This Outlaw Life

4 Capítulo 3 - Are You Trying To Seduce Me?


Notas iniciais
Falaaa povo Faberry.
So...
Esse cap tem um pouco da Quinn como presidente do Titans e um pouco da vida da Rachel em New York.
Quem adivinha qual é o problema dela com o Finnapto?
Citações importantes:
Mayans: Gangue de motoqueiros formada apenas por latinos e que vende droga.
Nords: Gangue de nazistas que fabrica meta-anfetamina e que está expandindo os negocios. Ernest Darby é o Líder e principal membro
Waubonsie Valley High: Colégio de Chicago que é o atual campeão americano de corais.

O centro de Lima estava relativamente vazio para um sábado de manhã. A maior parte da área era composta por prédios comerciais, bares e boates, o que significava movimento quase nulo às nove da manhã. O único estacionamento que tinha sinal de vida, com algumas motos paradas, era em um prédio pequeno, de tijolos escuros com o letreiro de neon escrito “Eros’s Spell”.

Aquela era boate de striptease mais famosa e mais popular do condado. As paredes avermelhadas, carpete da mesma cor e a luz fraca espalhada pelo lugar tornavam o ambiente sedutor e com um pouco mais de classe do que as outras casas vizinhas, as luzes brilhavam apenas no palco principal, onde havia um poste enorme no centro, e as mesas estavam espalhadas por todos os lados.

Mas o mais importante daquele lugar ficava perto do palco, numa próxima a passagem dos bastidores, com uma placa branca com letras pretas e grandes em que se lia “Apenas Pessoal Autorizado” e os únicos que podiam entrar eram os que empunhavam os coletes com o elmo cravado nas costas e as palavras “Titans” e “Ohio” em volta do símbolo.

Ali, após um longo corredor, ficava a “Capela”, a sala na qual todas as reuniões do motoclube aconteciam, a parte mais sagrada de todo o prédio. Era protegida contra escutas e celulares eram proibidos depois da porta de carvalho. A decoração do cômodo se resumia a fotos dos membros dos clubes, tiradas dos registros policiais, e a grande mesa retangular no centro e várias cadeiras em volta, com a figura loira e séria de Quinn na cabeceira, sozinha, com uma pilha de papéis do lado, concentrada em sua leitura.

– Hey... – Levantou a cabeça, virando na direção da voz de Connor, que entrava na sala. – O pessoal já foi embora. – Ele puxou o assento a esquerda e o tomou logo em seguida. – Mandou bem na reunião hoje, mas tem certeza que é o movimento contra os Nords é o mais acertado? – Perguntou, empurrando o óculo de armações grossas para perto do rosto.

Ela revirou os olhos. Sam também tinha questionado o plano de ação para expulsar uma gangue de neonazistas vinda da Califórnia e que queria fazer laboratórios de anfetaminas disfarçados de loja de ferramentas em Lima Heights. A última coisa que precisava agora era desse tipo de insubordinação.

. – Eles são animais, mandar os aspirantes quebrarem as lojas e os ossos de quem estiver dentro vai apenas fazer com que esses nazistas imbecis venham retaliar nas nossas boates, além de transformar Lima em uma zona de guerra. – “E deixar Santana irritada e colocando a culpa em mim porque ela vai ter que trabalhar mais” Pensou, guardando o comentário para si. – Eu vou conversar com o Darby, enquanto os outros vão explodir a casa que eles usam pra estocar armas e drogas, fazendo parecer um acidente. – A loira disse num tom ameno. — Isso dá tempo pra filial de Columbus ajudar os Mayans a tirarem os Nords das ruas.

– E se o tal Darby armar pra cima da gente? – Coçou o pescoço, refletindo sobre as possibilidades do encontro dar errado, porque a única coisa que se pode esperar de um criminoso é desonestidade.

– É por isso que você e o Blaine vêm comigo. – A loira abriu um sorriso irônico. – Vou ter um bom atirador e um médico por perto se isso sair do controle.

Connor apertou os olhos e balançou a cabeça. Parecia que Quinn era viciada em adrenalina, preferindo estar no meio da ação ao invés de se esconder na Capela, como seu pai fazia. Burt contara para o médico que Russel tirava o corpo fora quando algo perigoso deveria ser feito, seu Sgt. At. Arms ia no lugar para fazer a função que seria do presidente. Quatro morreram por causa da covardia que ele chamava de “lei da sobrevivência”.

– Eu sei que você não veio aqui pra falar disso. – A ex-cheerio guardou os papéis dentro de um envelope pardo, guardando-os no cofre escondido sob a tábua solta, debaixo de sua cadeira.

– São dois assuntos... Complicados. — O garoto franziu o cenho e torceu os lábios, fazendo uma careta engraçada, recebendo uma sobrancelha arqueada pelo eufemismo. – O assistente do Sr. Berry ligou avisando Puck vai ser solto hoje de tarde da OSP (Ohio State Penitentiary). Os aspirantes já estão preparando a festa pra de noite, mas você sabe que ele vai querer ver a Beth antes de vir pra cá...

– Ou seja, alguém, do verbo “eu”, vai ter que ir falar com a Shelby.– Ela passou a mão insistentemente pela nuca. Gostava de Shelby, estavam se dando bem, a mulher deixava Quinn visitar a filha todos os dias, porém quando o assunto era Puck, a treinadora do Glee era irredutível, já que, apesar de ser um bom pai, o rapaz de moicano era um péssimo marido, atualmente ex-marido.

– É o mínimo que podemos fazer pelo Puckerman, Quinn. – Argumentou. — Ele foi preso protegendo o clube e quase perdeu um olho na cadeia por isso.

Ela balançou a cabeça, os Titans deviam muito a Noah.

– Eu vou, mas só se você vier junto. – Apontou o dedo para Connor. De alguma forma, Shelby acabava cedendo quando o médico estava junto intercedia pela loira. – Qual o segundo assunto “complicado”? – Quinn se levantou, pegando a mochila e o capacete escondidos sob a mesa

– Russel disse que quer falar com você assim que puder.

– Que tal, dia de são nunca, depois da chuva de canivete. – Rebateu com sarcasmo.

– Bom, eu tentei. – Connor ergueu as mãos sem insistir. – Mas você sabe que vai ele vai forçar a barra pra conversar contigo.

– Quando ele vier, eu lido com isso. – E com essa frase a loira saiu da capela apressada. Eram quase nove e quinze, e precisava ir à casa de Rachel e depois pedir para Santana atrasar a ronda de Lima Heights em dez minutos. Era uma batalha impossível de ser vencida. Russel era o principal opositor da filha, baseando-se em pura inveja, já que a garota realizara em três anos tudo o que ele não havia conseguido em uma década a frente do clube. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde, ele iria tentar alguma coisa, entretanto, tinha assuntos mais importantes para tratar


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Quinn passava de moto, vagarosamente aproveitando a calmaria. Quem a visse andando de forma tão pacifica não imaginaria o caos que estava dentro de seu peito. Era uma revolução, com direito a tiros, bombas e o que mais pudesse causar dano. Rachel Berry tinha o dom de transformar sua vida da noite pro dia, deixando seus sentimentos de ponta a cabeça e berrando igual a um passeio de montanha russa. Quase não conseguiu dormir graças a mensagem marcando um encontro. Achou estranho a garota ter seu telefone, mas algo lhe dizia que Kurt tinha a ver com isso, já que era o único amigo em comum que possuía seu celular. Depois soltou um suspiro de alívio. A mensagem dizia “venha a minha casa”, isso significava que a diva estava na casa dos pais, e não nos Hummel, o que podia não ser muita coisa, mas bastava para dizer que Finn Hudson não estava colocando as mãos gigante, sujas de graxa na sua garota... “Ela não é sua garota. Para com isso pelo amor de Deus, Fabray.” A porção racional de seu cérebro repreendeu no mesmo instante.

Tirava o capacete, estacionada em frente ao gramado bem aparado dos Berry. Tinha que admitir, Leroy e Hiram cuidavam muito bem da casa. Eles foram os únicos a rejeitar ajuda dos Titans no projeto de revitalização do bairro. Também, diferente dos outros moradores, ambos sempre tiveram uma condição financeira estável, e podiam arcar com qualquer tipo de despesa extra que aparecesse.

Seus dedos ajeitaram algumas mechas de cabelo rebelde enquanto caminhava em direção a porta. Não tinha idéia do que iria dizer, se concentrando mais nas pequenas ações que a levariam ao prédio. Se pensasse muito naquilo ou em quem estava lá dentro, era capaz de virar as costas, correr de volta para moto e ficar fora de Lima até que Rachel saísse da cidade novamente.

Quando seus pés pisaram a varanda de madeira soube que não teria mais como voltar atrás. A porta se abriu, antes que tivesse a chance de tocar a campainha. Seus olhos ficaram estáticos e o coração insinuou a querer sair pela boca. Rachel vestia um short preto curto, bem curto, com as pernas bem torneadas do lado de fora e seu casaco. “Para de olhar, ela deu um fora em você”, Quinn repetia como um mantra dentro de sua cabeça, na esperança de que alguma hora acabasse obedecendo.

A morena tirou os fones de ouvido e deslizou as mãos para dentro do bolso, aparentando estar confortável dentro do agasalho um pouco maior que ela.

– Oi Quinn. – Cumprimentou abrindo um daqueles sorrisos que podiam iluminar uma cidade de grande porte por um bom tempo.

– Hey Rach...el – Ia chamá-la pelo apelido, mas completou quando deu conta do que ia fazer. Velhos hábitos não se mudam da noite pro dia, mesmo que tenha se passado quase sete anos desde a última vez que se viram. – Acho que vim cedo demais. – Olhou para o relógio, vendo que ainda eram por volta das 9h45 da manhã.

– Fui eu que fiquei na cama mais tempo que o necessário. – Falou um pouco desconcertada. Tinha acordado às seis, como de costume, entretanto sua cama e o casaco da loira estavam tão convidativos que preferiu ficar deitada um pouco mais . – Me acompanha no café da manhã? – Rachel a encarou com os olhos pidões, tentando parecer o mais adorável possível.

– Ahãm... – Quinn passou a mão pela nuca, sem graça em negar o pedido da outra. – O Connor está me esperando pra ir falar com...

Arqueou as sobrancelhas e a abriu a boca numa expressão confusa.

– Oh... Tudo bem. Ele é seu namorado. Pode achar ruim você aparecer na casa de uma ex. – Disse com certa tristeza, que incomodou bastante.

– Não, não é isso. – Emendou a loira, apertando a ponte do nariz, vendo uma morena aparentando estar bastante ofendida. Porque não disse que tinha um compromisso inadiável? Mais uma vez odiou ser tão fácil conversar com Rachel Berry. – Ele não é do tipo ciumento.

Os olhos chocolate se estreitaram numa aparecia sorrateira, acentuada com o sorriso no canto dos lábios. A diva tinha um plano, claro, não seria ela se não tivesse um, entretanto sua consciência apenas a deixaria pôr-lo em pratica se tivesse a certeza de que não iria prejudicá-la, ainda mais quando tinha alguém com quem ela se importava e sem querer, Quinn acabou dando uma dica que serviu para aliviar a culpa. Agora precisava encontrar uma forma de fazê-la entrar. Iria dar um jeito de fazer isso acontecer, nem que tivesse que arrastar a outra pra dentro.

– Ah vai. Por favor. Garanto que você está morrendo de fome. – Sua voz ganhou um tom de súplica, capaz de derreter o mais gélido dos corações, o que fez a ex-cheerio intrigar-se. Na noite anterior a morena estava incomodada com sua presença, e agora estava quase implorando para que ficasse por perto. “Tem coisa aí” alertou sua consciência.

– Tudo bem. – Falou revirando os olhos. – Mas só uma xícara de café. — Sua curiosidade foi o que a fez a aceitar a oferta.

Rachel sorriu bastante excitada, batendo as mãos uma contra a outra, sem conter a felicidade, tanta felicidade, que a fez pular no pescoço de Quinn e a puxar porta adentro. A loira ficou feliz ao ver que aquele excesso de emoções, que a faziam sempre ter uma reação apaixonada a tudo ainda estava presente, uma prova de que, por mais difícil que fora a caminhada até a Broadway, ela tinha sido forte o suficiente para manter sua essência.

– Ainda bem que o café já estava pronto. – Comentou a diva entusiasmada enquanto atravessavam a sala. Ela apenas balançou a cabeça, evitando olhar para baixo, não responderia por si se constatasse que as nádegas da morena ainda permaneciam tenras e convidativas.

Quinn deixou o capacete sobre a bancada da cozinha e se sentou na cadeira que sempre ficava quando ia à casa dos Berry para pedir conselhos jurídicos a Hiram. E acredite, isso acontece mais do que ambos gostariam, pois os membros dos Titans tem uma capacidade incrível de se meter em problemas com a lei. Tirou a jaqueta de couro com o colete do clube por cima, deixando-a sobre o encosto de seu assento e arrumando as mangas da camiseta vermelha.

A cantora colocou uma xícara sobre a mesa, e apanhou o bule da cafeteira, servindo o líquido preto e fumegante. A ex-cheerio apenas colocou algumas colheradas de açúcar e deu um gole, tentando não pensar nas perguntas que viriam, porque conhecia aquela garota muito bem e curiosidade fazia parte de sua personalidade.

– O que você faz? – Indagou Rachel, virando para o fogão e remexendo algo dentro da frigideira. – Sabe, quando não está por aí andando de moto e controlando a cidade com mãos de ferro.

Deu um sorriso envergonhando e sentiu o rosto corar. O questionário chegara bem do jeito que imaginava.

– Ensino literatura no McKinley. – Respondeu, roçando a ponta do indicador na beirada da xícara. – Serve como distração dos problemas do clube.

A morena tirava o casaco, o seu casaco, de forma lenta, quase erótica, mostrando a pele do pescoço, ombros e costas, cobertos em parte por uma regata branca bem justa e virando de frente para largar a peça sobre uma das cadeiras. A camiseta marcava a região dos seios, evidenciando o volume o formato daquela parte. Poderia jurar que estavam um pouco maiores, mas permaneciam redondos, macios, e suculentos, implorando para que os tomasse em suas mãos. Os olhos esverdeados ficaram subitamente estáticos, acompanhando o movimento que parecia estar em câmera lenta, criando uma infinidade de imagens com coisas que queria fazer com a diva.

– Além disso... – A loira baixou a cabeça, num movimento rápido, para esconder o desejo que apontava em seu rosto. – Eu não podia deixar a Tina mão, já que ela assumiu quando o Figgins foi pego fumando maconha no estacionamento, Sr. Schue foi pra Chicago, treinar o Waubonsie Valley High, e a Treinadora Sylvester quebrou o quadril num acidente idiota enquanto ensinava uma Cheerio a forma certa de dar um mortal.

Rachel franziu a testa e uma expressão de surpresa tomou conta de sua face. Está certo que muitas coisas esdrúxulas ocorriam naquele colégio, mas isso era demais.

– Eu perguntaria o que você faz da vida, mas vejo que não é necessário, senhorita vou-fazer-um-filme-com-Leonardo-DiCaprio. – Quinn disse com um tom de voz descontraído.

– Esse é o primeiro filme de muitos. Claro, que eu deveria ter entrado antes em Hollywod, mas preferi interpretar a grande June Carter, na remontagem de Ring of Fire, na Broadway. — A morena falou de forma convencida, tirando um prato do armário e servindo o conteúdo da frigideira. – Fui indicada ao um Tony de Melhor atriz e tenho certeza que vou ganhar. Até o filho dela disse que eu estava parecidíssima com a mãe. Muito melhor que a Reese Whiterspoon.

A ex-cheerio balançou a cabeça de um lado para o outro. Era adorável quando Rachel falava desenfreadamente. No começo, lá pelo freshman year, era irritante, chegava a dar vontade de enfiar uma meia embolada na boca da outra para fazê-la parar, então, começou a reparar que a morena só o fazia quando estava muito nervosa, ou muito empolgada com alguma coisa.

Quando Rachel depositou o prato diante de Quinn. Ao ver o conteúdo, o cérebro da loira teve uma epifania. Sua sobrancelha arqueou instantaneamente com a constatação.

– Você está tentando me seduzir, Berry? – Encarou as suculentas tiras de bacon, que estavam implorando para entrarem em sua boca e fazerem sua língua dançar de alegria.

– Quem?! Eu?! Nunca. – A diva levou a mão ao peito e abriu a boca parecendo estar surpresa com a acusação.

– É mesmo. — A loira se manteve parada, apenas cruzando os braços e fitando-a com o cenho franzido. – Quer dizer que toda vez que alguém te visita você, que por acaso é vegan, frita uma caixa inteira de bacon em fatias, veste um short curto, usa uma camiseta justa e tira o casaco numa cena digna de striptease?

A morena se sentou a mesa, com uma xícara de café nas mãos, com um ar despreocupado.

– Ora Quinn, gosto de estar confortável quando faço minha rotina de exercícios, o casaco foi impressão sua. E deixei de ser vegan há muito tempo. – Sua voz era relaxada e tranqüila que quase enganou a ex-cheerio. Quase, porque, ela conseguia distinguir quando a judia estava interpretando, graças aos anos de prática assistindo-a no Glee Club.

– Quero uma prova. – Pegou o maior pedaço de bacon do prato e esticou na direção da outra. – Come.

– Você está sendo infantil. – Rachel protestou bebendo seu café em seguida. Nunca iria tocar naquele bacon, quanto mais colocá-lo na boca.

– Bom, se você largou veganismo, uma fatia de bacon vai ser fácil de engolir. – O óleo empreguinado no bacon pingou sobre a mesa. Um sorriso maquiavélico apareceu no rosto de Quinn pensando em como o estômago da cantora deve ter revirado com isso.

– A gordura traz problemas cardiovasculares. – Contestou tentado fugir, mas Quinn lutar até o final para provar seu ponto de vista.

– Ninguém morre do coração aos 25 anos. – Repetiu a mesma frase que ouvira na noite anterior.

– Mesmo assim, prefiro evitar.

– Come, ou eu vou embora. – A loira decretou de forma imperativa.

A morena respirou fundo, sentindo nojo naquele pedaço de carne. Estava disposta a comer a coisa mais repugnante que já vira na vida, porém tudo o que via era a imagem de um pobre porquinho inocente que havia sido esquartejado e mutilado para que humanos famintos pudessem comê-lo depois de mergulhá-lo numa gordura venenosa. A boca aberta foi se aproximando, o cheiro entrava em suas narinas, piorando a situação. Seria inevitável abocanhar aquilo e provar.

– Você venceu. – Rachel afastou, dando um tapa na mão de Quinn e afastando-se de vez o bacon. – Eu estava tentando te seduzir, mas porque queria conversar e tinha medo da rejeição, e você tem todos os motivos pra me rejeitar. – Ela estava envergonhada, talvez do mesmo jeito quando Finn dissera que ela parecia uma mistura de prostituta com palhaço triste

– Kurt pode muito bem fazer esse papel. – A loira se levantou e apanhou a jaqueta, se preparando para ir embora, mas antes colocando uma das fatias de bacon na boca. Era o precioso bacon, pelo amor de Deus, ninguém iria querê-lo naquela casa.

– Tem razão, mas quero falar com você. – A judia saiu de seu assento, e posou a mão sobre o ombro da outra, enquanto ela se preparava para ir embora, se chutando mentalmente por ter entrado. — Você é a única que me respeita o suficiente pra ser sincera comigo.

Essa última parte fez a ex-cheerio parar no meio da cozinha dos Berry. Nem nos seus sonhos mais bizarros esperava por ouvir isso. Ainda mais depois de sete anos sem nem mesmo uma mensagem de texto.

– Por favor, fica e me escuta. – A cantora implorou.

“Droga.” Praguejou mentalmente, apertando os lábios com força. Nunca conseguiria negar um pedido de Rachel Berry. Nunca.

Sentou-se de volta na cadeira, assistindo Rachel tomar o lugar do seu lado direito. Ela quebrou um pedaço de bacon e engoliu-o com rapidez.

– Na noite passada, Kurt ligou, avisando que ele tinha conseguido fechar o contrato pro Grande Gatsby... – A morena tomou o silêncio repentino e a concentração de Quinn em seu prato de comida como deixa para começar o assunto tão incômodo.


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Flashback – New York – Coxias do The Broadway Theater – Na noite anterior…

Aquela era a grande noite de Rachel. Tinha sabido de antemão que seria indicada ao seu primeiro Tony e Kurt avisara que tinha assinado o contrato para que ela participasse de o Grande Gatsby. Agora, ela se arrumava para um jantar inesquecível com Oliver, ou Ollie, como ele preferia ser chamado.

O diretor e a estrela do musical engataram um romance logo nas primeiras semanas de ensaio. Uma afinidade imediata, já que ambos haviam sido alunos de NYADA, porém com alguns anos de diferença. Eram sempre vistos conversando nos intervalos, ou indo jantar quando uma apresentação ou outra terminava.

Ela gostava de estar com ele. Gostava do tempo que gastavam juntos, das piadas sem graça e de como ele, algumas vezes, era mais dramático do que ela. Apesar disso, aquele buraco que estava em seu peito desde que saíra de Lima persistia inalterado, como se nunca pudesse encontrar algum alento, por mais que tentasse. Talvez se continuasse insistindo mais, esse buraco acabasse sumindo. Ou não...

Enquanto se maquiava diante do espelho, ouviu duas vozes no corredor, uma feminina e uma masculina.

– Como alguém tão egocêntrica tem tanta sorte? – A mulher falou cheia de desdém. – Ela vai receber um Tony, vai fazer um filme em Hollywood e ainda vai ser pedida em casamento pelo cara mais gato dessa peça.

A atriz franziu o cenho e se aproximou da porta para ouvir melhor, com os olhos mais arregalados de espanto que poderia ter. Casamento? Como? Ela contou sobre o Finn, será que não era o suficiente pra ele refletir antes dessa idéia passar pela sua cabeça?

– Ela foi apenas indicada, meu bem, corto meu braço fora se ela ganhar... Como você sabe que o Oliver quer casar com a Berry? – O homem questionou, obviamente querendo fofoca.

– Encontrei com ele e o irmão na Tiffany’s semana passada, escolhendo um anel enoooooorme de diamantes. – A outra falou, sentindo inveja. – Que hoje apareceu no bolso do nosso querido diretor, junto com um discurso escorrendo açúcar sobre o quanto eles eram perfeitos.

Depois disso, Rachel ficou surda. A única palavra que se repetia constantemente em seu cérebro era: CASAMENTO.

Sem nem pensar duas vezes, ela juntou a bolsa e as chaves do carro, correndo o mais rápido que suas pernas podiam lhe levar para longe do The Broadway Theather.


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– Lima é o mais longe que você conseguiu pensar? — A loira perguntou com sarcasmo, tomando um gole de café da xícara a sua frente, sem se importar se estava frio. Tudo bem que a ex-cheerio esperava que a outra estivesse namorando ou qualquer coisa assim, mas isso não tornava menos dolorido.

Rachel abaixou a cabeça para esconder a vermelhidão que tingia suas bochechas

– Na verdade, é o lugar onde mais me sinto segura. – A frase parou ali, mas algo dizia que ela havia prendido alguma frase na garganta. Algo que preferia guardar para si.

– You take the home from the girl but not the girl from her home. – Quinn declamou, tamborilando os dedos no tampo da mesa. – É do Bon Jovi. – Completou, ao ver o olhar confuso da garota.

– Pode parecer loucura, mas eu não estou pronta. – A morena disse sendo honesta e surtando pela situação. – Sempre soube que me casaria aos 25, apesar de ter feito isso antes do que previa, e que teria ganhado três Tonys e a caminho do Oscar, mas não estou pronta pra isso. Nem com o Finn eu estava pronta. É uma decisão muito importante, e se eu recusar, ele vai me cortar da peça sem dó nem piedade, porque é o pai dele que está investindo em Ring of Fire...

A judia já estava de pé andando de um para o outro, aflita. A loira apoiou o cotovelo e escorou o queixo na palma da mão, achando impressionante como certas coisas nunca mudavam. Parecia até um déjà vu de alguns anos atrás, de quando a mesma Rachel terminou o relacionamento das duas.

– ... Ainda tem o Finn...

– O que tem o Finn? — Frase aleatória no meio do ataque histérico tirou Quinn de seus pensamentos.

Rachel parou de andar e apertou os lábios numa expressão de quem tinha falado demais. Ninguém, a não ser Hiram e Leroy, sabia daquilo, e agora teria que contar. Era algo muito embaraçoso e um dos motivos de ter voltado a Lima.

– Acontece que... Finn nunca assinou os papéis do divórcio. – Cuspiu de uma vez, fechando os olhos com força, se encolhendo próxima a bancada, ao esperar um ataque de raiva vindo de Quinn.

– O QUE?!?!?!

– Finn e eu nos separamos no inicio do meu último ano de faculdade. – Explicou, vendo a ex-cheerio ficar estática, com a boca aberta. – Ele voltou pra Lima antes do meu pai dar entrada nos papéis do divórcio. Pai e Papai fizeram de tudo pra ele assinar, mas Finn reluta dizendo que a hora que eu enjoar dos refletores e vou voltar pra ele. Que ele é o único que me amou de verdade...

A loira soltou uma risada irônica. Tinha que ser o Finnúltil pra fazer algo tão infantil e tão egoísta ao mesmo tempo. Ele nunca se importou com Rachel. O cara era um tapado que sempre dava um jeito de fazer besteira. Tão imbecil, que a primeira vez em que Finchel tentou se casar, ele levou a garota pra uma catedral, diante de um padre. Isso mesmo, um padre. Como você diz que ama alguém, que quer ficar junto até que a morte os separe, e não sabe nem a religião da outra?

– Do que você está rindo? – A morena cruzou os braços,

– Você é um imã de idiotas. É a única explicação. – Ela se levantou, juntando as louças sobre a mesa e colocando-as na pia, quando o rosto da judia fora tomado por um aparente desconcerto. — Sério, nenhum dos dois pensa ou pensou nos seus sentimentos. Foram “oba, vamos casar” pra manter uma esposa-troféu de baixo do braço, pra não se sentirem um fracasso total.

Rachel olhou de maneira furiosa e caminhou na direção da loira, parando antes de pisar no tênis muito branco que a outra calçava, com o dedo em riste apontado para Quinn.

– O Finn pode ser um loser, mas o Oliver... – Disse sentindo raiva.

– É tão Loser quanto seu marido. – Completou, olhando diretamente para o bravio mar de chocolate diante de si. – Não é porque ele é rico, que fez uma boa faculdade, que vai deixar de ser loser. Você bem disse que o pai dele financia a peça, que só está sendo um sucesso porque deu sorte de você ir fazer o teste. — Sim, ela falou isso para machucar a morena, queria ferir a baixinha com a mesma intensidade que sentia em seu peito quando pensava nela.

– Acho que você está extrapolando, Quinn. – Falou, mesmo sabendo que acabara de ouvir a mais plena verdade, e que concordava com ela.

– Você queria sinceridade, estou te dando sinceridade. — A loira fora ríspida com a outra. — E sendo bastante honesta, fora do palco, você não tem idéia do que está fazendo com a sua vida.

A morena elevou os ombros, abaixou a cabeça e abraçou o próprio corpo, procurando bons argumentos para rebater. Apesar das palavras rudes, Quinn estava certa. Rachel não tinha a menor noção do que fazer, mesmo quando alguém tentava colocar um pouco de juízo na cabeça dela, a garota dava um jeito de fazer uma bagunça maior ainda.

O ar deprimido, a expressão de derrota no semblante e os olhos chorosos da cantora fizeram com que a culpa tomasse conta da loira. Por que era tão fácil fazer a judia sofrer? Por que tinha que ser ela a sempre causar dor e angústia. “Talvez seja meu superpoder”, pensou, deixando seu instinto guiar-lhe na direção da outra. Apertou o corpo quente contra o dela. Fechou os olhos e respirou seu perfume inebriante, enterrando o nariz em seu cabelo, sentindo-se muito tonta por ter sido permitido um contato tão próximo. Ela tentou afastar-se do abraço, mas a loira colocou uma mão na parte de trás da cabeça, impedindo-a de recuar.

A cantora se sentiu trancada em um abraço apertado com uma mão em suas costas e a outra emaranhando em seus cabelos, segurando a no lugar. O gesto foi acalmando-a, e fazendo a garota se aproximar, envolvendo a cintura da outra com os braços.

– Me ajuda. – Era um sussurro abafado saindo da boca da judia, num tom puro e que fez a ex-cheerio vacilar e esquecer como se respira. Temeu por um momento que Rachel pudesse sentir seu coração disparado, enquanto tudo dentro dela ardia em chamas.

Apertando ao queixo contra os cabelos castanhos, com uma certeza fria de que ia se estrepar mais uma vez, ela responde.

– Pode contar comigo.

Porque ela simplesmente não consegue negar nada a Rachel Berry.


Notas finais
E ae? Quem acha que o Finn deve ganhar o prêmio de idiota do ano? Quem odeia o namorado-semi-noivo da Rachel mesmo sem conhecer? Quer que eu mate alguém? Só falar na Review. BTW, respondi a maioria até agora...
No próximo: Santana vai entrar na história e Rachel conhece o "namorado" da Quinn.
Ia esquecendo
A música do Bon Jovi que a Quinn cita é Who Says You Can't Go Home? e foi a trilha sonora enquanto escrevia. Se quiserem ouvir...
http://www.youtube.com/watch?v=abzbVFuxigg&ob