This Is War
23 11-27-2024
Notas iniciais
...
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Veja o tamanho dessa porra.
ARGH, levou o dia inteiro pra digitar lol
Diário de Canadá – 11/27/2024
Assim que cheguei em casa, subi as escadas e desabei na cama. Agora são umas seis e meia da manhã e estou na cozinha, comendo enquanto observe Alfred escrever em seu diário. Está tão concentrado que sequer me notou ou ouviu meu “bom dia”, se bem que não é preciso muita concentração para não me notar…
Pode até ser que esteja bravo comigo por chegar tão tarde em casa. Não sei. Falarei com ele mais tarde.
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06:27
Fui dormer depois do encontro. Ou melhor, tentar. Porque não consegui.
Depois de terminar o registro de madrugada, corri para o andar térreo. O soldado ainda estava no meio da rua e eu tive que esperar que ele passasse pela minha casa.
Quando ele o fez, abri a porta devagar. Estava atrás dele, a apenas uns três metros de distância. Ele realmente caminhava devagar, seus coturnos quase raspando no asfalto a cada passo que dava, seus pés por vezes tropeçando. Chegou a me lembrar um zumbi e, por um momento, eu realmente achei que fosse um e dei um passo para trás.
Fui aproximando-me, aproveitando os momentos em que a sola de seus calçados faziam barulho no asfalto para avançar mais rápido.
Quando fiquei a poucos centímetros dele, agarrei seu braço e forcei-o a se virar de frente para mim. Então nossos olhares se cruzaram.
Lembro-me de que meu coração parou por um Segundo, e que cheguei a abrir a boca, mas nenhum som saiu. E o outro continuava a olhar-me com um misto de susto, raiva e medo. Também não se movia.
Consegui pronunciar apenas uma palavra falha.
“ Arthur...”
Então seu olhar mudou. Mostrava apenas raiva. Percebi que continuava agarrando forte seu braço.
“ Solte-me.”, com a mão livre ele tirou uma pistola do bolso e apontou-a para mim. Sua voz era fria. “ Solte-me agora.”
Lentamente, obedeci. Com um movimento brusco ele se livrou de minhas “garras” por completo e correu para longe de mim. Eu não o segui. Observava seu vulto desaparecer, adentrando a floresta, tropeçando mais ainda.
Imitei-o e corri para casa, joguei-me no sofá e dormi antes de conseguir expressar qualquer sentimento sobre aquele acontecimento.
Ainda agora não sei o que pensar...
Matthew acabou de passar por mim, subindo as escadas.
Quando ele havia descido?
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Diário Chinês – 17/11/24
Eu e Japão estamos a bordo de um jato comercial, indo para Halifax. Chegaremos em mais ou menos uma hora e meia.
Halifax é a cidade que, segundo os rádios dizem, está abrigando os países em emergência. Fica no Canadá.
Eu nunca imaginei que um dia seria um deles...
Tínhamos as melhores proteções para os piores desastres. Tanto que semana passada ocorreu um terremoto de magnitude 8,3 e ninguém saiu ferido. Sequer as construções sofreram grandes danos.
Vale lembrar que essa magnitude foi até maior que a daquele terremoto que deixou Taiwan em coma e, aos poucos, levou-a à morte.
Mas estávamos tão preocupados com os desastres naturais que nos esquecemos de que haviam outras maneiras de se morrer. Doenças. Epidemias. Algo horrível. Mortal. Forte. E “algo” porque a atual é rápida demais para se identificar. Mata em poucos dias e se prolifera rápido. É o caos. Os cientistas não consegue, estudá-las; alguns até se recusam, com medo de um contágio. Aparentemente veio da Índia.
Nada podemos fazer senão fugir. Deixar nossos filhos sozinhos. Isso para garantir o futuro de outros que poderão vir se nos salvarmos.
Japão está com febre faz alguns dias. Não é a epidemia porque ele ainda não morreu. Além disso, ainda está baixa. Mas acho que vai aumentar. Ainda assim, creio que conseguiremos chegar a Halifax antes disso.
Espero.
Se fôssemos em um jato militar a viagem duraria menos, mas não tinha nenhum. Estavam fazendo missões de resgate no Japão, que foi abalado por um terremoto e um Tsunami ao mesmo tempo. Isso nem ele resiste. Daí vem a febre.
Os soldados foram avisados da doença e serão transferidos para uma ilha aparentemente salva do vírus. Isso ao menos é uma notícia boa. Para eles, porque para suas famílias... Bom, é triste pensar nisso.
Enviei uma mensagem à base militar de Vietnam. Foi um saco passar pelos esquemas de segurança, mas consegui. Ela que me perdoe, mas era urgente. Falei da doença e de para onde estamos indo. Aconselhei-a a ir também. Agora é com ela.
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12:20
Estou mais otimista.
Acho que não devia me sentir triste pelo que aconteceu de madrugada. Digo... Arthur está vivo e sobreviveu ao Tsunami. Aquele britânico filho da mãe conseguiu provar que é feito de um material muito mais resistente que porcelana.
Mas a pergunte de sempre persiste: Por que ele se esconde?
Queria falar com ele, mas estou com um pouco de medo. Ele ainda não me perdoou. Nossa relação sempre foi muito “bipolar” desde que me tornei independente, o que já faz um tempão, mas acho que já fazia tempo que ele havia superado isso. O problema foi a quebra do pacto entre nossos dois chefes, que resultou em uma guerra sangrenta há um ou dois anos atrás. Ele disse no fim desta, que levou vitória americana, que eu fui a chave para todas as desgraças que aconteciam com ele. Que eu era o culpado e humilhava-o de propósito. O que não é verdade.
No começo, tentei explicar, defender-me. Mas ele se recusava a ouvir e me lançava mais ofensas. Metralhava-me com o olhar. Eu pensava que era porque a guerra havia acabado de acabar, que toda aquela raiva era por causa da enorme dívida que teria que pagar ao meu país sem retrucar se quisesse continuar existindo, mas isso persistiu. E eu aprendi a suportar isso em silêncio.
Mas eu ainda queria agir e mostrar-lhe que ainda podia ser leal o bastante à nossa amizade – que aliás, óbviamente, não existia mais, mas poderia ser reconstruída -, mas ele já havia vestido sua armadura e bloqueado todas as minhas tentativas de amizade.
Isso continuou até... Bom, acho que ainda está acontecendo. Eu tentando me aproximar dele e ele fugindo de mim. Pacientemente eu aguardava alguma chance de encurralá-lo ou até mesmo o milagre de ele próprio vir até mim. Pacientemente aguardava que ele me perdoasse algum dia e me desse outra chance... Mas ele não perdoava. Continuava cortando minha carne com seu olhar afiado cheio de ódio.
Mas sabe no que estou pensando agora? Nossos chefes estão mortos.
Não temos mais ordens a seguir. Estamos livres para fazer a merda que quisermos.
E eu nunca me perdoaria se deixasse escapar essa chance, a chance de conseguir reconquistar esse inglês filho da puta que me escapa sempre das mãos.
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Diário de Guerra de Vietnam
10:30 – Base militar de Hanói – 17/11/24
Estou arrumando minhas malas na pressa.
Recebi uma mensagem de China há uns cinco minutes atrás. O filho da puta conseguiu driblar meu sistema de segurança… Mas não importa mais.
Uma epidemia desconhecida está se proliferando rapidamente. Logo atinge meus territórios. Vou para Halifax, onde os outros países estão. Meus soldados serão deslocados para o Brasil. Já falei com ele, ele me deu permissão. Nunca abandonaria meus soldados.
Perdi quase todo o meu povo nas fomes e guerras. Não sei o que farei com o resto dele... Me dói deixar meus filhos, mas não posso fazer mais nada para eles.
Os países que fazem fronteira comigo estão, em sua maioria, abandonados. Não sabemos como a doença se prolifera, mas quero lhes dar uma chance. Antes de saírem, meus soldados derrubarão as fronteiras com os territórios de países já mortos. Um alarme com instruções será dado. É o máximo que podemos fazer...
Vou para o helicóptero agora.
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21:40
Estou escrevendo após uma “mini-reunião” do CAR, sendo o motivo a descoberta da madrugada. Falei com Canadá e Rússia, e de início nenhum dos dois acreditou – não sei por que fiquei surpreso com isso — e Matthew até achou que eu não estava muito bem mentalmente. Tive que contar detalhes – poucos, já que nem eu sabia como diabos ele sobreviveu – e assim assegurar-lhes de que podiam confiar em mim.
“ Se for assim...”, Ivan falou pela primeira vez no dia, “ então é melhor avisar os outros países.”
“ Mas ele não quer ser achado.”
“ É um país sobrevivente, de qualquer jeito. É nossa obrigação contar aos outros e depois eles decidirão o que fazer”, retrucou.
“ Mas é capaz de eles nem nos ouvirem...”, eu me mantinha firme na minha opnião.
“ Se não ouvirem, problema deles. Aí deixamos como está.”, Ivan sorriu, mas consegui ler nesse sorriso: Não me encha a porra do saco.
Não me restavam mais opções senão concordar.
Minutos depois fomos nós três comunicar Alemanha. Ele nos recebeu em sua casa sem disfarçar um olhar de reprovação. Não ia muito com a cara do CAR e nós sabíamos disso.
“ Há um barco atracado no litoral.”, comecei logo, antes que ele batesse a porta na nossa cara.
“ Se houvesse, já saberíamos quem era.”
“ Ele não desce. O tripulante, digo. Quer dizer, ele desce, mas não se mistura conosco. Não quer.”, minhas informações saíam atrapalhadas, o que aumentou a reprovação do alemão.
“ Não estão confundindo com o barco da Índia?”
“ Não é o barco dela.”
Ludwig ficou uns minutos em silêncio, pensando em mais alguma frase para retrucar. Rússia veio ao meu amparo:
“ Se não acredita, Alemanha, acho que não custa nada ir conosco para a costa e conferir, da?”
Foi o ponto final. Sem hesitar, o alemão deu-nos espaço para passarmos pela porta.
Sentamos todos nos sofás e poltronas da sala.
“ Se a informação é verdadeira, precisamos descobrir quem é o tripulante. Pode ter más intenções.”
“ Já nos encarregamos disso.”, respondeu logo o canadense.
Alemanha lançou um olhar indiferente a Matthew, mas eu via muita fúria contida nele.
“ Já? Bem... ?”
Ele esperava pela identificação do tripulante, e eu não disse nada. Primeiro porque não queria traí-lo e segundo porque a informação seria menos confiável vinda de mim.
“ É Inglaterra, aha!”, Rússia salvou-nos novamente. E digo salvar porque ninguém ousava duvidar dele.
Ivan achava graça no olhar confuso do alemão.
Foi necessário explicar tudo de novo, nos detalhes, para ele. E, por fim, a frase do russo como cereja do bolo:
“ Se não acreditar, vá até lá conosco e veja você mesmo, da!”
O resultado foi uma reunião urgente. Porque tínhamos um país até o momento considerado morto que não estava nada a fim de se socializar com o resto. Um caralho. Se ele fosse menos bipolar nada disso precisaria acontecer. Nem eu sabia o que fazer a respeito daquela merda.
Na verdade, depois do debate, chegamos a uma conclusão simples. Foi informado aos outros que em um intervalo de dois ou três dias o inglês visitava nosso vilarejo para pegar comida. O que precisávamos fazer era o mesmo esquema de antes: Observar a rua, um país por noite. Mas dessa vez um avisaria o resto, porque Inglaterra vai provavelmente ficar puto com o fato de ter sido descoberto por tanta gente e querer fugir.
Eu realmente sinto muito por ele, mas não há outra escolha.
Notas finais
Obrigada pela paciência, leitores! ♥
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