This Is War
14 11-12-2024
Notas iniciais
09:26
Foi real.
Hoje, nem precisei explorar a cidade sozinho. Parece que todos, ou pelo menos a maioria, ouviram o grito de ontem e começaram a procurar e trocar informações. Parece que o grito foi mais alto perto da casa de Bielorrússia, de modo que foram todos para lá procurar.
Ninguém cogitou ir para o centro. Estamos mais na periferia de Halifax, onde há apenas casas baixas e muitas árvores. Pode-se fácilmente ver o mar daqui. O centro é um lugar mais fechado que, de algum modo, desperta medo em todos.
Não precisamos ir para lá ainda, de qualquer jeito.
Depois de um tempo de busca, apareceu Índia gritando que Polônia estava morto.
Era aí que estava o meu mau pressentimento.
Corremos até o lugar indicado pela garota. Realmente, era o polonês e estava morto.
Caído no meio de um matagal, de pijama, os olhos arregalados e a boca escancarada em um berro mudo. Sem dúvidas, era o dono do grito que ouvi de madrugada. Mas sua expressão de horror não era a única coisa que dava medo.
Mais abaixo... Sua barriga estava rasgada. Retalhada totalmente, de modo que nenhum órgão era reconhecível. Só dava para saber que eram órgãos e que eram dele. Saíam pelo seu corpo, viscosos, e os fluídos corriam pela cintura junto com sangue.
Não sei se essa imagem um dia sairá de minha mente.
Vou dormir com Canadá hoje. Ambos estamos com medo.
Muitos pases estavam em choque. Índia chorava sem parar e alguns idiotas chegaram a acusá-la de assassinato por ter chego no dia anterior à morte. Fingiu ter “achado” o corpo e fingiu estar assustada.
É claro que foi Francis quem disse isso...
Mas poucos acreditaram. Aqueles rasgos na barriga dele não eram humanos...
Alemanha e Suíça iam dar um jeito de se livrar do corpo. Já devem ter feito isso. Marcaram uma reunião às 18:30.
Eu tenho perguntas... Muitas. Perguntas.
O grito que eu ouvi de madrugada foi curto. Se Feliks tivesse morrido com aqueles ferimentos, teria agoniado mais... Não? Ou, se ele já estava morto quando alguém ou algo rasgou-o daquele jeito, como ele morreu?!
O que atacou-o? Por quê?
Acho que foi a mesma coisa que ouvi arfar anteontem. Ele saiu para ver o que era. Quem sabe fosse mesmo o cachorro de alguém que matou, mas não sei... Não estou satisfeito com essa desculpa.
Que, diabos, está acontecendo aqui?!
Está com cara de filme de terror.
Odeio filmes de terror.
13:09
Durante o horário de almoço, quando todos se recolheram para comer, fui dar uma volta. Já havia comido antes justamente para aproveitar a hora em que ninguém saía às ruas.
Encontrei Índia cuidando do barco dela e achei uma boa oportunidade para conversar.
“ Hey, Índia!”, comecei, a uma distância razoável, “ Posso perguntar algumas coisas? Depois, se quiser, podemos conversar para... Sei lá... Desestressar...”
Seu olhar foi assustador, mas ela aceitou me responder o que eu quisesse.
Primeiro de tudo, aquilo que ela usava não eram aquelas roupas de dança do ventre – que nem são indianas, na verdade -. Era um pano longo laranja, enfeitado com jóias e pedaços de espelhos que ela usava como top e saia longa. E tinha uma espécie de pedra vermelha oval na testa, pequena, mas não cheguei a perguntar o significado de nada daquilo.
Outra pergunta minha foi como ela conseguiu atravessar tanta água com um barco tão pequeno – era praticamente um veleiro – e por quê.
Foram respostas... Simples, respondidas de pronto como se ela as tivesse decorado. Na verdade, acho que depois de passar um dia inteiro respondendo questionários ela realmente decorou o que responder.
O barco não era tão simples quanto parecia. Por dentro, era toda uma fortaleza de guerra com paredes reforçadas e tecnologia avançada. Não perguntei qual a fonte de energia usava, mas confesso que fiquei intrigado.
Ela me convidou para vê-lo por dentro. Tinha espaço para, no máximo, duas pessoas, das quais uma, a comandante, ficava sentada em uma luxuosa – e provavelmente confortável — poltrona de couro. Aquilo parecia uma sala de comando da CIA. Olhando para a indiana, nem parecia que ela conseguira driblar a segurança de trocentos países saindo da Índia, passando pelas ilhas da Oceania – se é que ainda existem – e contornando a América do Sul, Central e Norte para subir até o Canadá. Tudo isso em uns poucos dias.
Mas sei lá, devem estar tão preocupados em se manterem vivos, os países e suas autoridades, que, como dizíamos nos EUA, nobody gives a fuck.
De qualquer modo, era o esperado de uma potência.
Estocou comida e zarpou. Disse que foi por causa de uma epidemia que estava ocorrendo lá. Não foi dado nome para ela ainda, mas Índia disse que se assemelhava à Gripe Aviária de décadas atrás. Ludwig já inspecionou-a e ela não está infectada.
Parece que agora todos os que chegarem deverão ser minusciosamente examinados – de algum modo que desconheço – para evitar foder todo o resto do grupo.
Fiquei uns minutos digerindo as informações e então convidei-a para dar uma volta, mas ela recusou, dizendo que precisava limpar o barco. Ofereci-me para ajudá-la, mas ela também não quis.
De modo que agora estou na casa de Canadá, com Hambúrguer, comendo panqueca. Parece que é lei ter panqueca nesse país. Toda a santa casa tem.
Vou descansar um pouco para ir revigorado para a reunião mais tarde.
21:27
Não vou perder tempo falando do encontro. Não chegamos a merda nenhuma de conclusão e ninguém tem muque para levar esse caso adiante. E estou com medo. Vou logo dormir.
Notas finais
Sábado vou viajar. Vou levar o caderno junto, mas nao sei quando vou ter tempo de escrever. Mas escrevo. E a regra dos reviews ainda tá valendo.
Amo vocês, criaturas~
Fale com o autor