This Is War

26 1-13-2025


00:23

Já faz três meses que comecei este diário. Estive olhando algumas páginas de outubro. É incrível como a coisa evoluiu tão rápido até chegar na situação atual... Muitos de nós óbviamente sentimos falta do mundo antigo, mas não podemos fazer mais nada a respeito. Devemos continuar tentando sobreviver, e aos poucos estamos nos acostumando à nossa vida nova e aprendemos a cooperar uns com os outros. Os últimos dias têm sido tão atribulados quanto chatos, por isso deixei o diário um pouco de lado.

É 2025. Não comemoramos o ano novo por motivos óbvios; não há o que comemorar. Muitos sequer sabiam que dia era. Não são todos que marcam os dias no diário ou possuem um calendário na casa em que moram. Isso também não é mais muito importante.

Dia 29 – acho que foi dia 29 – de novembro, de noite, dois aviões pousaram nos arredores. Eram Vietnã em um, Japão e China em outro. Foi algo bom que animou a muitos, saber que estavam vivos e que ainda havia esperanças de haver outros países ou até mesmo humanos com vida ao redor do mundo. Também foi bom porque aumentou o grupo, vendo que perdemos alguns em nossa estadia aqui em Halifax. Arthur também se juntou a nós, um pouco mais tarde, acho que no primeiro dia de dezembro. Ele e Índia tem brigado bastante, mas fora isso não foram muitos os que interagiram com ele, e ele também não procurou muita interação. É estranha, a situação dele. Ainda não sei como abordá-lo; ele parece ter se juntado a nós contra a sua vontade. Fora Índia, França e Canadá também trocaram algumas palavras com ele. Arthur continuou em seu barco, recusando-se a ficar em terra.

Está quieto para caramba no momento, está chato e, por algum motivo, não consigo dormir. Aqueles cachorros têm voltado e eu não posso dizer nada a ninguém. Nossa comida está acabando; acho que o que sobrou para nós ainda dura um mês, mas já é motivo de preocupação. Ludwig e mais alguns têm se reunido para decidir o que fazer. Há boatos de que vamos ter que explorar a parte mais densa de Halifax, aquela com prédios altos em que eu, Ivan e Matthew já fomos. Não sei o que pensar sobre isso. Acho que nem vou pensar.

Acho que as novidades dos últimos meses se limitam a isso, mesmo. Não houveram mais mortes, nosso grupo aumentou e nossa comida diminuiu. Vou guardar esse diário agora e me afundar no tédio olhando para o teto.

12:04

Acabamos de ser comunicados de que muito provavelmente teremos que ir para o centro de Halifax se quiséssemos continuar vivendo. Antes disso serão mandadas duas pessoas para fazerem o reconhecimento; marcar possíveis alojamentos, lugares onde é possível arranjar comida. Assim será possível saber se a decisão será realmente a melhor. Matthew e eu trocamos olhares, mas não ousamos replicar. Na verdade, no fundo, nós dois sabíamos que não havia muito o que fazer. A cidade tería que ser melhor explorada mais cedo ou mais tarde.

Aliás, essas duas pessoas serão Basch e Roderich. Vão com armas por via das dúvidas – o cacete; Ludwig ainda se lembrava do relato de Matthew sobre nossas desventuras na cidade -. Devem voltar ao entardecer.

Agora é cruzar os braços e esperar. Rezar, quem sabe. É certo que ambos passarão um terror naquele inferno.

13:15

Ludwig e Arthur estão discutindo.

Eu estou na minha casa e eles estão na do alemão. Dá pra ouvir os berros com clareza. Mesmo assim não consigo saber o motivo, mas deve ser algo sobre a cidade.

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Deserto. Estava deserto.

Passos que ecoavam pelas ruas vazias da cidade eram o único som audível a quilômetros de distância. Sequer vento ousava varrer o local, afastando ou levando aos dois homens o cheiro de podridão que alastrava os arredores. Os parcos raios de sol que conseguiam penetrar os prédios altos e abandonados formavam no chão bolhas surreais de luz contrastando com o cinza-escuro frio do cimento, e aquela falta de iluminação apenas contribuía para a atmosfera tensa que rodeava ambos. Era dia, mas em suas mentes inseguras parecia noite. Sequer as armas de alto calibre que traziam em suas mãos ajudavam-nos na certeza de que iriam sair de lá alguma hora.

O céu acima dos dois aos poucos escurecia e seus passos se tornavam cada vez mais incertos. Os olhos verdes do homem mais baixo, um loiro, varriam os arredores não mais mapeando as construções que via, mas procurando em um desespero contido algum sinal de saída, de caminhos conhecidos. O pouco calor que o sol fornecia aos poucos ia embora e eles ainda lá, sem a ajuda da luz, a vagar por uma cidade literalmente morta onde cadáveres nas mais diversas situações poderiam ser encontrados a apodrecerem em cada esquina.

Verdammt!”, praguejou o loiro, súbitamente parando de andar e levando ambas as mãos ao rosto, “ Já deveríamos ter voltado! Não era você quem deveria ser o responsável por memorizar as ruas por onde passávamos?! Vamos morrer aqui! Morrer, idiota!”, voltou os olhos raivosos ao mais alto, cujos cabelos eram castanhos e um tufo rebelde se elevava e fazia um longo arco. Seus olhos violeta o fitavam com ligeiro incômodo.

“ Você não me ordenou a fazer nada.”

“ Porque era ÓBVIO que você deveria fazer isso!”

“ Tanto eu como você, sendo assim. Falhamos ambos e você perde o direito de culpar-me por inteiro.”

Com um gunhido, o outro simplesmente virou o rosto e continuou a seguir em silêncio. Acompanhou-o o mais alto. Aos poucos podiam ambos ver a lua que se elevava acima dos prédios no céu, branca, cheia, uma aura de luz alva a rodeando. Apertaram o passo, seus corações começando a bater mais rápido com o simples pressentimento de que ALGO iria acontecer.

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Diário de Bordo — 13 de janeiro de 2025

A tarde já passou faz tempo; eles não retornaram.

Ludwig, meu caro, você se arrependerá.

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“ Basch, eu ordeno que você me dê uma arma!!”

Havia uma parede cinco metros atrás deles e uma matilha de bestas de olhos escarlate sete metros à frente, que avançava lentamente sem ceder. O barulho de metralhadoras disparando era infernal, bem como o de grunhidos e órgãos sendo estourados. O loiro segurava as duas armas com as duas mãos e atirava sem mirar na horda de demônios negros que se aproximava.

“ Você não sabe atirar, caramba!”

“ DÁ A PORRA DE UMA ARMA, BASCH!!!”

Agarrou uma das metralhadoras, o mais alto, e atirou junto do outro nos demônios. Os olhos de Basch se arregalaram ao ouvir o palavreado extremamente descaracterístico do parceiro, mas não havia tempo para exclamações de surpresa.

Scheiße!!”, exclamou o moreno.

“ O QUE FOI?!”

Um Gottes Willen, diga que tem munição!”

Naquele exato momento, a arma de Basch também parou de funcionar. Sobraram os rosnados raivosos das criaturas que, àquele momento, já estavam a três metros dos dois homens.

“ Roderich...”

Restou a ambos que recuassem, os olhos escaneando o beco escuro em que estavam à procura de alguma rota de escape milagrosa. Mas eram muros e prédios baixos grudados uns aos outros, janelas e portas fechadas e nenhum lugar onde a escalada poderia ser realizada com facilidade. As costas dos dois encontraram a parede e as criaturas, certas de que haviam encurralado as presas, começaram a correr em direção a eles.

O suíço e o austríaco trocaram olhares aterrorizados diante da morte certa. As últimas palavras vieram de Basch.

Verzeih mir...”

Notas finais
Postei gfnjkdnmfdkjs Finalmente. Folks, obrigada por comentarem no último capítulo ♥ Precisava falar algo e sempre esquecia: Nao estive respondendo os últimos reviews por causa de merda no Nyah, que nao me direcionava pro review em si quando eu clicava na atualizacao. Agora já vi que ele consertou e a partir deste capítulo estarei respondendo todo mundo, okay?~ Beijos!
Aliás, olá, leitores novos, e obrigada por lerem tudo até aqui, que é capítulo pra caramba! owo