This Is War

27 1-14-2025


Notas iniciais
NOOOOSSA CARA. NOSSA. POSTEI RÁPIDO. O QUE TÉDIO NAO FAZ. e__e'

06:27

Fomos convocados na pressa por Alemanha para uma reunião geral.

Suíça e Áustria não voltaram da cidade. Faz mais de 14 horas que saíram. Deveriam ter voltado no final da tarde de ontem.

12:45

Hoje, foi concluído, será nosso último dia aqui.

No dia seguinte de manhã pegaremos nossos pertences e tudo de comida que pudermos e iremos, o grupo todo, para a cidade procurar um abrigo. É certo que há criaturas mortais de algum tipo ali, e por isso nos foi recomendado ter armas à mão. Óbviamente, ninguém ficou muito seguro com aquilo tudo, e nada que Ludwig dissesse conseguiu acalmar o grupo, porque ele já tinha feito muita merda desde que chegamos aqui. Pior ainda é vivermos permanentemente em uma cidade onde cachorros – segundo eu – ofegantes assassinos rondam à noite, mas acho que poderemos nos virar. Acho que sobreviveremos, sim, se usarmos inteligência, calma – não necessariamente, mas ainda assim – e cooperação.

Isso foram pontos bem simples que ainda assim demoraram um bocado para serem estabelecidos na reunião, é claro, porque todo mundo queria dar a sua opnião, reclamar, espernear, esse tipo de coisa. Quem não gostou nada foram Japão, China e Vietnã, que pularam da frigideira para o fogo daquele modo, mas não há nada que possamos fazer a respeito. Sair de Halifax poderia ser ainda mais perigoso.

Ou seja, se não sobrevivermos na cidade, não iriamos sobreviver de nenhum outro modo de qualquer maneira.

Depois da reunião, Ludwig pediu que todos saíssemos, menos Inglaterra. Obedecemos mas eu parei no corredor e voltei para grudar o ouvido na porta, que fora fechada, e tentar compreender a conversa. Ivan acabou vendo-me dar meia-volta e acabou por tentar espionar também. Deveria estar ridículo nós dois encostando a orelha numa placa de madeira por aparentemente motivo algum.

Pelo que entendi entre trechos abafados da conversa, Alemanha estava pedindo a Arthur que o desse conselhos sobre a decisão. Perguntava também como ele sabia que entrar ali durante a noite resultaria certamente em morte. Acima de tudo, porém, convidava-o também a ser um dos líderes do grupo. Arthur respondia a tudo em tom rude e afiado. Dizia que não iria influenciar no plano de ninguém e que, na situação que estávamos, era cada um por si. Recusava-se a responder perguntas sobre a cidade e negava-se absolutamente a ser um líder, porque aquilo só resultava em merda e ele não queria ser o culpado de nada e éramos um bando de retardados criançolas e devíamos crescer e aprender a ser independentes e nos virar sozinhos.

Alemanha replicou a isso com irritação e eu não entendi suas palavras porque ele gritava e seu sotaque súbitamente ficou péssimo, mas com certeza tinha frases cheias de insultos e foi assim redarguido por Arthur em tom pior ainda e aquilo se tornou uma discussão bem fodida. Não notei quando Rússia saiu do meu lado, mas deve ter sido segundos antes de as portas serem abertas e de eu quase ser prensado entre ela e a parede. Levei uma batida na cabeça forte pra caralho e um olhar furioso de Alemanha, que estava vermelho de tanto ter gritado, e de Inglaterra, que estava nas mesmas condições. Provavelmente somente não brigaram comigo também porque estavam cansados de discutir entre ambos, e os olhares dos dois já diziam tudo de qualquer maneira. Eu fingi não perceber, sorri o pior sorriso que já sorri na minha vida e me mandei para fora dali.

Rússia estava deitado no sofá quando entrei em casa e me lançou um olhar desinteressato, o que me fez bufar de frustração. Ignorei-o e fui para meu quarto juntar minhas coisas. Aliás, deveria estar fazendo isso no momento, mas é que eu decidi escrever aqui primeiro.

Ainda quero conversar com Ivan for the sake of it.

Também vou dar uma checada no estado emocional de Matt.

Hero business.

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Diário de Bordo – 14 de janeiro de 2025

Quando me juntei aos outros países, eu realmente não esperava que fosse consequentemente forçado a voltar para aquele inferno de cidade em que passei um pesadelo tão grande na hora de pegar comida. Serviu apenas para mostrar que eles estavam na mesma situação que eu se tratando de alimentos, e isso é frustrante, mesmo que tenha passado alguns bons dias sem precisar me preocupar com o estoque de comida. Estou com raiva ainda assim.

Muita.

Minha mochila – a mesma que usei naquela noite – já está preparada com todo o necessário. Armas e munição, comida, lanterna, diário – o diário está comigo, mas eu vou colocar ele aí dentro depois – e o raio que o parta. Vou sair de manhã com todos para irmos achar abrigo na cidade e eu não vou soltar uma única palavra na cara daquele alemão maldito e ele que se vire com aquele bando de idiotas, se ele quiser mesmo continuar com esse espírito de equipe. Só quero dizer que esse “espírito” está levando todos para o buraco. Ao menor sinal de perigo, eu não vou ajudar ninguém e fizer o que julgar necessário para sobreviver, e se cada um quiser morrer de mãozinhas dadas o problema é deles.

Bom, eu não sei quando voltarei ao barco ou SE voltarei a ele, e isso me pesa um pouco no peito, já que morei nele por um bom tempo. Também não sei quando voltarei a escrever aqui, SE voltarei a escrever aqui. Acho que depende um pouco de sorte, também.

Adeus, por enquanto.

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Diário de Sobrevivência deVietnam

21:01 – Periferia de Halifax – 14/01/25

Toda essa confusão se passando desde que cheguei aqui me faz querer gritar de frustração. Ontem morreram três países no centro da cidade e querem que nós nos mudemos para lá!

Estou extremamente irritada. No momento, divide a casa com Índia, que está em silêncio arrumando as coisas dela para nossa “mudança”, que sera amanhã. Eu simplesmente peguei minha mala e soquei tudo o que trouxe de volta nela. É uma bosta, mesmo. Eu realmente espero que sobreviva. Seria ridículo se eu me safasse de uma epidemia geral no meu país para morrer comida por bestas na porra do Canadá.

Não no sentido literal.

Sei lá, estou com raiva, mesmo.

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Caderno do Brasil

É uma pobreza, mesmo. De blog fui pra um caderno velho de capa de papelão que tinha jogado aqui no canto de casa, porque a Internet falhou de vez. Acho que posso oficiamente dizer que o mundo parou.

Digo, isso já era óbvio, mas agora ficou mais ainda, saca?

Não estou confortável escrevendo com papel e caneta. Demora pacas, minha mão dói e dá vontade de resumir todos os meus pensamentos. Ainda bem que minha gramática é boa, pelo menos. Ou acho que é. Mas isso também não importaria porque eu sou o único falante de Português nativo dessa bagaça.

Refletindo sobre toda essa coisa de blog e caderno e português, acabei esquecendo qual foi meu objetivo principal de começar a escrever em primeiro lugar.

Nossa, que merda. Quando lembrar eu volto a escrever.