This Is About You
10 Pensando em você
Notas iniciais
“Meus pensamentos são uma confusão de ideias misturando sentimentos e desejos.”
(Camilla Morais)
***
Agradeci mentalmente quando o elevador chegou ao térreo e finalmente soltei todo ar preso em meus pulmões que nem percebi que estava segurando.
Passei apressada pela recepção, decidida a sair o mais rápido possível dali, de perto dele, do seu cheiro, do seu toque, da sua habilidade de me deixar entorpecida e instável. Quando estávamos naquela maldita proximidade parecia que nada mais ao nosso redor importava, era como se ele tivesse lançado algum feitiço sobre mim, me deixando incapacidade de resistir.
– Droga! – Resmunguei quando minha bolsa enroscou na catraca antes que eu possa sair do prédio, tentei puxa-la, mas só consegui fazer com que todos os objetos que guardo nela, se espalhassem pelo piso frio – Só pode ser brincadeira! – me ajoelhei e tentei ligeiramente recolher meus pertences, vi o batom que ganhei de Caroline um pouco mais afastado, recolhi tudo e me voltei pra pegá-lo.
– Presumo que seja seu. – uma voz carregada de sotaque, me fez encarar seu braço estendido a minha frente segurando meu batom.
– É sim. – Levantei e olhei para o par de olhos castanhos escuros, combinados com um meio sorriso. – Obrigada – Disse guardando o batom na bolsa, fechando em seguida e reposicionando em meu ombro.
– Disponha senhorita... – Falou sugestivo em seu terno tão azul quanto os olhos de Damon. Mas que droga Elena! Praguejei mentalmente por lembrar o que estou tentando ignorar desde quando coloquei os pés fora daquela sala tão, tão... Quente!
– Gilbert. Elena Gilbert. – me afastei das portas giratórias, enquanto as pessoas passavam se esquivando da gente e seguindo rumo à saída.
– Elena. – repete sorrindo parecendo... Encantado? – Enzo Malarkey. – Antes que pudesse notar, ele beijou o dorso da minha mão, em um típico gesto de cavalheirismo. – Quer tomar um café comigo Elena? – Perguntou enquanto me analisava com seus olhos misteriosos. Enzo era um homem muito bonito, admito. Alto, moreno, cabelos castanhos e pele tão morena quanto a minha. Mas não é ele. Minha Curiosa consciência cantarolou.
– Sinto muito, estou atrasada. – me expliquei, colocando uma mecha teimosa atrás da orelha.
– Outro dia então? — perguntou sorrindo.
– Claro. – disse tentando não parecer hesitante em minha resposta. – Foi um prazer, Enzo. – sorriu antes de me virar e sair pelas postas giratórias.
– O prazer foi meu, Elena. – disse serio. Estremeci quando a brisa do vento bateu em meu rosto e finalmente respiro aliviada, por conseguir sair ilesa.
***
E lá estava eu, sentado na minha cadeira enquanto observava um ponto fixo na parede, desde quando ela saiu por aquela porta, minha vontade era de ir atrás dela e terminar o que comecei.
Seus olhos, seus lábios, seu cheiro... Tudo nela era extremamente convidativo, sua boca chamava pela minha, me tentando a provar a textura e sabor dos seus lábios.
Aquela garota atrevida tinha um magnetismo sobre mim fora do normal, ela me deixava incapacitado de me controlar, de resistir. Ela me desafia me questiona me deixa louco. Suspirei pesadamente. Eu preciso tê-la, caso contrario, eu enlouqueço.
Escutei batidas na porta, e em seguida vi Enzo entrar com um sorriso considerado malicioso.
– Viu algum passarinho verde Malarkey? – sorriu abertamente e se sentou na cadeira em frente a minha mesa.
– Digamos que conheci uma bela mulher, e ela tinha um belo par de pernas no lugar de penas.
– Você é terrível! – finjo espanto.
– Aprendi com os melhores. – gesticulou sugestivo pra mim — Então já pegou a repórter gata?
– Não. – digo – eu estive... Ocupado. – o que me fez lembrar-se de quando dispensei uma noite de sexo com a tal de Mandy, quando resolvi sair atrás de Elena. Eu faria tudo de novo!
– Ah cara! Você tem que dedicar mais horas pro sexo Damon, você passa o dia enfurnado aqui dentro, sai e entra em reuniões e quando chega em casa, aposto que vai trabalhar no escritório. – falou calmamente.
– Você por acaso é meu terapeuta sexual? – perguntei erguendo uma sobrancelha. — Não posso passar 24 horas pensando em sexo Enzo.
– Se eu ficar um dia sem transar, eu enlouqueço. – confessou.
– Isso por que você não sabe controlar sua rotina e muito menos sua vida. — digo enquanto levantava indo me servi de uma dose de uísque.
– Pra você é fácil falar, Você é muito metódico, tem tudo organizado. – ele me seguiu – Não tem hora pra transar Damon – fala indignado.
– Pra mim tem, dia, hora, lugar e principalmente uma mulher que não fale durante o ato. – revirei os olhos me lembrando de Rebekah ensandecida gritando por mais enquanto eu tentava fazê-la calar a boca.
– Não tem prazer maior do que ouvir uma mulher gemendo seu nome. — disse
indo até a porta – Você ainda vai mudar de ideia Salvatore.
– Acho bastante improvável. – ergui o copo de uísque pra ele que riu e fechou a porta atrás de si.
***
Durante todo o trajeto ate meu apartamento, Damon não saia da minha cabeça, seu cheiro estava impregnado na minha roupa, eu podia ouvir sua voz rouca aveludada falando no meu ouvido, e quando me lembrava dos seus toques ousados, minha pele formigava e minhas mãos soavam frio com a vontade reprimida de toca-lo e beija-lo. O que esta acontecendo comigo?
Céus! eu estou ficando louca. Definitivamente Essa era a única opção coerente que tinha em mente. Eu estava assustada por sentir algo tão intenso, durante toda a minha vida nenhum homem me fez sentir um terço do que Damon me proporcionou essa tarde, sem levar em conta, que foi apenas uma “amostra” do que realmente aconteceria se eu não tivesse visto a foto da sua esposa, ou ex, não sei o que ela significa pra ele, já não sei de mais nada. Arggggh eu estou confusa!
– Senhorita, chegamos. – estava tão distraída com meus pensamentos que nem notei quando a porta do carro foi aberta e o taxista sinalizou para que eu saísse.
– claro. – sai apressada – Aqui. – estendi o dinheiro da corrida e subi os degraus do prédio.
– Elena! – Eu. Não. Acredito! Era só o que faltava! – Elena! Não finja que não ouviu! Princesa!
Virei-me e fitei os olhos castanhos que tanto me agradavam, ele se aproximou com as mãos atrás das costas e... sorriu? Estreitei meus olhos e contei mentalmente a te cinco, repetindo meu mantra para situações como essa “Calma Elena, respira.”
– Claro que ouvi, não tenho problemas auditivos! – Tentei usar o máximo de controle que possuía – Apenas estou te ignorando, então se me der licença... – tentei subir o degrau, mas ele segurou meu braço, me forçando a encara-lo.
– Elena, me perdoa meu amor! Eu estava confuso – Confuso? – E você estava me evitando durante as férias e eu... – Evitando? Filho da – Eu te amo, Lena! Você sabe disso, foi um erro! Eu prometo que vou ser o melhor namorado do mundo! Suas preferidas – estendeu um buque de rosas amarelas, sorrindo como se nada tivesse acontecido. Dane-se o mantra!
– Oh! São lindas. – recebi as flores e fingi encantamento, enquanto colocava dramaticamente a mão sobre a boca – Mas as minhas preferidas são vermelhas – gritei jogando o buque no chão, esmagando as pétalas com meus saltos.
– Claro! Como poderia esquecer meu amor. – deu um sorriso nervoso.
– Você pode esquecer sim, assim como esqueceu que eu era sua namorada! – grito com ele – Eu vi Kol, não foi ninguém que me contou, eu vi você se esfregando sem nenhum tipo de pudor naquela vadia ruiva! – Finalizei recebendo olhares nada discretos das pessoas que passavam pelas calçadas. Tentei regular a respiração e prossegui, enquanto ele me olhava atordoado – Olha nem me venha com aquele velho papinho de ”Não é o que você esta pensando” por que eu sei bem o que eu vi! – falei grossa.
– Lena, por favor! — se ajoelhou dramaticamente – Me perdoa meu amor, vamos recomeçar, vamos esquecer tudo isso e...
– Você tá brincando comigo? — ri amarga – Acabou kol, vá embora daqui, eu não quero mais ter que suportar suas mentiras – disse me afastando dele.
– Mentiras? – repete – Dane-se Elena! Você é fria, ok! – parei subitamente de andar.
– O que disse? — perguntei entre dente ainda de costas.
– Que você é a mulher mais fria desse mundo! – ele grita – sabe por quê? Esse tempo todo eu tive que suportar sua obsessão pelos estudos, e essa droga de faculdade! Você não se parece nada com a Elena que eu conheci no ensino médio. Aquela que transava no banco traseiro de um carro! Ela sim era uma mulher de verda... – foi interrompido pela força da minha mão, que acertou o lado esquerdo do seu rosto deixando o local parcialmente vermelho.
– Ele tinha razão, você é um idiota! – Arrumei a bolsa no ombro e entrei de cabeça erguida no prédio, recebendo olhares curiosos e um kol furioso gritando “Desculpa Princesa!” Babaca!
*
– Oh meu Deus! – virei rapidamente de costas, pra não ter que enfrentar a imagem de Stefan e Caroline se pegando sem vergonha nenhuma no sofá da sala.
– Pode se virar Lena, para de drama! – Carol resmungou, e eu hesitantemente virei, encarando uma Caroline descabelada e um Stefan corado tentando abotoar a camisa.
– Hey Elena, tudo bem? – Stefan perguntou sem me olhar.
– Tudo ótimo. – ironizei sorrindo.
– É... Eu vou... Eu vou indo amor. – beijou Carol de leve, em seguida ela disse algo em seu ouvido, o que o fez sorrir abertamente.
– Tchau Elena! – me cumprimentou, antes de passar pela porta.
– Tchau – respondo – Então no sofá? Serio? Nosso sofá Carol! – resmunguei.
– Ai Lena ninguém estava pelado! – se defendeu enquanto arrumava o sofá.
– Ainda. – rebati cruzando os braços e estreitando os olhos.
– Não olhe assim pra mim, até parece que você não vivia dando uns amassos no sofá.
– Mas nunca foi no sofá onde eu e minhas amigas costumamos nos sentar e assistir maratona de friends.
– O que há com você? Está muito dramática. – me avaliou se sentando no sofá e gesticulando para me sentar ao seu lado. Neguei fazendo cara de nojo e ela deu de ombros – Você ta precisando descarregar essa tensão – diz enquanto sigo pra cozinha em busca de um copo com água.
– E eu vou – respondi enquanto a água escorregava pela minha garganta seca – Pretendo tomar um banho demorado e depois cair na inconsciência pelo menos 12 horas seguidas.
– E quem esta falando de dormir? — apareceu na porta da cozinha e me olhou sugestiva – Eu estou falando de uma atividade que requer bastante energia e que no final, mesmo cansada você quer repetir a dose – riu maliciosa.
– Caroline!
– Qual é o problema? Invés de passar 12 horas dormindo, passe transando, o dia inteiro sem intervalo, pratico, gostoso e faz bem pro coração. – deu de ombros, como se aquilo fosse à coisa mais natural do mundo. E não é? Não pra você, senhorita não transa a mais de um ano. Alegou minha consciência.
– É o que você faz quando eu ou Bonnie não estamos em casa? – perguntei divertida.
– Claro, eu tenho um noivo gostoso, então é meio que inevitável. – fiz um gesto negativo com a cabeça e ela riu, eu me rendi e sorri pra ela. Essa é a Carol, direta e indiscreta.
– Então... Como foi com o Damon? – perguntou hesitante.
– Normal – dei de ombros tentando disfarçar meu pequeno suspiro, após a pronuncia do seu nome.
– Só normal? – ela me olhou descrente, mas resolver não levar o assunto adiante – Tudo bem. – pausou – A propósito, você vai ao Bunker Club no domingo, não
vai? – a olhei confusa, e ela tratou de explicar — O aniversario do Stefan. Vamos comemorar, ele relutou no começo, mas eu consegui convencê-lo, ele convidou um amigo dele e a irmã que estar vindo visitar ele e Damon.
– Ah, sim. Vou pensar.
– Qual é Lena? Se for por causa da presença do Damon, nem se preocupe. Stefan nem o convidou, pois sabe que ele vai estar em Seattle esse fim de semana.
Uma onda de alivio e decepção atravessou meu corpo.
– Por favor, eu não quero ficar sozinha. – fez um bico dramático e juntou as mãos como se fosse uma oração.
– Tudo bem, você venceu loira! – revirei os olhos, ela sorriu e bateu palmas, vindo me abraçar.
– Eu te amo Lena.
– Eu também, e prometo ir, se você prometer não transar no nosso sofá. – impus.
– Tudo bem mamãe! – revirou os olhos.
Segui pelo corredor e entrei no meu quarto, me desfazendo das roupas, entrando no chuveiro e me permiti pensar em Damon.
***
Respirei fundo e o perfume dela, se embrenhou no meu olfato assim como n minha sala, aquela fragrância única e doce, que me faz deseja-la cada vez mais.
– Por que você tá parecendo um idiota? – Ric perguntou ao se aproximar do balcão com bebidas. Bufei enchendo novamente meu copo – Não vai me agradecer por ter contado que a morena que você me falou estava aqui? — disse pretensioso.
– Se ela tivesse ido embora de tanto esperar, eu tinha demitido Rebekah e em seguida você. – falei serio apontando pra ele.
– Essa garota mexeu mesmo com você, amigo. – murmurou chocado.
– Não fala besteira. – bufei incrédulo.
– Serio? Besteira? – me olhou como se eu tivesse falando a coisa mais sem sentido do mundo.
– Não estou brincado Ric – Ele me encara – O que você espera, com essa conversa, afinal?
– Quero que admita que sente algo por ela. – Mas que droga!
Ric acha que sabe tudo sobre mim, e o pior é que ele sabe exatamente tudo sobre a minha vida, mas ele está totalmente equivocado quanto a isto.
– Deixa de falar bobagem! – Ele se aproximou com raiva.
– Então você passa a semana inteira me enchendo sobre uma garota que conheceu e que não para de pensar nela, ficou me enchendo a semana inteira de como ela é bonita, você esta caidinho por ela, só não quer admitir. — O olhei incrédulo.
– Não estou caído por ela! – falei exasperado, passando as mãos no cabelo.
– Cala a boca droga, você esta sim. – falou aborrecido.
– Não estou! – agora parecemos duas crianças e isso esta ficando ridículo.
– Por que não estaria? – perguntou calmamente.
– Por que ela me desafia Ric, me surpreende, tem respostas rápidas e afiadas, ela não tem medo de mim, mesmo eu tendo dito coisas horríveis, ela veio ate aqui, ela é ética ric e ao mesmo tempo consegue me fazer perde o controle e você sabe meu problema por controle e ela... – parei de falar por que ele estava sorrindo – O que foi agora droga? — perguntei passando as mãos pelo rosto, ele cruzou os braços e revirou os olhos.
– Linda? Atraente? Sedutora? Vamos, continue esta ficando interessante.
– Isso é ridículo. – sai de perto dele e fui ate a minha mesa.
– É mesmo? – perguntou – Por que sinceramente eu não acho isso, é a primeira vez em anos, que você se refere dessa forma sobre qualquer outra mulher — eu bufo, porque sei onde ele quer chegar.
–Tudo bem! – eu gritei – Eu estou atraído por ela. Pronto falei. Agora para de encher o saco, Alaric. – pausei — Mas que fique bem claro é apenas físico.
– Claro, claro – ele riu – Apenas tensão sexual. E por que não acaba com isso de uma vez por todas, assim vocês dois seguem com suas vidas e você para de me encher sobre ela.
– Dane-se ric.
– A propósito amigo, você tinha razão, ela é mesmo linda, quer dizer maravilhosa, esplendida e... – ele rir
– Cala a boca – grito pra ele – você nem a viu direito. Eu tenho que voltar ao trabalho, então seja direto. O que veio fazer aqui? — ele levou alguns segundos pra se recompor e começou a falar sobre á analise de algum projeto do setor industrial, mas eu estava absorvido demais pra prestar atenção, minha mente estava presa à imagem de Elena contra a parede da minha janela, enquanto eu mordiscava o lóbulo da sua orelha, a ouvindo gemer baixinho. Eu não sabia mais o que fazer, eu precisava senti-la, eu necessitava dela, eu a queria possuir como nunca desejei ter outra mulher que não fosse Rose, e eu a teria, nem que se pra isso, tivesse que suportar sua língua afiada e seu jeito atrevido.
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