This Is War
11 11-06-2024
Notas iniciais
Blog do Brasil
Acho que o mundo está em pânico demais para ler o que eu posto aqui agora, mas não me importa muito, sério. Vou escrever o que quiser nesse site até que tenha o mesmo fim do Fox News (que saiu do ar uns dias atrás no meio de uma guerra entre Egito e Líbia).
Incrível... Liguei o aquecedor no máximo e ainda sinto frio. Isso porque ele deve ter subido uns vinte graus no meu apartamento. Fechei todas as janelas e peguei minhas roupas mais quentes (que não são muitas, já que ninguém pensa em comprar roupa grossa em um país tropical para se prevenir contra um aquecimento global repetino... Ou esfriamento.)
Mas não preciso me preocupar. Sou o país mais seguro da América Latina, afinal! Por isso receberei umas visitas que ficarão por aqui por tempo indeterminado. Chegarão ainda hoje. São Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e até Cuba. E Chile vai levar algumas roupas extras de frio para nós todos.
Vai ser meio foda esse pessoal aprender a conviver uns com os outros, mas acho que logo a gente se ajeita. Digo... Tudo bem, essa Guerra Fria sul-americana não colabora muito. A maioria me odeia por estar tecnológicamente na liderança e Argentina deve estar sentindo um ódio imenso de toda essa confusão acontecer bem quando ele estava conseguindo investir na implantação de uma Estação Lunar. Mas todos nós agora voltamos à estaca zero e ira não ajudará em nada.
Estaca zero vírgula, que vai todo mundo pra baixo da minha saia, agora.
Bom, não tenho ressentimentos com o povinho.
Chile e Cuba são nêutros para mim. Foram os primeiros a pedirem abrigo e foi certo fazerem isso, já que correm sério risco de desaparecerem do mapa. As bordas sul-americanas ja estão ficando alagadas e Chile não passa de um fio no litoral.
Vai rolar baderna aqui... Mas, pelo menos, os moradores não irão reclamar. Porque não tem ninguém, mesmo. Todo mundo evacuou! Está um tédio total. Só eu e o meu Boxer. Eu chamo ele de Pelé porque é realmente bom de bola e é marrom e... Enfim.
Agora, essa turma vai me manter ocupado.
Não que eu já não estivesse ocupado nos últimos dias! Nem consegui comparecer às reuniões mundiais na confusão que rolou aqui. Meu chefe, o presidente, estava em viagem de negócios quando os aeroportos fecharam. Ficou preso em Portugal. Não conseguiu voltar e nem sei se ainda está vivo...
Em sua ausência, o caos tomou conta do país. Fiquei de cama por alguns dias só ouvindo a barulheira no prédio, gente apressava arrastando malas e crianças pelos corredores. Fora dele, batidas de carros, businas, o diabo a quatro. Uns dias depois, quando eu melhorei, reinava um silêncio mortal.
Coisa de filme, mesmo. Todos fugiram. Sumiram. Hasta la vista, bêibe.
E toda a bagunça que eu tenho certeza de que foi feita na cidade havia desaparecido, também. É por causa das máquinas de limpeza automática que sempre dão uma geral em determinada hora da madrugada. Acho que a sigla é ACM, sei lá. Acho que limparam mais que apenas lixo, mas nem quero saber. Não está à vista, isso é o que importa.
Yeah. Bitches do it right.
E Portugal? Não tenho absolutamente nenhuma notícia da minha maninha...
Tocou a campainha. A cambada chegou.
¤¤¤
Voltei a escrever três dias depois, é.
Estive em uma guerra. Petróleo é agora a prioridade mais importante entre os países. Devem ter gastado tudo em guerras. Não tem muito sentido, agora que penso nessa frase, mas enfim...
Me escolheram como alvo e, sem ninguém para controlar o país, foi como um puta chute no estômago.
Mais que isso, na verdade. Fiquei com febre alta.
As guerras que travamos ultimamente não duram mais tanto quanto antes. Nem tem comparação. Ninguém quer gastar tanto tempo em um só lugar, de modo que quase sempre acabamos em acordos, como foi o caso agora (mas este foi, na verdade, por causa da reunião). Dei metade do meu litoral para a França, para a extração de petróleo. A parte do sul fica com ele e a norte, comigo.
Não sou mais o país invencível de antes, mas não é culpa minha. Se meu chefe estivesse presente na hora do ataque, tenho certeza de que chutaríamos a bunda daqueles franceses.
Pior que agora Francis sabe da minha situação. Provavelmente, logo as outras nações ainda em guerra também saberão. E, se só não me atacaram até agora porque tinham medo do poder que eu um dia tive, significa que estou ferrado.
Ou não, porque Canadá disse que poderia me ajudar.
Mas continua sendo um caralho...
Enfim. A reunião.
No começo, foi aquela baderna de sempre, com uma porrada de países falando ao mesmo tempo. A
confusão foi tanta que ninguém se deu conta de que estava lá um país – meu irmão – do qual ninguém tinha notícias haviam semanas.
Mas acho que ele já estava acostumado.
Ludwig conseguiu butar ordem no negócio. Com um berro. E um discurso de como somos todos um bando de primatas mal-educados. A balela de sempre.
Depois, quem falou foi Rússia. Explicou a todos o que aconteceu no reator antes, durante e depois da onda atingi-lo. Não falou muito mais do que já sabíamos porque nem ele sabia muito mais do assunto e, segundo suas palavras, “o chefe também não estava em condições de se manter inteiramente informado”. Russo, espero que você esteja apenas se fazendo de inocente.
Mas, resumindo, um Tsunami atingiu a usina e fodeu tudo.
Ele parecia ligeiramente pálido. Mais do que já é, se é que isso é possível. Parecia uns dez anos mais velho.
Aproveitou e informou da situação de suas irmãs. Ucrânia está morta e Bielorrússia corre certos riscos de ter o mesmo destino.
Falou dessas coisas com tamanha neutralidade e indiferença que parecia mais um psicopata falando de seus assassinatos.
Se bem que ele realmente tem problemas psicológicos... Enfim.
Ele passou por muitos traumas, mesmo. Perdeu os Bálticos, uma das irmãs e agora está prestes a perder a outra. É foda...
Lembrei-me de Inglaterra novamente. Ele era meu irmão. Mesmo assim, eu não o via desse jeito. Era como um pai para mim, ou algo mais que isso. Já falei mil vezes, ele se foi. E é esquisito como fiquei com a sensação de voltar a ser um órfão sendo que nem falava com ele direito. Mas eu sempre soube que ele estava lá. Nunca me senti tão sozinho...
Bem, perdi ele. E se perdesse Matthew? E meus amigos mais próximos junto de outros milhares por conta de um acidente em MINHA usina nuclear?
Como dito, é foda...
Segundo alguns canais de notícias, a núdem de radiação pairará sobre grande parte da Europa e poderia até fazer uma visitinha no norte mais tarde.
O que significa que poderia, também, foder os Nórdicos.
Primeiro... Que Europa? Grande parte do que um dia foi seu litoral está agora submersa. A Península Ibérica sumiu. Dinamarca reduziu-se a um fio de terra. Os Bálticos não existem mais. A Grã-Bretanha afundou feito Titanic.
Ou seja, essa “grande parte” de que falam é o resto da Europa toda!
Não fui eu quem pensei nisso. Falaram na reunião.
Ninguém conseguiu achar soluções para salvar o povo. Não havia nada a fazer. Aqueles que não morreram pelo superaquecimento, falta de remédios ou alimentos ou por algum dos desastres anteriores são muito poucos e agora morrerão com a radiação. Não há esperança.
O máximo que podíamos fazer era salvar os países em risco... Ou seja, todo o resto da Europa.
Aliás, nenhum nórdico foi à reunião. Parece que recusaram auxílio.
Sendo assim, adeus, panelinha nórdica.
Enfim, sendo a solução “levar os países para longe do desastre”, a solução foi óbvia e veio rapidamente. Tirá-los da Europa. Levar para outro país seguro e em condições de se viver.
E a resposta para isso foi igualmente rápida. América do Norte. Canadá.
Mas, como nada é perfeito, teve confusão com os países inimigos. Ninguém queria viver perto um do outro nem abandonar suas riquezas. Algumas nações que entraram em guerra com Matthew diziam ser suicídio.
Mas todos foram se acalmando depois de um longo tempo de discussão. Alemanha lembrou a todos a situação mundial e acrescentou que continuar fazendo guerra só iria levar todos para o caralho. Prioridade: Sobreviver. Sobreviver em conjunto.
Ele está certo.
Os países que não concordavam foram convidados a deixarem a reunião, o que ninguém fez. Foi então assinado um tratado de paz mundial ali mesmo, uma vez que não poderíamos perder tempo. Para aqueles que se ausentaram daquela conferência foi enviada uma mensagem geral via rádio.
Assim, em ordem de mais ameaçado para menos ameaçado, as nações foram deixando suas casas por aviões a jato de seus exércitos ou, caso estivessem militarmente fracos demais, do exército canadense. Em menos de uma semana, todos os presentes na reunião e que responderam à mensagem quase que de imediato vieram.
Somos, agora e ao todo, 14:
Eu, meu irmão, Alemanha, França, Veneziano, Bielorrússia, Rússia, Hungria, Áustria, Suíca, Holanda, Grécia, Turquia e Polônia.
Mas... Estou realmente com um pressentimento péssimo de que esse número irá abaixar.
Sim, péssimo...
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