This Is War
4 A profecia é revelada
Notas iniciais
Capítulo 3 — A profecia é revelada
Charlie estava surpresa e atônita com seu ato. Nunca havia se sentido tão forte e tão útil em nada na sua vida. Mas não podia simplesmente deixar que aquela... Aquela... Garota!... Machucasse sua irmã. Nico, Percy e Leo ainda a encaravam admirados e talvez até um pouco entorpecidos com o que acarara de ocorrer. Semideus nenhum havia feito algo assim tão no início. Talvez Percy, mas ele estava sob pressão, mas Charlie não.
– Wow! Isso foi incrível! — Claire falou, após a menina que a segurava sair correndo.
– Foi né?! — perguntou Charlie, ainda surpresa e entorpecida pelas sensações que lhe vieram.
Nico assumiu uma expressão sarcástica, antes de dizer:
– Eu ainda sou melhor.
Percy, Claire e Leo já estavam se preparando para mais uma briga dos dois semideuses estourados, mas Charlie simplesmente virou a cara e o ignorou.
– Quem cala consente! — o filho de Hades continuou provocando, quando foi atingido por um jato d’água no rosto.
– Acho que você perdeu essa, Nico! — Leo zombou.
– Cala a boca, Valdez. — Nico respondeu, irritado.
Charlie riu em seu canto, antes de correr até Claire.
– Como você está, baixinha? — ela perguntou.
Claire franziu o cenho. — Sou do seu tamanho, gênio!
Charlie abriu um sorriso irônico. — Inteira pelo visto.
– O que acham de continuar o passeio? — perguntou Percy, tentando amenizar a situação.
– Eu estou cansada, acho que vou dormir um pouco. — disse Charlie, sentindo a força que sentira segundos antes se dissipando como Névoa.
– Chalé 13. — respondeu Percy, vendo a irmã se afastando.
~*~
Charlie, na verdade, não conseguira dormir. Era ainda um pouco estranho estar em um chalé com madrepérolas, uma fonte de água, poucas beliches e um cheiro de maresia tão forte que quase a deixava enjoada. Uma coisa era gostar de praia e mar como ela gostava. Outra completamente diferente era ter que sentir esse cheiro inebriante quase vinte e quatro horas por dia. Era sufocador.
Uma batida na porta interrompeu seus pensamentos. Ela deu um pulo da beliche de baixo — não ficaria em cima nem que lhe amarrassem — e foi abrir a porta. Se surpreendeu ao ver que era Nico parado do outro lado.
– O que quer, projeto de zumbi? — perguntou e Nico abriu um sorriso sarcástico.
– Pra que esse mau-humor todo, sereia falsificada?
Sereia falsificada?!, Charlie se sentiu extremamente ofendida, mas não demonstrou.
– Sai daqui, vai tomar no cú e me deixe dormir, caralho! — ela estressou, dando meia volta e se jogando de cara no travesseiro de sua beliche.
Eles ainda não sabiam, pois tinham pouca convivência com ela ainda, mas quando ela chegava a dizer "caralho", era porque já estava no limite de sua paciência.
– Você podia ser mais educada. — ela ouviu a voz de Nico ainda da porta.
– Dê meia volta e saia pela porta. Você poderia tomar no orifício circular entre seus glúteos, e me deixe emergir no sono de beleza que o deus Hypnos tanto aprecia, por favor? — ela disse sarcasticamente, com a voz ainda abafada pelo travesseiro, mas mesmo assim ele pode ouvir.
E rir também.
– Meiguice em pessoa. — ele disse ironicamente.
– Eu sou meiga, porra! — ela deu um grito abafado.
– Melhor você vir antes que as harpias venham te comer. — Nico disse, já dando as costas. — Elas procuram sempre quem falta à fogueira.
Charlie se levantou num pulo e correu para fora do Chalé de Poseidon em direção à fogueira. Quando passou por Nico, pode ouví-lo rir, mas nem se dignou a xingá-lo novamente.
– Aonde pensa que vai com tanta pressa? — ouviu Leo perguntando assim que se juntou a ele, Claire, Percy e outras duas garotas.
Uma loira e uma ruiva.
– Fugindo das harpias, oras! — Charlie disse, como se fosse algo óbvio.
Eles se entreolharam confusos, enquanto Nico chegava rindo e se sentava ao lado de Leo. E então caiu a ficha de Charlie.
– Não tem nenhuma harpia a solta agora, não é? — ela perguntou calmamente, olhando fixamente para o moreno.
– Ela me dá mais medo calma do que gritando. — Leo comentou baixinho com Claire, que riu sem chamar muita atenção.
– Só depois do toque de recolher. — respondeu a loira.
– Obrigada. — Charlie sorriu para ela, mas logo voltou a olhar friamente para Nico e sibilou. — Vai. Ter. Troco. Se prepare!
Todos ali riram.
– Charlie, capaz de você ter a benção de Ares. — disse Percy.
– Então, manolo, vai me apresentar elas não? — ela perguntou, apontando para a loira e a ruiva.
– Ah, claro! — ele disse rapidamente. — Essa é Annabeth, filha de Athena e minha namorada. — abraçou a loira de lado. — E essa é Rachel, nosso Oráculo.
– Prazer. — Charlie disse, sorrindo educadamente.
– Com eles você é educada! — Nico resmungou, mas ela ainda conseguiu ouvir. E retrucar.
– Sou educada com quem merece.
– E eu não mereço?!
Claire revirou os olhos. Vai começar tudo de novo!
– Vou te mandar pro Tártaro, imbecil — disse Charlie e Nico estava prestes a dizer algo, mas ela não deixou -, e não quero nem saber se o papaizinho é o deus dos mortos. Te mando pra lá nem que seja amarrado, amordaçado e torturado!
Eles olharam surpresos para ela, mas segurando o riso.
– Além de mal-educada é contrária à meiguice. — disse Nico.
– Eu sou meiga, porra! — retrucou Charlie novamente e dessa vez todos gargalharam.
– Deve ser legal ter o dom da profecia. — Claire disse, animada, querendo evitar a Terceira Guerra Mundial.
– É, mas também é uma grande responsabilidade. — Rachel disse séria e do nada seus olhos viraram e começou a sair uma fumaça verde de sua boca.
“Uma grega e uma romana,
Poseidon ou Netuno,
Apesar das diferenças superadas,
Unirão forças para a solar ser encontrada.
Acharão aquela que a história inicia,
a única que pode impedir que ela seja retomada.
Contarão com a ajuda de três amigos
Para derrotar os inimigos
E impedir que o caos tome o Olimpo.” — Disse com uma voz diferente da sua. Em uma voz rouca e sem vida.
– Então, essa é a grande profecia? — Charlie perguntou interessada, depois que Rachel voltou a si.
– Sim, vocês são as filhas de Netuno e Poseidon. Agora precisamos escolher os três amigos. — Quíron disse ao se aproximar das garotas.
Todos os campistas ficaram em silencio, esperando alguém se pronunciar para a tão temida e desgostosa missão.
– Eu vou! — Percy gritou.
As gêmeas se entreolharam e sorriram, mas Quíron cortou, para desapontamento de ambas:
– Percy, já temos filhos do deus do mar demais, Precisamos de outros, senão pode ser perigoso demais. — continuou ao ver a expressão de descontentamento do garoto. — Suas irmãs estarão seguras, não se preocupe.
– Eu vou! — Nico falou confiante, seria bom viver uma nova aventura.
Principalmente se isso envolvia irritar Charlotte ao seu máximo.
– To dentro! — Leo também quis.
– E o outro? — perguntou Charlie.
– Vocês decidem. — disse Quíron. Mas elas não conheciam muitos campistas que poderiam estar dispostos a ir.
– Acho que teria que ser um filho de Zeus. — disse Claire, quebrando o silêncio.
– Só temos um aqui. — disse Quíron, procurando-o com olhos e o encrontrou não muito longe daquele grupo. — O que acha de ir, Jason?
– Eu acho que sim! — Jason disse, apesar dos protestos de Piper.
– Ótimo! — disse Quíron. — Estejam prontos amanhã de manhã.
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