This Is About You
16 Sentimentos
Notas iniciais
“Nossos pensamentos mais importantes são os que contradizem nossos sentimentos.” (Paul Valéry)
***
Claro que eu sabia que Elena iria relutar.
Por isso estava decidido a usar de todos os métodos possíveis, um deles foi dizer a “receptiva” recepcionista que se a Gilbert não descesse, eu iria subir até seu apartamento e que de um jeito ou de outro ela jantaria comigo.
Claro que como uma cidadã exemplar que é, afim de evitar um escândalo em frente ao seu prédio, ela disse que desceria em alguns minutos.
Encostado no meu carro, bufei pela ironia de está a mais ou menos quarenta minutos plantado em frente ao seu prédio, esperando a vossa senhoria.
Olhei mais uma vez para a rua deserta e baixei os olhos para os meus sapatos, como se já não bastasse está impaciente, estava sentindo um nervosismo desconhecido se apoderar do meu organismo.
Subi novamente o olhar e encontrei um par de pernas morenas realçados pelos saltos, o vestido preto perfeitamente ajustado em seu corpo, solto na parte do quadril e justo na parte superior onde uma fenda revestia seu busto coberto por uma fina camada de renda. Nossos olhares se cruzaram e por um segundo, permaneci arrebatado pela imagem da Deusa vindo em minha direção, ela percebeu a forma voraz como eu passava meus olhos pelo seu corpo e desviou os olhos para o meu carro, vindo até mim com os braços cruzados e visivelmente irritada.
— Princesa. – Cumprimentei com meu melhor sorriso. – Você esta linda.
— Você não está tão mal. – deu de ombros petulante, seguindo para o carro.
Virei-me para abrir a porta para ela, mas ela foi mais rápida sentando-se no banco, colocando o cinto e fechando a porta com um estrondo que doeu no meu coração.
— Não precisa fingir que é um cavalheiro. – disse ao notar minha expressão de surpresa. Sorri pela sua reação tão Elena, ela sempre sabe me surpreender, e isso é apenas uma das coisas que me atrai nessa mulher. Dei a volta no carro e me conduzi ao lugar do motorista, passei o cinto, ligue o carro e comecei a dirigir.
Olhei de esguelha para Elena, com os braços e pernas cruzadas e o rosto virado para a janela do carro. Ela estava linda, eu não conseguia para de admirar a sua beleza singular. E isso já está ficando patético, Salvatore! Uma voz alertou na minha cabeça!
— Boa noite senhorita irritadinha. – Resolvi quebrar o silencio cortante que se estabelecia ao nosso redor.
— Você ficou louco? – disparou ela. A olhei confuso e esperei ela prosseguir. — Querer invadir o meu prédio? Serio? Eu tenho vizinhos Damon. – disse irritada.
— Ok, eu confesso. Falei que invadiria seu apartamento se você não descesse. –dividia minha atenção da pista para ela. – Mas a senhorita me deixou em uma situação complicada quando praticamente me mandou embora.
— É você tem razão. Eu te mandei mesmo embora, sabe por quê? – perguntou e quando abri a boca pra falar, levantou o dedo, impedindo-me de falar. – Por que eu disse que não queria vir. – falou pausadamente como se eu fosse uma criança de 5 anos.
— Mas mesmo assim veio. – A olhei de relance e sorri convencido.
— Você não me deu escolha. – falou entre dentes estreitando os olhos para mim. – Quero tornar esse jantar menos insuportável, então se você se mantiver calado durante o resto da noite seria ótimo.
— Acordou de mal humor ou como se chama aquilo que as mulheres têm e ficam insuportáveis, TPN? – Brinco a lançando um olhar de falso espanto.
— É TPM, e meu problema não tem relação com nenhum dos dois, infelizmente. Porque seria melhor do que ter que suportar uma noite inteira com você.
— Hm, uma noite inteira?! – Ela me olhou incrédula, enquanto eu exibi um sorriso sugestivo. – Suas palavras, linda. Não minhas.
Olhei para a pista novamente e senti seus olhos queimando sobre mim, percebi o movimento do seu peito descendo e subindo com mais velocidade e como ela me observava minuciosamente. Eu a afetava, e descobrir aquilo de alguma maneira me deixou feliz.
— Gosta do que vê, Elena? – Falei, olhando diretamente nos olhos castanhos. Ela abriu a boca e a fechou novamente, seus olhos desceram para minha boca e ela engoliu em seco.
— Não tem muito o que se olhar. – disse fingindo tédio –Onde estamos indo? – perguntou despreocupadamente e me diverti pela sua tentativa de mudar o foco da conversa.
— Um restaurante de um velho amigo.
— Você tem amigos? – Colocou a mão na boca fingindo espanto.
— Poucos, porém confiáveis.
— Então o poderoso Damon Salvatore tem problemas com confiança. – Disse debochada.
— Não. Apenas não confio em todo mundo. – murmurei sem olha-la.
— Eu te entendo. – Pareceu totalmente sincera. – Quando a nossa confiança é quebrada, não demora muito para que as outras coisas desabem. – A fitei e pela segunda vez nossos olhares se encontraram, seu olhar parecia intrigado, ela franziu a testa e balançou a cabeça voltando o olhar para fora da janela e eu me voltei, mas uma vez para a estrada.
Aquilo me intrigou profundamente e me senti na obrigação de saber quem tinha a feito sofrer.
***
Damon parou o carro em frente ao Montini’s Ristorante. Constatei ao ler o discreto letreiro na parte superior do restaurante.
— Eu não posso entrar ai. – murmurei para mim mesma.
— Por que não? – A voz de Damon soou confusa ao meu lado.
— Não é obvio? – Praguejei mentalmente por ter escolhido um pretinho básico, bem que eu poderia ter vindo com o vestido que Carol me fez comprar ontem no shopping, onde aquela lembrança das mãos de Damon sobre a minha pele era nítida em minha mente. — Não estou vestida adequadamente. – baixei o rosto tirando a mecha de cabelo detrás da orelha, afim de não mostrar minha face corada por tal pensamento e alimentar ainda mais o seu ego gigante.
Passou um minuto de total silencio, que foi quebrado pelo som de Damon se desfazendo do cinto. Em segundos suas mãos quentes estavam no meu rosto, procurando avidamente meu olhar.
— Hey! Olha pra mim, Elena. – Forcei meus olhos a deixarem o vidro do carro e o encarei. Mas em seguida me amaldiçoe por tal ato, pois a intensidade que encontrei em seus olhos foi esmagadora. – Não menti quando disse que está linda. – Corei por poder o olhar tão de perto. Ele era bonito demais para ser de verdade.
– Para ser mais sincero, você está maravilhosa. – E era exatamente isso que seu olhar demonstrava... Sinceridade. Sem nenhum vestígio de malicia ou sarcasmo.
Inconscientemente abri um meio sorriso tímido e seus olhos passaram para a minha boca como se fosse me beijar ali mesmo, seu cheiro de banho tomado e loção pós barba atingiu meu estomago como um soco e tudo que eu consegui fazer foi fechar os olhos e me render ao completo turbulento sentimento que me envolvia por inteiro.
Senti as mãos quentes acariciando meu rosto, seu toque era calmo, até delicado, inseguro, como se a qualquer gesto meu, aquilo se quebrasse.
— Elena. – Sua voz rouca e inebriante fez meu interior se contorcer bruscamente, impedindo o ar a chegar no meu cérebro. Abri os olhos e encontrei Damon serio, quase assustado me olhando profundamente. Como se eu fosse um enigma que ele não conseguia desvendar. Ele se aproximou e seu hálito de menta colidiu contra o meu rosto.
Aquilo não poderia está acontecendo, eu estava mais uma vez me rendendo ao charme desse homem arrogante, que não pensaria duas vezes em esmagar meu coração. Eu não podia deixá-lo me quebrar. Ninguém mais iria fazer aquilo comigo novamente.
Pus minhas mãos em cima das dele, e lentamente as tirei do meu rosto, fugindo do seu toque e do seu olhar decepcionado.
Tirei o cinto e me apoiei na lateral do carro, respirando com dificuldade. Minha cabeça girava e meu corpo estava entorpecido. O que diabos havia de errado comigo?!
Ouvi a porta do carro bater e vi quando Damon lançou a chave do seu carro para o manobrista que nos aguardava.
– Tudo bem?! – Sua voz preocupada preencheu meus sentidos e virei o rosto, encontrando-o parado bem atrás de mim.
— Claro. – respondi simplesmente virando-me para ele.
Damon estendeu o braço para mim, exibindo seu clássico sorriso torto e depois de algumas respirações profundas, revirei os olhos e passei meu braço no dele que nos conduziu até a entrada do lugar.
Boquiaberta, observei o luxo do restaurante. Os lustres davam-lhe um toque de sofisticação e confortabilidade. Na parede ao lado havia um espelho lateral que acompanhavam a fileira de mesas de madeira bem posicionadas.
O maitré nos direcionou a mesa, que proporcionava uma visão privilegiada para uma outra parte do restaurante, onde um salão amplo exibia casais embalados ao som do jazz. Era fascinante o modo com os corpos se mexiam com tanta facilidade, eu estava encantada.
— Você está parecendo uma criança em loja de doces. – Percebi Damon gesticular para a cadeira vazia que prontamente sentei-me.
— Aqui é muito bonito. – admiti, admirando as rosas vermelhas decorando nossa mesa, assim com todas as outras.
— A esposa de Giorgio sempre teve bom gosto. – O olhei sem entender e ele tratou de explicar. – Giorgio é o proprietário do restaurante, o amigo que te falei.
— Ah – limitei-me a dizer.
Uma voz desconhecida soou as minhas costas antes que o silencio constrangedor se formasse entre nós.
— Salvatori! – Virei-me um pouco na cadeira, encontrando um senhor de meia idade com cabelos grisalhos e olhos verdes simpaticos, que vinha em nossa direção de braços abertos, vestido em um Smoking escuro.
— Montini. — Damon levantou de imediato e com um abraço caloroso cumprimentou o amigo.
— Quanto tempo amigo. Com está a Jiu? – O moreno perguntou sorrindo. E deduzi que Jiu seria a esposa do senhor.
— Muito bene. – Respondeu sorrindo e percebendo minha presença veio até mim, que levantei meio nervosa e ajustei o vestido antes de sorrir. – Olá! — Olhou-me admirado.
— Oi. – Falei envergonhada e para piorar o estado das minhas bochechas, ele segurou uma das minhas mãos e a levou aos lábios, deixando um beijo casto.
— Mui Bella Signora...? – quis saber.
— Gilbert. Elena Gilbert. – Respondi pelo pouco italiano que compreendo.
— Elena, bella Elena. – disse orgulhoso, olhando pra Damon que sorriu e olhou de Giorgio pra mim com admiração. – Prazer conocerti Senhorita. – Ele falou com um sotaque carregado. Fiz uma curta reverência e sem que percebesse me aproximei de Damon.
— É um Ragazzo má Damon, casa-se novamente e não convida o velho amigo.
— Oh não... – apressei-me em explicar. – Não somos casados. – exasperei com as mãos.
— Ela é apenas uma... – Damon me olha interrogativo – Amiga. – diz hesitante.
— Seja o que for dolce Elena, io conheço esse Ragazzo a mais de 10 anos então posso Assicurarte que está muito bene acompanhada. – dei um meio sorriso e olhei para Damon que me fitava com mistério. — Sintam se a vontade e divirtam-se. – Sorri para mim e se virou para Damon.
— É um homem fortunato Salvatore. – Damon me olhou e sorriu. Não consegui compreender sua ultima frase e olhei interrogativa para Damon que manteve um meio sorriso no rosto. Giorgio saiu falando com outros clientes e ficamos sozinhos novamente. Após sentarmos, um garçom se aproximou.
— O que vai querer princesa? — Damon perguntou depois de fechar o cardápio.
— Ir embora?! – digo esperançosa.
— Isso não é uma opção. – sorriu torto e revirei os olhos, forçando-me a esconder o sorriso bobo que surgia nos meus lábios.
Escolhemos nossos pratos e em questão de segundos o garçom voltou com uma garrafa de vinho tinto que Damon pediu. Ele preencheu nossas taças e se foi, enquanto ficamos ali cada um preso na sua bolha particular.
— Giorgio gostou de você. – Damon quebrou o silencio após dar um gole em seu vinho.
— Ele é simpático. Onde o conheceu? – Não sei de onde saiu o interesse, mas eu queria saber.
— Ele trabalhava em um restaurante perto da minha antiga casa na Itália e todos os dias quando eu voltava da escola, ia até lá e passava horas conversando com Giorgio, enquanto ele cozinhava. – Sorriu afetado pela lembrança. – Então minha família resolveu se mudar pra Toronto por causa dos negócios de Giuseppe.
— Quem é Giusepp? – perguntei confusa.
— Meu pai. – respondeu com o maxilar travado e o olhar distante, depois franziu as sobrancelhas e balançou a cabeça com se tentasse expulsar algo ruim do pensamento.
— Eu sou de uma pequena cidade no sul da Virginia, então presumo que não a conheça. – Falei tentando mudar de assunto, já que ele ficou serio e distante após mencionar o nome do pai e por alguma razão não quero vê-lo assim. – Richmond.
— Já ouvi falar. – Murmurou perdido em pensamentos girando a taça na sua mão. Me perguntei o que poderia ter acontecido com ele.
Sefan já tinha mencionado que ele tinha problemas com o pai, mas não achei que seria tão grave ao ponto dele mudar totalmente de humor em questão de segundos. Meu coração se apertou em compaixão ao ver um menininho de olhos azuis sofrendo por algo.
— Sabe Damon... – Consegui coragem pra falar e ele me olhou. Obtendo sua atenção, prossegui. – Será que é verdade o que dizem sobre o vinho?
— O que dizem sobre o vinho? – perguntou curioso e respirei aliviada por ele mostrar interesse.
— Que quanto mais velho, melhor o sabor. – Olhando em seus olhos, aprecie a bebida descer pela minha garganta e finalizei passando a língua nos lábios, ciente do seu olhar fixado sobre mim.
— Isso foi um flerte? – perguntou com a voz rouca e olhos serrados na minha direção. – Por que se for, eu não te aconselharia a flertar comigo Elena. – Inclinou-se sobre a mesa e exibiu um sorriso predador.
— Por que Salvatore? – Perguntei, tentando não acreditar que acabei de descaradamente dar em cima dele. Esse não era bem o propósito, mas pelo menos consegui sua atenção.
— Não sou um cara bom. – Disse simplesmente.
— Eu gosto de caras más. E respondendo sua pergunta, não estava flertando, apenas fiquei... intrigada. – dei de ombros fazendo-me de inocente.
— A senhorita é muito curiosa. – observou sorrindo. – E sobre o vinho é verdade, quanto mais velho, melhor. – Me lançou um olhar libidinoso e repetiu o mesmo gesto que eu.
Levou a taça aos lábios e fechou os olhos apreciando o sabor. E foi a minha vez de admirar aquela imagem sensual. Depois de um tempo o garçom interrompeu nosso pequeno momento de insinuações e serviu nosso jantar. Damon optou por uma tortelline de queijo parmesão e pela minha falta de conhecimento gastronômicos, acabei optando pelo mesmo. Comemos em silencio e quando terminamos, Damon acabou insistindo na sobremesa e apreciamos um delicioso Tiramisú que de acordo com o meu acompanhante — que parecia saber exatamente tudo — disse que é uma sobremesa típica da Itália.
Depois nos servimos de um pouco mais de vinho e ao decorrer da noite, Damon foi ficando mais tranquilo, aquela seriedade em seu olhar estava se esvaindo aos poucos e ele parecia mais animado, sorrindo, flertando. E de alguma forma desconhecida, me agradava vê-lo assim, mesmo com os comentários maliciosos, olhares nada discretos e aquelas malditas piadas, ele deixava de lado aquela imagem de homem serio e problemático. Não tinha como negar, eu gostava da sua companhia, mais do que deveria! ecoou uma voz na minha cabeça.
— E Stefan? – sou trazida de volta por sua voz já tão familiar e percebo que estávamos falando sobre o casamento de Stefan.
— Caroline comentou que ele deve chegar amanhã. – Respondi. – ela está completamente maluca com os preparativos para o casamento.
— Ela já não parece mentalmente normal, imagine como estará no dia desse casamento. – balancei a cabeça negativamente, mas não consegui evitar o sorriso que brotou em meus lábios.
— Isso é bom. – apontou na minha direção e o olhei confusa. – Ver você sorrindo. Fica muito mais bonita assim Elena. – apoiou os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos. Senti minhas bochechas esquentarem e desviei do seu olhar. — Por que minha presença te intimida tanto? – pergunta realmente curioso.
— Não é isso Damon, é só essa situação toda. – expliquei calmante – Nos conhecemos há pouco tempo, você me beijou e...
— Você retribuiu. – se defendeu.
— Não deveria. – falei firme.
— Mas gostou. – inclinando-se sobre na mesa continuou – Tanto quanto eu, e está louca que eu te beije novamente. – Como se comprovasse sua teoria, olhei pros seus lábios e engoli em seco. Ele se inclinou ainda mais na minha direção e o clima de repente mudou, ficando denso e o ar escasso.
— Com licença, tenho que ir ao toalete. – Levantei de imediato e sai em passos apressados.
No banheiro encarei o reflexo no espelho e vi a tonalidade vivaz que minhas bochechas adquiriram. Fora esse pequeno detalhe, tudo parecia normal: Maquiagem intacta, cabelo alinhado, vestido liso. Por fora estava tudo em ordem, mas por dentro tudo estava girando e se contorcendo.
Essa a prova do quanto Damon tinha poder sobre mim, e detestava ter que admitir aquilo. Sua presença me intimida, e o seu jeito de homem problemático e misterioso me deixa intrigada e ao mesmo tempo seduzida.
Respirei fundo antes de sair do banheiro, andei em passos lentos até a mesa antes de dar mais um passo em direção ao moreno perigoso que me aguardava, senti uma mão pousar em meu ombro.
— Elena? – Girei nos calcanhares encontrando dois olhos azuis me fitando com surpresa.
— Matt! – sorri e o cumprimentei com um abraço. — Nossa! Quanto tempo. – Disse analisando seu rosto de traços finos. – Vick me contou sobre as férias em Vegas.
— Pois é. Você deveria ter ido com a gente. – me repreendeu sorrindo. – foi maravilhoso.
— Posso imaginar. Não sabia que estava trabalhando aqui. – reparei no seu uniforme composto do avental branco com um colete da mesma cor e o chapéu de mestre-cuca no alto da cabeça.
— Comecei há pouco tempo.
— Que ótimo! – sorriu. Sempre foi o sonho de Matt cursa gastronomia e poder trabalhar em um restaurante bem renomeado.
— E você? – Perguntou levantando as sobrancelhas claras.
— Eu o que?
— Veio sozinha?
— Na verdade, não, estou co...
— Comigo. – Senti sua mão firme em minha cintura e congelei no lugar. – Que é esse?! – Damon Sussurrou em meu ouvido fazendo os pelos da minha nuca eriçarem.
— Matt esse é Damon Salvatore, irmão do noivo da Carol. – expliquei a Matt que estendeu a mão para cumprimentar Damon, que o fitou de sobrancelhas erguidas. – Damon, esse é Matt Donavan, um grande amigo.
— E namoradinho de infância. – Matt disse recebendo um aperto um pouco forte demais da mão de Damon.
— Você ainda lembra-se disso? – Sorri, lembrando de quando éramos criança.
— Como esquecer? Você foi meu primeiro amor. – Matt sorriu ao piscar pra mim. Senti os dedos de Damon se comprimir em volta da minha cintura e tentei não demonstrar incomodo com seu toque possessivo. – Então, ela partiu meu coração e me trocou pelo capitão do time de futebol. – disse colocando a mão no peito e eu revirei os olhos na menção indireta sobre o Kol. O capitão do time dos babacas, isso sim!
— E não melhorou muito depois disso. – Damon sussurrou contra meus cabelos e bufei.
— Então vocês são amigos? – Matt perguntou desconfiado.
O lancei um olhar suplicante para ele parar, mais continuou. – Não sabia que era amiga desse cara, Elena. – Brincou com um sorriso tenso.
— Longa historia loirinho, compre o livro. – Damon respondeu sem humor. – Não tem que voltar ao trabalho?
— Verdade, aquela cozinha fica uma bagunça quando não estou por perto. – Matt diz apontando para trás onde possivelmente seria a cozinha. — Não desapareça garota. – Me desfaço do aperto relutante de Damon e abraço Matt.
— Não vou. – Garanto.
— Você tem muito que explicar. – riu deixando um beijo estalado em minha bochecha. Balancei a cabeça sorrindo e o observei se afastar.
— Muito receptivo esse seu amigo. – Damon praticamente cuspiu as palavras.
Meu sorriso se desfez e m segundo e virei-me lentamente encarando seus olhos frios.
— Não faça mais isso. – o alertei.
— Fazer o que? – perguntou, fazendo-se de inocente e senti vontade de arrancar cada fio dos seus cabelos.
— Não tente bancar o macho alfa comigo Damon, por que não vai funcionar. –Tentei passar por ele, mas ele segurou o meu braço me impedindo.
— Esquece isso. Não sei o que deu em mim. – confessou, meio perdido.
— Tudo bem. – soltei-me do seu aperto e virei as costas, mas ele foi mais rápido colocando em minha frente e estendendo a mão de dedos longos.
— Dance comigo. – sua ordem me pegou desprevenida e meus ouvidos captaram a musica ecoar pelas paredes do salão.
— Isso não foi uma pergunta, não é mesmo?
— Não. – sorriu e o fuzilei com os olhos. – Não seja mal educada. – Reprovou, ainda com a mão estendida. Contei até três mentalmente antes se segurar sua mão e ser guiada por ele.
Adentramos no grande salão, onde os casais se moviam ritmados ao som do jazz. Damon nos conduziu até o meio da pista, bem em frente a banda que proferia os primeiros acordes dos versos inconfundíveis de Nina Simone. Com maestria, Damon posicionou-se a minha frente e enlaçou sua mão firmemente em minha cintura, enquanto com a outra entrelaçava seus dedos nos meus. Envolvi meu braço em torno do seu pescoço e senti seu sorriso na hora exata em que ele colou seu corpo no meu, deixando seu rosto a centímetros do meu, nos conduzindo com leveza pelo salão.
Em um momento estava envolvida pelo calor dos seus braços, em outro estava girando em volta dele, desprendendo-me por um momento das suas mãos e inesperadamente voltando novamente para o calor reconfortante dos seus braços.
Sem consegui evitar, sorri como uma garota num baile de formatura e me deixei ser conduzida, apreciando seu jogo de proximidade.
Nossos olhares não se desconectavam por um segundo, nossos pés, mexiam-se em sincronia. Eu sentia que não tinha mais ninguém naquele salão, éramos somente nos dois.
— Você dança muito bem. – Damon murmurou baixinho em meu ouvido me fazendo fechar os olhos e me deleitar com o tom tão grave da sua voz.
— Anos de pratica. – sussurrei contra seu ombro e ele nos afastou brevemente com uma sobrancelha erguida. – Pratico dança de salão há quase dois anos. – expliquei. Ele sorriu brevemente antes de aproxima-se novamente.
— Quem sabe algum dia você possa me ensinar alguns passos. – seu halito pinicou na minha pele, deixando-a ligeiramente ardente, assim como eu me encontrava no momento. Completamente Quente.
— Não é tão fácil quanto parece. – senti seu sorriso contra meu pescoço.
— Eu aprendo rápido. – afirmou em um suspiro abafado.
A musica assumiu um ritmo mais rápido que acompanhamos de bom grado, Subitamente, Damon ergueu nossas mãos entrelaçadas e me girou uma, duas, três vezes seguidas e quando fui trazida de volta colidi em seu peitoral firme e prendi um gemido que se insinuava em minha garganta.
Ciente do quanto eu estava rendida a seus braços, ele viajou a mão até a minha nuca enquanto a outra me segurava com firmeza, então, devagar, inclinou meu corpo para trás, curvando-se sobre mim me deixando a sua mercê.
— Você é bom. – não consegui evitar olhar para sua boca, tão próxima da minha.
— Sou bom em tudo que faço Elena. – Seu rosto pairava perigosamente próximo ao meu e eu podia sentir sua respiração ofegante contra meus lábios.
Ele se aproximou e minhas pálpebras se renderam. Eu não aguentava mais, ele tinha que acabar com aquela distancia enlouquecedora, eu sabia que iria me arrepender de dizer o que estava prestes a sair da minha boca, mas eu precisava sentir seus lábios movendo-se contra os meus novamente, sua língua entrelaçada na minha, me levando ao delírio. Eu precisava dele. Inteiramente dele.
— Damon me
— Não vou te beijar. – O que? Abri os olhos com o balde de água fria que foi jogado nos meus ossos. – Por mais que todos os músculos do meu corpo me induzam a isso... – ele sustentou os olhos na minha boca e parecia manter um esforço imenso para segurar seus impulsos. — Dessa vez é você quem decide princesa. – Sorriu torto me olhando com expectativa.
— Vai sonhando Salvatore. – Consegui dizer, depois que ele nos trouxe a posição inicial.
— Damon! Elena! Que belíssimo, splendido!— Giorgio veio em nossa direção com os braços abertos, o que me fez perceber o burbúrio de pessoas ao nosso redor comentando sobre a nossa “performance”, Estávamos envolvidos demais um com o outro para notar os olhares curiosos. – Todos ficaram maravilhados com a danza dos Bambinos.
— Não exagere Giorgio. – Damon brincou com o amigo e eu fiquei espantada em vê-lo não se gabar por algo.
— Sí é verdade. Senhorita Elena que cosa bella.— me direcionou um olhar sincero.
— Obrigada. – agradeci sentindo as bochechas arderem.
— Sigam-me per favore. – Dei o primeiro passo e Damon não hesitou em passar a mão pela minha cintura – O que estava se tornando natural — nos guiando atrás de Giorgio.
Ele nos levou até um corredor largo com vários quadros espalhados pela parede branca. Soltei-me delicadamente dos braços de Damon e observei as fotografias de casais, famílias, espalhados pela parede, eram muitas pessoas.
— Venham tirar una foto. – Giorgio segurou a câmera nas mãos e apontou para nós dois.
— Não precisa. — Relutei, não queria minha foto numa parede de um restaurante conhecido e bem freqüentado, ainda mais se nesta foto eu estaria nada mais nada menos do que ao lado de Damon Salvatore, uma pessoa conhecida e publica.
Lancei um olhar preocupado para Damon.
— Ele faz isso com todos os seus clientes, digamos que... Especiais. – explicou calmo.
— Não acho uma boa ideia. – balancei a cabeça fitando a câmera nas mãos de um ansioso Giorgio.
— Não terá problemas, Elena. – Damon olhou em meus olhos. — Confie em mim. — concordei hesitante.
Damon posicionou-se ao meu lado e passou o braço pela minha cintura me segurando firmemente, trazendo-me junto ao seu peito, por reflexo pousei minha mão sobre seu peito, sentindo os batimentos frenéticos do seu coração.
Sorri ao notar que ele estava tão nervoso quanto eu. Olhei para cima procurando o seu olhar e quando o encontrei sorrindo, um largo sorriso brotou em meus lábios no exato momento em que ouvi o flash da câmera de Giorgio.
***
Quando eu sai de casa e entrei no meu carro, não estava certo do que a noite me traria. E enquanto eu olhava para os olhos mais lindos que já vi um dia, eu estava feliz. Me sentia calmo, relaxado, como a tempos não me sentia. Não imaginava, muito menos esperava que Elena pudesse me fazer tão bem.
Depois de tirar as fotos que Giorgio tanto insistiu, o mesmo fez questão de nos acompanhar até a entrada do restaurante. Enquanto ele seguia na frente animado conversando com Elena. Eu seguia um pouco mais atrás, assistindo com água na boca, todas aquelas curvas exuberantes se mexerem graciosamente através do tecido do vestido.
O que eu posso fazer?! Sou homem.
Depois de nos despedimos do meu amigo, que fez Elena prometer que voltaria em outra ocasião, seguimos para o carro.
O trajeto de volta foi calmo. Tanto eu quanto Elena estávamos envolto em nossos pensamentos, um silêncio agradável se instalou, e vez ou outra nos olhávamos sorrindo. Eu não sabia o que estava acontecendo entre a gente, mas era nítido o quanto estávamos envolvidos. Cheguei ao West Village e praguejei mentalmente por não ter ido mais devagar. A pedido — ou melhor — exigência dela, parei o carro no lado oposto do seu prédio e fitei seus olhos castanhos tão bonitos quanto ela toda.
— Você esteve maravilhosa hoje. Não me admira Giorgio ter ficado fascinado com você. – falei enquanto admirava a delicadeza dos seus lábios entreabertos. – Aliás, sua beleza não cansa de me surpreender, assim como você. – fitei seus olhos em expectativa. – Obrigado por não fugir no meio do jantar. – Brinquei arrancando um meio sorriso dela.
— É Damon, você não é tão intolerável como eu imaginava. – Ela falava, mas eu só conseguia prestar atenção no movimento que a sua boca fazia. Ela percebeu e corou na mesma hora. Linda demais.— Bom, eu vou indo. Obrigada pelo jantar. – Sorriu e se desfez rapidamente do cinto. – Boa noite, Damon. – sua voz soou longe, seus olhos variam meu rosto em busca de algo, talvez que eu falasse algo, ou fizesse...
– Boa noite, Elena. – Ela suspirou pesadamente e saiu do carro. Eu continuava a observando enquanto segurava o volante com força.
Vi ela atravessar a rua e grunhi em relutância. Você não deve beija-la, não pode ser tão submisso a ela, tem que deixá-la implorar por você. Era o que dizia a parte racional do meu cérebro, mas meu coração batia acelerado no peito, maluco pra sentir novamente o seu toque, seu cheiro e a sua boca contra a minha.
Foda-se!! Eu gritei pra minha mente.
Sem pensar duas vezes, tirei o cinto, sai do carro e quando ela estava prestes a subir à calçada, agarrei seu braço, fazendo-a se virar surpresa e sem esperar um segundo a mais....colidi meus lábios sobre os dela com força e quando ela deu passagem para que a minha língua explorasse avidamente sua boca, eu a beijei.
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