This Is War
5 Pôr-do-sol a dois
Notas iniciais
Capítulo 4 — Pôr-do-sol a dois
Claire não conseguia dormir. Já era a sexta vez que acordava de um pesadelo horrível que a fazia tremer de medo e o Chalé 3 não a ajudava muito nesse quesito de acumular coragem. Assim que os garotos disseram que as acompanhariam, Quíron anunciou que ela e Charlie teriam que viajar até São Francisco — território romano — para encontrarem a semideusa. Deveriam conversar com o velho do mar, o que não fazia sentido algum para Claire, mas não é como se tivessem escolha.
Sentia-se extremamente covarde e quase não se lembrava mais que ela mesma pedira que sua vida não fosse mais monótona. Estava animada, claro, mas não era seguro e nem sensato da parte do velho centauro colocar Charlie e ela em missão. Ainda mais sendo que as duas estão totalmente despreparadas, nunca lutaram ou ao menos tinham armas.
Não temos tempo para treinar, Claire. Quando chegar a hora que precisar de seus poderes ou de confiar em si mesma, ambas as coisas virão. Há vários futuros e algo que aprendi muito nesse tempo é que todos eles podem ser de alguma forma mudados. Agora vá dormir.
Não parava de se lembrar das palavras do homem-cavalo para ela, quando mostrou-se assustada durante a reunião. Após tentar dormir novamente, virando-se de um lado ao outro na beliche, decidiu levantar e andar um pouco. Viu que Charlie ainda dormia e, sorrindo para o que parecia ser um sono tranquilo para a irmã, saiu. Não sabia quantas horas eram, mas presumiu que estava quase amanhecendo, pois o céu já mostrava indícios de laranja em seu belo azul claro costumeiro. Andou até a praia e sentou-se na areia. Fez uma “oração” para seu pai, pedindo proteção.
– O que faz aqui, Bela? — ouviu a voz de Leo Valdez perguntar, então virou-se pra ele, que exibia um sorriso apesar de seus olhos demonstrarem extremo cansaço.
– Já disse pra não me chamar de Bela, Mr. Bugiganga! — falou divertida.
Tinha Leo como amigo apesar do pouco tempo que se conheciam. O garoto começara a chamá-la de Bela. Ela dissera várias e várias vezes a ele que era a única princesa da Disney que se parecia fisicamente e intelectualmente com ela — e por isso a odiava. E mesmo assim Leo ainda a chamava assim e, para se vingar dele, começou a chamá-lo do personagem de um filme antigo que tanto detestava — envolvia máquinas e coisas do tipo.
– Bela pode ser um elogio, ok? — disse e logo após se sentou na areia ao lado de Claire, que observava calmamente o céu que começava clarear aos poucos.
– Você já olhou pro céu e pensou se existe algo além? Sabe, algo que não temos noção do quão magnífico é? — perguntou ela, ainda olhando o céu.
Leo pensou um pouco antes de responder e lembrou-se de sua promessa, quando foi arremessado do Argo II e caiu em uma certa ilha.
– Sim, eu ainda busco algo além do céu. Eu tenho que buscar, prometi a alguém.
Claire o encarou confusa, mas ao ver a expressão chateada no rosto do rapaz, decidiu mudar de assunto.
– Eu sempre quis ser uma fada, você acredita?! — ela disse tão de repente quanto a pergunta anterior. — Isso é tão ridículo e agora eu descubro que sou metade humana e metade deusa e não me pareço nem um pouco com uma fada. — falou e fez biquinho, causando risadas em Leo.
– Você tem a beleza de uma fada, a simpatia e até mesmo um amigo que se parece com um elfo. Fique feliz. — o garoto respondeu, sorrindo e apontando suas orelhas pontudas
Ambos caíram na gargalhada.
– Silêncio, vai começar! — Claire disse após um tempo e apontou para o horizonte, onde se podia ver o sol nascendo e trazendo sua beleza à tona.
– Ok, fadinha! — Leo disse pra provocar.
– Cala a boca, duende!
– É elfo! — fez-se de bravo.
– Tanto faz.
Se olharam e começaram a rir, mas depois continuaram a apreciar o espetáculo que acontecia bem na frente deles. Mas ao mesmo tempo muito longe.
~*~
Charlotte acordou após um sonho que julgou muito estranho. Não que seus sonhos sejam normais, mas esse tinha algo de especial. Uma mulher com cabelos cacheados e belos olhos castanhos abraçava a ela e a sua irmã. Por um momento, sentiu-se bem com a lembrança do sonho, mas lembrou-se que depois a mulher começou a se transformar em um monstro horrível que as abocanhou. Não tinha certeza, mas pelo livro sobre mitologia grega antiga que Annabeth lhe dera no dia anterior, julgava ser uma Fúria.
– Preciso parar de ver filmes de terror. — falou consigo mesma e começou a se arrumar.
Quíron disse que após o café da manhã os destinados a grande missão deveriam ir a Casa Grande. Charlie ainda se impressionava com a grande criatividade daqueles que nomearam os locais no Acampamento. Só então reparou que Claire não estava no chalé e Percy baba quando dorme. E isso era tão estranho que Charlie não queria nunca mais ver essa cena.
– Onde será que a Claire se enfiou?
– Ela está com Leo. Estão tomando café da manhã, coisa que você também já devia estar fazendo! — assustou-se com a voz de Nico tão de repente e tão perto.
– Como entrou aqui, Fantasminha? — perguntou Charlie, agradecida por já estar vestida.
O garoto não respondeu, apenas balançou a cabeça e se dissolveu em sombras, aparecendo novamente no outro lado do chalé.
– Um dos meus poderes. — disse, convencido. — Agora vamos. Quíron pediu para eu vir chamá-la.
Charlie deu de ombros, sabendo bem que ainda não era momento para se irritar com ele. Então ela apenas o seguiu até o Pavilhão do Refeitório. Observou as Mesas e se sentou junto com Claire na Mesa de Poseidon, enquanto Nico se afastava sozinho para a Mesa de Hades. Não demorou muito e logo após Percy se juntou a elas.
– Você e Nico, hmmm! — a mais tímida provocou a irmã.
Charlotte ficou vermelha, mas não se deixando abater, respondeu:
– Eu odeio ele, é tão mandão e metido. — disse séria e reparou que a irmã gêmea olhava para outra mesa do local. Seguiu seu olhar até a Mesa de Hefesto e resolveu retrucar. — Já você e o Leo! Quem diria hein?! Você aí toda tímida!
Claire olhou a irmã com raiva, mas logo depois começou a rir. Charlotte sentiu um olhar em suas costas quando se levantou para fazer as oferendas, mas não virou o rosto para ver quem era que a olhava. Sussurrou o nome de seu pai, enquanto jogava alguns pedaços de bolo. Ao virar-se, seu olhar seguiu direto para a Mesa de Hades e percebeu que Nico a olhava nos olhos. Sentiu um arrepio atravessando seu corpo, mas não se deixaria abalar. Levantou o queixo, empinou o nariz e continuou de volta à Mesa de Poseidon.
– Melhor irmos de uma vez, não? — ela ouviu atrás de si e se deparou com Jason sorrindo-lhe amigavelmente.
– É, acho que sim. — ela sorriu também.
– Que milagre, a sereia negra sabe sorrir. — Nico disse, se aproximando da Mesa de Poseidon junto com Leo.
– Sereia negra? — perguntou Percy, confuso.
– Tipo a ovelha negra da família. — Nico disse impaciente, como se não acreditasse que precisava explicar isso a ele.
– Não sabia que eu devia satisfações a você, Fantasminha. — Charlie sorriu cinicamente e Nico bufou.
– Olha, Bela, melhor irmos para não nos metermos em briga de casal. — disse Leo, recebendo logo olhares mortais de ambos, mas ignorou-os completamente.
Claire riu. — Vamos, Mr. Bugiganga.
Deu um beijo na bochecha de Percy e seguiu com Leo para fora.
– Até mais, Percy. — disse Charlie, sorrindo e dando um abraço apertado no irmão.
– Vê se volta viva, ok?! — ele cobrou e Charlie não conseguiu impedir que seu sorriso aumentasse.
– Como é raro ver Charlie sorrindo! — Nico ironizou, revirando os olhos.
– Jason, será que pode torrar o Zumbi Júnior da minha frente antes que eu o espanque?! — Charlie pediu, quase implorando.
Jason riu. — Vem comigo que é melhor. Mesmo que fosse legal vendo ele apanhando.
Charlie seguiu rindo com Jason, enquanto Nico seguia-os atrás, olhando furiosamente para o loiro.
– Precisamos de armas para Charlie e Claire. — Leo disse para Quíron, quando os outros chegaram.
– Claro que precisam e eu as darei. — um homem gorducho com camisa com estampa de tigre saiu de dentro do casarão. — Espero que não fracassem nessa missão. — disse rabugento.
Entregou a Charlie uma bela espada de bronze celestial. Haviam letras em grego antigo cravadas — Κύματα -, tinha 40 cm e irradiava poder. Já Claire ganhou uma adaga com o símbolo de Netuno, de ouro imperial.
– Wow!- disseram elas, em uníssono.
– Agora já podem ir. — disse o velho rabugento e Quiron concordou.
– Quando mais rápido irem, maior vantagem terão nessa missão. — disse o centauro.
Ao passarem pelo pinheiro com o dragão, começaram a descer o morro da colina.
– Duvido que vocês cheguem antes de mim! — leo gritou e saiu correndo.
– Ah é? Se prepara pra perder! — Claire gritou de volta e começou a correr atrás dele.
Jason deu de ombros, seguindo-os logo depois.
– Infantis! — Nico e Charlie falaram juntos e se entreolharam. Reviraram os olhos, mesmo com Charlie sentindo alguma coisa se revirando em seu estômago.
Não devia ter comido tanto bolo, pensou, mesmo sabendo que a culpa não era do bolo.
Enquanto corria, Claire tropeçou e caiu de cara no chão da floresta que havia no morro.
– Olha o que temos aqui?! Comida! — uma voz sibilou.
Quando olhou pra cima, a filha de Netuno se chocou ao ver um monstro horrível. Seus cabelos eram de cobras e as pernas de morcego.
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