This Is War
16 11-21-2024
Notas iniciais
08:25
Nada de anormal aconteceu nesses últimos dias, por isso só fui tocar no diário agora. Mas, pelo que vi no último registro, disse que iria conversar com Matthew no dia seguinte se ele náo falasse nada naquele dia. Foi o que eu fiz.
Na verdade, a coisa foi simples. Matthew contou aos outros o que aconteceu e eles deram desculpas para não fazerem nada a respeito como se estivessem com medo de enfrentar o problema. E, pra falar a verdade, acho que realmente estão. Mas não é assim que se encara as coisas... Digo, se for uma invasão Alien eu até entendo, mas... Uh...
Enfim, por enquanto não há nada que possamos fazer. Enquanto não acharmos algum argumento inquestionável ou enquanto nada acontecer com eles, ficamos na mesma.
E eu ainda acho estranho esses últimos dias estarem tão... Pacíficos...
10:02
Acharam Holanda desmaiado na casa dele e agora estão vasculhando tudo para ver se não foi por causa de alguma droga que ele andou tomando.
É foda...
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Blog do Brasil
Não sei ao certo há quantos dias estamos aqui, mas até que estamos nos dando bem. Cuba botou na cabeça que consegue contatar o resto do mundo um um radinho de pilha made in China e vive com o ouvido grudado nele. Chile todo o dia acorda cedo e faz uma ronda pela cidade para ver se está tudo bem e Paraguai, Uruguai, Argentina e eu... Brigamos. Na maior parte do tempo. Ainda precisamos nos ajeitar. Nossas discussões estão virando rotina.
Mas estamos melhorando. Normalmente conseguimos resolver tudo em meia hora com uma boa partida de futebol. Aí rola briga por causa dos resultados. Aí voltamos a fazer as pases bebendo qualquer droga que achemos no refrigerador.
Pelé não parece muito confortável com o fato de ter que dividir o prédio com seu novo amigo argentino felino. Paciência, amiguinho...
Fora isso, levamos uma vida praticamente normal. Sem Tsunamis, terremotos ou qualquer outra dessas merdas que estão destruindo nosso mundo ultimamente.
Ah, e mesmo eu falando tão mal desse pedaço de plástico chiante que é o rádio portátil do cubano, alimento esperanças de que, algum dia, possamos restabelecer contato com o resto do mundo.
Isso se ainda houver resto do mundo...
É...
Foda.
Enfim, vou ter que terminar o registro. É tarde da noite, mas ouvi alguém batendo na porta e a voz do argentino besta.
Me pergunto o que ele quer a essa hora da madrugada...
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22:54
Não acredito na merda que consegui fazer.
Estou no meio de uma floresta nos arredores de Halifax sem saber para que direção está a minha casa ou qualquer outro ponto de referência, com apenas a luz da lua de iluminação — e olhe lá, porque a mata é fechada-, com fome, frio e cansaço. E, para completar, perdi a pista do cara que seguia. Um caralho.
Só espero não ouvir aquele cachorro de novo.
Minha letra deve estar uma merda... Não enxergo quase nada nessa porra. Apenas vagos contornos das árvores e plantas. E ouço o mar não muito longe. Se eu chegar à praia, já fico mais tranquilo.
Há umas três horas atrás avistei um soldado caminhar na rua das nossas casas. Sabia que era um por causa de suas roupas. Conseguia ver, também apenas com a luz da lua, um pouco da camuflagem de vários tons de verde e via o contorno de seus grandes coturnos negros. Estava de costas e também vi que carregava uma mochila. Como eu observava tudo da janela do primeiro andar da minha casa, tive que sair – levei o diário junto — para segui-lo. Mas ele ouviu meus passos e fugiu para a floresta sem olhar para trás.
Eu o segui. Por um bom tempo manti o maldito à miha vista, mas ele se movimentava pelos galhos e folhas rápido demais, além do fato de estar escuro, de modo que acabei por perdê-lo.
Consequentemente, fiquei perdido na floresta. Não prestei atenção no caminho.
Fui andando sem rumo pela floresta, mas até agora só vi mato e mais mato. Tive que parar. Agora estou com medo...
Mas vou descansare por apenas alguns minutos. Não sou doido de dormir aqui, embora esteja exausto.
Enquanto isso, me distraio escrevendo no diário. Está um frio do caralho, mas só agora percebo a incongruência disso tudo. Nos últimos dias estava um calor dos diabos, por que agora chego a bater os dentes de frio?
Não entendo mais nada nessa merda...
Nem vou falar que devia ter levado minha jaqueta. Como iria saber?
E o tal homem que vi, tento lembrar-me dele agora. Como eu disse, estava escuro e eu o via de longe, da janela da cozinha.
Mas sim, via vagamente a estampa de suas roupas e o contorno de suas botas. Tenho certeza de que eram fardas do exército. E de que ele não estava aqui antes.
Andava no meio da rua com uma mochila que, pelo que vi, estava cheia de alguma coisa. Eu, pensando que ele talvez ele fosse um sobrevivente como Índia, aproximei-me sem muita cautela. Aí ele fugiu. Aí eu o segui. Simplismente assim...
Nem sei por que fiz aquilo. Podia ter deixado o cara ir se ferrar na floresta, mesmo, comido por aquele cachorro arfante ou sabe Deus que criatura aquela era. Segui por reflexo, sem pensar. Porra...
Agora estou aqui, sem nem saber se vou sair vivo.
Porque o homem simplismente sumiu, pelamordedeus!
E aí vem mais uma leva para a porrada de perguntas cuja resposta desconheço:
Quem era ele? Para onde foi? Por que fugiu? Como nos achou? Como chegou aqui? Etc. Etc. Etc...
Até cogitei ele ser o assassino de Polônia, mas algo me diz que estou errado em pensar assim. Até porque, como disse, aqueles ferimentos nenhum humano normal poderia causar...
E, se não é ele o culpado, então o outro ainda está por aí, em outro lugar... E pode me achar... E ninguém vai poder me ajudar.
Escrever isso não está ajudando em porra nenhuma. Estou olhando para trás de cinco em cinco segundos.
Vou logo recomeçar a caminhada antes que caia no sono aqui.
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Diário de bordo – 21 de novembro de 2024
Por um descuido meu, prevejo que não tardará para descobrirem minha presença aqui.
Na verdade, um já descobriu. Mas ainda não sabe a localização el, creio eu, não demorará a achar.
Nos primeiro dia em que pisei em terra firme, fiquei apenas a observar a rotina dos países. Descobri que se reunem para jantar aproximadamente às 18:30 (ainda não entendi por que tão cedo) e escolhi essa hora para pegar a minha comida. Procuro encher minha mochila o máximo que consigo para não precisar visitar as casas com frequência. Geralmente, consumindo com moderação apenas almoço e janta, a comida que pego dura uns três, quatro dias.
Hoje, peguei o que precisava e voltei para o barco. Depois de comer, saí para dar uma volta. A nhoite estava fresca, diferente dos outros dias, e eu não estava a fim de ficar metido no barco.
Em terra firme, senti a brisa gelada, típica noturna, bater em meu rosto. A mesma sacudia as folhagens grandes, verde-escuras da mata fechada, cujo som do farfalhar de folhas juntava-se ao das águas que batiam ora calmas, ora violentas, contra o continente e meu barco em um som nostálgico. É música para mim. E eu durmo todo o dia com ela soando em meus ouvidos como uma canção de ninar. Outro motivo pelo qual não quero sair de perto da minha navegação.
O cheiro de terra e orvalho vindo da floresta convidava-me a desbravá-la uma vez mais. Usar o caminho que criei e memorizei até as casas usadas pelas nações.
Obedeci. Adentrei a mata, completamente alheio aos seus barulhos que tentavam inutilmente me assustar. Quando cheguei ao outro lado, fiquei a observar a rua deserta. Era tarde, meia hora ou mais depois da janta deles, e eles provavelmente ja haviam se recolhido.
Lentamente, comecei a andar no meio da rua. O fato de ela estar deserta significava que os meus passos no asfalto poderiam ser facilmente ouvidos, o que poderia acordar os países de sono mais leve ou chamar a atenção daqueles que ainda não dormiram. Por isso, fui avançando com cautela.
Estava começando a me perder em pensamentos quando ouvi passos atrás de mim. Quase me virei para ver quem era quando lembrei-me de que não poderia e nem queria deixar que me vissem, não importava as circunstâncias.
Corri de volta para a minha trilha na floresta. Sei identificá-la. O começo dela fica bem atrás de uma casa azul e depois é só seguir alguns pontos de referência que guardei em minha cabeça. Os passos atrás de mim continuavam e passou pela minha cabeça ser apenas um eco, mas seria melhor não parar ou me virar para conferir. O barulho de meus pés na corrida também poderia ter acordado alguém.
Me enfiei na mata e parei de ouvir os barulhos atrás de mim uns minutos depois. A trilha até a praia é curta, de modo que peguei uns desvios para despistá-lo, sem perder a noção de direção para não acabar perdido. Acho que ele não tomou o mesmo cuidado. Pode ainda estar tentando achar o caminho de volta. Pobre pessoa... Levou tempo e paciência para mim conseguir compreender aquela floresta. Acho que ele não vai sair dali antes de aanhecer. O escuro dificulta tudo.
Mas não é esse o problema. Na pior das hipóteses, ele ou ela morre lá, mas as probabilidades de isso acontecerl, creio eu, são mínimas.Ele / ela / whatever TEM que sair em algum lugar.
Se sair aqui, sou descoberto.
Se sair em outro lugar, volta para casa, conta para os outros, eles procuram e sou descoberto. Não há saída. Pensei em várias possibilidades, mas todas têm suas limitações e sempre acabo precisando voltar à terra firme. E não acho uma boa ideia ir embora.
Mas vejamos até quando isso dura.
Vou ficar vigiando por mais um tempo, para o caso de o indivíduo aparecer por aqui.
Notas finais
5 reviews - Eu posto o proximo capitulo mais rapido e quem sabe com um extra -n
Falando serio, preciso mendigar por reviews aqui agora? Ta feia a coisa .-.
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