This Outlaw Life

9 Capítulo 8 – About Rollercoasters, Clowns and Fire


Notas iniciais
E aeeeeeeeeeeeeeeeeeee
Cara, quem ficou com raiva do ep levanta a mão
o/o/o/o/o/o/o/
Pelo menos valeu o abraço
Eu tô com pre(guiça)hoje então a nota vai ser curta
hehehehehe
Citações:
- Cosmopolitan = Versão americana da revista Nova
- Fairbrooks = Era onde a Quinn morava antes de ir pra Lima
- Six Flags = Cadeia de Parques de Diversões
- Senior Ditch Day = Dia em que os alunos de Senior Year matam aula, geralmente ocorre no dia 20 de abril ou cinco de maio.
- Mario Kart = Jogo de corrida da Nintendo
- Kamikaze = Brinquedo fechado que dá giros até de 360º e em alguns momentos ele chega a parada completa de cabeça para baixo.
- A música que a Rachel coloca pra tocar no IPod é essa http://www.youtube.com/watch?v=p22BfALgJpw

Rachel Berry estava tensa. Fato. Desde que acordara manhã cedo, vestindo o casaco azul de Yale de Quinn (sua atual peça de roupa favorita), e começara a planejar com cuidado o que faria. As flores foram o mais fácil, já que precisava de algo que chamasse a atenção e que plantasse alguma dúvida. Depois, pensou em algo simples para o encontro, uma refeição, conversa, um passeio pelo parque. Traria resultado e era o que pessoas normais faziam. Mas isso seria uma aposta segura, e se tinha uma coisa que aprendera na Broadway é que ninguém ganha um papel indo na zona de conforto.

Tinha que ser um lugar especial, no qual a loira ficasse confortável o suficiente para se abrir e dar alguma chance para se aproximar, mas que ao mesmo tempo, fosse memorável e criativo.

Olhando a página do Google aberta no notebook, ela teve um sopro de inspiração. Sabia exatamente aonde levar que o fazer.

– Não tem nada que se aproveite nesse closet. – Kurt tinha um ar de derrotado ao cair na cama da diva. Ela nem ergueu os olhos da tela, apenas digitava e clicava, marcando uma rota no Google maps e na outra aba, vendo como programar o GPS no Cadillac de Leroy. – Ainda bem que pedi para mandarem isso de New York o mais rápido possível.

Sua cabeça virou, acompanhando o som de zíper sendo aberto, enquanto a impressora fazia seu trabalho, soltando páginas. Seus olhos chocolate brilharam ao ver o vestido preto.

– Onde arranjou isso? – Perguntou, deslumbrada por ver a peça de roupa. Ela tinha ficado apaixonada pelo vestido ao vê-lo em um dos muitos desfiles que o agente a obrigara a ir. Tinha até tentado comprá-lo, mas o estilista que o fizera guardou para sua coleção pessoal.

– Levo pro túmulo. – Kurt estufou o peito de forma convencida, olhando para as próprias unhas. — E você me deve uma.

O queixo de Rachel caiu e seus olhos se contraíram em incredulidade. Claro, tinha que ter alguma coisa em troca, e tinha uma leve idéia que teria haver com voltar para New York.

– E o que você quer? – Indagou sendo furtiva. Era melhor saber logo de uma vez com o que estava lidando.

Um sorriso maquiavélico surgiu no rosto de Kurt, parecido com o do Grinch quando pensou no plano de roubar o natal. A diva ficou assustada, para que o agente ficasse daquele jeito, significava que havia uma chance enorme dela detestar a proposta.

– A Cosmopolitan quer fazer uma matéria com você pra próxima edição. –A judia cruzou os braços e torceu os lábios. – Matéria de capa.

– Deixa adivinhar. – Interrompeu o amigo. – A sessão de fotos vai ser em New York.

Ele balançou a cabeça de um lado para outro, como se estivesse pensando. A morena sentiu um arrepio de ansiedade correr a espinha.

– Não. – Respondeu animado, apertando as próprias mãos com força, para conter a excitação. — Vai ser aqui em Lima. Eles querem conhecer a cidade que criou a mais nova diva em ascensão da Broadway.

Ela deu pequenos pulinhos de empolgação, com o rosto sendo iluminado por um riso de 10 mil watts. Na pior das hipóteses, tinha conseguido três dias de folga da peça, não era o ideal, mas já era alguma coisa. Se Quinn detestasse o encontro, ela ainda teria algumas chances para tentar concertar... Não que fosse falhar, tinha a mais plena certeza de que seu plano seria bem sucedido, porém era bom saber que tinha margem para tentar algumas outras idéias.

Todavia, ainda tinha algo a incomodando.

– Por que? – Seus olhos chocolate fitavam os azuis de Kurt de forma inquisidora.

– Por que o que, Barbra? – Ele fingiu que não havia entendido a pergunta, mas Rachel conhecia-o muito bem.

– Ontem você estava louco de vontade pra que eu caísse no primeiro avião de volta pra New York. E agora, me dá quase uma semana inteira aqui. – Cruzou os braços, tentando decifrar o nervosismo que vinha do amigo.

– Seria muito egoísmo, dizer que eu também quero ficar. – Ele se sentou na cama, soltando o ar de seus pulmões com força.

A judia o imitou, envolvendo-o em um abraço carinhoso. Por muito tempo, ela só podia contar com o garoto, principalmente durante a faculdade. Imaginavam que tudo seria muito mais simples em NYADA, que as pessoas lá seriam muito mais abertas do que em Ohio, ledo engano. Era tudo quatro vezes pior, já que todos queriam um lugar nos holofotes, e pareciam ser incrivelmente mais talentosos do que ela. Esteve a ponto de desistir inúmeras vezes (e Finn comemorava em cada uma delas), mas Kurt nunca deixou que isso acontecesse.

– Quem é ele? – Sua voz soou carinhosa. Essa repentina mudança tinha cheiro de paixonite.

– Blaine. – O amigo pousou a cabeça no ombro de Rachel. – É um dos aspirantes. Ele é tão doce e tão animado e...

A morena sorriu. Era uma ironia, os dois, estarem caídos por membros dos Titans, apesar de que sempre fora apaixonada por Quinn mais demorou a admitir. Ela refletia porque tinha ignorado que o tempo que a loira possuía todas as qualidades que procurava quando começava a namorar alguém. Talvez fosse medo de ter o coração partido, ou medo de se acomodar... Sabe-se lá... Naquela hora ela tinha certeza de uma coisa, Quinn Fabray seria sua no final do encontro.


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– Nós já chegamos? — Ouviu Quinn perguntar curiosa, com os olhos vendados. Ela lembrava a uma criança ansiosa e impaciente, num passeio muito longo, que fica perguntando aos pais quanto ainda faltava para o destino final. Era tão adorável que Rachel não podia parar de sorrir.

– Quase lá. – A judia falou marota.

Na verdade, o destino era bem perto de Lima, mais ou menos meia hora, na cidade vizinha de Fairbrooks, porém a morena decidiu dar algumas voltas para que não tivesse pistas de onde estava indo.

– Desse jeito, – A ex-cheerio disse irritada. – Vou pensar que você está me seqüestrando.

– Quem sabe algum dia... – Brincou a diva, manobrando o Cadillac na vaga, entre duas caminhonetes velhas, implorando para serem batida. – Mas não hoje. Pronto.

Sem nem mesmo tirar o pano preto que lhe cobria os olhos, Quinn soltou o cinto e desceu do carro. Ao finalmente se livrar da venda, encarou o enorme letreiro com um riso sarcástico no canto do lábio.

– Sério, você me trouxe num parque de diversão. – Cruzou os braços, fitando a judia, que dera a volta no carro, e agora estava de frente para Ela.

– Não é um parque qualquer. – As mãos pequenas de Rachel seguraram nos antebraços da ex-cheerio. – É o Six Flags, lembra...

– Senior Ditch Day. – As duas falaram em um tom uníssono que fez Quinn abaixar a cabeça por um instante.

Tinha sido idéia dela ir ao parque no famoso dia de folga dos alunos do Senior Year, mas a loira nunca apareceu, e Rachel se culpava por isso. Algo lhe dizia que a outra queria evitar vê-la andando nos brinquedos do parque ao lado de Finn, agindo como um casal feliz. Só não abandonou o Glee club porque Shelby, na época co-diretora junto com Sr. Schue, a impediu.

– Desmancha essa cara de tristeza... – A morena falou empolga, puxando a outra pelas mangas do casaco. — Eu sei que você adora um parque.

Esperava uma reação assim, pelo menos a princípio, porque a sua loira mantinha essa postura rígida e fria, coberta de sarcasmo, mas quando se insistisse um pouco, acabava cedendo, e permitindo que se entrasse nos muros que construiu ao seu redor.

– É, quando eu tinha 18 anos... – Respondeu num tom azedo, porém acompanhando a diva até as catracas. – Mas naquela época eu achava engraçado quando o Puck fazia barulho de pum no meio da aula. – Encrespou o lábio, com a memória do rapaz de moicano fazendo os sons mais impróprios com a boca, apenas para deixar o professor de biologia louco de raiva. – Além disso, venho aqui todos os anos pra corrida de caridade dos Titans.

– Mas você nunca veio comigo. – A diva fez um bico, como se tivesse ficado magoada. Era impossível resistir quando tentava ser adorável. – Prometo que deixo você ganhar de mim na corrida de kart. – Puxou-a com um pouco mais de força, e fazendo-a dar alguns passos para frente.

– Você nunca ganhou de mim no kart. — Abriu a boca numa expressão de incredulidade. – Você é um tremendo de um café com leite nisso. Nem no Mario Kart você ganhava.

– Me prove então. – Usou um tom de desafio.

Sim, ela estava apelando. Quinn era tão competitiva quanto ela, bastava propor um desafio, que logo o orgulho Fabray falava mais alto e a empurrava pra qualquer que fosse o esporte. Ei, mas o que interessa é que deu certo. Em questão de segundos, a ex-cheerio estava passando as catracas e arrastando a diva para a pista de corrida do parque.

Havia uma fila gigantesca, já que era domingo e parecia que todo mundo tivera a mesma idéia de ir ao Six Flags naquele dia, mas não precisaram que ficar muito tempo em pé. O colete dos Titans praticamente fez todo o serviço de levá-las até a entrada. Na hora que viam o nome do clube marcado nas costas da garota, era como se o mar de pessoas se abrisse, dando passagem para as duas, o que fez Rachel ficar boquiaberta. Em situações como essa dizia que era uma diva da Broadway e fazia o mesmo efeito, menos quando pegava algum segurança casca-grossa ou algum invejoso.

– Impressionante. – Comentou a cantora, enlaçando seu braço no da loira. – Funciona em supermercados também?

– Qualquer lugar dentro do condado. – Respondeu confiante, entregando os tickets para o funcionário do parque. – É melhor do que o distintivo da Santana.

Assim que os nove karts estavam ocupados e as instruções foram dadas aos “pilotos”, a bandeira quadriculada deu a largada. Como era de se esperar, Rachel e Quinn ficaram altamente competitivas, a ponto de esquecerem que a maioria dos outro motoristas eram adolescentes de 15 e 16 anos.

A morena ficava pressionando por ultrapassagem sempre que podia, e quase jogou um dos garotos para fora da pista. Já a outra, assumiu a ponta logo na primeira volta, não perdeu a oportunidade de prender a diva atrás de um moleque que andava mais devagar do que um velho caolho dirigindo um fusca, só pra fazê-la ficar com raiva.

– Você trapaceou. – Reclamou, vendo ar convencido tomar conta do rosto da loira. – Eu quero revanche.

– Vitória é vitória. – Ela disse, olhando para as unhas e ignorando os protestos. Mesmo que quisessem, não podiam voltar pra a pista, o pobre do funcionário tinha terminado a corrida faltando duas voltas pro final, justamente por causa da competitividade das duas. – Anda, vamos em outro brinquedo.- Agora fora a vez dos dedos da ex-cheerio enlaçarem os da diva.

Mordeu o lábio para conter um gemido de felicidade. Não é muita coisa, apenas mãos dadas, porém, é um avanço, ainda mais quando é um gesto tão espontâneo e vindo pela vontade da loira.


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Rachel apertou as pálpebras com força quando o operador do brinquedo abaixou o cinto de segurança.

Já tinham andando no carrossel, no dança maluca, jogado alguns videogames com zumbis e outros de esporte, e ela ainda não sabe o que deu nela em pedir para vir na montanha-russa. Talvez fosse porque Quinn parecia morta de vontade de ir ou porque não fosse tão assustador quanto o trem fantasma ou o kamikaze, mas fato é que agora que estava sentada no primeiro vagão, vendo a enorme subida a diante, começava a pensar que qualquer um dos outros dois brinquedos era muito mais atrativo.

– Nervosa? – A mão delicada apertou a sua e de repente, foi como se todo o medo que estava sentindo, diminuísse um pouco.

– Muito. – Abriu os olhos por um momento, fitando a expressão divertida no rosto de Quinn. — É a primeira vez que ando em uma montanha-russa. – Explicou.

– Como assim? – A ex-cheerio abriu a boca, surpresa. – Em New York tem Coney Island, o Victorian Garden e o Adventureland.Você nunca foi neles?

– Nunca tive tempo. – Com todos os ensaios, audições, faculdade e o trabalho em meio período, servindo café em um Starbucks, para ajudar a manter o apartamento que morava com Finn, mal sobrava tempo para se divertir ou fazer aqueles tradicionais passeios de turista.

– E no Senior Ditch Day? — Quinn perguntou curiosa.

– Finn foi barrado na catraca por ser muito alto, Santana e Puck não estava falando comigo, Mercedes foi com Shane, e o Kurt sumiu na fila do algodão doce. — Deu de ombros, como se não fosse nada de mais.

A loira abaixou os olhos e se calou. Isso fez com que Rachel se chutasse mentalmente por ter aberto sua boca grande. Ainda bem que não contou que o resto do tempo no Six Flags foi assistindo Finn passar o tempo inteiro no mesmo videogame e enquanto comia nachos com queijo e carne moída.

– Foi nesse dia que... descobri que estava grávida. – Quinn disse num tom de voz bem baixo, sem saber se deveria falar ou não. – Eu acordei enjoada. Tudo me fazia vomitar, o cheiro do café, dos ovos... Até do bacon. – A morena franziu a testa, se prendendo em cada palavra. Se proferisse qualquer coisa, mesmo que fosse de apoio, a ela iria se fechar. — E eu já estava uns dois meses atrasada... Só liguei pra treinadora Corcoran e contei o que aconteceu. Foi ela quem trouxe os testes de farmácia e inventou uma história qualquer pra minha mãe.

– Bom... Você podia ter me ligado. – As íris chocolate de Rachel ficaram vagando de um lado para o outro, sem se fixar em nada. Estava ferida por ter perdido tanto da vida de Quinn, e sabia que se estivesse ao lado da ex-cheerio, poderia ajudar. – Nós estávamos brigadas, mas eu nunca negaria ajuda.

– Eu sei, mas ficar perto de você, ainda mais tão vulnerável, seria masoquismo. – Disse, sentindo o vagão entrar em movimento, subindo a ladeira íngreme. – Esquece isso. Vamos só aproveitar.

Rachel acenou com a cabeça e apertou firme a mão da loira, enquanto seu estômago revirava de ansiedade.

Nem é preciso contar o que aconteceu quando o passeio terminou. Mal o funcionário do parque soltou o cinto de segurança, e correu até a lata de lixo mais próxima para vomitar. Quinn apenas riu. Nunca tinha visto ninguém correr tão rápido, nem mesmo quando botava algumas Cheerios novatas para irem comprar café, dizendo que tinha sido ordem da treinadora Sylvester.

– Melhor pra fora do que pra dentro, Rach. – Passou a mão nas costas da morena que deve ter colocado para fora todo o algodão doce, as maçãs carameladas e as pipocas com manteiga artificial que comera antes.

– Diz isso pro meu estômago sensível. – A cantora voltou a boca na direção do cesto, ao sentir alguma coisa vindo na garganta.

– Ninguém mandou você comer esse monte de porcaria. – Quinn riu, ajudando-a a sair de perto da lixeira e entregando-lhe um guardanapo que estava dentro do bolso do casaco. – Toma

– Podia ter me impedido. – Resmungou. Tinha perdido a noção de onde estava, tudo o que via eram cores difusas e luzes estranhas, as imagens estavam desfocadas e o movimento das pessoas parecia mais lento do que o normal, igual a quando se fuma um baseado.

– Vamos, vou ganhar alguma coisa pra você no stand de tiro ao alvo. – A voz condescendente de Quinn entrou em seus ouvidos e foi tirando-a do transe causado pelas náuseas.

– Tem que ser bem grande, viu. – A morena apertou os olhos com força na esperança daquela sensação passar mais rápido.

– Você escolhe, Rach. – Sentiu a pressão leve de dois braços envolvendo seus ombros, guiando-a pelas ruas do parque.

Ela suspirou, voltando-se para enterrar o rosto no pescoço de Quinn. Ela respirou fundo, e o cheiro de baunilha e jasmim do perfume da ex-cheerio nadavam pelo seu nariz deixando seu cérebro profundamente inebriado. O cheiro de Quinn era viciante para ela, e mesmo sua visão já tendo voltado ao normal, a morena apoiou uma das mãos nas costas da loira enquanto a outra ficou na cintura, para que pudesse acompanhar as passadas.

Entretanto, o universo sempre dá um jeito de atrapalhar momentos tão perfeitos. E pra variar, tinha que ser um palhaço idiota para fazer isso. Literalmente falando.

– Ow! Que meigo! – Gritou com sarcasmo o palhaço sentado em ma tábua de madeira, com um tanque de água gigante em baixo um alvo pintado bem do lado e a placa: “Derrube Clowns, o Palhaço, e ganhe um prêmio. Três arremessos, cinco dólares.” — A motoqueira malvada tá agarrada na namoradinha. Aposto que a nariguda aí te deixa sem ar. Você deve precisar de um cilindro de oxigênio pra agüentar ficar perto dela.

Quinn parou e fuzilou o tal do Clowns, arqueando a sobrancelha direita, provavelmente pensando em mil formas de esquartejar um estúpido vestido de palhaço. Rachel apertou forte a cintura da outra, fazendo-a virar e fitar as orbes chocolate.

– Esquece esse imbecil. – A expressão no rosto de Quinn foi se amansando, e a morena achou interessante o poder que tinha sobre a ex-cheerio (pelo menos, quando não estava bancando a difícil). – Ainda quero um souvenir da barraca de tiro ao alvo.

– Iiiiiihhhhhhhh, já sei qual das duas tá na coleira. – O impróprio palhaço berrou, ainda mais irônico. – Pau-mandado. Faz tudo o que a nariguda quiser.

– Esse palhaço já me deu nos nervos! – A judia saiu pisando duro até o alvo e empurrou o botão vermelho no centro, derrubando Clowns no tanque. Antes que o ele pudesse levantar para buscar por oxigênio, as mãos pequenas, porém fortes, da morena empurraram no de volta pra água. – Isso é por você atrapalhar meu encontro, seu babaca.

NUNCA, em hipótese nenhuma, deixe Rachel Berry nervosa. Ela pode não ter nascido em New York, mas passou tanto tempo idolatrando aquele lugar, aprendendo cada minúcia dos costumes de lá, que acaba incorporando o espírito nova-iorquino de ser.

Depois da surra que a cantora dera em Clowns, e que só terminou porque Quinn a arrastou para longe (senão o cara iria acabar morrendo afogado), as duas foram para o stand de tiro ao alvo e o resultado foi o urso polar de pelúcia, de um tamanho descomunal, ganho com alguns disparos certeiros nos coelhos pintados nas placas de metal que funcionavam como alvo (um ultraje para a atriz, mas que mudou logo de opinião ao ver o prêmio.)

– A gente podia ficar pra ver os fogos. – A morena disse, vendo no relógio de pulso que eram por volta da sete da noite.

– Os fogos de artifício são na semana do quatro de julho e no ano novo. – Corrigiu, colocando as mãos nos bolsos e enquanto uma expressão triste surgir no rosto da diva. – Posso dar um jeito disso acontecer. – Um sorriso travesso apareceu e que deixou Rachel intrigada. – Mas você tem que me deixar dirigir.

– O que está tramando, Quinn Fabray? – Procurava as chaves do Cadillac dentro da bolsa, tentando prever o que estava se passando na cabeça da outra.

– Você vai ver. – Ela puxou a cantora pela mão e saiu correndo, pronta para armar alguma traquinagem.

A judia também preferiu se calar e segui-la. Nem adiantava questionar, Quinn diria que era uma surpresa, daí a morena falaria que detestava surpresas, a loira iria rir e no final ainda continuaria sem descobrir o que era.

O carro andava rápido pelas ruas de Fairbrooks, Era como se a ex-cheerio conhecesse aquelas ruas melhor do que as de Lima. Parou em frente a uma loja de aspecto antigo, com aquelas vitrines pintadas com cores berrantes e ar de anos sessenta, em que se lia “Howard’s Warehouse”. Ela não demorou muito, já que a o armazém já estava fechando e parecia vazio. Quinn colocou o par de sacolas de papel no porta-malas antes de voltar ao lugar do motorista.

– O que é aquilo? – A morena quase pulou no banco de trás, no assento ao lado do urso polar, apenas para matar a curiosidade.

– Comida. – Falou, sem se alongar muito. – Fique tranqüila, Rae. Lembrei que você é vegan, e garanto que vai gostar do que vamos fazer.

“Rae", repetiu o apelido que acabara de ouvir para si mesma. Nunca tinha sido chamada Rae, geralmente era Rach ou Berry, até mesmo Rachie (que ela detestava, já que tocamos no assunto). Podia se acostumar com ele, especialmente, se saíssem dos lábios rosados de uma certa loira.

Logo entraram em uma trilha coberta de cascalho e brita, que fez a cantora agradecer aos céus por ter escolhido a SUV de Leroy ao invés do sedan esportivo de Hiram. Seu pai ficaria muito irritado se seu Impala zero quilometro aparecesse com alguma marca ou arranhão na lataria brilhante e reluzente.

– Chegamos. – A motorista parecia bastante animada ao descer do carro.

Rachel a imitou, sem saber aonde esse “chegamos” era. Estavam em um morro, levemente aplainado. Tinha uma grama verde-vivo e aparado com perfeição por onde quer que se olhasse, atrás do carro, um jardim com flores de vários tipos, como lavandas, acássias e tulipas, misturando o colorido de cada uma e tornando tudo mais bonito, e para finalizar, a vista, dava para ver todo o Six Flags dali, com as primeira luzes sendo acesas e pequenos pontos percorrendo as vias do parque. A morena perdeu o fôlego apenas admirando.

– A igreja que nós freqüentávamos é dona desse terreno. – Explicou Quinn, que carregava as duas sacolas de papel e entregando uma a garota. – Dá pra vê-la daqui. – Apontou para o prédio rústico com vitrais coloridos e uma cruz no meio das inúmeras torres. – Eu vou preparar seus fogos, Srta. Berry.

A cantora parou e coçou a têmpora, tomando cuidado para não derrubar o saco. Quando foi que os papéis se inverteram? Era ela quem deveria estar fazendo de tudo para conquistar-la e não o contrário.


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Rachel estava empolgada, claro, não é todo dia que se tem um show pirotécnico exclusivo, com a garota que você ama bem do lado, tão ou mais animada que você... Tudo bem, vai, eram só algumas caixas de fogos de artifícios, que iria durar no máximo alguns segundos, porém estava de bom tamanho.

– Terminei. – Quinn puxava ao fio preto de algodão que servia de pavio para detonar até o capô do Cadillac. – Acende agora ou esperamos mais um pouco?

– Espera. Eu tenho a música perfeita pra esse momento. – A morena correu para dentro do carro e ligou o IPod no som.

Assim que os primeiros acordes soaram nas caixas, a loira riu, passando o dedo pela sobrancelha bem feita. Era uma versão que a judia tinha feito da música favorita da ex-cheerio, em uma das muitas reuniões do Glee.


We could just go home right now

Or maybe we could stick around

For just one more drink, oh yeah


– Você ainda tem isso?! – Ela ria, brincando nervosamente com isqueiro após acender o pavio.

– Acabou virando minha música favorita. – Rachel deu ombros enquanto saía do veículo, parando bem ao lado de ex-cheerio e encarando o céu estrelado.

– Claro, foi a música que nos deu as Nationals de 2012. – A voz de Quinn saiu carregada com tristeza.

– Nem é por isso. — Ela continuou sorrindo, esperando pelo show. – É porque me lembra de você.

Os fogos estouraram quase todos ao mesmo tempo, tingindo o azul escuro com luzes multicoloridas se misturando com a iluminação brilhante do parque de diversões e pipocando com sonoros estouros. Para Rachel, apesar de mais modesto e com sérias restrições orçamentárias, isso conseguia ser mais bonito do que o ano novo na Time Square.

Foi nessa hora, com o céu voltando a sua tonalidade original, que a intuição bateu em Quinn. Algo lhe dizia que era sua última chance daquela noite de tentar algo ousado, algo que fosse marcar aquela noite como o momento em que provava para si e para a judia de que todo o sofrimento, toda a distância, tudo valia a pena.

A loira abaixou a cabeça. As pontas dos dedos roçaram no queixo da morena, tocando-o com uma pressão suave, o suficiente para que virasse o rosto e vislumbrasse verdade nos olhos esverdeados da ex-cheerio. Ela lambeu os lábios nervosamente, como se estivesse considerando um ato de insanidade. Antes que pudesse dar qualquer ordem, seus lábios pressionaram contra os de Rachel, se movendo tortuosamente com a resposta imediata da cantora. Empurrou o corpo pequeno contra o seu, aprofundando o beijo e abrindo passagem para a língua que pedia para entrar. O coração da cantora pulou uma batida com a descarga elétrica e gosto extasiante que tomava conta de sua boca.

Aos poucos a intensidade foi diminuindo, até que o beijo cessou (mais por falta de ar do que por outra coisa, se fosse possível, continuariam do mesmo jeito ou pior).

– Podia ter feito isso durante os fogos. – Brincou a diva, descansando a testa contra a de Quinn.

– Seria clichê. – Zombou.

Será que era possível ficar ainda mais viciada em Quinn Fabray?

Notas finais
Sooooooooooooo
Valeu a pena a espera?
Eu ia dividir o cap, mas seria muita maldade.
E ninguém me tira da cabeça que "Here's to Us" é a música mais Faberry que já tocou em Glee.
Blz?
Dúvidas, reclamações, sugestões, problemas sexuais, deixa nas reviews que o tio responde.
bjs e até semana que vem