você está dizendo que o Zola que eu ouvi era real? Que ele não foi completamente destruído e que aquilo não era coisa da minha cabeça?
—Isso mesmo. — Freya confirmou — O que me leva a minha segunda suposição e essa é só suposição mesmo porque ainda não tenho certeza: Eu acho que a HYDRA está me rastreando. Quero dizer, isso é obvio já que eles vivem me achando, mas, tenho feito de tudo para cobrir meus rastros mas, nunca dá certo…
—O que você quer dizer? — Bucky perguntou.
—Quando me encontraram no Brasil, um deles disse que “Zola sentia minha falta”. — Freya contou — E quando eu estava em Montauk, antes de me prenderem eu o ouvi. Mas, ele não falou nada, apenas deu risada.
—Espera, — Bucky falou — então você acha que o Zola está te rastreando? Ele mesmo?
Freya de ombros.
—É possível. Se ele não foi realmente destruído deve estar me procurando.
Bucky concordou com a cabeça.
—E essa também deve ter sido a razão por ele ter falado com você. Ele criou o Soldado Invernal e até agora só falou com você e comigo, a quem ele controlava… É melhor você tomar cuidado.
—Você também. — ele falou — Eu vou conversar com os outros.
—Procurem por qualquer sinal de Zola, acho que você vai conseguir reconhecer o padrão. — Freya orientou — Quando vocês forem a qualquer com suspeita de ligação com a HYDRA.
Bucky concordou e lhe lançou um olhar preocupado.
—E você? — ele perguntou.
—Eu?
—É. Você está segura aqui?
Freya se surpreendeu com a pergunta.
—To sim. O FBI está me protegendo e seu amigo Tony Stark também.
Bucky sorriu.
—Mas, se precisar mandem me chamar.
—Obrigado, Bucky. — Freya sorriu para ele e se levantou.
—É melhor eu ir agora ou vou me atrasar para a terapia com a doutora Sinclair. — Freya disse.
Bucky pareceu surpreso por ela estar indo, quase decepcionado.
—Obrigado por ter vindo. — Freya sorriu e saiu, quando já estava se afastando dos degraus ouvi-o chamar seu seu nome e se virou.
—Por que você voltou para cá? Quero dizer, você poderia ter ido para qualquer lugar…
Freya sorriu para ele e deu de ombros.
—Não sei. Acho que é porque me lembrei de você também.
E com isso ela saiu, deixando Bucky sentando nos degraus, sorrindo.
***************
Freya se encaminhou para o escritória da doutora Sinclair sentindo-se leve. Nem se lembrava da ultima vez que tinha se sentindo assim.
Ela bateu na porta de madeira do escritório, ma, não houve resposta. Ela bateu mais duas vezes, sem sucesso. Freya abriu a porta e entrou.
A doutora Sinclair estava sentada de costas para a porta. Demorou alguns segundos para que Freya percebesse que a mulher não se mexia.
—Doutora Sinclair? — ela chamou se aproximando com cautela e virando sua cadeira.
Freya gritou. Um único tirou perfurara o cranio da mulher, uma pequena trilha de sangue escorria de sua testa.
Freya se afastou do corpo, mas, uma mão segurou seu ombro e a fez se virar. Um homem alto e corpulento, com um pingente da caveira da HYDRA em sua jaqueta e uma arma na mão a segurava.
—Quem é você? — ela perguntou apenas para ganhar tempo.
—Você vem comigo. — ele disse, tinha o sotaque carregado.
—É, eu já ouvi essa, mas, acho que não vou não. — ela retrucou e o chutou na virilha.
Freya tentou correr, mas, ele a puxou de volta. Ela alcançou o abajur que estava em uma mesa próxima e acertou nele, o homem xingou, mas, não pareceu machucado. Ela empurrou a mesinha em que o abajur estava para cima do homem e correu para a porta, gritando para chamar atenção.
Freya abriu a porta e esbarrou em alguém. Olhando para cima, ela viu que era Bucky.
—Mas que…? — ele ia dizendo.
Freya ia respondeu quando o homem da HYDRA gritou para eles em russo. Ela se virou. O homem tinha a arma apontada para os dois.
Antes que ela pudesse puxar Bucky para que eles pudessem correr, ela ouvi a arma ser destravada.
E o homem atirou.
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ANTES
Teatro Montauk — Nova York — 2012.
Eles a tinham levado para aquele lugar há um mês. Ela ainda não tinha o visto, pelo menos, quado sabia que ele estava ali, se sentia menos pior.
Ela sentia que poderia viver com as coisa que tinha que fazer quando ele estava ali. Mas, não daquela vez.
Ela olhou pelo monitor da sala de controle. Kampmann de um lado e Zola do outro, seus olhos naquela maldita tela, sempre de olho nela. Ela nem se lembrava da ultima vez que havia dormido. Seria a dois dias atras? Três? Quatro?
—Agora. — Kampmann comandou.
Ela digitou os comandos e o alvo na tela foi destruído. Ela viu o sorriso de Zola na tela ao lado.
O algoritmo tinha sido atualizado mais uma vez.
FIM DA PRIMEIRA PARTE.
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