This Is About You
9 Recomeço
Notas iniciais
***
A claridade fazia meus olhos arderem forçando-me a cobri-los com o dorso das mãos, algo estava errado. Aquele colchão confortável não era o da minha cama, aquele aroma de lavanda não era o do meu quarto.
Ai Meu Deus!
Pisquei varias vezes antes de abrir os olhos completamente e sentar na cama, gemi arrependida no instante seguinte quando minha cabeça latejou com força como uma maldita bomba relógio prestes a explodir a qualquer momento. Endireitei-me no colchão e pus as mãos na cabeça respirei fundo antes de olhar ao redor daquele quarto desconhecido. Olhei a minha volta e notei que não era somente um quarto, era O QUARTO. Era elegante mas ao mesmo tempo acolhedor, os raios de sol atravessavam as persianas da janela proporcionando ao quarto um contraste magnifico refletidos nas paredes brancas. Na parede em frente a cama, havia uma enorme TV led. Meus olhos voltaram-se para a porta do lado oposto do quarto e presumi ser o banheiro. Coloquei os pés para fora das cobertas e levantei um pouco tonta.
Como fui parar ali?
Eu não deveria ter bebido tanto! Refleti enquanto massageava aquele ponto latente na lateral da cabeça.
Assim como o quarto, o banheiro era enorme, olhei para o espelho acima da pia e notei o box de vidro que ficava a minhas costas, direcionei meus olhos para a imagem refletida no espelho e me assustei com o que eu vi. Meus cabelos estavam uma bagunça e os fios estavam todos desalinhados com nós nas pontas, meu rosto borrado pela maquiagem da noite anterior, digna de um cosplay do curinga. Balancei a cabeça sem acreditar que aquela imagem do inferno fosse a minha e olhei para o restante do meu corpo, encontrando o vestido completamente amassado e repuxado para cima, deixando minhas pernas mais expostas do que deveria, como eu voltaria pra casa nesse estado? Céus! Eu estava um horror.
Mil vezes droga!
Passei um pouco de água no rosto e pescoço e tentei amenizar o caos dos meus cabelos com as mãos.
Encarei o meu reflexo no espelho, tentando vasculhar minha memoria a procura de como de repente eu estava no banheiro chique, de um quarto chique e muito possivelmente de uma casa mais chique ainda.
Kol.
As imagens chegaram como flash na minha cabeça e arrependi-me de tentar lembrar o fiasco da noite passada.
A pista de dança.
Kol transando de roupa com a loira peituda.
Esbarrando em alguém nada educado.
A rua fria e deserta e...
Damon...
Ele vindo atrás de mim, pedindo pra eu entrar no seu carro que ele me levaria para casa... depois, eu só lembro de acordar sentindo uma paz que não sentia a tempos e quando abri os olhos estava em seus braços, sentindo o calor do seu corpo e aquele perfume amadeirado.
Puta merda... Eu tentei beija-lo, não só beija-lo, mas quase o agarrei.
Onde eu estava com a cabeça, quando o provoquei? E odiava saber que ele tinha razão, eu estava com raiva do kol, queria me sentir melhor e... "Quer se sentir desejada? Ótimo. Você já conseguiu isso." sua voz repleta de desejo veio á minha cabeça, me fazendo recordar o quanto ele ficou excitado pela minha "provocação" e quis profundamente descer pelo buraquinho da pia.
Talvez ele não fosse tão imune assim como demonstra ser na maior parte do tempo.
Não, não, e não Elena! Aquilo foi um momento impulsivo e isso não vai se repetir. E não aconteceu nada idiota! Minha consciência ironizou a ignorei.
Voltei pro quarto assim que estava um pouco mais apresentável, procurei meus sapatos e os encontrei embaixo da mesa de cabeceira. Quando levantei, meus olhos pararam no pequeno comprimido ao lado de um copo com água sob o criado mudo. Franzi a testa.
Não, ele não faria isso. Ou faria? Questionei-me mentalmente, enquanto de bom grado engolia o comprimido em um gole de água.
Após passar pelo extenso corredor repleto de portas, desci as escadas silenciosamente, eu estava seriamente dividida entre dar o fora dali o mais rápido possível ou fazer um tour a procura de Damon já que a casa era enorme. Melhor, mansão. Constatei ao me deparar com a gigantesca sala de estar. Descendo os últimos degraus, notei as janelas que iam do piso ao teto, proporcionando uma visão incrível do jardim muito bem cuidado a julgar pela vivacidade na cor da grama. No centro da sala, havia um imenso sofá em tons de cinza escuro em formato de L, a mesa de centro dava-lhe um ar sofisticado e harmonioso, apesar do tamanho e luxo daquele lugar, era totalmente equilibrado, sem exageros. Ainda tinha uma parede divisória, mas eu já estava perplexa demais para me deslumbrar com outro cômodo. Caminhei em passos hesitantes e no lado esquerdo vi o que seria uma cozinha, mas resolvi dar meia volta, eu não podia ficar perambulando pela casa alheia e logo a de Damon Salvatore.
– Bom Dia Senhorita. – uma voz tranquila e amável me fez girar os calcanhares em direção à cozinha – Sente-se melhor? Tomou o comprimido?
– Ah... Oi. – Acenei envergonhada por me encontrar naquele estado. – Bom dia, eu tomei sim, muito obrigada. – agradeci à senhora de uniforme, ela tinha cabelos grisalhos e um sorriso extremamente simpático.
– Não me agradeça querida, foi o Damon que o deixou lá. – Falou orgulhosa, e pela forma como se referia ao Salvatore pelo primeiro nome e não como o Senhor, ela parecia verdadeiramente intima, uma das únicas pessoas que o chamam pelo primeiro nome, refleti ao lembrar que Stefan fazia parte dessa pequena exceção. – Eu preparei um café bem forte.
– Ah não, não precisa! – tratei de explicar – Obrigada, mas já estou de saída.
– Mas são as ordens dele. – disse paciente – e Finn irá leva-la pra casa. – vendo minha expressão confusa, prosseguiu – Finn é o motorista particular do menino Damon. — Menino. Sorri ao ouvi-la se referir a ele dessa maneira, ela devia ter um sentimento muito forte por aquele homem, que impôs ordens ao meu respeito.
– Vamos criança. – gesticulou com as mãos e mesmo hesitado a acompanhei. – Fique a vontade. – disse enquanto abria a larga geladeira compactada com o armário de parede e o balcão com detalhes em aço, me sentei em um dos confortáveis banquinhos brancos em frente à bancada e apreciei a vista proporcionada pela grande parede de vidro do lado direito da cozinha que iam do piso de cerâmica branca ate o teto exibindo o longo caminho de pedras pelo gramado que finalizava próximo a grande piscina de águas límpidas.
Ali era o paraíso. Como um homem pode ser tão frio e arrogante tendo uma vista dessas todos os dias? Aquilo era fascinante.
A senhora voltou para o meu campo de visão e começou a organizar a bancada com frutas, pães, queijo, panquecas e uma jarra de suco de maracujá. Meu preferido.
– Damon está aqui? – indaguei curiosa enquanto ela despejava o liquido amarelo no copo.
– Não querida, ele saiu um pouco mais cedo para o trabalho. – sua resposta me fez questionar que horas seriam, olhei no relógio de parede, 09h53min. Droga perdi o primeiro tempo de aula. – Quando cheguei ele estava de saída, e depois que foi vê-la, me pediu para preparar um café da manhã reforçado pra senhorita. – sorriu parecendo satisfeita com algo que eu não consegui decifrar, pois estava chocada demais com a informação de Damon ter ido me ver enquanto dormia, como se já não bastasse ter deixado o remédio pra amenizar a ressaca.
Eu estava seriamente confusa, não sabia como lidar com tudo isso, era tudo muito novo pra mim, e Damon não era exatamente o tipo de homem que se importa com os outros, principalmente alguém como eu. Mas ele se importa com você! cantarolou minha intrometida consciência. E pela segunda vez a ignorei.
– Obrigada. – falei sem jeito – E pode me chamar de Elena, Senhora... – quis saber seu nome.
– Carmem. E é um prazer querida, à senhorita é a primeira mulher que toma café da manhã aqui, exceto a senhorita Marie – diz tão naturalmente, que não percebeu o minha expressão de choque, enquanto parava a centímetros da boca a torada com queijo.
– Quem é ela? – não consegui conter a curiosidade e... Ansiedade?
– Sinto muito Senhorita. – lamentou – Não posso falar sobre ela.– terminou em um suspiro tristonho.
– Tudo bem Carmem. – garanti sorrindo enquanto ela rapidamente mudou de assunto.
Com certeza não deixaria esse pequeno detalhe passar, eu estava cada vez mais curiosa e atraída pelo passado daquele homem intrigante.
*
Durante todo o trajeto da casa de Damon — que eu não me surpreendi ao constatar que era o Upper East Side um dos bairros mais requintados de Nova York — até West Village meu tão querido bairro, mil interrogações passavam pela minha cabeça dolorida. Eu estava sentindo mil coisas diferentes ao mesmo tempo, da gratidão a raiva, raiva de Kol por ter me traído, raiva de ter ido a maldita boate, raiva de mim mesma por ter focado minha decepção no álcool, o que me fez parar no quarto de hospedes do homem que até então eu odiava, e odeio. Não odeio? Arghhh.
Finn esperava o sinal abrir enquanto uns seguiam pela faixa de pedestre, outros pelas calçadas lotadas da quinta avenida. Carmem não pronunciou mais nenhuma palavra sobre a tal de Marie, o que me deixou extremante curiosa. Afinal, quem seria ela? Durante a breve conversa, ela disse que trabalhava há muitos anos para Damon e fez questão de deixar claro que ele é um homem maravilhoso, que passou por coisas verdadeiramente difíceis e se tornou bastante solitário. "Garoto de ouro" suas palavras atravessaram minha mente, eu não conheço esse lado do Damon que tanto Carmem, quanto Stefan garantia que ele possuía. Eu conheci o ricaço grosseirão que o único objetivo da vida era ter tudo que quiser.
Bufei, descrente da sua atitude noite passada. Por que ele tinha me ajudou? Ele poderia muito bem me deixar ali, ele não tinha que se importar. Talvez ele se importe com você. Balancei a cabeça confusa, não queria ter que pensar nisso agora, não enquanto Finn Estacionava o Bentley prata em frente ao meu familiar prédio, o que me fez compara-lo com a grandeza e luxo da casa do Salvatore, era um lugar tão magnífico para se viver rodeado de verde, tão harmonioso e calmo, virtudes que não se assemelham a personalidade temperamental do proprietário. Finn abriu a porta e sai envergonhada do carro.
– Tenha um bom dia senhorita! – diz acenando com a mão no quepe.
– Pra você também Finn e obrigada. – sorriu enquanto tentava desamassar um pouco o vestido, Finn não era de muitas palavras, mas era muito simpático, bem alinhado com o típico uniforme de motorista particular.
– Não foi nada, só estou seguindo ordens. – ele disse antes de entrar no carro e sair pela rua movimentada, deixando algumas pessoas que entravam no prédio boquiabertas, por uma garota como eu, sair de dentro de um carro tão luxuoso com aquele.
Segui pelo salão principal e acenei timidamente para a recepcionista que me lança um olhar analisador. O elevado abriu e esperei as pessoas saírem, enquanto encarava meus pés.
– Elena! Graças a Deus! – Bonnie gritou e me abraçou antes que eu pudesse entrar no elevador.
– Wow calma Bonn! – sorriu a abraçando de volta – É meu aniversario por acaso? – perguntei não conseguindo conter o riso.
– Você nos deu o maior susto garota! – reaprendeu enquanto digita o numero do nosso andar.
– Você não esta de saída? – apontei para sua blusa lilás com um casaco e sua calça jeans acompanhada dos seus sapatos baixos.
– Estava, quer dizer estou! – ela parecia exasperada – Não muda de assunto, Elena, você ficou louca?
– Me desculpe Bonnie, não se preocupe, eu estou bem, eu estava na cas...
– Na casa do Damon Salvatore – completou – eu já sabia.
– Como assim já sabia? – perguntei confusa.
– Ele ligou às duas e meia da madrugada para o Stefan, que a propósito dormiu aqui. – sorri maliciosa.
– Wow! Informação demais! – Disse tentando não parecer afetada por saber que ele ainda ligou pra avisar onde eu estava e que estava bem.
É Elena, ele realmente se importa.
As portas se abriram e caminhamos pelo hall.
– Então... O que aconteceu? Damon só comentou que te encontrou na rua perambulando bêbada, e conseguiu te levar pra casa dele, já que você acabou dormindo. – ótimo! Ainda bem que ele não mencionou a parte que eu tentei arrancar a roupa dele, suspiro aliviada.
– Posso te explicar depois? – pedi enquanto ela abria a porta – eu preciso de um banho e da minha cama. – digo manhosa me arrastando pelo apartamento.
– Claro, a Carol está no campus e eu tenho que buscar um livro na biblioteca, o Jeremy já deve esta esperando lá em baixo. — olhou em seu relógio de pulso – Vocês Gilbert’s não têm muita paciência – riu.
– Espera um minuto – parei de andar e a encarei – você e o meu irmão estão... – gesticulei com as mãos erguendo as sobrancelhas.
– Er... Ontem na boate – hesitou — Ele me beijou. – disse tão baixo que por pouco eu não escuto. – E nós estamos passando um tempo juntos, ele disse que gostava de mim. — Ela avaliava minha reação cautelosamente.
– Que ótimo Bonnie – sorriu e a abracei. Feliz por uma boa noticia naquele dia totalmente estranho.
– Serio? Pensei que você fosse pirar – confessou.
– Claro que não – a segurei pelos ombros – Eu torço muito por vocês!
– Obrigada – sorri genuinamente – Agora eu tenho que ir — pegou a bolsa no sofá e seguiu ate a porta. — E Elena? – chamou
– O que? — virei antes de entrar no corredor.
– Kol deixou umas 30 mensagens na secretaria eletrônica, ele estava feito louco te procurando pela boate. — esperou que eu falasse algo, como não me pronuncie continuou — Ligue pra ele, deve estar preocupado.
Não falei nada apenas assenti, e segui pelo corredor. Ainda tinha uma longa tarde pela frente. Pensei enquanto entrava no quarto.
*
Acordei um pouco antes das duas horas com a voz exasperada de Caroline dizendo que me procurou por toda boate, me ligou umas cinquenta vezes, e que já estava prestes a ligar pra polícia antes de Damon avisar onde eu estava. Eu sei, ela é exagerada. Ela me questionou sobre a noite anterior e estávamos no ponto em que eu estava tentando ignorar ao máximo.
– Eu me lembro do que aconteceu, e querendo admitir ou não... Damon me ajudou. – falei enquanto me sentava na cama.
– E agora você esta se sentindo culpada pelas coisas que disse a ele enquanto sóbria? – Caroline perguntou. Estávamos todas no meu quarto, enquanto Carol estava sentada na cadeira da escrivaninha mexendo em algo no computador, Bonnie estava de bruços enquanto me olhava com seus olhos ansiosos.
– Não! Ele mereceu cada palavra, mas... – me recostei à cabeceira da cama.
– Mas? — Bonnie ergue sua sobrancelha bem desenhada.
– Apesar das nossas desavenças, e eu ter dito muitas coisas desagradáveis... – dei uma pausa antes de terminar – Era ele que estava lá quando eu precisei. – suspirei – acho que devo agradecê-lo. – murmurei olhando minhas mãos sob o colo.
– É o certo a fazer Lena. Damon pode ser complicado e ter um temperamento difícil, mas tem um bom coração. – Bonnie disse olhando diretamente nos meus olhos — Caso contrario... Ele não te levaria pra casa dele.
– Vocês transaram? – Carol se virou pra mim com um olhar de pura malicia.
– Oh meu Deus, Caroline! Eu estava bêbada. – disse incrédula, enquanto sentia minhas bochechas arderem.
– Hummm... Então se não estivesse, transaria. – afirmou enquanto eu a encarava boquiaberta e perplexa pela sua ousadia. Busquei as palavras e só conseguia abrir e fechar a boca diversas vezes sem pronunciar som nenhum. – Oh meu Deus! Elena, você se sente atraída por ele! – concluiu como se fosse à coisa mais surpreendente do mundo. Como eu falei, exagerada.
– Claro que não Caroline! – balancei a cabeça exasperada.
– Qual é Lena? Ele é surpreendentemente lindo, um dos homens mais ricos da America, um dos solteiros mais cobiçados do momento e tem aquele charme Salvatore – enquanto falava contava nos dedos – eu te entendo, também tentei resistir ao Stefan, e olha no que deu. – mostrou sua aliança de noivado.
– Ele pode ser tudo isso, mas eu não o vejo dessa forma! – disse convicta, pelo menos tentei parecer. Sai da cama e caminhei em direção ao banheiro.
– Ainda! – pude ouvi-la dizer antes de fechar a porta.
Fiquei uns trinta minutos recebendo a água morna do banho que diferente das outras vezes não estava relaxando meus músculos, meu corpo estava tão tenso como pela manhã, aquele incômodo na minha cabeça chamado ressaca estava se esvaindo, porém me sentia incomodada, inquieta, impaciente, ansiosa. Só pensava em uma coisa, na verdade duas... E Eu estava decidida e não ia voltar atrás, por mais que o meu orgulho implorasse para não fazer.
*
Bonnie estacionou o carro de frente a Salvatore Entertainment’s um imponente prédio que parecia chegar ate as nuvens, absolutamente majestoso, podia ser comparado em termos de beleza, com os castelos da época medieval, onde os grandes reis exibiam suas coroas e exerciam todo seu poder, alem de ser um dos prédios mais altos diante dos demais presentes pela avenida movimentada.
– Quer que eu venha te buscar? – disse sorridente.
– Não precisa. Te vejo a noite. – respondi fechando a porta.
Quando pedi o endereço do prédio de Damon a Caroline — que ligou para seu noivo e me repassou o mesmo — eu não imaginava que o local seria tão luxuoso quanto a sua casa.
Passei pelas portas giratórias decoradas com bronze, tão admirável quanto seu exterior, com paredes e pisos revestidos de mármore dourados e as mesas e catracas de alumínio polido. Me Direcionei ao longo balcão onde uma recepcionista de cabelos encaracolados e vermelhos me informou o andar da sala de Damon. Me encaminhei para o elevador e antes que a porta se fechasse uma mão a impediu. Era um homem bastante elegante com seu terno negro aberto e camisa de listras, lábios grossos e olhar simpático.
– Detesto elevadores. – soltou o ar pesadamente.
– Bem vindo ao clube. – sorri, eu o entendia perfeitamente, não suportava passar mais de três minutos dentro de um.
– Alaric Saltzman. – estendeu a mão sorrindo.
– Elena Gilbert. – imitei seu gesto com um aperto de mãos.
– Gilbert? – perguntou parecendo surpreso.
– Sim. – respondo hesitante. Ele crispou os lábios e franziu a testa, me analisando de uma maneira curiosa – Algum problema? – pergunto desconfiada.
– Ah, claro que não. – responde imediatamente – E que ele tinha razão sobre você ser tão bonita. – falou admirado.
– Desculpa, quem? — Pergunto confusa.
A porta finalmente se abriu revelando o hall de entrada do 26º andar.
– Até mais Elena. – acenou sorrindo e caminhou pelo hall do andar.
Atordoada, observei as portas se fecharem novamente. A quem será que ele se referiu? Eu não me lembro de tê-lo visto antes, e era provável que nenhum dos meus amigos o conhecesse. Foi no momento em que um par de olhos azuis cruzaram minha mente. Será? Mas por que Damon comentaria algo assim a meu respeito? E por que o até mais? Resolvi arquivar mais um documento na gaveta de arquivos denominada Salvatore.
O elevador parou e as portas revelaram o hall bem iluminado e requintado do 20º andar, caminhei sob o piso de mármore branco e o barulho dos meus saltos fizeram a secretaria de Damon me olhar confusa. Ah eu conhecia ela, e a tal loira do restaurante que o acompanhou no jantar de Stefan.
– Posso ajuda-la? — responde com desdém sem me olhar. Nossa, que simpática pensei irônica.
– Sim, quero que avise a Damon Salvatore que Elena Gilbert deseja falar com ele — ela finalmente me olhou e fez uma cara de deboche.
– Você tem hora marcada querida?
– Não. – confessei – Mas preciso falar com ele.
– Veja bem, Elena. – expeliu meu nome, como uma cobra destila seu veneno, e inclinou-se sob a mesa. – Ele está em uma reunião muito importante neste exato momento e creio que não gostaria de ser interrompido, se quiser deixar recado, eu garanto que eu mesma dou. – reconheci muito bem o duplo sentindo na ultima palavra mencionada. Vaca!
– Não tem problema. – sorriu — Eu espero. – sequer esperei sua resposta, logo sentei em uma das cadeiras confortáveis, colocadas organizadamente em torno de uma mesinha com muitas revistas importantes de nova York, onde a grande maioria Damon exibia seu semblante autoritário e olhar impenetrável. Comecei a folhear uma das revistas e mal percebi quando o homem do elevador passou por mim e foi até a mesa da loira, ela apontou pra mim e ele seguiu seu gesto, depois balançou a cabeça pra ela, virou-se e sorriu para mim desaparecendo pelo hall em direção á porta da esquerda. Em instantes o telefone da mesa da loira tocou e ela atendeu no seu habitual profissionalismo.
– Escritório de Damon Salvat... – arregalou os olhos e ficou pálida — Mas Senhor... – ela me olhou com ódio nos olhos – Tu...tudo bem, isso não vai mais se repetir, desculpa. – soltou o ar pesadamente enquanto colocava o telefone de volta a mesa.
– Senhorita Gilbert o Sr. Salvatore mandou espera-lo em sua sala. – apontou pra porta dupla em frente a sua mesa.
– Obrigada querida. – sorriu vitoriosa e me direcionei a grande porta negra.
Fiquei boquiaberta com o tamanho da sua sala, aquele lugar não era somente um escritório. A esquerda havia um bar, onde um extenso balcão e uma prateleira de vidro guardavam garrafas de cristais coloridos, que acrescentavam um pouco de cor à decoração em preto e branco. Á direita notava-se um espaço reservado a reuniões com menos formalidade, a julgar pela mesa de madeira com três cadeiras ao redor, na parede em frente ao sofá negro, uma TV led exibia um noticiário em tempo real. No centro da sala, logo atrás da sua mesa escura com diversos aparelhos eletrônicos, notava-se a presença da grande janela do chão ao teto proporcionando uma vista maravilhosa de Manhattan. Maravilhada por tamanha beleza, segui ate ela e espalmei as mãos sob o vidro imaginando como seria vê Damon ali, contemplando a vista no papel de diretor, exercendo o poder que havia construído debaixo dos seus pés.
Agora eu entendia o motivo de querer ter controle sobre tudo, ele havia erguido um império.
– Que incrível. – refleti em voz alta encantada com uma Manhattan movimentada bem debaixo dos meus pés.
– É uma bela vista. – sua voz rouca ressoou como veludo em meus ouvidos, e meu olfato capturou a fragrância inebriante do seu perfume único. reconheceria seu cheiro másculo e amadeirado a quilômetros de distancia.
Respirei fundo antes de encara-lo e me virar lentamente. E lá estava Damon, parado próximo à porta, com as mãos casualmente enfiadas no bolso da calça, Imaculadamente vestido em seu terno preto de risca giz e um colete da mesma cor, contrastando com sua camisa impecavelmente branca.
Nunca tinha visto cabelos desgrenhados tão negros e brilhantes como os seus que contrastavam com os seus olhos azuis selvagens e indomáveis que me olhavam confusos. Eu estava com os olhos grudados naquele homem, que estava ainda mais impressionante do que antes. "Deus! Elena, você se sente atraída por ele." As palavras de Carol vêm à tona em minha cabeça, me tirando do estado de hipnose causados pela sua presença.
Que mulher em sã consciência não se sentiria atraída pela beleza inumana de Damon Salvatore? E comigo não era diferente, tinha um magnetismo nos seus olhos que me puxava cada vez mais em sua direção, era como uma ordem silenciosa, me mandando mergulhar no oceano de águas turbulentas daquele homem intimidantemente irresistível.
Eu não podia me sentir assim, era arriscado demais, perigoso demais.
***
– Oi! Ah... Desculpa por isso. – Ela finalmente falou apontando envergonhada pra vista da janela.
– Não se preocupe. Como eu disse, é uma bela vista. – revirei os olhos – então... Você queria falar comigo. – disse cautelosamente, avaliando a expressão do seu rosto delicado, lembrando-me como era suave sentir sua pele em meus dedos.
desejei toca-la.
– Me desculpe ter atrapalhado sua reunião. – falou corando enquanto colocava uma mecha de cabelo atrás da orelha. era era Linda.
– Já estava acabando. – garanti, mas na verdade exigi que conduzissem a reunião na minha ausência, o que todos acharam estranho, já que nem a "visita" do meu próprio irmão, me fez sair em pleno acordo, com uma das maiores indústrias da America latina, mas eu precisava vê-la. – Sente-se Elena. – apontei para a cadeira, com uma mão no bolso da calça.
– Não precisa, serei breve. – de alguma forma desconhecida aquilo me despontou, eu poderia passar horas a olhando. Ela estava ainda mais bonita do que na noite passada, usava um vestido com estampa de flores, que realçava sua pele morena e para o meu deleite, suas pernas torneadas estavam expostas, mas não tanto quanto eu queria.
– Ok. – disse – Só um segundo. — fui em direção a minha mesa e apertei o botão que dava diretamente a mesa de Rebekah – Não quero ser interrompido — pausei – por ninguém, entendeu? – disse ríspido olhando no fundo dos olhos castanhos. Rebekah gaguejou um "Sim Sr Salvatore" do outro lado da linha e desliguei.
– Então... – me apoiei na mesa cruzando os braços.
– Eu queria agradecer por ontem. – falou direta – Por não ter me deixado sozinha. – deu um passo atrás quase encostando-se à porta – E pelo que fez essa manhã. – riu sem graça, enquanto ajeitava a bolsa no ombro. – Eu não estava nos meus melhores dias. – confessou em voz baixa olhando para os sapatos.
– Você me surpreendeu. – ela me olhou de uma maneira completamente diferente da ultima vez que estivemos frente a frente, quando eu quase perdi o controle e juro que me odiei por isso, eu tenho que está no controle de exatamente tudo, e essa garota quase me fez perder a cabeça quando me provocou, me deixando afetado de tal forma, que tive que tomar uma ducha geladíssima para conseguir dormir.
– Por ter vindo ate aqui ou por ter agradecido? – ela perguntou curiosa.
– Nenhum dos dois. Estou surpreso por não me acusar de sequestro. – dei um meio sorriso e ela acompanhou meu gesto – Isso — gesticulo pra nos dois – É um acordo de paz? — perguntei divertido. Ela estreitou os olhos.
– Digamos que você é um a menos na minha lista negra. – deu de ombros e sorriu.
– Você não é a única a ter uma lista negra, senhorita Gilbert. — a lancei um sorriso torto e admirei seus lábios rosados se curvando em um meio sorriso, deixando-os ainda mais convidativos.
Ela olhou ao redor da sala, o examinado deslumbrada e fixou os olhos na janela á minhas costas.
– Você nunca contemplou a cidade assim? – perguntei me referindo a Manhattan, enquanto ela permanecia com os olhos vidrados na janela.
– Infelizmente não, nunca estive em um prédio tão alto. É uma vista maravilhosa. – sem que percebesse se aproximou do vidro e da mesma forma que a encontrei, espalmou as mãos no vidro, observando a pequena multidão atravessando as ruas da quinta avenida.
Vê-la com aquele vestido, naquela posição tentadora, me fez ter pensamentos nada inocentes, como fodê-la ali, enquanto as pessoas que passavam lá embaixo nem imaginavam o sexo quente e sujo que fazíamos aqui em cima. Imaginei-a com as mãos suadas espalmadas contra o vidro embaçado me pedindo por mais, pra ir mais fundo, mais forte, mais rápido...
Uma gota de suor escorreu pelo meu pescoço enquanto meu amigo de diversão se contorcia dentro da calça.., já dolorido.
Não consegui me conter... Me aproximei devagar encuralando seu corpo contra o vidro e espalmei a mão ao lado da sua. Elena arfou e estremeceu quando meus dedos tocaram delicadamente as mechas de seu cabelo cheiroso, joguei-os sobre seus ombros, me deliciando com a imagem da sua nuca e parte do ombro espoxto.
Ela era minha tentação.
Hesitei por alguns instantes antes de colar meus labios na curvatura do seu pescoço, inalando seu cheiro doce e deixando um beijo casto no local, Elena emitiu um gemido baixo, me deixando ainda mais excitado.
– Damon, o que você tá fazendo? – falou com dificuldade, virando o rosto pra me olhar completamente e lindamente corada, sorri por causar esse efeito nela e inalei seu perfume mais uma vez. – Isso é errado, eu... Eu não posso. – balançou a cabeça fechando os olhos.
– Por que não? – sussurrei em seu ouvido – Você tinha razão Elena. – mordi o lóbulo da sua orelha – Eu quero você e você me quer. – Me aproximei ainda mais, a aprisionando entre meus braços, roçando minha ereção na base da sua coluna, ela mordeu o lábio em busca de conter outro gemido – Nossa atração é inegável.
– Não... — negava enquanto seu corpo demonstrava o contrario.
– Sim... – levei minha mão ao seu cabelo o puxando suavemente para trás, de modo que sua cabeça ficasse inclinada e sua boca a centímetros da minha, ela estava completamente entregue... – Ah Elena, você é uma garota tão linda, Eu preciso disso. Agora. – lambi a curvatura do seu pescoço, sentindo o gosto da sua pele.
– Por que isso agora Damon? — sua respiração ofegante colidia com meu rosto, parecendo que a qualquer momento pudesse fundir-se a minha, pela nossa proximidade.
– Eu não sei – confessei – É algo que não consigo controlar. – sussurrei tomado pelo desejo latente em meu corpo.
A tensão sexual que preenchia meu escritório era nítida, seu corpo irradiava calor, e seu cheiro doce invadia minhas narinas, causando um leve tremor pelo meu corpo dificultando minha respiração. Eu estava em estado febril e tão duro que chegava a doer. Como se ainda fosse possível, colei meu corpo no seu, espalmando as mãos sobre as suas.
– Damon. – olhou para minha boca, fechou os olhos e passou a língua sobre os lábios. – Por favor... – sua suplica saiu com um gemido, abriu os olhos tomados pelo mesmo desejo latente que o meu. Eu não sabia se aquele pedido era pra parar ou continuar.
De repente, ela olhou atrás de mim e prendeu a respiração, eu estava tão envolto a essa nevoa luxuriosa que não percebi quando me empurrou bruscamente.
– O que houve? – perguntei enquanto passava as mãos pelo cabelo, nitidamente frustrado, em um momento estávamos a um passo para nos beijarmos, no outro ela estava se afastando de mim.
– Sua esposa? – perguntou e apontando para a foto sob a minha mesa, direcionei meu olhar para a foto.
– Não – disse a verdade – quer dizer... Era, é uma longa estoria. – nem sabia por que estava dizendo aquilo pra ela, ainda estava dominado pela vontade de fazer aquele contato entre lábios.
– Sinto muito. – acalmou a voz e me olhou com piedade.
– Não sinta – endireite minha postura — Ela não morreu, foi desapareceu. – disse observando a janela, não queria olhar nos seus olhos, Aquela sensação luxuriosa se esvaiu a partir do momento que eu recordei dela, aquilo ainda era uma ferida aberta em meu peito e eu não tinha a intenção de abri-la ainda mais.
– Ela é linda. – murmurou – Eu... Eu tenho que ir. – pelo tom da sua voz, ainda estava nervosa e eu não estava longe disso também.
– Elena? – a chamei quando ouvi seus passos.
– O que? – parou de caminhar.
– Desculpa... — pausei — Ter dito aquilo no jantar. Sinto muito pelo seu pai. – confessei em voz alta aquilo que me corroía desde aquele bendito dia, eu não sabia o porquê, mas eu precisava que ela me perdoasse. Ouvi seus passos se aproximar novamente.
– Tudo bem. – sussurrou próximo a mim, me fazendo fechar os olhos — Estamos quites. – disse deixando um beijo casto na minha bochecha – Adeus Salvatore. — quando abri os olhos novamente, a única coisa que ouvi foi o barulho da porta sendo fechada e inconscientemente sorri.
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